domingo, 15 de outubro de 2017

CAPÍTULO LVI – ALEGRIAS PLANETÁRIAS – PARTE I


A polaridade de nossas ações físicas é um dos estudos mais fascinantes. Por exemplo: Comunicação: masculino, falar; feminino, escutar; Instrução: masculino, ensinar; feminino, aprender; Nutrição: masculino, mastigação e deglutição; feminino, digestão e absorção; Ser Físico: masculino, ação e expressão conscientes; feminino, reação e reflexão. E assim por diante. Nos primeiros destes apresentamos as qualidades e atributos de nossa polaridade projetiva, os segundos mostram nossos níveis subconscientes e reativos de ser. A consciência espiritualizada tem a "alegria" como polaridade masculina e "felicidade" como a polaridade feminina reativa. "Felicidade" é aquilo que resulta, como reação, da ação e expressão alegres. "Alegria" é aquela qualidade do Espírito que impele nossas expressões de Amor e Sabedoria. 

Podemos dizer o seguinte: Nos movemos através da experiência em alegria de felicidade em felicidade. A experiência é, claro, a sequência de nossas ações e reações através de nossas encarnações. A alegria não difere de uma "faculdade" - ela é um poder de consciência. O que denominamos "dor" é uma reação a algo estabelecido através de "não alegria" - expressões de energia congestas em desejo negativo e ignorância. "Dor" (enquanto qualidade de nossa faculdade reativa) pode ser chamada de "gestação e nascimento – as lutas da felicidade" - ela é a felicidade "gritando para ser reconhecida". 

No simbolismo astrológico, o sextil é o mecanismo que traduz o "potencial de dor" em "potencial de felicidade". Quando um humano exercita seus poderes sextílicos alegremente ele realiza a mais rápida tradução de suas energias congestas naquilo que será registrado na próxima vez – ou em uma encarnação futura – como trígono. Os trígonos são padrões de consciência que registram os resultados de exercícios espiritualizantes prévios e são "depósitos bancários" para exercícios espirituais futuros ainda maiores. Cada planeta, enquanto um "órgão no corpo vibratório" é uma liberação potencial da consciência de alegria, pois cada planeta, enquanto "focalizador" de um signo zodiacal, é um "ponto de distribuição" para as expressões do espírito. Cada planeta em um mapa deve ser compreendido desse modo se o leitor e intérprete astrológico quiser determinar intuitivamente a espiritualização que as necessidades evolutivas da pessoa requerem dela nessa encarnação. 

Para tornar este pensamento claro em mandalas, desenhe dois círculos. Em um deles coloque os grandes trígonos interlaçados nos pontos das cúspides dos signos de fogo e ar da Grande Mandala. Este desenho é iniciado pela qualidade projetiva dinâmica de Áries na Grande Mandala ou pelo signo Ascendente no horóscopo natal. Esta é a mandala da alegria humana, enquanto masculino e feminino; ela é o potencial de cada humano de expressar, por identidade enquanto uma "criança do Deus Pai-Mãe", as radiações de Amor e Sabedoria. Qualquer signo pode estar no signo Ascendente, portanto qualquer planeta pode ser o focalizador vibratório dessa energia espiritualizada. 

No segundo círculo, coloque os grandes trígonos de água e terra interlaçados. Este desenho é a faculdade de ambos macho e fêmea de reagirem às expressões espiritualizadas a partir dos recursos da consciência espiritualizada. Ela é a mandala da felicidade - a faculdade de reagir e realizar em termos das oitavas superiores de consciência. Como a vertical (Capricórnio-Câncer) é o eixo parental, é mostrado que ao que o homem reage com felicidade ele mesmo construiu ("apadrinhou") por expressão de sua própria consciência. A "verticalidade" é reproduzida na mandala de fogo-ar nos signos de Leão-Sagitário e Aquário-Gêmeos. Estas linhas verticais "envolvem" ou "padronizam" a "radiação" dupla de fogo e ar cardinal ao fogo e ar fixo e mutável. 

Interpretado: Identidade (expressão masculina e expressão feminina) - radiando poder Divino como amor e como sabedoria. Estes dois trígonos dinâmicos simbolizam a polaridade expressiva das mais altas oitavas da consciência humana individualizada; eles representam, abstratamente, os "auges das virtudes em expressão". A horizontal da mandala de fogo-ar é reproduzida nos trígonos de terra-água pelas linhas de Touro-Virgem e Escorpião Peixes. Como a horizontal Áries-Libra, em relação a Capricórnio-Câncer, simboliza "aquele que foi gerado", as horizontais dos trígonos de terra-água "padronizam" as radiações de fixo e mutável a partir dos dois pontos parentais cardinais. É a horizontal de Touro-Virgem que constitui a base do símbolo que usamos em astrologia para representar o aspecto do trígono. Este é o mais perfeitamente estático dos quatro triângulos - aquele que mais perfeitamente simboliza resultado. 

Um estudo dos três signos da trindade de terra nos diz que esse trígono é gerado (iniciado) pelo signo de Capricórnio que, esotericamente falando, é o poder de assumir e cumprir responsabilidades – a insígnia da consciência humana amadurecida. Este ponto inicial é a exaltação de marte: expressão autodirigida e controle auto iniciado dos poderes-energias. A radiação de Capricórnio a Touro, terra fixa e quinta casa do signo de Capricórnio, "conecta" ou "canaliza" o princípio e poder do cumprimento da responsabilidade ao princípio do serviço e das trocas equilibradas. Touro é regido por Vênus, o princípio do equilíbrio, e este signo é o ponto de exaltação da polaridade planetária de Capricórnio - a Lua, regente de Câncer. 

Além disso, Touro é a décima primeira casa do Câncer lunar e a liberação do gerado até suas realizações individualizadas é a iniciação através do princípio do serviço. A segunda "radiação" de Capricórnio é para Virgem, abstraindo dois terços do círculo representado pelo arco de Capricórnio a Virgem através de Touro. Virgem é a dignidade terra de Mercúrio e é a oitava de sabedoria (signo de nona casa) do poder de cumprimento da responsabilidade de Capricórnio. Esta responsabilidade, canalizada através do poder de Mercúrio, é aquela de colocar no uso e serviço corretos, aquilo que foi aprendido. A dignidade ar de Mercúrio é Gêmeos, a polaridade feminina do diâmetro da educação (Sagitário-Gêmeos) e, como tal, é o princípio de Aprendizado, a "inalação do conhecimento" e a "resposta ao estímulo do conhecimento interior". Como já foi dito, é convicção do autor que Mercúrio, enquanto regente de Virgem, fica exaltado no signo fixo de ar Aquário, a oitava do amor do trígono de ar, que se inicia pelo signo de ar cardinal Libra, regido por Vênus. Como tal, a consciência de fraternidade do trígono de ar é correlacionada e sintetizada com o trígono de terra como a responsabilidade espiritual de realizar os relacionamentos humanos através do poder do amor como "fraternidade", a essência da alegria no relacionamento humano e a personificação das mais altas aspirações do coração humano. 

Neste estudo, estamos lidando com a astrologia dos humanos enquanto encarnados - "consciência fundida com o universo material". Usamos o triângulo com base horizontalizada como nosso símbolo arquetípico da consciência humana espiritualizada, pois é aqui neste plano que percebemos nossas representações de realizações alquímicas passadas e temos a responsabilidade de expressá-las nos relacionamentos com nossos parceiros humanos. Entretanto, na representação do trígono de terra está implícito o trígono de fogo, assim como Capricórnio, ou qualquer outro signo cúspide da mesma natureza (cardinalidade) estão implicados nos potenciais do Ascendente abstrato, Áries. O trígono de fogo foi expresso e em algum grau pelo trígono de Terra, que é a destilação resultante em consciência e condições exteriores de Capricórnio, que enquanto signo de exaltação, possui os poderes inerentes de Marte maturado por "afiliação" pelos poderes de Saturno. 

