sábado, 7 de março de 2015

CAPÍTULO XXXVIII – LUZ – PARTE II




    Com o propósito de esclarecer a expressão e compreensão deste material, combinemos que a palavra “Luz”, iniciada por “l” minúsculo, se referirá à vibração visual perceptível; e quando iniciada por “I” maiúsculo se referirá à Consciência; consciência com “c” minúsculo se referirá à percepção humana.
      É algo maravilhoso perceber ao refletir que por tempos incontáveis os seres humanos revelaram a consciência da natureza oculta ou esotérica da luz como tem sido – e é – percebida em termos de preto, branco e o espectro de cores. Esse tema figurou de modo proeminente em programas de ensinamentos filosóficos e aprendizados em vários lugares e, nestes últimos anos, se tornou um fator importante nos campos terapêuticos objetivos e subjetivos. Aqueles que hoje bancam e propagam esta matéria no trabalho de cura estão recapitulando conhecimento adquirido em vidas prévias. Não é novo nesta época, está simplesmente sendo recomeçado para as necessidades espirituais da humanidade presente. A responsividade inspiracional ao potencial da luz natural ou colorida e à beleza das cores na substância, serve de recarga para a aura – que é sempre vista como cor ou cores ao estudo clarividente – da pessoa necessitada, de tal modo que se possa tornar consciente de uma intensidade espiritual; a condição da aura – a matriz etérica – é fortalecida e harmonizada no mesmo grau que o corpo físico é trazido a um alinhamento mais saudável. Não são todos humanos que sabem factualmente sobre a aura e seu significado para sua existência, mas pode-se seguramente concluir que todos, em algum momento, experienciaram uma elevação interior que representa a resposta ao valor espiritual da luz em seus muitos e inspiradores aspectos da cor.
            Dado este considerável – e meditativo – pensamento: Reação a é evidência de correspondência com. Nós não podemos responder a nada ou ninguém com o que ou quem não tenhamos algum grau de afinidade positiva ou negativa. O indiscutível fato de que um humano pode responder à sombra ou qualidade de uma cor, revela que “algo” nele tem afinidade com “algo” na cor, no preto ou no branco. O igualmente indiscutível fato de que tal resposta pode diminuir ou aumentar a qualidade de sua condição áurica, corpórea e espiritual, revela que sua consciência da cor tem afinidade com a Consciência simbolizada pela cor. O poder, em algum grau, é a única coisa que pode mudar qualquer estado vibracional – químico, emocional, mental ou anímico. Portanto, se uma condição humana química, emocional, mental ou anímica é baixada ou diminuída pela sua resposta ao preto, branco ou cores, ela revela uma consciência enfraquecida ou imatura de poder em si. Se, entretanto, sua condição é melhorada, fortalecida, purificada ou harmonizada, sua resposta ao preto, branco ou cores revela uma afinidade entre seu Espírito e o espírito que o branco, preto ou colorido simboliza em sua consciência. Reflita um momento nessas ocasiões quando sua reação a um particular tom de verde, vermelho, preto ou combinação de cores provocarem um sentimento de náusea, morbidade, depressão ou irritação; naquele estado de sentimento você estava ciente de alegria, saúde, harmonia e paz? Sua reação infeliz revelou uma falta de maestria interior sobre você mesmo – algo no poder da qualidade da cor estimulou uma qualidade correspondente em sua natureza astral, mental ou anímica. Sua reação, que serviu para “diminuir seu tom”, simplesmente revelou a necessidade de você regenerar algum fator em sua constituição interior. Não perca tempo e energia “culpando a cor”. Com a regeneração interior através do redirecionamento de poderes, sua capacidade de resposta melhorada servirá para revelar a você valores até então desconhecidos de beleza e poder na cor. A regeneração de nossa consciência sempre serve para nos revelar o Espírito.
