terça-feira, 2 de outubro de 2018

CAPÍTULO LX - O ASTRÓLOGO COMO CIENTISTA, ARTISTA E SACERDOTE-PROFESSOR


Os símbolos do círculo, seus quadrantes, os Signos zodiacais, os Astros e seus Aspectos devem ser entendidos como sendo símbolos essenciais da vida, seus objetivos e funções, isso se colocarmos a Astrologia no justo lugar da família das iluminações. A abordagem que considera qualquer coisa descrita na astrologia como essencialmente má torna, relativamente, impossível se realizar adequadamente o trabalho construtivo; e mais, tal abordagem tem quase tanta correspondência com a verdade astrológica como o tem a versão cristã do “infernofogo-e-condenação” com os ensinamentos básicos e luminosos de Jesus.
Filosofia significa “Amor à Sabedoria” e são vários os caminhos que se oferecem aos seres humanos para alcançar o conhecimento. Considerando que a Astrologia é um dos principais caminhos por onde a humanidade pode obter a iluminação, dedicamos este trabalho a todos os estudantes para que possam obter um reconhecimento mais claro dos três caminhos que deveria ser percorrido por eles, em algum grau, se eles estão firmes em realizar seus objetivos como “astrofilósofos”.
A roda do horóscopo e seus “ingredientes vibratórios” contém os segredos essenciais de toda classe dos esquemas humanos em todas as suas formas, níveis e graus. A progressão da roda, do Ascendente à décima segunda Casa, caminhando na ordem inversa à dos ponteiros do relógio, abre à nossa visão o “para frente e acima” do desenvolvimento evolucionário, que se expressa pela canção do “EU SOU”, em seus quatro quadrantes. A “Trindade Cósmica” é fisicamente manifestada no que usualmente chamamos “as três dimensões” de comprimento, largura e altura, mas nenhuma dessas três dimensões pode se manifestar sem as outras duas. Essa tri-unidade de uma dimensão física composta tem sua correspondência astrológica na tri-unidade da divisão de cada quadrante de três Casas; os quatro quadrantes são então vistos para expressar a totalidade da roda em doze Casas – os quatro níveis de consciência e desdobramento tridimensional. Essa é a representação simbólica do “Progresso do Peregrino”. 
Já que os esquemas da roda de doze Casas descrevem o progresso essencial de todo o desenvolvimento humano, então, naturalmente, seus símbolos podem ser relacionados às nossas experiências, como astrólogos. Em outras palavras, certas faculdades e qualidades específicas da consciência, abarcam, em conjunto, o aspecto “astrológico” de nosso ser; e por um determinado número de encarnações esse ramo de consciência é empregado de um certo modo, como um fator da nossa evolução.  
Nossa “consciência astrológica”, por causa das suas especializações, pode ser admitida como uma “sub-entidade”, na entidade de nossa consciência composta, do mesmo modo que poderíamos dizer, que o “amarelo” ou o “roxo” são sub-entidades de um conjunto que chamamos “cor”.  Cada sub-entidade tem, naturalmente, suas divisões principais que, por sua vez, têm infinidades de formas de expressão. Assim acontece com a roda e os Signos que se subdividem em decanatos, graus, minutos e segundos. 
A “parte astrólogo” da consciência do ser humano é um conjunto de fatores que o torna cientista, artista e sacerdote-professor. Assim como as vibrações cardinais de cores estão ligadas entre si pelas suas gradações, então esses três correlativos humanos se misturam para criar o “espectro” da consciência astrológica. Todos os que trabalham em astrologia tendem, em determinado grau, a se alinhar, essencialmente, com uma dessas três categorias, mas devemos atingir a “síntese de nós mesmos”, com todas as três, se queremos que o nosso desenvolvimento astrológico seja completo e organizado.
Os significados essenciais das três primeiras Casas contêm os segredos dos três quadrantes remanescentes: 2ª, 3ª e 4ª sendo “extensões” do primeiro. Considerando como uma visão de “raio-X” do primeiro quadrante, podemos desbloquear o segredo dessas qualidades e capacidades da consciência humana que, em uma expressão especializada, dão uma definição ao nosso “eu astrológico” – a soma de quais imagens da humanidade como “astro-filósofo”. 
A primeira Casa: o Ascendente de cada horóscopo é a primeira declaração de “EU SOU”; o envoltório físico que instrumentaliza a consciência é a ciência do ser e da manifestação física; é a consciência da “existência” de todas as coisas; é a consciência exotérica que identifica a humanidade como fator no Universo manifestado; no início o ser humano  percebe essa manifestação como forma exterior a si; subsequentemente, na crisálida da consciência da primeira Casa, ele percebe a multidimensionalidade da vida, por meio do conhecimento e da realização “esotérica” ou “subjetiva”.
Como expressão da primeira Casa, o astro-filósofo é “astrólogo-como-cientista”. Sua abordagem busca se firmar no seu desejo de compreender a expressão física da vida, sob ângulo diferente do que ele já tinha conhecido antes. Sua atenção está focalizada na forma; ele, naturalmente, presta uma atenção cuidadosa na qualidade e mensuração das coisas.  Ele treina a si mesmo, com meticulosa precisão, em relação aos cálculos matemáticos, porque sabe que eles constituem o esqueleto sobre o qual se desenvolverão suas habilidades interpretativas. Ainda mais, ele procura desvendar os segredos dos símbolos abstratos e na proporção em que eles participam dos processos de manifestação do Mundo Físico. Ele reconhece que as funções da humanidade pelos seus princípios especializados, da mesma forma como uma máquina funciona, segundo seus princípios mecânicos. Estuda os eventos na medida em que surgem, dentro do aspecto formal dos esquemas astrológicos em ação. Estuda seu próprio tema em termos sincronizados de eventos com os Aspectos, isto é, procurando relacionar as influências e experiências que sente com os Aspectos de seu tema. Nos primeiros estágios de desenvolvimento identifica seus Aspectos relacionando-os com as vibrações exteriores.
Uma vez que ele é “expressão da primeira Casa”, o astrólogo-cientista é um pioneiro astrológico. Ele é um desbravador no sentido de que ele “projeta” o conhecimento das verdades astrológicas no seu círculo de convivência e de associações. É um “estimulador” que leva o conhecimento de “um novo assunto” a seu círculo imediato de relacionamento ou ao mundo em geral.
Os desenvolvimentos do astrólogo-cientista são mostrados pela primeira Casa do segundo e terceiro quadrante, isto é, da 4ª e 7ª Casas. É através delas que o astrólogo-cientista começa a desenvolver seus conhecimentos subjetivos, porque, nesses níveis, ele deve se converter seus “olhos de astrólogo-cientista” nos temas daqueles a quem ele é projetado nos padrões de família e dos relacionamentos. A “cientificidade” de sua abordagem é impulsionada, naturalmente, para tentar entender os temas daqueles que lhe são mais queridos e próximos, no relacionamento pessoal. O astrólogo-cientista falhará, nesse ponto, se permitir a influência de sentimentos em relação à pessoa cujo horóscopo esteja interceptado. O objetivo, não emocional, científico da parte dele deve ser treinado e disciplinado para se manter naquilo que é verdade, sem se identificar com sentimentos que ele tem pela pessoa cujo tema ele está estudando. Desse modo, o astrólogo-filósofo provará o valor do trabalho “impessoal” da natureza de desejos; torna possível uma técnica em que a Mente pode ser treinada a “ver claramente”, a despeito das solicitações de sua natureza de desejos; como astrólogo-filósofo, nós devemos adquirir e manter essa atitude impessoal e científica em relação a todos os temas.
Na expressão da décima Casa, o astrólogo-cientista expande seus estudos pela inclusão da compreensão de muitos, senão de todos os padrões de interpretação. Ele estuda a astrologia horária; ele estuda os temas de nações e dos governos, dos grupos, de instituições e dos eventos que afetam a muitas pessoas. Estuda a astrobiologia e astrodiagnose; ele sabe alguma coisa de como um mesmo assunto é encarado por “sistemas diferentes” de análise. Em outras palavras, essa cientificidade se amplia a fim de possuir melhor compreensão das vibrações essenciais de todas as espécies de manifestação da vida objetiva da humanidade. O astro-cientista que mantém seu interesse não comercial no assunto tem a melhor chance de se desenvolver de forma rítmica e natural. 
A segunda Casa, abstratamente regida por Vênus, é o correlativo feminino da primeira Casa. Ela é a primeira das Casas Fixas. Sua cúspide é o ponto inicial do símbolo-Trígono, que inicia aqueles níveis de consciência pelos quais o astrólogo artista nasce. É o único Signo feminino do primeiro quadrante e inicia as duas triplicidades dos Trígonos dos Signos de Terra e de Água que abrangem a simbolização dos recursos e afinidades emocionais da humanidade; o impulso para amar, para transmutar, o impulso para beleza, para dar o aspecto estético das visões, inspirações, aspirações, sonhos e ideais de toda ordem. 
O termo “astrólogo-artista” é usado para designar aquela parte de nossa consciência que lança a primeira Casa em termos de identidade com as demais e não meramente a “compreensão das coisas”. A segunda Casa é o centro de amor que toda vocação artística cultiva. Por ela, todo serviço verdadeiro é projetado e todo refinamento realizado. O astrólogo-artista vê na astrologia um canal para a liberação de suas necessidades emocionais; também, por meio do conhecimento acumulado em seu “estágio científico”, ele expressa o desejo de harmonizar e embelezar a vida humana, trazendo para os demais um conhecimento da bondade e das belezas essenciais contidas nos grandes Princípios da Vida, tais como esses são simbolicamente expressos. 