Um aspecto de trígono entre dois planetas implica na condição de um grande trígono em formação. Todos os grandes trígonos são "marcas evolucionárias de altas-águas", pois três pontos de um elemento (fogo, terra, ar e água) constituem o padrão "estruturado" resultante de expressões regenerativas prévias. Um trígono entre dois planetas é (fazendo uma analogia) a nota 10 em sua prova em uma matéria específica durante o curso escolar; um grande trígono é a nota 10 que o qualifica à promoção com honras. A implicação é que, tendo destilado o grande trígono, você está qualificado a expressar aqueles poderes, não apenas "aproveitar a promoção com honras". Qualquer mapa com grandes trígonos mostra base espiritual a ser usada para regenerar congestões no mapa. Alguns astrólogos dizem: "Eu não gosto de ver um grande trígono em um mapa; a pessoa sempre realiza as coisas muito facilmente – ele não faz esforço". Isto ocorre apenas porque a pessoa (representada no mapa) não foi instruída que estados de desenvolvimento são poderes que devem ser usados. Qualquer um que apenas aproveita seu grande trígono ignorando as medidas corretivas é como uma pessoa que se gradua com honra, mas não aplica aquilo que aprendeu quando entra na vida profissional ou de negócios - ele apenas "navega se orgulhando de suas conquistas". Trígonos e grandes trígonos não implicam em maestria – apenas maestria relativa em termos de estado evolucionário. O horóscopo de um habitante das florestas de Borneo poderia ter um trígono, mas isso significaria apenas que a pessoa possuísse uma qualidade superior em comparação com seus concidadãos da floresta. Princípios básicos se aplicam independente de nossa identidade exterior, mas algum conhecimento da identidade externa auxilia o astrólogo a interpretar a qualidade evolucionária dos aspectos de trígonos. 

Planetas em relação entre si são "dignificados" ou "dispostos". Se forem dignificados, estarão nos signos que regem; se forem dispostos estarão em um signo regido por outro planeta. Um planeta dignificado que esteja em trígono (seja simples ou grande) nos diz que a pessoa terá, na presente encarnação, uma grande variedade de experiências nas questões a que o planeta se refere. Um planeta dignificado está em uma posição da primeira casa do signo; sua condição de trígono é a informação de que nesta encarnação a pessoa expressará dinamicamente um profundo resíduo de poder destilado de muitas encarnações passadas. No que diz respeito àquele planeta, ele passa por "um retorno ao lar após uma volta no zodíaco" e ele está agora, conforme o registro do trígono, qualificado para irradiar com grande efeito e para grande bem, os princípios planetários em questão. Tal pessoa será provida de muitos objetivos em direção aos quais ela poderá irradiar tão bem quanto refletir, por reação àquilo que pode gozar ao colher os resultados de suas expressões espiritualizadas no passado. Um planeta dignificado fazendo parte de um grande trígono é um dos fatores mais importantes a ser estudado em um mapa. Tal planeta é um "arqui-poder" para ajustamentos regenerativos para todo o mapa. Um planeta exaltado em grande trígono representa a expressão planetária máxima na astrologia humana. Tal posição é indicativa da fruição de iniciação espiritual no passado; um planeta exaltado tendo um trígono simples é indicativo do mesmo em uma oitava abaixo. 

É, portanto, um poder tremendo que se correta e progressivamente expresso, faz a pessoa aparecer ao mundo dos demais humanos como personificação da luz branca. Planetas dignificados e exaltados (em trígono e grande trígono) representarão usualmente uma amplitude marcante em situações externas, pois aqueles padrões e poderes representam nossa consciência da infinitude do poder e do amor de Deus. Portanto, uma certa abundância do bom será percebida nas circunstâncias externas. Outro padrão de trígono que merece muito estudo é a colocação de planetas em sua própria quinta ou nona casa de signo. Chame a casa de dignidade do planeta de "um" e a seguir no sentido anti-horário ou, "sentido zodiacal", e veja se algum de seus planetas estão assim posicionados relativamente a seu signo de dignidade. É percebido pelo autor que todos os planetas assim posicionados, independente do signo ou aspectos planetários, têm certo significado espiritual, pois no percurso planetário zodiacal ele atingiu aqueles "pontos" que representam os momentos de expressar seus princípios em termos de poder de amor e poder de sabedoria. Exercite muita elasticidade no uso de palavras chave nesse estudo. É complicado, mas cedo ou tarde a intuição despertará para prosseguir onde o intelecto não pode alcançar. O uso de mandalas simplificadas é uma técnica esclarecedora que torna possível a nosso intelecto e intuição focar em pontos específicos. 

Discernir as diferenças básicas entre as palavras "alegria" e "felicidade" resulta na flexibilização de nossa abordagem aos aspectos de trígono que traz resultados notáveis. Assim como o nascimento no plano físico marca a culminância (do processo gestacional), também ele marca a iniciação da encarnação com suas possibilidades de crescimento, expressão e realização. Podemos falar da alegria da união amorosa (expressão mútua) e a alegria vivenciada pelos pais quando sua criança nasce normal e saudável; ou a alegria da prática musical e o treinamento e a felicidade de um primeiro recital de sucesso. E assim por diante - há muitas ilustrações a serem consideradas enquanto representativas de aspecto trígono expresso em termos de registro ativo ou passivo. 

Assim, alegria cria felicidade. Mesmo esforços intensos, lutas, agonias da mente e alma, além de todos estados emocionais intensos, podem ser basicamente alegres. É a alegria que torna possível cumprirmos nossas necessidades ao invés de tudo parecer obstáculos internos e externos. Na alegria carregamos nossas expressões com o melhor de nosso poder amor, poder devoção, poder fidelidade, poder melhorador, poder harmonizador, poder estético, poder simpatia, poder inteligência, poder físico, etc. Os grandes nesse mundo, independente de quão "infeliz" suas vidas possam parecer, são basicamente alegres, pois os Poderes Divinos de Amor e Sabedoria são canalizados através deles. Seus "elementos pessoais" podem registrar o não cumprimento de muitas maneiras, mas verdadeiramente grandes pessoas são muito mais que "pessoas com lares, esposas, maridos e empregos". Elas, e o que elas fazem expressa expressam suas consciências, são gestos do divino a este plano – os grandes terapeutas, artistas, escritores, professores, humanitários, todos testificam ao invencível poder da alegria cumprir a realização dos ideais. Eles não pensam a vida em termos de "algo a ser gozado" de forma trivial que a maioria de nós pensa "gozar". Eles abordam a vida como sua oportunidade de expressar a culminância de seu maior e melhor – cumprir seus padrões de especialização de lei e progresso evolucionários. 

Os "não alegres" são os apáticos, descuidados, indiferentes, mental e emocionalmente negligentes; eles se movem em resposta às coisas em si que, na maior parte das vezes não compreendem. Os alegres são conscientes – profundamente do curso e objetivo; expressam seus recursos e cumprem seus objetivos com um foco de poder, inteligência e devoção que os qualifica para se moverem ao longo das marés da evolução humana em seus altos e baixos. Há relativamente poucos gênios encarnados em qualquer tempo, mas todo ser humano pode aprender a viver alegremente no sentido de que todos que o fizerem podem se tornar mais claramente cientes de sua identidade divina e de seus recursos divinos. É quando pensamo-nos como "vermes aos olhos de Deus" que modificamos nossa identidade enquanto "seres alegres". Somos na verdade, "centelhas da chama de Deus", e uma centelha tem os atributos da luz, calor e do movimento ascensional.
       Reconhecer que qualquer planeta pode ser o regente de um horóscopo e que todo signo tem seu lugar no símbolo do trígono, nos ajuda a compreender que nenhum humano está excluído do privilégio de viver alegremente. A "imagem" antiga de que a "miséria é nosso lote" é verdadeira apenas quando nos expressamos miseravelmente, limitadamente, congestivamente e sem o reconhecimento dos potenciais divinos e objetivos espirituais. Toda ação que realizamos, toda reação que vivenciamos, toda expressão emocional e todo pensamento que sustentamos tem uma qualidade vibratória particular e isso significa que todas essas coisas podem ser traduzidas em oitavas mais elevadas de alegria na expressão da felicidade em reação, se assim escolhermos.  

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CAPÍTULO LV – FRATERNIDADE DO ASTRÓLOGO, ARTISTA, SACERDOTE E CURADOR