            Em capacidade e inclinação a responder com resultados negativos a estados de luz, humanos, enquanto indivíduos, variam consideravelmente. Mas, há um estado ao qual a humanidade – coletiva ou individualmente – tem reagido com muito mais negatividade que a qualquer outro, por muito tempo, e ele é o Preto. No sentido cósmico, Preto é vida indiferenciada e não manifesta; Branco é a consciência, a Luz, que torna toda criação e manifestação possível. Pela recíproca no plano da percepção física, Preto é a congestão de todas as Cores e Branco é o estado da cor indiferenciada. Portanto, o Branco tem simbolizado para o subconsciente da humanidade o reconhecimento do estado de pureza, mais alta espiritualidade e Luz perfeita. O Preto tem simbolizado aquilo que não pode ser percebido em termos de suas partes ou fatores. Como o conhecimento e reconhecimento dos fenômenos dependem de nossa habilidade de “discernir entre coisas”, nos primórdios da evolução nós congestionamos em medo, insegurança e desespero nossa reação à negritude (ausência de luz) do período noturno. Essa reação foi uma experiência individual e coletiva, sendo ainda assim na atualidade para muitas pessoas. Como seres conscientes (encarnados e/ou desencarnados) que temos sido há muitas e muitas eras, não podemos sequer imaginar um estado de “não ser” ou “não existir”. Portanto, enquanto “cor”, o Preto simboliza aquelas coisas que chamamos “morte”, “o desconhecido”, “as congestões de consciência extremamente não regeneradas” – em suma, todas aquelas coisas frente às quais respondemos com sentimentos de estarmos sendo obstruídos ou ameaçados em nosso progresso através da existência. Na mesma medida em que nos alinhamos ou nos relacionamos com estes estados obscuros, intensificamos nossa incapacidade e inclinação de existir em termos de doação de Vida e expressão de Vida; depletamos nossa consciência da Luz do Espírito. Entretanto, “negritude” na alma não significa nem pode significar “obstrução na vida” de modo algum; ela simplesmente indica um estado de congestão que por sua vez indica a necessidade urgente de medidas regenerativas. A Luz é e é para nós sempre; um humano pode criar muito carma doloroso ao colocar-se em ação com base em sua relação com a negritude da alma, mas aquele carma por sua vez o proverá com experiências subsequentes que mudam o fluxo de sua regeneração e envolvimento na direção de novos reconhecimentos da Luz de Deus e da Luz em seu interior.
            Do ponto de vista cósmico novamente, o Branco é o símbolo cromático da pureza da inocência – consciência ainda indiferenciada ou qualificada pela experiência encarnatória. O Branco simboliza a “identidade cromática” dos Espíritos Virginais antes de suas descidas involucionárias como individualizações em corpos. No outro extremo, o Branco é a consciência purificada do indivíduo após completar sua evolução como humano – a realização clara, pura e unificada de sua verdadeira identidade enquanto criação do divino. No princípio ele era pureza desconhecedora de pureza; ao final ele será pureza realizada. Sua resposta inspiracional ao valor oculto do Branco em seu estado encarnatório evolutivo é evidência de sua onipresença Espiritual; lembre-se que se o humano não tivesse algo em si que correspondesse à perfeição pura do Branco ele não poderia responder ao mesmo com resultados espiritualizantes. Semelhante atrai – e reconhece semelhante.
A todos estudantes que estão explorando os significados espirituais e esotéricos da astrologia, fica a sugestão de que se tornem mais concentrados e mais conscientemente sensíveis ao seu significado pessoal relativo ao Preto e ao Branco enquanto “espectro de cores”, como símbolos-qualidades pessoal e espiritual, como poderes vibratórios que o estimulam de uma o outra forma e como figuras de linguagem encontradas na poesia, alegoria e lendas. Da perspectiva da educação e compreensão filosófica torne-se mais perceptivo que nunca sobre como o sentimento e a mente subconsciente coletiva da humanidade tem interpretado estes dois símbolos da luz. Preto e Branco – e sua compreensão deles – tem muita significância para sua abordagem espiritual à astrologia e para sua capacidade evolutiva de interpretar horóscopos – seu próprio e de outras pessoas. O simbolismo dessas duas palavras é dos mais profundos. Sobre o que, mais se segue.