A mola mestra da motivação do astrólogo-artista é a simpatia, um atributo básico da consciência feminina (segunda Casa: Touro, regido por Vênus, ponto de exaltação da Lua). Ele quer ajudar, encorajar, consolar, elevar e inspirar. Se ele não estiver firmado nos requisitos do “estágio científico”, seu impulso para ajudar e para expressar seu sentimento de simpatia podem ser, até certo ponto, impedidos, porque ele falhou em treinar a si mesmo nas técnicas sobre o assunto. Em outras palavras, por motivação pessoal intensa, do centro dos sentimentos ele deve desenvolver o “lado da forma” do assunto, a fim de que sua interpretação resulte em figuras precisas. Por seu apego à sinceridade de motivação, o astrólogo-artista evita as armadilhas que possam lhe surgir no caminho, oriundas de todos aqueles cuja afinidade emocional é a nota-chave de suas naturezas. Essas armadilhas poderiam ser a simpatia descontrolada pelo conhecimento; a falsa piedade pela qual ele se arrisca a voltar ao ponto de uma nova direção que foi mostrado no tema e o malogro na percepção de COMO CADA INDIVÍDUO PODE APRENDER A SE AJUDAR A SI MESMO PELA COMPREENSÃO DE SUA PRÓPRIA NATUREZA.  O astrólogo-artista “completo” cultiva o desapego e neutralidade para evitar o contágio emocional das pessoas cujo horóscopo examina; ele utiliza seu conhecimento do Princípio de Causa e Efeito na conformidade em que ele se manifeste no horóscopo, vendo como essa Lei age nesse horóscopo. Contudo, seu Coração, sua Mente e suas mãos estão abertos e dispostos para receber e ajudar a todos que necessitem de uma orientação; o astrólogo-artista é fiel à verdade e se exercita naquelas áreas de consciência e faculdades, por meios das quais a inspiração e a intuição brotam, para ajudá-lo gradativamente mais. 
A terceira Casa é onde o astrólogo-cientista combina as qualidades da primeira e segunda Casa, lhes adicionando o conhecimento da consciência humana e tornando possível a interpretação dos esquemas astrológicos em suas fases mais profundas e subjetivas. Ele tem habilidade, uma mentalidade treinada e uma técnica perfeita. A todas estas qualidades junta um coração compassivo – uma consciência calorosamente receptiva para com as íntimas necessidades de seus semelhantes.
Para isso, acrescenta ao anterior, um completo domínio mental do significado de todos os símbolos astrológicos e esquemas, de conformidade com o que exprimem dos estados de ser de relacionamento e de evolução e não apenas para mostrar os acontecimentos e sofrimentos. Considerando que a terceira Casa é polarizada na nona Casa, vemos que o astrólogo-filósofo do tipo da terceira Casa é cientista, artista e professor. A composição de sua consciência lhe permite que seja designado como sacerdote-professor ou astrólogo-sacerdote. É um “irmão mais velho” para todos os que nele buscam orientação, porque passou pelos estágios de experiência pelos quais passaram os que lhe solicitam ajuda e pode, por isso, compreendê-los muito bem. Compreende os outros por meio de suas próprias experiências.
Conhece o sexo e o casamento, em variadas vivências, porque destilou compreensão de suas encarnações passadas, como homem e como mulher; ele conhece a condição de marido e esposa, paixão e sacrifício, infância e paternidade. Sabe que o exterior é um reflexo do interior e busca, sempre, fazer que os outros se familiarizem com essa verdade. Permanece como intermediário amoroso entre a ignorância do ser humano e sua iluminação; o astrólogo-sacerdote desempenha a mesma função em seu serviço astrológico que qualquer sacerdote sincero cumpre suas tarefas de cerimônia religiosa; como sacerdote, “vê o problema” do vantajoso ponto de vista da sabedoria. O astrólogo-cientista conhece o efeito das forças vibratórias sobre os indivíduos e grupos; e o astrólogo-sacerdote compreende a vida vibratória da humanidade. O cientista é objetivo, o sacerdote é subjetivo; o artista pode ser uma coisa ou outra, pois depende de sua ligação a uma ou a outra, em menor ou maior intensidade. Contudo, a motivação do astrólogo-sacerdote não é científica; embora também inclua aquele aspecto, iluminando e valorizando sua consciência, que abrange os mais elevados e transcendentais níveis da Mente e do Coração.
O desenvolvimento do astrólogo-filósofo como sacerdote-professor é muito interessante porque a última fase de sua “cruz” (os Signos Comuns) é a décima segunda Casa: o “final” da roda. Sendo ele um composto dos dois primeiros tipos e mais alguma coisa, seu desenvolvimento é resultado de experiência e de méritos comparativamente maiores dos que os conquistados pelos outros dois aspectos.
Em seu “primeiro estágio”, o astrólogo-sacerdote é o moralista, sub-expressão da nona Casa. Suas interpretações literais são necessárias porque ele ainda não tem suficiente experiência para dar forma à sua compreensão. Nesse nível, o astrólogosacerdote vê o tema como um “desenho do bem contra o mal”. Uma vez que permaneça como ponto de diferenciação desses dois fatores na Mente das pessoas a quem orienta, elas são atraídas a ele pelo poder vibratório da simpatia: sua “consciência moral”, ponto focal de suas interpretações. Muitas vezes, nessa posição, ele não pode perceber a “relatividade” daquilo que chama de “bem e mal” e lê no tema de quem lhe procura seus próprios padrões. Ele pode ter o melhor dos dois primeiros tipos, mas, nesse estágio, a verdade lhe é de certo modo vedada. A polaridade da terceira Casa e da nona Casa resulta do quadrante iniciado pela sétima Casa, realizada pelas transmutações da oitava Casa. A compreensão decorrente está representada pela nona Casa. É o que o astrólogo-filósofo, como astrólogoprofessor, se empenha em desenvolver, como a porta para um quarto-quadrante.
A terceira Casa “floresce” na sétima e décima primeira Casas; nesses pontos, o astrólogo-sacerdote encontra o “paralelo” entre ele e todas as pessoas; a medida que seu desenvolvimento progride pelas transcendências de suas experiências, ele realiza o amor-sabedoria. Ele reconhece o humano é a suspensão do cósmico em todas as suas expressões e, em si mesmo, ele encontra aquilo que reflete as soluções dos problemas das pessoas a quem deseja ajudar. Então, entende que o objetivo composto do astrólogo-filósofo é perceber que o pior da pessoa a quem deseja ajudar é o seu pior, em algum momento do passado; o melhor é uma iluminação nos cantos escuros das condições e reações da pessoa a quem deseja ajudar daquelas condições. Sua sabedoria e seu amor se tornam, desse modo, insondáveis, no redirecionamento dos padrões humanos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

CAPÍTULO LIX – A EXPERIÊNCIA ANIMAL


Esse tema é apresentado para a consideração dos estudantes que, em seus estudos, frequentemente se perguntam a respeito de “horóscopos de animais”. Claro que essas indagações são perfeitamente legítimas – sendo pertinentes a um fator familiar de experiência de vida, a qual é de grande interesse para muitas pessoas.
Devido a Astrologia ser essencialmente um estudo da consciência, como uma ciência vibratória ela se aplica a qualquer forma ou plano de vida e à consciência que anima e instrui essa vida. Se o nosso conhecimento de Astrologia fosse, por si mesmo, grandemente estendido além de sua presente esfera, poderíamos – sendo todos os outros fatores iguais – fazer o horóscopo de animais individuais, conforme o fazemos de indivíduos humanos; poderíamos fazer os horóscopos dos Astros, dos Sistemas Solares e das galáxias, assim como daquelas minúsculas formas de vida que habitam esse Planeta. Quando a Astrologia é compreendida como sendo o estudo daqueles princípios ou leis pelos quais toda consciência evolui, então sua aplicação útil à vida por todo o cosmos pode ser percebida pela correspondência com a vida que conhecemos como humana.
Contudo, e aqui é o nó da questão, para compreendermos a Astrologia de outras formas e ondas de vida precisamos conhecer a consciência pertinente a aquelas formas e ondas. Podemos observar e estudar as evidências de outros tipos de consciências diferentes da nossa, mas sendo “particular e peculiarmente Humanos Terrestres”, nós não podemos compreender os planos de consciência com os quais outras formas, sub-humanas e super-humanas, estão alinhadas. De fato, muitos humanos têm apenas uma observação turva e distorcida da consciência do seu semelhante humano! A vida Animal é animada a partir de um centro diferente do nosso – sendo nós humanos muito mais autônomos, e estando os animais muito mais sob um guia especializado.
Diz-se que as linhas evolutivas sub-humanas, as que agora constituem os mamíferos, alcançarão sua evolução máxima por meio do padrão humano. Assim, não somente é de interesse, mas de grande importância que aprendamos a espiritualizar nossa consciência dos membros do reino animal e nossa relação com eles; eles são fraternos conosco, como habitantes desse Planeta, e nós, como a expressão evolutiva mais elevada, temos uma responsabilidade decisiva para com eles tal como a têm os irmãos e irmãs mais velhos para com os mais novos em uma família – a correspondência no relacionamento é quase exata.