"Relacionamento" pode ser definido como "o significado, propósito e significância de uma coisa em referência à sincronização de sua consciência com aquela da outra coisa à qual é atraída pelas leis de vibração simpática"; essas leis são todas inerentes à Lei de Causa e Efeito e aos princípios da criatividade e epigênese.
Há apenas dois padrões de relacionamento básicos, que se manifestam através da difusão em inumeráveis oitavas através do Cosmos. O primeiro deles é a relação criativa – entre macrocosmo e microcosmo. O primeiro aspecto dessa relação é aquele do Incognoscível com (o que possa ser chamado) o Logos das arqui-galáxias. O composto das arqui-galáxias, em qualquer ponto dado, é o Cosmos total manifesto. O segundo aspecto (ou oitava) dessa relação é aquele entre o Logos de cada arqui-galáxia com os Logos de suas galáxias; o terceiro é a relação dos Logos galáctico com os Logos de seus sistemas solares; o quarto é aquele da relação entre cada Logos Solar em uma galáxia com os Logos planetários de seu sistema. Daqui para baixo na progressão da manifestação, criatividade se torna epigênese. Para sintetizar: a identidade macrocósmica (da unidade à logoidade solar) está para a identidade macro-cósmica (logos subsolares) assim como a criatividade está para a epigênese. Em termos humanos, desde que humanos não são criadores, mas epigenitores, a oitava mais transcendente desse padrão de relacionamento é aquela da regeneração universal do coletivo supraconsciente, consciente e subconsciente do arquétipo Humanidade; a oitava mais densa é aquela do relacionamento biológico (epigênese sexual) entre pais e filhos.
O segundo padrão de relacionamento é o da fraternidade e pode ser definido como: "O relacionamento dos macrocosmos entre si e dos microcosmos entre si por paralelismo da faculdade criativa ou epigenética". Também, desde que toda manifestação é "micro-cosmo" relativo ao Incognoscível, fraternidade é a relação entre coisas por atração magnética através da sincronização de similaridades e dissimilaridades de estados vibratórios. O escopo mínimo da fraternidade é uma coisa em relação a outra coisa; em todos os relacionamentos fraternos, as duas coisas concernentes têm ao menos um ponto de similaridade mútua e um ponto de dissimilaridade. O ponto de dissimilaridade mútua torna possível a ação epigenética na vida do relacionamento. A ação criativa é irradiação de uma fusão de poderes polares com auto determinação; a ação epigenética é irradiação de potenciais polares da resposta a estímulos de poder de uma oitava superior. Pense sobre isso. Um humano relativamente não evoluído em determinado ponto de consciência é epigeneticamente estimulado a partir do contato vibracional com outro relativamente evoluído naquele ponto. O ponto em comum é o ponto na consciência ou ponto de faculdade que cada um está buscando preencher; eles andam de mãos dadas na aspiração daquele cumprimento particular. O "ponto de dissimilaridade" é o contraste entre a realização relativa de um e a não realização relativa do outro. O primeiro irradia para o último; o último absorve do primeiro. Assim cada um serve de crescimento ao outro, pois o relativamente maduro deve dar e o relativamente imaturo deve receber.
O Incognoscível não tem fraternidade com nenhuma outra coisa; ele é Único, o Tudo que é. Mas, o que poderia ser chamada "energia essencial" é a essência biuna, polaridade. Na polaridade é vista a oitava arqui-macrocósmica da fraternidade; sua biunidade (duplicidade em unidade) é manifesta como (I) Vontade: positiva, projetiva, impregnativa, masculina, macho e (2) Imaginação: negativa, magnética, receptiva, reativa, feminina, fêmea. A interação dessa biunidade torna possível toda função criativa e epigenética funcionar em todas oitavas e ciclos através de todas as identidades especificadas. Muito pensamento pode ser dado ao significado do número dois. Não é realmente "dois uns"; é de fato a representação dos potenciais polares do um. Se a polaridade é a "energia essencial" biuna do cosmos (a vida interior da unidade), então o dois é o arqui-símbolo da difusão dos potenciais polares. A "Humanidade" é um aspecto da unidade porque ela é um arquétipo; a dualidade desse arquétipo é a "difusão" que denominamos mãe e mulher. O sexo (macho e fêmea) é a representação física da biunidade; o gênero (masculino e feminino) é a difusão biuna do ser vibracional. Cada macho e fêmea contem (ou possui) o atributo biuno do gênero; o masculino desse atributo é expressividade e o feminino é reatividade. Estas duas palavras, por sua vez, compõem o que poderia ser chamado de "atributo de ser capaz de experimentar" e experiência é, humanamente falando, epigênese - o desdobramento evolucionário de potenciais. As quatro palavras (dois dois) macho, fêmea, masculino e feminino são os pontos estruturais de nosso ser epigenético; a partir de nossa consciência deles nos identificamos e aos outros como fatores na família humana arquetípica, e por eles se manifesta nossa consciência individualizada; de todo padrão de relacionamento humano possível, enquanto pertençamos ao arquétipo "humanidade". O propósito de nossa evolução é o perfeito preenchimento da consciência através da experiência enquanto fatores de relacionamento.
No senso absoluto, toda manifestação no Cosmos tem fraternidade com todas as outras desde que todas são "crianças Do Incognoscível". Caso escolhêssemos fazer o esforço, nós humanos poderíamos possivelmente tocar um sentimento de fraternidade com os habitantes dos planetas de outros sistemas solares assim como com os do nosso próprio sistema. Podemos, entretanto, por analogia perceber intelectualmente a fraternidade de oitavas superiores da Vida em consideração às fontes criativas da inter-fraternidade em ordem descendente daquela identidade que chamamos "logos Solar". Isto representa o aspecto exotérico do relacionamento arquetípica fraternal – o paralelismo por identidade através da similaridade do atributo criativo. Em ordem descendente nomearemos as fraternidades de Logos arqui-galáctico, Logos galáctico, Logos Solar, Regentes Planetários, Regentes dos Satélites e em termos terrenos, os membros de cada onda de vida específica, cada arquétipo, cada espécie de cada arquétipo. Por exemplo, a fraternidade dos mamíferos inclui humanos, gatos, baleias, roedores, etc., mas cada uma dessas espécies constitui, em si, uma fraternidade. Há também as duas fraternidades, em todo arquétipo, de machos e fêmeas. Este aspecto esotérico da fraternidade se refere à forma, identidade, padrão estrutural, padrão instintivo e potencial epigenético ou criativo. Ele é o "quem e que" da fraternidade manifesta. Flexibilize sua mente um pouco para considerar este "grupamento fraternal" de formas de Vida.
O aspecto esotérico da fraternidade tem a ver com o inter-relacionamento por paralelismo de desenvolvimento evolucionário relativo à fonte criativa – em nosso caso nosso Logos Solar. Enquanto habitantes da Terra, nós somos fraternais aos habitantes de todos os planetas em nosso sistema – todos derivamos da mesma fonte criativa. De forma mais concisa, nós (enquanto o mais alto desenvolvimento epigenético nesse planeta) temos uma proximidade fraterna com o maior desenvolvimento em cada um dos planetas de nosso sistema. Aprofundando essa condensação: nós deste planeta, somos mais proximamente fraternais a todos os outros cujos preenchimentos de ideais sejam similares (paralelos) aos nossos. Esta fraternidade transcende em significado todas as outras que se referem a sexo, raça, nacionalidade, etc. É a fraternidade das oitavas de consciência e todos os membros de fraternidades de alma são magnetizados em direção aos outros através da atração de suas similaridades e dissimilaridades com o propósito do desenvolvimento epigenético. Todos os músicos, por exemplo, do mais primitivo ao mais culto, são fraternos entre si, pois todos os que pertencem a esta fraternidade têm em comum uma similaridade de expressão estética independente dos graus de diferenças em seus escopos. A arqui-fraternidade de trabalhadores tem sua difusão biuna no empregado e empregador, mas todos os membros de ambas as classificações (geralmente ou especificamente) são paralelos entre si no tipo de serviço que prestam à vida humana em curso. Esta fraternidade, não evoluída, está congesta, no conceito de "dinheiro é o motivo de trabalhar"; quando evoluída, a percepção é "dinheiro é uma avaliação exterior e uma expressão de troca entre pessoas – e que o serviço amoroso é o ideal a ser realizado". Em cada fator da experiência humana, um princípio une as pessoas em grupos por inter-relacionamento – o princípio de "interioridade" da atividade de trabalho; a ação exterior constitui os meios pelos quais o princípio de realização evolui. Cada princípio de vida se sobrepõe (assim como o Grande Mestre de uma loja ou organização espiritual) a toda fraternidade humana na qual e através da qual a realização da verdade é destilada.
Assim considerando a natureza da fraternidade, fiquemos claramente alertas ao fato de que o que denominamos "entidade" é a designação de nosso sentimento sobre alguém; não é, nem nunca poderia ser uma designação de identidade específica. Sentimentos-entidades são congestões da consciência de amor, congestões dos poderes epigenéticos, etc., que sentimos quando nossas questões não resolvidas são estimuladas pela vibração do outro. Nenhuma parte do horóscopo humano representa uma delineação de "inimigos, declarados ou secretos", pois nenhum ser humano é "inimigo" de outro. Aquelas partes do horóscopo que fomos ensinados a delinear desse modo (filosoficamente falso) são aquelas que quando estimuladas por pontos similares do mapa de outras pessoas nos torna conscientes de nossos sentimentos de culpa, frustração e insegurança. Até que nos tornemos conscientes de nosso paralelismo com a pessoa com quem identificamos estes sentimentos de palavras como ódio, medo, detestar, desgosto, etc., dizemos que odiamos, tememos, detestamos a pessoa. Aquilo não é verdade de fato; nós odiamos nossa ignorância, nossas congestões e nossos falsos ideais; nós não odiamos pessoas. No momento em que nos tornamos conscientes da verdade que algo naquela pessoa mimetiza algo em nós, começamos a vislumbrar nossa fraternidade (união) com ela; algo em nossa consciência que quer (aspira) se descristalizar e evoluir imediatamente passa a trabalhar naquele ponto para nos tornar conscientes de nosso paralelismo regenerado com aquela pessoa. Um exemplo da generosidade da vida, nada menos. Na opinião do autor, dito em um artigo prévio, as congestões intensas epitomizadas pelo signo fixo de Escorpião, regido por Plutão, encontram sua arqui-descristalização no signo de Gêmeos - pois Gêmeos é o símbolo astrológico para a essência da consciência fraterna.
Mantendo em mente (simbolicamente falando) que linhas retas são abstrações de curvas, considere o fato de que o símbolo desse signo mutável de ar é o único entre os doze, feito com quatro linhas – duas horizontais e duas verticais. Como tal, elas são as abstrações dos quatro semicírculos iniciados pelos pontos estruturais cardinais da Grande Mandala Astrológica. Elas também representam, sob outra perspectiva, a quadrimembração daquilo que é inerente aos diâmetros vertical e horizontal da Grande Mandala. O composto quadrimembrado de gênero-sexo da família arquetípica humana: a polaridade do gerador e a do criado – macho e fêmea ambos enquanto manifestantes e reagentes. Ela representa a essência do paralelismo dos parentes com a criança no sentido de que todos os parentes foram crianças e que as crianças têm o potencial epigenético de se tornarem parentes, ou "dadores de vida". Assim ele representa o paralelismo de todas as manifestações, pois todos os eretores são epigenitores e todos epigenitores têm os potenciais para se tornarem creadores. O creador é o "irmão mais velho" para o epigenitor; o epigenitor é "irmão mais novo" para o criador. Aquele que está mais próximo da unidade é o mais antigo em qualquer arquétipo. A fraternidade dos sexos é vista na similaridade do poder epigenético do humano masculino e feminino sincronizado com a complementação da dissimilaridade da função física. A ação fundida de duas unidades sexuais humanas provê a sincronização quadrimembrada (expressiva) reativa do masculino e feminino – a fraternidade epigenética da transmissão da vida. Marido e esposa são "irmão e irmã" no serviço amoroso da paternidade. Pense a esse respeito caso sinta-se inclinado a lançar toda a culpa pela sua infelicidade marital (caso você a sinta) sobre seu parceiro. Talvez você precise se lembrar da fraternidade que está profunda e intrinsecamente inerente ao relacionamento. Aqueles de vocês que possam estar congestos em sentimentos ruins em relação a um parente: lembre-se que você e o parente são fraternais por serem membros do mesmo grupo familiar; suas similaridades e dissimilaridades são o que magnetizaram vocês para a realização mútua. Aprenda a seu respeito estudando e percebendo estas similaridades - você não tem nenhuma outra fonte melhor para instrução.
Em relação ao assunto em questão, a fraternidade do astrólogo, artista, sacerdote e curador compreende a fraternidade dos regeneradores epigenéticos. No relacionamento com a fonte, estes são representados como a cruz mutável - os dispersadores das canalizações de sabedoria e poder regenerador. Como tais eles são "irmãos menores de Deus" nesse plano. Mas, em relação àqueles que são ignorantes, congestos, cristalizados, etc., eles são representados pela cruz fixa, iniciada pelo signo ígneo de Leão, um símbolo daquilo que corresponde à nossa Fonte Criativa, a "humanização da cabeça de Deus". Os inspirados Radiadores de Poder desse plano são os "Reis da Terra"; embora Capricórnio-Câncer abstratamente representem o princípio da "parentalidade das formas", Leão-Aquário representam o princípio da "parentalidade dos Espíritos", pois é através desse diâmetro que o poder solar criativo é liberado através dessa manifestação. (Foi dado em instrução oculta que nosso sistema solar teve sua origem, ou começou sua manifestação, quando o Sol, por precessão, estava no signo de Leão - o signo da fonte radiativa). Touro-Escorpião é o aspecto desejo da criatividade, é o símbolo bipolar de nossa criatividade enquanto epigenitores. Leão-Aquário, entretanto, é a fonte do poder epigenético - é o atributo amor, no qual e através do qual encontramos nosso Centro Divino. Antes que o sexo fosse, o amor era, e a fraternidade dos regeneradores é composta por aqueles que recarregam a consciência espiritual da humanidade a partir da realização do poder fundido de Sol-Urano. Como tais, eles são nossos irmãos e irmãs maiores e fraternos aos nossos Espíritos assim como nossos pais e mães são à nossa expressão enquanto corpos nesse plano.
Os grandes Regeneradores desse planeta podem parecer, e às vezes parecem, como deuses para os menos evoluídos. Eles conhecem sua fonte de poder e destilam a sabedoria para irradiar aquele poder de acordo com princípios de cumprimento. Eles possuem extensões de nossos atributos que o fazem semelhantes a uma super-humanidade. Eles tornam manifesto nosso Idealismo Interior enquanto individualizações de nosso arquétipo e nós tendemos a "adorá-los" da mesma forma que adoramos nosso conceito de Deus. Suas irradiações de poder como iluminação por sabedoria, amor, beleza e cura alcançam o mais íntimo de nosso melhor ser – eles acendem um fragmento do Self que reside eternamente em cada um de nós; como consequência, pelos seus serviços nós chegamos a uma percepção de nossa divindade inerente - nós experienciamos uma transfiguração de consciência que nos faz parecer habitantes de um mundo celeste. Como é de nossa natureza personalizar nossas reações e sentimentos, dizemos que amamos essas pessoas: nós amamos, mas o que realmente queremos dizer por esta sentença é que pela resposta à sua ignição de nossa consciência nós percebemos mais claramente do que nunca, aquele amor que é Deus, a transcendente, transfiguradora, glória transformadora que é nossa sintonia – por pouco tempo que seja - àquilo que nossas vidas deveriam ser na realidade. É parte de nosso serviço implícito, enquanto humanos, manter viva aquela "mágica" - e através de sua regeneração de nossa consciência, irradiar a inspiração, a alegria, o amor curador àqueles em nossos círculos próximos de relacionamento e conhecimentos. Nós também podemos ser "canalizadores" para os poderes mágicos do Bem, cada um a seu modo e de acordo com seu desenvolvimento e aspiração.
Lembremos que (apesar de semelhantes a Deus) mesmo os altamente evoluídos dessa Fraternidade de Regeneradores são, nesse plano, humanos. E é possível que qualquer um deles possa estar congesto em algum fator específico relativo à sua percepção pessoal. Devemos, apesar de devotamente e adorando, libertar mesmo o mais profundamente amado para que seja ele mesmo enquanto indivíduos, para fazerem seus "erros humanos" e exercitar o direito de aprender com os resultados daqueles erros. Quando amamos a tal ponto que retemos a gratidão no coração pelos serviços inspiracionais prestados e liberamos as dores das desilusões e desapontamentos quando nossos "maiores" revelam pés de barro, nós elevamos e purificamos a qualidade de nossa resposta vibracional, e, ao liberá-los de suas congestões pessoais, tornamos possível sua liberdade para regenerarem-se e curarem a si mesmos. A "libertação" que estendemos em devoção verdadeiramente amorosa é a essência do que eles buscaram nos ensinar; a evolução regenerativa é o processo de liberação de congestões, seja através da resposta à arte, à religião ou ao ensinamento filosófico, aos métodos de cura, ou o que não experienciamos em cada resposta aos métodos regenerativos. O regenerador que se congestiona em falso orgulho, ambição por aplauso e aclamação e cristalização intelectual, estragando seus poderes irradiadores por usá-los como substituto para a frustração pessoal ao invés do serviço amoroso está simplesmente reagindo com algo em seu ser que se refere à sua parte "ainda humana". Astrólogo, sacerdote, artista e curador podem (e o fazem) encontrar esses pontos em suas experiências; a tendência a permitir que o desapontamento pessoal o retire da linha, a tentação de congestionar no auto isolamento, a se congestionar em opiniões pessoais e preconceitos, os desafios do mundo material das finanças e dos meios financeiros, etc., são todos, para os membros dessa fraternidade, pontos críticos na experiência; muitos dependem deles – e assim muito tem que ser alcançado para que a clareza da canalização e do poder irradiador possam ser mantidos. O astrólogo deve sempre buscar as verdades da vida conforme estão representadas em seu mapa; ele não pode, na verdade, perceber os valores plenos do mapa de outra pessoa até que ele tenha alcançado a excelência em ver seu próprio tema com imparcialidade e discernimento. Esta é a primeira de suas responsabilidades ocultas, da qualidade de sua determinação em cumpri-las conforme vive, dependerá a qualidade de seu serviço amoroso e sábio aos outros.