Por conseguinte, embora não possamos “fazer as Cartas Astrológicas” dos animais, podemos estudar nossas próprias Cartas em relação às nossas experiências com a vida sub-humana e nossos sentimentos acerca dela, expandindo, desse modo, nossa consciência de evolução nesse Planeta. Usando os fatores astrológicos que costumamos usar, uma Carta calculada para a hora de nascimento, por exemplo, de um gatinho ou um cachorrinho representaria o significado do animal para nossa experiência; o mesmo se aplicaria à hora de nossa decisão de trazer para o nosso lar um novo animal de estimação ou qualquer outro animal, para nossa experiência pessoal. No último caso, a motivação e o propósito representariam as notas-chaves da leitura astrológica; essa Carta, correlacionada com a nossa Carta Natal, representaria os fatores inter-relacionados da experiência que poderíamos ter com o animal. Uma Carta calculada para a hora em que escolhemos o animal poderia indicar os pontos básicos referentes à conformidade do animal ao nosso propósito. Muitas pessoas acham que seu relacionamento com um animal inicia uma experiência significativamente notável, e essas possibilidades de experiência são o que estudaremos.
A consciência humana individual de relacionamento não faz acepção de pessoas ou coisas. Um homem pode amar sua esposa e seus filhos com ternura, solicitude e devoção, mas se sua consciência de relacionamento contém uma área de ódio, medo ou preconceito de e para com outro homem – ou outras pessoas – que sejam por acaso de outra raça ou nacionalidade, sua consciência de relacionamento não é clara ou pura. Uma mulher pode preencher os requisitos de seu trabalho profissional com um escrúpulo inabalável, mas se sua atitude para com seus colegas de trabalho – ou uma colega – é manchada com a inveja ou falsa superioridade, então sua consciência de relacionamento para com sua profissão fica correspondentemente manchada.
Muitas de tais ilustrações hipotéticas podem ser consideradas; o ponto a se considerar é esse: nosso relacionamento com outra pessoa é qualificado primeiramente por nosso sentimento acerca dele ou dela; essa área do sentimento é acesa pelo contato vibratório com a pessoa. Em outras palavras, outras pessoas simbolizam qualidades de consciência para nós porque, pela ação da simpatia vibratória, qualquer pessoa pode servir para estimular qualquer ponto de sentimento em nossa consciência de relacionamento. Até que alcancemos uma verdadeira compreensão, nós tendemos a identificar a pessoa com a qualidade estimulada em nossa consciência de relacionamento; quando tenhamos alcançado a sabedoria do relacionamento, saberemos que nossas reações de natureza desagradável devem ser transmutadas em potência espiritual de boa vontade (Amor). Por conseguinte, todos os pontos na consciência de relacionamento que identificamos como ódio, inveja, despeito, medo, falsa superioridade, tirania, etc., podem ser compreendidos como “materiais” para se usar no exercício transmutador. O fato de que muitas pessoas provaram a lei da boa vontade por meio de seus esforços transmutadores pode ser verificado em uns poucos minutos de reflexão sobre o assunto.
Qualquer foco magnético de atração no relacionamento pode ser utilizado para intensificar negativos existentes na consciência ou para alimentar as qualidades regeneradas já desenvolvidas. E “relacionamento” é seu ponto de vista de você mesmo em alinhamento vibratório com qualquer outra pessoa, criatura, coisa, atividade, acontecimento, esforço ou ambiente. Seu horóscopo natal desempenha seu maior serviço ao representar para você suas tendências básicas de ponto de vista na consciência de relacionamento. Compreender, verdadeiramente, essas tendências e as maneiras de usá-las retamente é conseguir a chave mestra de todas as outras fases do estudo de sua Carta. A evolução da consciência da humanidade é adiantada em proporção direta à medida que cada ser humano aprende a se alinhar corretamente no relacionamento com os seus semelhantes humanos e seus semelhantes animais.
Preste atenção, cuidadosamente, às últimas quinze palavras do parágrafo acima. Aquilo que agora é, foi determinado por aquilo que era; aquilo que há de ser, será determinado por aquilo que agora é. Cada ser humano do atual período de manifestação na Terra esteve alguma vez no “status animal”; cada animal é agora potencialmente um humano. Em nenhum sentido absoluto um humano é “superior” a um animal; a diferença está simplesmente no tempo de evolução. A veracidade dessa asserção será percebida instantaneamente se considerarmos o fato de que todos os Iniciados, Mestres e Adeptos – a vanguarda espiritual da atual humanidade – servem ao inspirarem e encorajarem nosso desenvolvimento e progresso espiritual. Se eles, usando uma hipótese absurda, se relacionassem conosco por meio de uma “superioridade absoluta”, por que razão seríamos incentivados, de todos os modos, a “trilhar o caminho que eles trilharam”? Se nós nos relacionassem com os animais por meio de uma “superioridade absoluta”, não haveria impulso no coração humano para melhorar as condições deles, não haveria o inspirado ímpeto para amá-los. No entanto, muitos humanos amam os animais com simpatia e abnegada devoção. Isso por si só não é uma prova de que nós sabemos intimamente que os animais trilharão o caminho que trilhamos agora? O ser humano ao se tornar totalmente consciente de sua confraternidade com os animais atinge um clímax no curso de sua jornada evolutiva; é uma tremenda expansão de sua consciência de Amor, e nesse ponto essa experiência é, inevitavelmente, acompanhada de uma compreensão maior da natureza do amor divino.
Toda posição e Aspecto em sua Carta Natal podem ser estudados como representando uma fase ou tendência de sua consciência de relacionamento. Portanto, suas atitudes e seus sentimentos para com a vida sub-humana também são representados por esses fatores do horóscopo. Uma vez que o relacionamento com a vida sub-humana está entrelaçado, intimamente ligado, na textura da experiência evolutiva humana, vamos considerar esse assunto tal como é representado pelo Grande Mandala Astrológico. Para referência à parte, faça uma cópia dele: o círculo de doze Casas tendo ao centro o símbolo tradicional do Sol; Áries como Signo Ascendente, e os trinta graus de cada Signo para cada Casa; os Regentes astrais dos Signos colocados aproximadamente nas Casas que “regem”.
Para penetrarmos no sentido mais profundo da confraternidade entre humanos e animais, consideremos primeiramente o diâmetro Sagitário-Gêmeos, os Signos da nona e terceira Casas do Grande Mandala que são regidos por Júpiter e Mercúrio, respectivamente. Júpiter, no sentido cósmico, é o Princípio da Função Orgânica e o Princípio de Hierarquia. É o poder da Mente Divina pelo qual todo fator de um arquétipo é concebido em perfeito relacionamento com todos os outros fatores, para função, expressão e uso (É opinião considerado do autor que Vênus, como regente de Libra está Exaltado em Sagitário; sua Exaltação em Peixes deriva de sua regência de Touro). Como o Princípio da Função Orgânica, Júpiter representa o crescimento de partes de uma coisa em termos de seu propósito e em termos do inter-relacionamento com as outras partes da mesma coisa. Como Princípio de Hierarquia, Júpiter representa a função inter-relacionada das coisas em termos de inteligência relativa ou suscetibilidade relativa às forças da inteligência.
Nesses termos, vê-se a colocação das partes de uma coisa em relação a outras partes correspondendo à afinidade com a inteligência diretiva. Sagitário é polarizado por Gêmeos; o terceiro Signo do Grande Mandala contado a partir de Áries e no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, sendo o significador zodiacal da raiz da consciência fraternal; e consciência fraternal é aquela percepção clara de “paralelismo” ou “similitude correspondente” no relacionamento. Todas as células do seu corpo são fraternais uma com as outras, sendo parte celulares do mesmo corpo; mas as células dos seus dois olhos são fraternais por especialização. Todos os habitantes desse Planeta são fraternais uns com os outros, mas todos os mamíferos são fraternais por especialização, entre si os humanos também são “especialmente fraternais”, os quadrúpedes são “especialmente fraternais” entre si, as aves são “especialmente fraternais”, etc. Cada especialização tem uma especialização adicional, mas todas as especializações são agrupadas na unidade: os Habitantes Terrestres. Os Planetas do nosso Sistema são “fraternais uns com os outros”, e o nosso Sistema é especialmente fraternal com os outros seis Sistemas que compreendem nossa galáxia imediata. Em qualquer plano de dimensão que você considere, a função orgânica em termos de hierarquia e fraternidade está ilustrada. Isto significa que a consciência de fraternidade do ser humano não está completa até que ele se conscientize do valor dessa convivência inter-relacionada, nesse Planeta, com todas as outras criaturas, sub-humanas e super-humanas. Uma questão, naturalmente, surge desse ponto: o que nós humanos podemos fazer, e o que precisamos fazer, relativamente aos nossos sentimentos acerca dos habitantes de outros Planetas? Essa pergunta pode ser respondida por cada ser humano, por si mesmo, no devido tempo.
O serviço é também uma coisa de “reciprocidade”; aquele que deseja ser bem servido deve, por sua vez, servir bem. A vida animal é utilizada para servir aos humanos, e com abuso dos princípios do serviço, por épocas incontáveis e nesse abuso de princípios do serviço o ser humano gera muito destino maduro indesejável. A sexta Casa e o Signo de Virgem simbolizam a consciência humana do princípio do serviço; esse é exteriorizado pelas experiências do ser humano como um servidor e por seus relacionamentos com aqueles que o servem, sejam animais ou humanos. A vida animal tem sido e é sacrificada para servir de alimento ao reino humano, mas o que dizer do ser humano que abusa do serviço (inconsciente) da vida animal pela destrutividade insensível e arbitrária? A sexta Casa é polarizada pela Casa doze e pelo Signo de Peixes; você pode ver a possibilidade de muitos humanos, por meio de um ato de paixão descontrolado nessa vida, passarem muitos anos confinados em prisões como um resultado de destino maduro de destruição malvada de vidas sub-humanas, ou danos a elas, em uma encarnação anterior? A maldade e a destrutividade estão na consciência, e quer sejam elas dirigidas contra os humanos ou contra os sub-humanos, isso não invalida a potência do destino maduro.