Concluindo, um pensamento fraterno a todos os regeneradores que escolheram o caminho da condução astrológica: Possa o lótus de sua alma desdobrar suas perfeições em branco e dourado nas águas serenas da simpatia verdadeira e sem limites; possa a rosa vermelha do amor e da coragem inspiracional florescer, e glorificar, a Cruz de nossas identidades.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CAPÍTULO LIV – SARANDO


A arte de sarar é uma extensão impessoal do amor parental bipolar. A preservação do corpo gerado é um dos fatores envolvidos na responsabilidade parental; a sabedoria, que é conhecimento destilado a partir da experiência através de encarnações, é acrescentada à necessidade básica de amor dos pais para formar a essência das artes de curar, pela qual a humanidade em serviço preserva e protege o composto de suas miríades de corpos. Consideraremos uma mandala básica indicativa dessa extensão:
Primeiro, um círculo com o diâmetro vertical e os signos de Câncer e Capricórnio nas posições inferior e superior, respectivamente. Essa é a mandala essencial dos pais – o materno e o paterno do EU SOU abstrato do Ascendente. Em seus estados primitivos, a humanidade funcionou instintivamente no parentesco, seguindo o chamado da necessidade geradora como um preenchimento de um desejo expresso intensamente com, talvez, o mínimo daquilo que podemos chamar de "afeição". Com a concepção, cuidados neonatais, sucessos e insucessos na preservação da criança, a espécie humana primitiva cumpriu com a responsabilidade pela forma. Entretanto, com a evolução e os desdobramentos do potencial amoroso, os pais desenvolveram a consideração pelas crianças enquanto indivíduos, e com essa consideração nasceu o desejo de compreendê-las. As artes sanadoras nasceram com o primeiro humano que exercitou seu pensamento e criatividade, enquanto expressão da proteção parental instintiva de preservar a vida do outro. Esta pessoa hipotética, seja quem for, projetou do potencial amor-sabedoria uma imposição de mente e vontade sobre o fenômeno da natureza para preencher a aurora da necessidade do serviço amoroso impessoal. O homem sempre se move em direção às extensões de relacionamento de sangue no desdobramento de seus potenciais. Primeiro seus pais, irmãos e irmãs, esposo e filhos; então os membros de um clã ou tribo e assim por diante - até que ele atinja uma oitava de consciência na qual percebe o brilhar de sua vida – relacionamento com todas as pessoas. Ele "toma conta" de seus animais, primeiro porque ele foi dependente deles para trabalho e comida; entretanto, com o "brilhar dos relacionamentos de vida" ele percebeu que está relacionado com os animais do mesmo modo que seus parentes e outros humanos, como consequência, ele estendeu seu conhecimento de sarar para beneficiar não apenas pessoas, mas toda vida animal também. O universalista se descristaliza a tal grau que o que quer possua de potencial de serviço amoroso é irradiado para todas as criaturas que necessitam dele.
Agora acrescente à mandala em mãos, o diâmetro Peixes-Virgem; pontos equivalentes em Câncer-Peixes e Capricórnio-Virgem se conectam por linhas curvas no sentido anti-horário. Dessa forma vemos uma figura composta do movimento do diâmetro Câncer-Capricórnio rodado nove signos, vindo repousar nos signos que representam a oitava da sabedoria parental. "A experiência evolutiva nascida da Sabedoria" é o significado arquetípico de qualquer padrão de signo de nona casa. Um parente devotado, mas não iluminado, pode fazer todo esforço para sarar uma criança amada, mas a sabedoria resulta na arte de fazer qualquer coisa de acordo com seus princípios essenciais. Assim, os especialistas médicos, diagnosticadores, cirurgiões, enfermeiras, dentistas, ginecologistas, nutricionistas, herbalistas, veterinários, psiquiatras etc., compreendem a grande fraternidade de terapeutas, os "pais e mães impessoais" que consagram seus esforços para manutenção da saúde interior e exterior de todas as criaturas. Dessa fraternidade, há dois tipos básicos que estudaremos por mandalas. A mandala do curador exotérico é o diâmetro Virgem-Peixes, polarizado por Gêmeos, regido por Mercúrio e signo da terceira casa a partir de Áries. Gêmeos é o conhecimento factual, é compreensão derivada da observação do fenômeno físico e o estudo de dados e fatos gravados. A abordagem exotérica da arte terapêutica se baseia em uma abordagem na qual o corpo em si é a fonte de suas próprias doenças, e como tal, ele foi o meio a partir do qual o homem foi impelido a se familiarizar com a estrutura e funções de seu veículo físico. Em seus estágios precoces de evolução, ele sabia apenas aquilo que via ou percebia por meios físicos; sua consciência e apreciação da vida focada em sua reação ao mundo objetivo ao seu redor. Assim, ele estudou seu corpo observando o que acontecia a ele sob certas condições e experiências. Ele aprendeu os diferentes tipos de reação à dor que era capaz quando seu corpo era afetado de formas específicas por forças e agentes exteriores. Esta "mandala da cura", polarizada por Gêmeos, sendo essencialmente objetiva, é a mandala de toda arte diagnóstica que pertence a qualquer ramo da cura, seja interior ou exterior. Ela também se refere às artes da cirurgia e tratamento médico que se aplicam diretamente à condição física.
O homem começou a aprender sobre efeitos externos bem cedo nos estágios evolutivos, mas levou bastante tempo para se tornar consciente do significado da influência de seus estados interiores sobre seu bem estar físico. O primeiro humano (hipotético) que percebeu que um estado emocional ou mental tem um efeito direto sobre a condição de seu corpo, enquanto causa de uma anormalidade, foi o primeiro terapeuta esotérico. Ele foi o primeiro a reconhecer a coexistência das vidas objetiva e subjetiva. Suas observações foram a gênese daquelas subsequentemente desenvolvidas em relação à causa subjetiva de todas as anormalidades ou desarmonias - lesões assim como doenças. Em suma, estas observações se referem à causação cármica das desarmonias físicas. (O Faraó Alado, de Joan Grant, nos conta como os grandes sacerdotes curadores do antigo Egito perceberam, pelo exame clarividente, as causas interiores das desarmonias físicas). O imortal Paracelso pode ser referido como a "síntese" (na história relativamente recente) desse "primeiro terapeuta esotérico". Com a mandala em mãos, acrescentemos agora o símbolo de Sagitário, polarizando Gêmeos, assim formando a cruz mutável da instrumentação, a extensão da mandala do curador exotérico, o retrato do homem enquanto instrumento para sua própria cura. A principal congestão envolvida é a congestão em ignorância, a "cegueira ao princípio", em última análise a causa de todas as doenças e injúrias físicas. O ponto inicial dessa cruz é o signo de fogo de Sagitário - correspondendo ao Áries da Cruz Cardinal. A identidade é; "Eu sou um curador".
Agora, por clareza, "construa" a mandala de Sagitário assim: a horizontal esquerda, Sagitário; a vertical superior, Virgem; a horizontal direita, Gêmeos; a vertical de baixo, Peixes. A radiação preservativa da cura de Sagitário é polarizada pelo conhecimento de Gêmeos; o diâmetro parental é o diâmetro abstrato do serviço da Virgem-Peixes. O instinto maternal primitivo de Câncer está aqui mostrado como sendo a maternidade universal do compassivo Peixes; o instinto paternal primitivo de Capricórnio, exaltação do princípio masculino, Marte, está aqui mostrado enquanto cuidados do elemento terra através de Virgem, enquanto sabedoria expressa através do serviço amoroso. Agora acrescente a quinta e nona cúspides e os signos de Áries e Leão, respectivamente; conecte os três pontos de fogo por linhas retas formando o trígono da individualização dinâmica que caracteriza todos os grandes curadores esotéricos; cada um desses, pela natureza de seu propósito e cumprimento de responsabilidade, é um precursor na medida em que cada um acrescenta um ponto de entendimento que serve para transcender as limitações do conhecimento puramente exotérico. Todo curador, independente a que ramo da arte sirva, que aplica uma compreensão inspirada das causas internas da injúria e doença é um curador esotérico; apenas aqueles que focam exclusivamente no corpo são considerados "exoteristas puros" das artes da cura.
A (quinta cúspide) do amor potencial dessa mandala foca a arqui-regeneração da coragem e todos os curadores esotéricos devem, plenamente, expressarem essa virtude. A maioria da humanidade é e sempre foi, "esotericamente falando" - congesta em aparências externas e cega para as realidades interiores. Para rasgar o véu da ignorância de modo que a humanidade possa ser alertada quanto a "ser a causadora das próprias desarmonias" tem sido necessária uma coragem imensa e um zelo fogoso por parte dos grandes curadores. O medo instintivo do desconhecido que caracteriza a ignorância tem sido o maior desafio à integridade pessoal dos curadores e este desafio tem que ser tratado pelo exercício dos impulsos mais dinâmicos representados pelo Marte ariano. Leão, na quinta cúspide dessa mandala focaliza a vibração de "poder e autoridade" do Sol na casa que se refere ao entendimento e ao ensino. Quem, nas artes da cura, presumiria ou ousaria apresentar especulações enquanto verdades em relação à cura subjetiva – ou seja, sem a autoridade da compreensão verdadeira dos princípios envolvidos? Nesse fator da mandala, vemos a "realeza da verdadeira compreensão", a "nobreza das percepções iluminadas". As verdades do exterior, importantes e significantes que são para o desenvolvimento das artes de cura, são reflexos espelhados das verdades interiores. A nona casa de Leão é a "sabedoria que irradia amor" e a expressão de verdades interiores compreendidas constitui a essência da cura em qualquer plano; esta sabedoria é uma contribuição vital à experiência humana em qualquer aspecto.
Como Câncer é o símbolo daquilo que, em consciência, impele a mulher a sacrificar sua substância corpórea para a encarnação de Egos, assim é Peixes, enquanto o signo da quarta casa da "mandala do curador", o sacrifício espiritual que é feito por todos os verdadeiros curadores. A "substância" desse sacrifício é o ideal de todos os curadores, machos ou fêmeas, oferecido continuamente para que o ideal de saúde se manifeste na experiência humana. Como a mulher primitiva instintivamente ama sua prole, da mesma forma a polaridade feminina em todos os seres humanos aquilo que é jovem, indefeso e não formado. E - "não formado" significa "ignorante". O sacrifício, através do idealismo, oferecido pelos curadores é frequentemente infinitamente pior em intensidade em relação ao que seria qualquer sofrimento físico. Para se ter uma ideia, uma humanidade radiante e saudável traduzida continuamente pelas forças congestas do materialismo, preconceito, estupidez e inveja é uma crucificação do espírito que pode ser – e tem sido – abismal em intensidade. O coração materno de todos os curadores suporta estas lacerações em serviço, assim como em outra instância, a mulher suporta as dores do parto e da gestação. Assim se configura uma imagem para todos os curadores: serem capazes de neutralizar as forças de congestão através do oferecimento contínuo de suas identidades e seus impulsos simpáticos. Nesse serviço universalizante, tudo em sua natureza que é ou tem sido "Mãe" alcança oitavas superiores de consciência, de modo que todos possam se beneficiar a partir do derramamento de seus impulsos compassivos e simpáticos.
Se a necessidade de curar derivar da essência materna feminina, então o trabalho real da cura é derivado da essência paterna enquanto universalização estendida do princípio do serviço inerente ao trígono de terra, iniciado por Capricórnio Saturnino, mas focalizado nessa mandala pelo Virgem Mercurial, a "localização masculina" deste planeta mental. Toda simpatia no mundo pode ser, de um ponto de vista vibratório, uma agência de cura, mas o total das artes de cura é tão complexo e tão variado são os fatores com os quais lidam, que o aprendizado dos processos evolucionários implica na aplicação de muito estudo e observação. A polarização de Sagitário por Gêmeos e de Peixes por Virgem nos mostra que o conhecimento factual de todos os planos de existência, em termos humanos, representa o preenchimento ou cumprimento da necessidade ou instinto básico pelo qual o humano busca tornar-se um instrumento para os poderes de cura. Todo estudo e aprendizado a partir da experiência servem em última análise ao propósito de alertar a consciência do curador para uma percepção da saúde enquanto um atributo universal. Um pai humano inteligente não concebe sua responsabilidade como sendo um "faça tudo pela criança"; ele sabe que sua responsabilidade é de guiar e alertar a criança no exercício de seus potenciais individuais. Assim, o curador, como "pai universalizado", estuda a doença e as lesões com o propósito de alertar o paciente (sua "criança") a uma percepção da própria responsabilidade do paciente em determinado assunto. O "coração de pai" do curador diz: "Minha criança, você deve aprender porque se encontra nessa condição e exercitar-se de acordo com uma compreensão clara dos princípios de seu corpo".
O curador, um ser humano em evolução com problemas como todos, pode e às vezes ocorre, de se congestionar e causar a si mesmo uma "derrapada para trás" no cumprimento de seu serviço universal. Ele é, como todos os demais, um aspecto da Grande Mandala que dá pistas na forma de riscos específicos se o curador operar a partir de uma base de consciência congesta.
O signo de Câncer simboliza não apenas "lar e vida privada" senão também o arquétipo da consciência de aderência a uma raça, nacionalidade ou religião particulares. Estes fatores são parte de nossa "consciência de ninho" e servem como "moldes evolucionários". O curador que "congestiona em Câncer" é aquele que se exercitará ao máximo para ajudar alguém "do seu próprio tipo", mas pode recusar seu auxílio a alguém "fora das fronteiras" em relação a ele. Independente da estratégia e habilidade, este tipo de ação demonstra ignorância dos princípios das artes de cura. O signo de Capricórnio, focalizado por Saturno, é ortodoxia, organização e padrões convencionais. É através da vibração saturnina, em certos padrões, que a individualidade do curador é desafiada por "aquilo que foi estabelecido como padrão e ética profissional". Todos os grandes curadores são grandes devido às suas individualidades e coragem de suas convicções inspiradas. A ganância pelo dinheiro, aplauso e "reputação" que caracterizam os curadores cristalizados é um composto de forças que frequentemente desafiam a integridade do indivíduo. Se ele transcende aquele desafio, sua Luz continua a queimar com brilho e pureza; se ele sucumbe a qualquer fator, sua luz, cedo ou tarde, diminui e se torna incoerente. O curador não pode "vender sua Luz rio abaixo" em acordo com aquilo que é cristalizado e sem princípios e esperança que mantenham aquela Luz clara e luminosa. A complementação de Sagitário por Gêmeos não regenerado, é congestão no desenvolvimento intelectual à custa do impulso espiritual. Se o curador reagiu a desapontamentos e dificuldades com cinismo e antipatia gradualmente progressivas, ele pode ser tentado a encontrar consolo "voltando-se aos livros e se afastando das pessoas". Um curador existe como tal devido às necessidades das outras coisas viventes e não por causa do que está nos livros. O conhecimento deveria estar "casado" com o ideal espiritual para completar, da forma mais plena possível, o serviço amoroso que é a razão de ser do curador.
Qualquer estudante de astrologia que deseja iniciar um período de estudo dos mapas de curadores ou de fatores astrológicos relativos a "habilidades curativas" deveria preparar sua mente para esse estudo, lendo primeiramente as biografias dos grandes curadores como uma "sintonia" com o espírito da natureza humana que torna pessoas curadores. Ele deveria familiarizar-se mercurialmente com os passos significantes no desenvolvimento das artes de cura através da evolução humana. Isso é comparável, no plano intelectual, com a "meditação em mandalas" uma vez que a mente é sensibilizada pela vibração de curadores. Sugere-se também a leitura da inigualável Canção de Bernardette de Franz Werfel enquanto algo especial para todos os estudantes que desejem sensibilizar sua percepção a respeito da instrumentalização de todos os grandes curadores, assim como dos recursos ocultos pelos quais os grandes centros de cura são estabelecidos. A literatura teosófica e rosacruciana são claramente conhecimentos inestimáveis com relação ao assunto cura.