A vida, de uma maneira ou de outra, impõe restrições àqueles que, por seus atos, provaram não estar qualificados para desfrutar de liberdade. Portanto, se você tenciona comprar animais – ou outro meio de admiti-los em sua experiência – para o serviço, inclua em seu projeto dar bom serviço aos que vão servi-lo. Se você depende deles para a realização de atividades de trabalho, correspondentemente eles dependem de você quanto a cuidados e proteção. Se sua atitude para com seu servidor sub-humano é a de respeito – que é Amor – você não estará fugindo à sua responsabilidade e ele estará capacitado a executar o máximo de serviço para você. Além disse, pela experiência mútua no Amor, você adiantará a evolução do animal pelo treinamento e ele adiantará suas necessidades mundanas, sem que você gere um destino maduro punitivo.
Muitas pessoas cuidam devotadamente de seus companheiros animais e, ao mesmo tempo, adotam atitudes muito limitadas e constrangedoras contra seus companheiros humanos. Parece que o destino maduro relativo ao mundo animal está sendo expiado por esse tipo de programa de vida. Essas pessoas estão sendo focalizadas, na presente vida, numa especialização da consciência de vida e amor; é possível que somente expressando amor e dando serviço aos seus “companheiros animais” possam essas pessoas polarizar espiritualmente sua consciência de relacionamento de modo a desenvolver, subsequentemente, apercepções mais ricas e mais elevadas de respeito e boa vontade para com os humanos. Essa faceta da experiência humana poderia ser ilustrada pelo diâmetro Leão-Aquário, sendo polarizado em cruz pelo diâmetro Escorpião-Touro. A regeneração dos resíduos emocionais negativos, representada por Escorpião, sendo exteriorizada pela mordomia da vida animal, representada por Touro, é a maneira pela qual a consciência de Amor Leão-Aquário, temporariamente restringida, é repolarizada internamente para melhor liberação posterior.
Concluindo: consideraremos o significado do Trígono de Ar para o relacionamento dos humanos com os animais. Libra, Signo Cardeal e de Ar regido por Vênus, é a apercepção da relatividade, o cerne básico, essencial da consciência de relacionamento; é a apercepção que possibilita a qualquer humano realizar relacionamentos com as vidas subumanas, humana e super-humana. Aquário, Signo Fixo e de Ar, regido por Urano, é o recurso da consciência de amor impessoal, transcendental, pelo qual o humano realiza o impulso e a capacidade para amar a vida mesma através de quaisquer de suas formas externas. Aquário ilustra o amor sentido por Luther Burbank pela vida das plantas, o laço de amor que une um ser humano cego ao seu cão-guia; é a consciência de amor regenerada que une os humanos em grupos para fomentarem o bem-estar do sub-humano. Gêmeos, Signo Comum, de Ar e regido por Mercúrio e nono Signo a partir de Libra, é a apercepção do relacionamento como fraternidade – essa sábia consciência de similitude pelos quais os humanos percebem sua união com os outros humanos e com quaisquer ou com todas as outras formas de vida. São Francisco, o inspirado místico que amava a vida, chamava de “irmãos” ou “irmãs” a todos os seres viventes; ele sabia que era um “irmão mais velho” daqueles que se arrastavam ou voavam e, amando-os como os amava, entendia o amor de Deus por ele. Que a Luz e o Amor interpenetrem a consciência que temos de todos os nossos companheiros na vida.

domingo, 1 de julho de 2018

CAPÍTULO LVIII – A FACULDADE DA INTUIÇÃO


            Intuição: nosso senso interior alado, o poder perceptivo mágico pelo qual um humano após muitas e muitas vidas de regeneração, purificação e simplificação  conscientes, é capaz de efetuar uma compreensão instantânea de um fato espiritual ou lei inerentes em qualquer expressão de fenômenos, experiência ou relacionamento. A presença dessa faculdade ou poder espiritual na consciência de um humano é evidência de sua perseguição dedicada à verdade e empenho dedicado a espiritualizar sua autonomia (auto comando) através do amor.
Egos que desenvolveram essa faculdade aparecem em muitos lugares por toda história da humanidade, mas estão agora encarnando em maior número que antes. Estas pessoas, representam a vanguarda na preparação evolucionária da Nova Era; eles trazem a partir de seu desenvolvimento em vidas passadas a evidência do potencial da Intuição possuída por todos os humanos e que todos estão para desenvolver e expressar eventualmente. A presente expansão na exploração e invenção científicos expressa esse "advento da Nova Era" pois a habilidade humana de inventar mecanismos e instrumentos se baseia na percepção intuitiva de princípios. Considere aquele mecanismo que mais perfeitamente expressa a faculdade intuitiva: a calculadora eletrônica. Este mecanismo produz quase instantaneamente a solução matemática acurada de combinações e problemas tão complicados que mesmo pessoas altamente treinadas precisam de horas para resolvê-los. Reconheça, por correspondência, que a intuição humana em ação se baseia no mesmo poder de acurácia, percepção sintética que é expressa por essa máquina fabulosa.
A palavra "intuição" deriva de duas palavras de raiz latina que em conjunto significa olhar dentro. Pela ação sincronizada de nossos dois olhos – a expressão física polarizada da percepção visual - nós olhamos para as coisas. Mesmo o estudo de uma imagem de raio-x revela apenas aquele aspecto do físico que está abaixo da superfície externa. É pela ação do olho único da percepção verdadeira, manifesta no plano físico como a glândula pituitária, que percebemos interiormente aquilo que está dentro do físico, aquilo a partir de onde o físico provém. Cada mecanismo criado pelos humanos representa a exteriorização de uma percepção intuitiva de um princípio do cosmos. Pense na genialidade do humano que pela primeira vez percebeu intuitivamente o princípio da roda e reproduziu aquele princípio em forma física! Seja o princípio do barco, ou o uso do fogo, ou o princípio do rádio, ou aquele do cinema; todos esses instrumentos do mais simples ao mais complexo, foram percebidos como aplicações de princípios cósmicos à forma e percepção, em cada caso, percebidos interiormente como funcionamento intuitivo. Foi dito, com verdade, que um humano não pode inventar um aparelho ou mecanismo, cujo princípio não tenha correspondência com uma faculdade atual ou potencial do humano. O inverso pode ser dito: Os poderes interiores do humano pode descobrir formas e meios de exteriorizar cada e todo princípio do cosmos que tenha correspondência com as potencialidades humanas. O dito antigo porta verdade: não há nada novo debaixo do Sol; há apenas diferentes formas de exteriorização do que é percebido “debaixo do Sol” e a percepção é sempre algum grau de ação intuitiva. Apenas as faculdades superiores tornam possível a percepção do que é “novo”, e dentre todas essas intuições está aquela que mais diretamente evidencia a “regeneração do eu pelo Eu”.
Uma das mais perfeitamente puras correlações encontradas em todo o reino da Astrofilosofia é aquela da faculdade da Intuição com o planeta Urano. Há uma completa correspondência em todos os pontos desta identificação. Urano é o princípio liberador no cosmos. A Intuição é a faculdade mais completamente liberta do Ego; Urano é o princípio de síntese, a faculdade da Intuição provê o Ego com a mais completa compreensão sintética daquilo que se considera; Urano simboliza a pureza do amor impessoal, Intuição é aquele poder claro do Ego quando está completamente livre dos erros do preconceito – aprovação ou desaprovação pessoal; Urano, no reino da consciência genérica, simboliza o perfeito balanço polar da verdadeira androginia (homem - mulher). Intuição é aquele poder do Ego de mergulhar nos profundamente escondidos recursos do conhecimento e compreensão derivados de encarnações passadas tortuosas enquanto final e feminina (as finale and female); Urano, enquanto regente de Aquário, simboliza a apoteose da consciência de fraternidade; a Intuição torna possível para um humano perceber verdadeiramente as similaridades e correspondências entre suas próprias experiências e as de outro humano; Urano simboliza a descolada e despretensiosa apreciação do Amor; a Intuição é a percepção descolada e despretensiosa da verdade inerente em qualquer fase do fenômeno ou experiência. De todos os planetas em nosso sistema solar, Urano representa aquela tendência a agir, ou afetar, com máxima velocidade – a transcendência das limitações do tempo; a Intuição age com uma velocidade que é designada atemporal – quando ela vem à consciência para preencher os requerimentos da atenção dirigida ela “apenas acontece” e não há palavras em nossa linguagem para descrever a “instantaneidade” de sua ação. Apenas a experiência em si pode servir para “descrevê-la”. Intuição, enquanto a espiritualização do Amor unido com o poder de percepção da mente, pode revelar todas as coisas, assim como o Amor preenche todas as coisas.
O estudo do tema natal com relação a determinar o poder intuitivo ou inclinação deve incluir a correlação de Urano, o símbolo da faculdade em si mesma, com as equivalências mentais dos outros planetas em termos de padrão de aspectos e regência. Todos os pontos planetários têm equivalentes mentais, assim como tem equivalentes físico, astral e espiritual. Cada ponto planetário designa um certo “tipo de pensar” pois cada um designa tipos de coisas sobre as quais a atenção mental humana pode ser focalizada, seja algum objeto no mundo material, um ambiente pessoal, um evento ou um relacionamento.