Algumas poucas observações gerais: as artes cirúrgicas são caracterizadas pela vibração marciana; aquelas do tratamento médico e diagnóstico por Mercúrio. A Lua e Vênus são notáveis nos padrões relativos às especializações femininas; Saturno para as artes quiropráticas e ortopédicas. Uma pessoa abençoada com o poder vibratório da cura terá frequentemente um Sol fortemente aspectado e claro, com ênfase em signos fixos, particularmente Escorpião e Leão. Os signos de Peixes e Câncer e o planeta Júpiter são "básicos" nos mapas de curadores. Se o curador for verdadeiro, ele é um preservador – e Júpiter é o princípio da preservação e da melhoria. A décima segunda casa – aquela da responsabilidade do cumprimento cármico àqueles limitados – deve estar configurada nos mapas daqueles que servem em hospitais e outras instituições de cura. Vênus pode ou não estar notável nestes mapas, mas a Lua deve estar – uma vez que é o símbolo da simpatia materna instintiva e também da necessidade pública. Uma forma de cura inspiracional pode ocorrer na consciência de qualquer um que estude o tema da cura – e o astrólogo, "irmão gêmeo" do curador esotérico, deve irradiar cura pela sua amizade, percepções e amor impessoal. Ele funciona como "curador da psique" por seu alerta à consciência da humanidade para as verdades dos princípios de vida.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CAPÍTULO LIII – FILMES