Dos nove pontos planetários mentais, três são especificamente representativos das faculdades mentais, os outros seis podem ser compreendidos em termos de equivalentes mentais, para representar atributos mentais. Os três “planetas das faculdades mentais” são Lua, Mercúrio e Netuno. A Lua representa a mente instintiva, o reservatório de memórias das vidas passadas, o mecanismo de produção da faculdade mental. Mercúrio simboliza a mente consciente, a correlação entre o cérebro e as percepções sensoriais pelas quais o humano adquire informação do mundo externo, o poder mental de identificar especificamente, computar, analisar, estudar, e se comunicar pela palavra e escrita. Netuno simboliza a faculdade da mente inspirativa; ele é o princípio mental especial que caracteriza o artista criativo e interpretativo, é a faculdade mental sutil pela qual o humano recebe e aprende a se comunicar com os Planos Superiores. Estes três planetas podem ser considerados como sendo a tríade mental que caracteriza a ação comunicativa: a Lua, como mente instintiva, comunica os segredos do passado para a consciência do presente, produzindo efeitos que correspondem às memórias guardadas; Mercúrio como mente consciente, comunica os segredos do mundo externo com a consciência mental da pessoa e representa a intercomunicação entre pessoas; Netuno, como símbolo da mente inspirativa, é a faculdade mental que identifica a canalização entre o relativamente elevado ao que relativamente está abaixo.
Falando do aspecto de trígono como representação do relativo preenchimento do desenvolvimento intuitivo, Lua trígono Urano identifica a consciência intuitiva de necessidades e seu preenchimento, a percepção de como o progresso de grupos humanos pode ser alavancado, a consciência da “nova era” dos princípios de vida, provisão e proteção do lar; mais que qualquer outro aspecto, Lua trígono Urano é a marca planetária da “emancipação da mulher”, a liberação da consciência de massa da ignorância, preconceito e primitivismo, a reforma eletrizante da consciência pessoal instintiva pela percepção interior.
Mercúrio trígono Urano, mais que qualquer aspecto, identifica o conhecimento intuitivo do gênio científico; é a base, no veículo mental, para aquilo que torna possível toda descoberta e invenção. Crianças com esse aspecto muito frequentemente revelam grande habilidade em seus estudos escolares. É evidência de conhecimento especializado trazido de estudos e questionamentos em vidas passadas. Essas pessoas exercitaram grande independência do espírito em suas buscas intelectuais no passado. Elas frequentemente revelam grande habilidade com línguas estrangeiras, circunstância que evidencia que seus estudos presentes estão realmente recapitulando – “trazendo à superfície” – muito conhecimento de línguas conquistados no passado.
Os aspectos entre Urano e Netuno devem ser avaliados em concomitância com todo o mapa; estes aspectos são cíclicos ou “geracionais” em natureza e apenas uma análise e síntese cuidadosas de acordo com as tendências básicas do mapa como um todo podem indicar a predominância de habilidades mentais intuitivas ou inspirativas. Todos humanos que chegam com que chegam com o aspecto Urano trígono Netuno compõem uma onda de vida que, de maneira geral, estão mais sintonizados com os efeitos de forças superiores. Eles, enquanto grupo universal, representam a ênfase cíclica da consciência progressiva e espiritualizante relativas. As pessoas altamente desenvolvidas dentre esse grupo – independente do momento histórico da encarnação – trazem grande contribuição, através de seus poderes reveladores e inspirativos, para o progresso da raça. Aqueles altamente desenvolvidos que chegam quando Urano está em quadratura ou oposição à Netuno são vanguardistas evolucionários, e seu momento encarnatório ocorre quando a dissolução do que é arcaico e cristalizado se faz necessária para a raça. Esses momentos são sempre caracterizados por condições de levantes, revoluções, tensões terríveis e conflitos, mas o fator Urano nas pessoas altamente desenvolvidas as identifica como “trabalhadores para o futuro”. Eles têm a percepção daquilo que deve ser, e tendo iluminação intuitiva, trabalham para iniciar aqueles passos métodos e procedimentos que resultarão nas novas manifestações que caracterizam o futuro.
Outros três planetas que correlacionados a Urano representam características intuitivas marcantes são: Júpiter, Saturno e Vênus. Urano correlacionado com Júpiter, ou influenciando a nona casa, determina em alto grau a genialidade do artista interpretativo, é intuitivo e imaginativo, qualidades espirituais possuídas pelo Guru, o Professor, o Intérprete das leis espirituais e, em alto grau, o Curador. Urano trígono Júpiter mostra evidência de alto desenvolvimento da mente abstrata, a percepção intuitiva de simbolismos e princípios. Urano – Saturno identifica a clariaudiência e aquela qualidade intuitiva que torna possível reformas necessárias na vida social, política e econômica da humanidade. Urano – Vênus, uma das marcas do gênio artista interpretativo, é percepção intuitiva dirigida particularmente em direção à compreensão do relacionamento; Urano trígono Vênus evidencia o poder de perceber valores impessoais no relacionamento e habilidade de responder com alta qualidade de afinidade pessoal nos relacionamentos; é uma das marcas, talvez a principal, do “amor biuno” ou do “casamento da alma”.
Considerando Marte como o co-regente de Escorpião – ação que libera os recursos Escorpiônicos do desejo-poder – podemos considerar o aspecto de Urano trígono Marte como sendo primariamente uma evidência de grande capacidade de ação pela qual tendências intuitivas são dirigidas ao cumprimento de empreendimentos. Marte “pensa” em termos de “como, o que, onde e quando eu posso fazer”; Urano trígono Marte, portanto, poderia ser compreendido como representando a percepção intuitiva da ação correta. Se considerarmos Plutão como o regente planetário de Escorpião, então Urano trígono Plutão indica a faculdade intuitiva a ser “restaurada” por um enorme recurso de desejo-poder e força emocional. Este aspecto deveria ser compreendido como a “insígnia planetária” do mago branco ou negro. No mapa do humano altamente evoluído espiritualmente, Urano trígono Plutão poderia representar a pessoa cujo poder de reforma é tremendo, tanto quanto sua própria capacidade de regeneração quanto ao poder que ele pode dirigir em direção à regeneração e transformação de outros indivíduos ou da sociedade em seu âmbito maior. Externado, esse aspecto poderia ser pensado como a explosão da primeira bomba atômica, abrindo uma nova era na experiência humana em relação ao conhecimento e uso de novas oitavas percebidas de poder.
Quanto a Urano e ao Sol, consideraremos de forma especial pois o Grande Mandala Astrológico (o mapa de doze casas, Ascendente, Áries, os planetas nos signos e casas de sua dignidade) nos dá a dica para a raiz evolucionária essencial e do significado espiritual da faculdade da Intuição, enquanto posse potencial de todos os humanos. O grande Mandala Astrológico é a abstração do significado astrológico da humanidade terrestre e qualquer ponto de faculdade ou experiência que os humanos têm em comum pode ser estudada a partir desse desenho. Faça uma cópia do Grande Mandala Astrológico, intensifique o diâmetro Leão-Aquário, desenhe linhas retas conectando as cúspides Leão-Áries e Aquário-Escorpião.
Nenhum signo do zodíaco pode ser plenamente compreendido sem considerarmos seu oposto, assim como dois humanos do sexo oposto se tornam conscientes de sua polaridade subjetiva a partir do relacionamento íntimo em forte atração magnética. Para “conhecer Aquário” devemos também “conhecer Leão”, o signo de fogo regido pelo Sol, símbolo da vontade, propósito, radiação e autonomia individual. Se o Sol é a radiação do amor, Urano é a qualidade transformadora e liberal da radiação do amor; se o Sol é o poder da Mente, Urano é aquela forma individual pela qual a independência do pensar evolui. Se o Sol é o potencial da Maestria, Urano é aquele potencial realizado em e através dos relacionamentos pela espiritualização e regeneração crescentes da natureza emocional. Aquário, enquanto amor espiritualizado, polariza e “redime” o amor egoísta e não evoluído de Leão: Aquário, através de seu regente Urano, enquanto intuição, polariza e redime a mente “autocentrada” do Leão não evoluído. Quando o Sol e Urano são considerados em suas exaltações – Áries e Escorpião respectivamente – vemos a apoteose simbólica do humano enquanto Filho de Deus e o potencial humano de realizar sua identidade espiritual através da regeneração interior a “mágica divina”, a “alquimia criativa”, a transmutação pela qual a crosta do Ego pessoal é transformada na Luz Branca do Ser Espiritual. A busca inequívoca da Verdade, a disciplina autodirigida e o refinamento das faculdades mentais e emocionais, a expansão do poder do Amor através da impessoalidade, e a sempre mais clara realização da verdadeira identidade espiritual são passos pelos quais o Poder Mestre da Intuição é focalizado, desenvolvido e aperfeiçoado na consciência humana. O astrólogo olha para símbolos e números em um horóscopo, mas ele intuitivamente olha o mapa para aprender as verdades sobre a consciência da pessoa. O estudo astrológico com a finalidade de servir e elevar o humano é um dos modos principais pelo qual a faculdade da intuição é desenvolvida no ser humano.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

CAPÍTULO LVII – RETRATOS DE ESTRELAS SHAKESPEARIANAS

Da fonte de sua imaginação o autor de peças escolhe aqueles elementos do espectro da personalidade e experiência humanas que sejam apropriados a seu conceito de um tema determinado, e ele organiza aqueles elementos de forma dramática a ser interpretada pelos atores, atrizes e todos os outros participantes do teatro. Todas as formas de arte são representações destiladas da consciência humana; obras de arte, como espelhos, refletem para a humanidade representações intensificadas dela e de suas experiências. O escritor lida com a expressão objetiva da emoção, experiência e consciência humana; os dramas são apresentados e interpretados em termos de padrões de aparência, personalidade, atividade e relacionamento objetivamente reconhecíveis. Atores e atrizes em performance são microcosmos simbólicos do eu da própria humanidade – cada papel desempenhado por um ator é simbólico de um fragmento da consciência humana de identidade e existência nesse plano.