O desenvolvimento de filmes como arte para entretenimento é um dos fenômenos mais marcantes da atualidade. Ele trouxe drama, comédia, música, cor, dança, viagens, notícias, avanço educacional e uma pronunciada influência cultural, nas suas melhores formas, para a vida de milhões de pessoas que de outro modo poderiam nunca experimentar essas coisas. Estamos interessados neste discurso não com o desenvolvimento técnico, mas com a significância oculta dos filmes agindo assim como seus efeitos sobre as mentes e consciências das pessoas de hoje. Como em qualquer outra arte, há os pioneiros que ousaram fazer brilhar as trilhas em direção a um avanço cultural mais extenso. Então, há aqueles trabalhadores que adaptam as apostas dos pioneiros e as desenvolvem para uma escala maior e mais perfeita com o passar do tempo. Há ainda aqueles que não estão particularmente interessados ou mesmo conscientes do avanço cultural que "dão ao público o que ele deseja" em termos de manter aquilo que foi estabelecido como padrão de valor de entretenimento. O último grupo é aquele que mais conspicuamente "alimenta a tendência escapista do público"; os dois primeiros servem para melhorar, ampliar e regenerar o gosto e apreciação do público, sendo eles que na maior parte são responsáveis pela mais alta qualidade do valor artístico encontrado nesse trabalho.

Muitas vezes se refere aos filmes como "um mecanismo de fuga", uma "panaceia" que serve para ajudar as pessoas se esquecerem de si e de seus problemas. Tal interpretação mostra uma falta de compreensão. A arte do filme não é essencialmente um mecanismo de fuga mesmo que algumas pessoas o utilizem como tal. Uma abordagem psicológica a essa "idiossincrasia" da natureza humana deve recair sobre o fator humano, não no fator filme. Os nomes dos "mecanismos de escape" são legião; consideremos sua essência. Astrologicamente falando, a vibração de Netuno não regenerado em combinação com qualquer aspecto de quadratura ou oposição é um potencial para o mecanismo de fuga. Os aspectos de quadratura e oposição são pontos de divisão interior, congestão de potenciais, tendências de desintegração, pontos de ignorância, confusão de identidades, falta de autoconfiança e de autoconsciência, inibição por medo-ameaça, etc. Netuno não regenerado é, entre outras coisas, nosso poder de dar poder às ilusões. E, todos fazem isso, de uma ou outra forma, até que a consciência se inunde com a luz da compreensão e da percepção clara como resultado do aprendizado através da desilusão. Quando sofremos de qualquer dessas condições negativas e não sabemos por que sofremos, tendemos a identificar verdades interiores com algo, ou alguém, fora de nós. Isso é essencialmente o que significa "mecanismo de escape" - a tentativa de escapar da dor das congestões e confusões interiores.

Se pudermos falar de um objetivo comum que motiva a humanidade, ele é certamente a realização de ideais. O ideal é a música que uma vez ouvida se torna irresistível. A busca por realizar essa idealização é o grande impulso evolucionário; nós seguimos essa "música", consciente ou inconscientemente desde nossa primeira manifestação. A realização dessa idealização é o cumprimento, através de expressão regenerada, de potenciais. Até que nos tornemos plenos enquanto indivíduos, tendemos a ser impulsionados a buscar este desenvolvimento em alguém ou em algo. Evolução depende de expressão; "não expressar" ou "não fazer" é "não evoluir". Mesmo uma pessoa que viva em termos do que chamamos "criminalidade" está evoluindo, pois está expressando seus potenciais; ele determina causas que reagirão como retorno cármico a partir das quais ele poderá finalmente aprender mais sobre princípios. A posse de dinheiro é para muitas pessoas o símbolo do maior bem da vida e nada as faz parar até a realização desse ideal; entretanto, com o tempo, e através da experiência, elas aprendem o que o dinheiro realmente é e então se condicionam a ajustar suas consciências e ações de acordo com a clarificação do princípio em suas próprias mentes. Gibran disse: "Mesmo uma fala hesitante fortalece uma língua fraca"; cessar a procura pelo ideal é morrer em consciência; continuar a expressar, enquanto meio de procurar por aquilo que é mais valorizado e querido é evoluir.

Nossa resposta emocional à outra pessoa a identifica como um símbolo para nós. Se a reação for de inveja, ciúmes, ódio, medo, etc., ela serviu para estimular alguma de nossas congestões, confusões ou frustrações internas; a pessoa que "odiamos" (desejamos destruir) serve, pelo estímulo de sua vibração, para nos lembrar de um passado muito sério, enquanto inadequadamente errado. Nós nunca "odiamos" outra pessoa; podemos apenas odiar nossos fracassos e destruí-los a partir de uma expressão regenerada. Se nossa reação ao outro for de harmonia, alegria, amor, admiração, inspiração, etc., então, quem ou o que quer que seja serviu para nos lembrar, pela sua vibração, de nosso próprio estado regenerativo interior. Isto explica porque pessoas de fé amam plena e profundamente aqueles que possam destratá-las e machucá-las; a ligação magnética do carma provê ao que ama "pábulo" sobre o qual depositar seu amor. Nós amamos o ideal que o outro representa para nós e aquele "ideal personalizado" é sempre um padrão de nosso próprio profundo "sonho de perfeição". O antigo criminoso financeiro bem sucedido pode ser um "ideal" para o mais jovem inexperiente, que se comprometeu a exercitar ele mesmo no que denominamos "formas criminosas". Assim, em suas ações antissociais, destrutivas e sem princípios ele ainda expressa em seu impulso profundo a imitar o símbolo do homem mais velho. Em favor dos que são ignorantes e pouco evoluídos, lembremos que a pessoa que denominamos "criminosa" pode expressar uma devoção profunda àqueles para quem ou com quem trabalha, e nessa sua limitação particular de consciência pode lidar de forma honorável com aqueles de sua "profissão", além de poder utilizar muito de seu "ganho ilegal" para ser verdadeiramente de algum auxílio. Ninguém é inteiramente um criminoso, pois todos estão buscando realizar um ideal. O parasitário "fazer nada" é um tradutor pior da própria natureza que o criminoso ativo. Um ladrão ou algo do gênero apresenta ao menos uma pequena quantidade de coragem. O "fazedor de nada" não tem nem isso e por sua natureza ele é um não contribuinte. Ele terá que realizar esforços intensificados no futuro para compensar suas deficiências no presente.

Assim, a pessoa cujas potencialidades não sejam satisfatoriamente expressas ou que se condicionou fora de linha com seu ideal interior pode, e frequentemente o faz, se voltar aos filmes e aos personagens que atuam neles, para obter vivências, apesar de contato artificial, com suas ideias pessoais. Esse discurso não pretende criticar ou julgar o trabalho de personagens específicos, a não ser uma avaliação pertinente a este assunto; mas alguns personagens serão mencionados devido à sua personalidade marcantemente arquetípica e sua aparência física, mais certo nível de habilidade técnica, pela qual eles exercitam o poder do simbolismo vivencial no subconsciente de grupos e indivíduos. Dos muitos que exerceram uma influência duradoura sobre a subconsciência do público, consideraremos quatro homens, de tipos contrastantes, que trabalham em filmes americanos e que representam exemplos notáveis de personalidades arquetípicas simbólicas: Lon Chaney, Bing Crosby, Rudolph Valentino e Clark Gable.

O Sr. Chaney, cujo trabalho no cinema mudo o qualificou como o maior artista de performance e um dos maiores pantomimistas do teatro americano, cumpriu, enquanto arquétipo, o impulso universal instintivo da humanidade de transcender a monotonia da "experiência cotidiana". Suas caracterizações foram, quase sem exceção, de corpos deformados e personalidades transtornadas. Ele deu às audiências uma satisfação às suas atrações subconscientes ao estranho e horrível. Suas apresentações resultaram em grande impacto emocional, ele tinha grandes poderes projetivos e suas melhores performances, como Quasímodo no Corcunda de Notre Dame, foram inesquecíveis experiências dramáticas. Ele exemplificou o "inefável" pelo qual a humanidade sofre em decorrência da malformação física e as terríveis frustrações resultantes das necessidades normais ou naturais. Em suma, seu propósito oculto foi trazer à audiência dos cinemas uma consciência do trágico na arte dramática. Ele não foi um "entretenedor" de modo algum, seja em propósito ou no tipo de apresentação. Responder verdadeira e reverentemente ao marcante trabalho do Sr. Chaney significa uma amplificação da consciência de paixão ao sofrimento humano. Seu propósito oculto foi direcionado para estimular a compaixão no coração humano.