Portanto, nas criações de um verdadeiro gênio como William Shakespeare foi (ou quem quer que tenha escrito sob aquele nome!), uma qualidade variável de estratégia e compreensão artística tornou possível a caracterização que reflete o arquétipo humano, localizado por nome, sexo, período e nacionalidade, mas que realmente simboliza padrões universais da natureza e experiência humana. Cedo ou tarde, todos nos confrontamos com Hamlet, a Cordélia, o Otelo, a Lady Macbeth, o Romeu e a Julieta em nós mesmos. Nós transbordamos ou rimos em resposta a estas – e outras – caracterizações devido a algo em nosso conhecimento subconsciente profundo que é estimulado ao vermos atores interpretarem as imaginações criativas de um grande dramaturgo. Nossas próprias experiências – presentes ou passadas – são revisitadas de algum modo. Memórias de sentimentos de alegria e sofrimento antigas, esquecidas há muito vêm à tona. Nossa percepção (consciência de si individualizada em muitas encarnações) é despertada, e o que vemos no palco somos nós próprios condensados e focalizados pelas necessidades dramáticas do tema interpretado. Somos homens e mulheres, todas as profissões, todas as nacionalidades, todos os relacionamentos, todas as motivações e falhas, todas as alegrias e todos os sofrimentos. O escritor, através dos princípios estéticos inerentes à arte dramática criativa, e os atores, através dos princípios estéticos da arte dramática interpretativa, recarregam nossa consciência de seres plenos, de nossa identidade plena como indivíduos, e nosso relacionamento pleno com os demais indivíduos.
Estudantes de astrologia: preparem uma cópia do Grande Mandala Astrológico, um círculo de doze casas com Áries no Ascendente e os demais signos em sequência – trinta graus para cada casa; Sol, Lua e os outros planetas nos signos e casas de suas dignidades. Medite sobre esse mandala por um instante como o retrato simbólico composto da humanidade. É a partir desse desenho e arranjo simbólico que derivam todos os horóscopos humanos e ele representa o total daquilo que é interpretado, criativamente ou de outro modo, em todas as belas artes. É a figura da consciência, identidade e experiência humana. Agora, para aprofundar na arte dramática, “personalize” o Sol, Lua e os planetas como personagens no Drama da Vida Humana; deixe sua mente correr sobre o escopo dessas “personalidades” imaginando cada planeta (focalizador vibratório) em cada um dos signos zodiacais, cada uma das casas ambientais, cada qual aspectado (por conjunção, sextil, trígono, quadratura e oposição) aos demais. Acrescente os fatores de ambos os sexos, todas as idades, todas as nacionalidades, todos os períodos históricos e você vislumbrará o tremendo espectro daquilo que constitui o grão para o moinho do dramaturgo. Você e Eu somos nesse quadro – como somos, como fomos e como seremos enquanto nossa identidade for “ser humano”. Você está agora atuando no papel que sua consciência de vida criou. Humanos, em sua vida na Terra, são dramaturgos e atores – cada um usa sua consciência para interpretar a vida.
A Arte do Teatro, mais diretamente que qualquer outra forma de arte, torna possível o estimulo do coração humano às lágrimas e risos. O choro e o riso são as duas formas pelas quais a vida torna possível descristalizar as tensões e congestões do plexo solar. Em resposta às agonias contidas, sofrimentos, saudades e desesperos na tragédia dramática somos movidos a chorar em memória de nossas agonias e sofrimentos. Em resposta à bufonaria, sátira e caricatura, nossos intelectos são “estimulados” de tal forma a sermos amolecidos em riso pelas experiências que refletem nossos absurdos, embaraços e obstinações. Na vivência do drama romântico (do tipo final feliz) nos extasiamos com emoções intensas, amor profundo, aspirações, esforços e a realização de ideais. O propósito oculto do drama trágico é induzir sentimentos de simpatia pelos demais humanos – não a intensificação da autopiedade. O da comédia e da sátira é descristalizar as congestões relacionadas à autocorreção pomposa, hipocrisia e seriedade excessiva – para nos fazer “cair do cavalo”. O drama romântico tem como proposito interno intensificar nossa consciência do “tom, cor e projeto” de nossa vida – para irradiar percepção de maior capacidade de amor, devoção, esforço e aspiração. O “final feliz” das peças românticas é o simbolismo dramatizado da aspiração de todos os humanos realizarem ideais e evoluir através da regeneração e transmutação. O “final feliz” nos lembra da divindade da vida.
A poesia e nobreza da dramaturgia Shakespeariana eleva um espelho imenso no qual a humanidade pode se enxergar. Apreciemos algumas caracterizações Shakespearianas enquanto representações de “pontos focais” da natureza humana e padrões de experiência humana relacionando-os com simbolismo astrológico simples e básico:
Romeu e Julieta: do ponto de vista reencarnacionista, este drama seria muito mais verdadeiramente trágico em tom e efeito, se os dois “amantes desafortunados” permitissem que suas aderências cristalizadas aos preconceitos das famílias impedissem ou desintegrassem sua união amorosa. O “Romeu e Julieta” em cada humano é o que anseia pela polarização total chamada de Casamento Hermético; mas essa “união interior do eu com o Eu” só pode ocorrer pelo cumprimento dos padrões de relacionamentos através do amor: As “casas dos Montéquios e dos Capuletos” constituem as “imagens petrificadas” do preconceito familiar e da posição social representados astrologicamente pelo diâmetro Câncer- Capricórnio e aspectos congestionantes entre a Lua e Saturno. Todos derivamos nossa encarnação de um padrão familiar ao qual somos atraídos pelas leis do carma e da simpatia vibratória. Entretanto, cada um deve, em seu tempo, descristalizar as congestões desse padrão, de oitava a oitava pela mais pura e individualizada expressão de amor. Romeu transpassa paredes para estar com Julieta; esse transpassar é Urano descristalizando ou transcendendo os limites impostos por Saturno, símbolo da “congestão das formas”. Personalizando um pouco – Romeu e Julieta foram situados temporalmente, evolutivamente falando, para provar seu amor mútuo; seus desafios foram através da inimizade, rivalidade e preconceito de seus grupos familiares. Embora eles morreram, sua tragédia foi amenizada pela sua devoção mútua – ao invés de medo quanto ao resguardo da “imagem da família”. Todos uma hora ou outra temos a oportunidade de uma encarnação na qual podemos provar a sinceridade de nossas aspirações e ideais cardíacos mais elevados. Para fazer isso, temos que usar os poderes representados abstratamente pelo diâmetro Leão-Aquário para transcender as fixações de Câncer-Capricórnio. Permanecer fixos em Câncer-Capricórnio é retroceder nos poderes evolucionários que trabalham para a liberação e progresso. A poesia luminosa da cena da varanda representa a pureza radiante do ressurgimento do verdadeiro amor; Romeu e Julieta amavam-se desde uma encarnação passada assim como amamos nosso eu ideal através de todas as nossas encarnações. A beleza inspirativa da peça – enquanto poesia – tipifica a radiação interna que acompanha o reconhecimento de nossos ideais.
Rei Lear: este drama é a tragédia do julgamento corrompido por ganância por aprovação – tragédia dupla pois quando a verdade é descoberta, os negativos interiores estão muito profundamente arraigados para serem contrabalançados por esforços construtivos ou regenerativos. A constatação da hipocrisia e desonra das duas filhas mais velhas, que ele havia supervalorizado, e a sinceridade e fidelidade de Cordélia, que ele subestimou e rejeitou, levou Lear a reagir com tal excesso de auto repulsa que acabou enlouquecendo. Astrologicamente, parece que Lear é o retrato de “Júpiter aflito”. Ele baseou sua estima favorável às suas filhas mais velhas sob os protestos de devoção e afeição – indicativos de que uma insinceridade em sua própria natureza serviu de contraparte à falsidade delas. A ambição delas por terras, dinheiro e maridos de alta posição serviu de contraparte para sua ganância por aprovação. Nós podemos – e o fazemos – lamentar o testemunho da tragédia do demente irracional que corta o coração em seu excesso de auto repulsa, pois nós também somos movidos pelo desejo e ganância de clamar pelo falso e rejeitar a verdade. A constatação de tal equívoco causa um dos mais terríveis tipos de desilusão, o tipo que pode desintegrar nosso autocontrole se formos incapazes de aprender a partir da experiência da desilusão. Lear adorava sua falsa imagem, sincronizada em grau com a falsidade de suas duas filhas. Como podemos ser Lear, cabe a nós exercitar as contrapartidas para os padrões negativos de Júpiter por discriminação, sinceridade e afastamento dos símbolos de crenças e compensações subconscientes. Cordélia personifica a sinceridade da autoanálise – o saber do que é verdadeiro e real. Quando desprezamos Cordélia, nos escravizamos a imagens falsas e decepcionantes; quando amamos e valorizamos Cordélia, recusamos o falso e nos vinculamos ao puro e verdadeiro.