O autor percebeu há tempos que o trabalho do Sr. Bing Crosby nas telas é uma das mais marcantes influências espirituais no mundo (1951). Com muito da religião organizada de hoje em um estado de mutação e movimento, a vibração e talento desse homem servem para trazer, através do som e da comédia leve, um estímulo de longo e poderoso alcance, "gentilmente expresso" ao ideal humano de bondade e amizade simples e naturais. Sua vibração, do ponto de vista astrológico, é fortemente venusiana – tendo Libra como Ascendente, Sol em Touro e Lua trígono Mercúrio e Vênus. E quem personifica mais perfeitamente o ideal de não resistência construtiva? Para exercitar uma (possível) analogia elegante, ele poderia ser chamado o "São Francisco de Assis do século 20", tão convincente são a bondade e sinceridade do arquétipo que ele representa. Palavras são escritas e ações planejadas, mas ele em si tem a especialização de consciência que projeta esta qualidade arquetípica. Outros atuam e cantam, são agradáveis e merecem o respeito do público, mas há apenas um Bing Crosby, o "trovador do mundo" e, arquetipicamente, o amigo de todos com que entra em contato. Quem não amaria possuir o poder de amizade que ele simboliza? Ele derrete os corações mais duros e, com sua completa ausência de tensão suas são as performances mais naturais – ele simboliza a personalidade não congesta, expressiva, bondosa, persuasiva mais que forçada, com a percepção do bem que é inerente em todos. Se as pessoas em frente a suas fotos reconhecessem que elas, enquanto indivíduos, precisam apenas emular este arquétipo e descristalizar resíduos de malícia, inveja, ciúmes, impulsos ferinos, etc., elas não apenas apreciariam suas performances ainda mais, mas tomariam seu exemplo em seus corações. O Sr. Crosby personifica verdades da natureza humana regenerada – seu trabalho é uma série de sermões através de atuação e canto. Pessoas do mundo inteiro o amam poie ele representa seus melhores potenciais interiores de coração e espírito. Você tem o Sr. Crosby – nas telas – como uma "invenção da imaginação" completamente remota de você e sua vida, ou você reconhece que ele sustenta um espelho que reflete aspectos de sua própria gentileza, amizade e harmonia inatas? Pense a esse respeito cuidadosamente.

O Sr. Valentino, um Europeu Latino de aparência extraordinariamente fina, personificado em seu tempo como um ideal romântico que suplantou em poder aquele de qualquer outro ator de seu tipo. A psicologia poderia dizer muito em relação à possessão que este homem exerceu sobre o subconsciente da mulher americana. É verdade, desconfortável possa ser falar, que o miasma do puritanismo é uma influência de ruina sobre as mentes e corações de pessoas por muitos anos, e sua influência desviou pessoas - milhões delas – de realizarem o ideal do preenchimento espontâneo do relacionamento amoroso. O arquétipo representado pelo Sr. Valentino foi a antítese completa dessa "filosofia" falsa, materialista, corruptiva e anormal. Os fatores compostos do temperamento Latino, somado à bela face e psique, acrescidos de uma grande estratégia de projetar as intensidades do magnetismo sexual, tornaram possível a esse ator efetivar um arquétipo focado da personalidade masculina que representou, para o subconsciente feminino, um ideal de complementação de amor. Sob o feitiço de sua vibração, mulheres reencontraram sua feminilidade básica e instintiva – o desejo de serem conquistadas, sobrepujado e transfigurado pelo poder projetivo do masculino estrategicamente cultivado. Nada na vibração e personalidade desse homem foi "americano"; ele representou a personalidade típica da graciosidade, cortesia, habilidades românticas e o charme de uma civilização antiga. Pode ou não ocorrer que outros na atualidade das telas hoje sejam comparáveis à vibração e habilidade desse homem, mas ele foi, em seu tempo, arquetípico daquilo que muitas, senão a maioria das mulheres procuraram como ideal de parceiro amoroso. O senhor Valentino é uma referência respeitável do padrão masculino e o que ele simbolizou deveria ser pensado e aprendido por muitos homens que permitiram que seus conceitos de relacionamento homem mulher se congestionassem pela falta de graça, ignorância, puritanismo – com seus complexos de culpa e falta de percepção daquilo que é verdadeiramente belo na mulher. Em suas performances nas telas, o Sr. Valentino prestou homenagem ao ideal da beleza feminina. Por vaidade pessoal, muitas mulheres buscaram forçar a homenagem dos homens por truques e artifícios, mas homens prestam homenagens ultimamente a seus ideais, nunca a máscaras e paredes. Há uma lição a ser aprendida pelos homens na consideração do trabalho desse ator. O propósito oculto do trabalho desse ator nas telas foi para o homem perceber e ativar a partir dessa percepção, a verdadeira beleza da mulher, para que a mulher possa se tornar e seja a beleza que inspira.

O Sr. Gable, uma personificação do tipo Marte-Saturno-Mercúrio é provavelmente a maior contraparte americana do que o Sr. Valentino representou enquanto europeu. Ele é designado, e com justiça, o maior arquétipo da personalidade masculina nas telas de hoje. Ele é todos os homens para todas as pessoas – sua Lua em Câncer designa sua faculdade oculta de "alimentar o inconsciente coletivo", e seu trabalho é acompanhado entusiasticamente por homens e mulheres. É fácil pensar dele em suas aparições nas telas enquanto cumpridor de uma forma de "sacerdócio" na medida em que um padre na religião cerimonial é a personificação de princípios de vida. Por mais fantasioso que pareça, o significado oculto do trabalho desse ator é profundamente religioso, pois ele ativa no subconsciente das pessoas uma percepção intensificada dos princípios masculinos da personalidade.

Os estudantes podem não ver conexão entre as palavras "religioso" ou "espiritual" e as caracterizações terrenas, usualmente não sutis, duras e que batem forte do Sr. Gable; mas sua pessoa e vibração conferem um símbolo de plenitude de recursos, resistência, autoconfiança, força física, bom humor genial e acima de tudo a qualidade da coragem, que é a qualidade regenerativa arquetípica da qualidade da vibração de Marte (Ele tem Marte fazendo quatro aspectos maiores, os trígonos com Júpiter e Saturno, o sextil com a Lua e a quadratura com Urano). As pessoas tendem às vezes a adoecer internamente com suas próprias futilidades, incompetências e fraquezas, assim como com as das pessoas ao redor delas. O Sr. Gable chama atenção para a realidade dos padrões de grande força física, mental e de caráter. Sua vibração certamente ativa um padrão ideal, visto que coragem, autoconfiança, resistência e poder físico são arquétipos de Marte, e como tais representam qualidades que estamos buscando realizar em nós mesmos. Lua, Marte e Saturno constituem a trindade planetária básica de cada ciclo evolutivo; Lua-Saturno, enquanto regentes do eixo estrutural Câncer-Capricórnio, representam o recurso parental do "Eu Sou" de Marte assim como seu cumprimento em maturidade. Uma maturidade forte e bem integrada pressupõe um Marte bem integrado, e as qualidades dinâmicas fortemente individualizadas do arquétipo Marte que o Sr. Gable simboliza é uma essência vibratória que todos nós, homens e mulheres temos como potencial a ser cumprido e expresso. O apelo universal de suas encenações é representado na composição de dois padrões distintos em seu mapa: Lua em Câncer, Saturno em Capricórnio, com o Sol e o regente de Marte em Aquário em sextil com Urano; o posicionamento da décima segunda casa de seu Marte-Ascendente (Leão interceptado na sétima casa) nos dá uma chave para o significado oculto de sua vibração enquanto símbolo arquetípico de personalidade.

Se você é um dos que se sentiram "compelidos" a "encontrar-se através de filmes" e você quer libertar-se deste aprisionamento simbólico, faça uma cópia de seu mapa sem os números dos graus; isso é o que o autor chama de seu mapa "Luz Branca" - é o seu retrato simbólico enquanto arquétipo. Estude-o com olhar atento para determinar quais são seus pontos vibratórios focais (esqueça quadraturas e oposições neste estudo) e faça algo para organizar sua vida de forma a poder dar expressão plena e livre de seus potenciais vibratórios essenciais. Estude o trabalho do ator ou atriz, cujo trabalho na tela o "fascina" e reconheça que algo em sua personalidade ou vibração existe em você também. É seu direito e dever encontrar sua verdade enquanto expressão individualizada do arquétipo humano. Quando você começar essa reorganização, você se encontrará gradualmente liberto da compulsão de identificar-se a partir do outro – e sua apreciação da arte dramática e entretenimento ganharão sinceridade, pois você será cada vez mais capaz de gostar e apreciá-la por ela mesma. A arte de viver é descobrir quem e o que podemos realizar a partir de nós mesmos.