Otelo: Este estudo dramático da destrutividade do ciúme pede uma pequena consideração psicológica. Nunca – em qualquer sentido da palavra – somos ciumentos de outra pessoa. O ciúme é auto imposto e baseado na inferioridade real ou imaginada que, por sua vez se baseia na não realização de um potencial, ou alguma faceta obscura de auto avaliação. Ao personalizarmos Otelo por um instante, podemos abstrair que o mesmo pode ter sentido inferioridade decorrente de sua cor de pele negra, particularmente em relação à sua esposa branca, Desdêmona, que verdadeiramente o amava. Iago simboliza a esperteza e duplicidade comuns decorrentes de auto justificação – o desequilíbrio no exercício de auto honestidade. O assassinato de Desdêmona por Otelo simboliza o “assassinato da consciência” que cometemos motivados por racionalizações e justificativas negativas, nesse caso assassinamos a verdadeira autoavaliação. Pelo exercício dessas racionalizações negativas atribuímos verdade a mentiras e nossos passos se mostram confusos até cairmos. As qualidades de nobreza que Desdêmona amava em Otelo representam as virtudes nos seres humanos que inspiram amor e honra; mas Otelo, cego pelo seu negativo interior, não pôde perceber e valorizar sua verdade. Iago simboliza a inimizade de Otelo consigo mesmo enfatizada pela mentira – representando Desdêmona como sendo infiel. Otelo sob pressão de seu negativo psicológico preferiu acreditar na mentira. Pressionado além de suas capacidades pela pressão interior ele assassina quem ele mais amava – a verdade de seu casamento com Desdêmona. Marte, enquanto co-regente de Escorpião, é a ação destrutiva e mortal pela qual expressamos nossos negativos escorpiônicos profundamente reprimidos – os níveis e áreas de desejos e poderes emocionais não transmutados. A salvação de Marte é transmutação pela expressão em ações construtivas e inteligentes. Otelo se traiu duas vezes: ao dar ouvidos às sugestões de Iago, e colocando em ação aquilo que representa seu desejo de “matar” aquilo que Iago o influenciou a acreditar. Um homem nobre, merecedor de amor e honra, joga tudo fora ao focar em seu eu irreal ao invés de fazê-lo em sua Realidade. Nós “matamos” quando colocamos em ação crença em uma mentira a nosso respeito. Um tema realmente trágico.
Cleópatra: A morte de Cleópatra por suicídio não neutraliza o poder da peça Antônio e Cleópatra como exemplo de drama altamente romântico. Cleópatra, enquanto personagem feminino, simboliza a combinação dos elementos Sol e Vênus na natureza humana. De acordo com a representação histórica e Shakespeariana, ela foi maravilhosamente abençoada com atributos de beleza física, charme, inteligência, cultura e estratégia – uma mulher tão consciente dos poderes interiores que viveu sempre em termos de amplidão. Ela possuía enorme riqueza – e a utilizou de forma irrestrita. Ela tinha grande capacidade para amor – e se entregou ao amor realmente e completamente. Quaisquer fossem suas limitações não havia nada em sua natureza que fosse cruel, irrelevante, sórdido ou vulgar. Uma grande atriz – como Katherine Cornell – pôde projetar essas qualidades de caráter e personalidade de forma que a audiência experimentou uma recarga de desejo e aspiração de “viver grandemente” em termos de riqueza, poder, beleza, cultura, inteligência, estratégia ao invés de continuar uma vida de ignomínia e degradação pela captura. Cleópatra escolhe acabar com sua vida pelas próprias mãos; simbolizando AQUILO que na natureza humana que quer aprender a viver em termos de dignidade e auto respeito. Alguns de nós se arrastam de tempos em tempos, por medo ou sentimentos de inferioridade; mas não nos gostamos por isso e cedo ou tarde nos rebelamos contra o negativo interior. A “Cleópatra em nós” simboliza nosso desdém pelo irrelevante e malicioso; “ela” nos faz ansiar pela experiência vívida buscada com coragem e confiança em nossas habilidades. Todos temos talentos, ambições, aspirações e desejos; a vibração do Sol – enquanto regente do signo real de Leão – é o que usamos como poder de autodeterminação na depuração de “pequenezas de pensamentos e sentimentos”.

Beatriz e Benedito: Muito Barulho por Nada é uma das mais agradáveis e deliciosas das comédias. Ela apresenta de forma viva e brilhante a “antiga história da batalha dos sexos” – fonte de muito o que é apresentado em todos os tempos no drama cômico. As posturas, truques e aparelhos que homens e mulheres apresentam em relação entre si são representados pelo movimento anti-horário do diâmetro horizontal Áries-Libra do Grande Mandala. Estes dois signos representam a polarização da individualidade expressiva da humanidade – enquanto “macho” e “fêmea”. Cada um dos dois signos desse diâmetro simboliza facetas da personalidade peculiares à masculinidade e à feminilidade, mas juntos formam um diâmetro; eles parecem ser “diferentes”, mas cada um complementa o outro. O drama cômico referente a esse assunto torna possível reconhecermos de forma saudável nossa polaridade subjetiva a partir do riso. Humanos são inatamente bipolares – tivemos todos experiência do sexo oposto ao que nos manifestamos presentemente. Ao reconhecermos que “sexo oposto” é simplesmente nosso “eu subjetivo” podemos apreciar e aproveitar nossos “eus ocultos” conforme somos retratados no palco cômico. Na risada relaxamos os sentimentos subconscientes de tensão e quando rimos, gargalhamos e gritamos aos truques dos atores e atrizes comediantes que estão interpretando o – eventualmente – ridículo jogo do homem e da mulher em relação entre si, atualizamos nosso ponto de vista em relação à polaridade humana. Beatriz e Benedito são os protagonistas da humanidade destinada a se apaixonar e adquirir experiência juntos – independente de preconceitos bobos, falsa autoestima e “imagens de hesitação”. A vida trabalha continuamente para nos colocar frente a frente para nosso desenvolvimento mútuo e cumprimento dos potenciais simbolizados por Áries-Libra. Benedito é Marte que vê o charme e amabilidade de Vênus em Beatriz; Beatriz é Vênus que precisa do “beijo de Marte” a fim de despertar para a realização clara de seu valor enquanto mulher. Há um pouco de Benedito e Beatriz em cada um de nós – podemos lutar e argumentar por um tempo, mas cedo ou tarde Benedito-Marte e Beatriz-Vênus trazem o jogo – de nossa experiência de relacionamento – a um final feliz pela sua união.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

CAPÍTULO LVI – ALEGRIAS PLANETÁRIAS – PARTE II

O signo Leão, regido pelo Sol, enquanto signo da quinta casa do grande Mandala, será tomado nessa apresentação como o arquétipo da consciência de alegria. Quando uma clara realização de nossa identidade solar seja cada vez mais revelada através de funcionamento alquímico, reconhecemos uma maior amplitude de capacidades e objetivos. Nosso Parente Solar é a Fonte de tudo o que somos, temos ou podemos obter durante nosso funcionamento humano, e a percepção de nossa unidade com essa Fonte nos alinha em consciência à presença e disponibilidade de abundância solar em todos os planos. Uma pessoa verdadeiramente alegre em seu coração deve isso à sua percepção, em algum grau, da disponibilidade dessa abundância - ele é relativamente livre de medos impeditivos que na maioria de nós, minimizam a quantidade e qualidade de nossa expressividade e reatividade assim que encarnamos. Pelo exercício da consciência solar, autoconsciência e auto direção, que são as raízes de toda segurança, são praticadas; se aprende com o resultado dos erros, o que constitui a essência de toda educação verdadeira. A expressão da consciência Solar é a maior amplitude da doação, o antídoto ao instinto natural de "tomar" presente na pessoa limitada e insegura. Com a limitação dessas limitações e inseguranças, a consciência do amor floresce como a rosa vermelha em sua folhagem – a percepção do bem essencial nos outros humanos surge, mais e mais em prejuízo da retaliação, ciúme e medo. O tempo é percebido como um "aliado", não uma limitação; responsabilidades legítimas são vistas como canais para a maturidade, não como fardos pesados que puxam para baixo. Todos os poderes planetários são derivações do poder Solar; consideremos cada um por sua vez como um canal qualificado unicamente – para a expressão da alegria. 
Marte – regente de Áries: Alegria em ação física e desenvolvimento físico; a alegria de encontrar desafios internos e externos com coragem; boa participação nos esportes pela qual o instinto competitivo serve para estimular maiores e melhores esforços; a alegria da infância - a atitude interessada em relação às "coisas novas"; a alegria do pioneirismo e da "busca por novos caminhos"; na consciência superior esta alegria são os poderes dinâmicos morais expressos através da integração pessoal em buscar o correto conforme compreendido pelos indivíduos; é aquela qualidade no aspirante que o capacita a "encarar o inimigo nele mesmo" e sobrepujar aquele "inimigo" pela regeneração do reto viver; é o instinto de auto proteção traduzido na "alegria de proteger os amados, um trabalho amado ou ideais amados"; é coragem enquanto canal para a expressão do amor. 
Vênus - regente de Touro: Alegria enquanto senso de "identificação com a natureza"; auto expressão em termos de realização da necessidade física pessoal por meio das trocas corretas com a natureza e com outras pessoas; amor às coisas terrenas, cultivo da vida vegetal para utilidade e beleza; uso correto dos serviços da vida animal; alegria enquanto expressão da boa intenção nas trocas financeiras - para expressar o coração por meios financeiros; a devoção ao princípio do serviço correto em todos os planos de forma a manter o equilíbrio; alegria enquanto a forma de expressão pela qual nossas contribuições aos aspectos físicos da vida humana sejam feitos em termos de valores e padrões estéticos. 
Mercúrio - regente de Gêmeos: alegria enquanto exercício de uma mente aberta nas funções de aprender; as alegrias da comunicação pelas palavras escritas e faladas; as trocas de pensamentos e ideias pela fraternidade das linguagens, nas quais as mentes se encontram em mutualidade e as diferenças externas são minimizadas; alegria na expressão daquilo que foi aprendido pela lei de Causa e Efeito – a base de toda educação espiritual; ações baseadas nas respostas a todas as oportunidades de aprender esotericamente ou exotericamente; a arqui oitava dessa vibração é a alegria da comunicação - que  é fraternidade ativa. 
Lua – regente de Câncer: alegria enquanto qualidade cardíaca que nos prontifica a expressar em termos de nutrição, conforto e proteção; esta alegria é primitivamente baseada no auto sacrifício - a "alimentação da vida pela renúncia ao ego"; é na alegria do amor materno e em sua qualidade que pode ser reconhecida a alegria arquetípica da doação; verdadeira doação, nutrição e proteção dependem da sintonia simpática a verdades, e a alegria da doação superficial é elevada a cada vez mais altos patamares quando a discriminação é exercitada ao percebermos que somos movidos a nutrir o que há de bom nos outros. A simpatia às necessidades reais do próximo ativa nossas melhores expressões através dessa alegria - somos então alertados em nosso melhor a prover a realização da necessidade solicitada. Sacrifício - em qualquer nível - feito em resposta a compulsão pode ser efetivado com completude marcante, mas é o aspecto voluntário, sacrifício auto iniciado que é verdadeiramente alegre, pois tal expressão se baseia na integridade. Esta vibração é a base essencial de toda contribuição nutritiva à família, bem-estar e progresso nacional e internacional. Aqueles que se dedicam à raça em si são frequentemente crucificados pela sua doação, mas a "oportunidade possível da crucifixão" para um coração alegre, não reduz a qualidade da contribuição oferecida. 
Sol – regente de Leão: Alegria na pura radiação do poder do Amor, independente de resposta de retorno; a administração de poder em termos de equidade e honra; esta alegria é verdadeiramente aquela da hospitalidade, expressa através do que foi estabelecido em Câncer; é a qualidade particular da alegria que caracteriza todos os grandes apresentadores – cujas expressões talentosas nos faz responder com risos e a liberação de tensões. Essencialmente, Leão é alegria enquanto amplitude, de qualquer tipo, em expressão. 
Mercúrio - regente de Virgem: alegria enquanto colocar em uso aquilo que foi aprendido; tais expressões resultam no serviço verdadeiro – o exercício discriminativo do conhecimento. Através de Virgem começamos a "tocar o impessoal" pois é a modulação das seis casas inferiores dos signos do Grande Mandala em relação aos seis superiores. É a alegria de fazer o trabalho que se gosta de fazer e também a alegria de amar seus colegas de trabalho – sejam empregadores, colegas ou empregados; essas pessoas são fraternas conosco de forma especial e impessoal. Virgem é a alegria do treinamento físico, mental e psicológico de nos equiparmos para o cumprimento relativamente perfeito de nosso serviço escolhido em vida e o "entusiasmo total" pelo qual efetivamos aquele cumprimento. 
Vênus - regente de Libra: a alegria de expressar a consciência do "nós somos" - extensão, por polaridade, do EU SOU individualizado; a alegria de aspirar pela inclusão do bem nos outros em nossos planos e expressões enquanto amplificação de nossos desejos de realizar nosso próprio bem individualizado. Esta é a alegria da expressão mútua da troca de amor e da reflexão mútua da percepção da idealidade humana; é nossa alegria de ser de modo que a beleza do arquétipo humano possa, em algum grau, ser percebido em nós pelos outros de forma que seus profundos anseios por beleza possam ser ao menos relativamente gratificados. Alegria – enquanto Libra - é aquela expressão do poder anímico que chamamos de cooperação; é uma das arqui virtudes e as pessoas que, com amplitude e generosidade exercitam o poder de cooperação são aquelas para quem a alegria é uma companhia de vida; a integridade dos verdadeiramente bons corações toca uma nota simpática no coração dos outros, com "poder de elevação". Como resultado, a música do "nós somos" é cantada cada vez mais belamente. 
Plutão - regente de escorpião: sem amor e beleza, o exercício da geração é desvairado, compulsivamente autocentrado, mas enquanto expressão do amor mútuo ele se torna uma alegria cooperativa intensa e transfigurante; ela é como tal, uma expressão dinâmica da liberação de recursos profundos de poderes vibratórios em direção à finalidade de que os "ideais de parceria" de cada pessoa em questão possam ser o mais vividamente cumpridos; como expressão do amor, ele é "vida dando vida a si mesmo" - as duas pessoas envolvidas se identificam com o atributo criativo do Cosmos de fornecer novos veículos para a vida ou para a geração de consciência de amor mais profunda entre cada um deles. Nos planos subjetivos, Escorpião representa expressões dos mais profundos alcances de potencial e consciência - as mais intensas devoções e consagrações. É a alegria do mártir, do devoto e do ascético - de qualquer um em quem os fogos dos desejos personalizados tenham sido transmutados em oitavas superiores de amor impessoal. Tal pessoa não é apenas o padre – ela é seu próprio altar e sua vida sua Missa. Suas regenerações são o sacrifício que ela oferece diariamente de modo a tornar a vida mais fluida e ascensional. A alegria de Escorpião é êxtase, pois suas expressões são liberadas desde os nossos potenciais e aspirações mais intensamente comprimidos e focados. 
Júpiter - regente de Sagitário: a alegria de ensinar; esse planeta é a polaridade do Mercúrio geminiano – como tal é a radiação de sabedoria; sua posição enquanto signo da nona casa da Grande Mandala e como signo da quinta casa de Leão nos diz que todo ensinamento verdadeiro é uma expressão de amor. O estudante (Mercúrio - Gêmeos) sendo amado, é ensinado; o professor (Júpiter - Sagitário), amando, ensina. Júpiter significa a alegria de todos os exercícios religiosos, cerimonias, rituais e dramatizações de festivais simbólicos que alinham a consciência humana às percepções elevadas dos princípios vitais. Júpiter se exalta no signo da Lua, ncer, e representa a mais pura alegria autodirigida em atos de doação - ele é verdadeira dádiva independente de motivos. Ele é a alegria de todas as expressões verdadeiras pelas quais os miasmas e distorções de ignorância são dispersos pelo poder do verdadeiro ensinamento; esse ensinamento diz respeito à instrução em relação à existência e à natureza da Lei de Causa e Efeito – a alegria de Júpiter em sua forma básica mais pura. 
Saturno – regente de Capricórnio: a alegria "sem palavras" do cumprimento legítimo da responsabilidade; os poderes de uma consciência madura que capacita o humano a funcionar como "pedra angular" da família, nação e raça. A alegria de planejar pelo exercício da mente madura e levar a cabo o plano de forma eficiente, passo a passo, até que o mesmo se cumpra. A alegria da percepção das capacidades a serem assumidas, sem compulsão externa e que devem ser efetivadas. A alegria de viver em retidão que não "inibe e confina" - ela amadurece a consciência para o progresso evolucionário. Esta alegria é profundamente parental em essência; é aquela do pai, em termos humanos – e aquela do Redentor, nas altas oitavas de consciência. 
Urano – regente de Aquário: quando o humano integrar sua consciência por intermédio de várias encarnações de aderência à Lei Espiritual, a alegria de Urano floresce como alegria da alma liberta; tal pessoa "dança onde quer, mas não pisa nos dedos dos outros". Esta é a alegria do gênio criativo e da profecia; é "Amor que percebe a Alma do outro" - não é mais o "amor que cultua o corpo". É o amor de toda cooperação grupal impessoal - é a radiação de companheirismo que traduz a fraternidade em escopo ilimitado. É a "criatividade" ou "expressividade" pelas quais as belas verdades do arquétipo humano são reconhecidas e interiorizadas. Esta vibração é a alegria da revolta por meio da qual o arquétipo humano reconhece em si as situações que o impedem em sua realização da verdadeira fraternidade; é a alegria do exercício alquímico pelo qual congestões e inibições são deixadas em favor de oitavas de maior expressividade; é a alegria de todas as ressurreições - a "transcendência de todas as tumbas". 
Netuno – regente de Peixes: a alegria da prece dinâmica; a "respiração do Eu pessoal, com Amor, para os éteres"; a expansão da consciência que resulta da meditação focada e a percepção clara dos ideais que daí resultam. A alegria de toda expressão artística inspirada – particularmente aquela do músico e do ator. É a alegria da sintonia espiritual – da mais profunda e pura reverência do coração. Pela exaltação de Vênus aqui, este é o amor alegre pela vida e por tudo o que a vida expressa. É aquele amor que cria a beleza e a alegria de perceber as belezas mais puras e sutis da vida. É a percepção verdadeira pela qual todos os infernos são redimidos – por ela, santos e salvadores curam as feridas do corpo, mente e Espírito. É a alegria de renunciar ao "não mais necessário" e de "abraçar o agora necessário". É a fé na qual todos os passos verdadeiramente progressivos são dados – um modo de fé possível graças ao amor pela vida ter recarregado a consciência e traduzido as agitações do medo, ódio e insegurança, na serenidade da paz e sabedoria através da alegria.