            O espectro das cores são símbolos luminosos das qualidades anímicas. Ele se refere à consciência mais espiritualizada do corpo, mente e emoções que o humano já realizou ou pode alcançar – enquanto estiver evoluindo na identidade de ser humano. Um homem de grande sabedoria disse um dia que as cores são os sofrimentos e alegrias na existência da luz e deduz-se que ele quisesse dizer que as cores correspondem com – ou têm correspondência a – os estados de sofrimento e alegria que os humanos experienciam e que enquanto humanos podem perceber luz e foram criados pela Luz. Fomos instruídos que além da série de cores como conhecemos há infinitas variações e extensões de vibrações luminosas que podem ser percebidas apenas a partir de percepção extra-sensorial neste plano ou funcionando em dimensões mais elevadas de existência. Mas então novamente, devemos ter afinidade com as condições da alma ou consciência representada por estas extensões de cores antes que possamos percebê-las.
            Como a aura do humano é uma questão individual – resultando em seu grau de realizar sua identidade Espiritual – a cor – variações e qualidades da cor que podem simbolizar seu estado espiritual em qualquer ponto de seu desenvolvimento podem revelar, aqui e ali, uma condição escurecida que sugira uma tendência na direção da “negritude” em uma ou mais de suas cores correspondentes, é claro, para um estado de congestão relativa, obstrução, ou “pequena morte” em sua consciência devido a medos e ódios acumulados ou o que quer seja negativo. Lembre-se que a negritude indica a tendência em direção à congestão, ou “caos”, na consciência humana, mas sua presença, na aura ou consciência é de auxílio desde que revela a necessidade de regeneração. A indicação do preto está agindo como um “barômetro da alma” de forma especializada. No mesmo grau que a responsividade de uma pessoa à cor pura, luminosa e potente se torna mais e mais parte de seu funcionamento natural, se pode ver evidências de sua motivação anímica, de seus impulsos aspiracionais, de seu amor, de sua generosidade, de seu idealismo, e de sua devoção à companhia de Deus.
            A aura da pessoa pode revelar uma área preenchida com uma variação rica e intensa de certa cor. Essa qualidade de cor revelará a evidência de esforço e atenção consideráveis dados a certa fase de desenvolvimento. Correspondentemente sua personalidade revelará habilidade pronunciada sobre aquela linha de empreitada, e as características da mente e emoção o marcarão de modo muito particular. Sua “alma é forte e focada” naquele ponto particular. Mas o desenvolvimento e realização espirituais são indicados pelo largo corpo-alma, e as cores da aura, mais que profundas e intensas em suas variações, tenderão à qualidade pastel – sendo “carregadas com Branco”. Há uma significante e interessante correspondência a ser encontrada entre “tendência direcional à brancura” nas auras dos humanos espiritualmente desenvolvidos e sua inclinação pessoal em direção à simplicidade de maneiras e pureza de integridade, motivos e propósitos. A espiritualização resulta em simplificação e assim, com a evolução, as cores que representam a consciência da pessoa tendem à simplificação da Brancura. Entretanto, uma vibração de coloração pastel pode estar nas auras dos humanos espiritualmente desenvolvidos; estas amáveis e delicadas formas de cor pastel têm grande potência vibratória ou “poder de imposição”. Frases como “gota por gota (a gentil e modesta ação da água) desgasta a pedra (água mole em pedra dura tanto bate até que fura)”, “uma resposta branda afasta a ira” e “perdoe seus inimigos” são correspondências de poderes entre as cores pastéis embranquecidas da aura espiritualizada e a consciência espiritualizada de um humano altamente desenvolvido. Também a presença da “potência pastel” na aura revela o grau de integração da consciência da pessoa na direção de todos os planos de seu funcionamento – os vários aspectos de seu ser e consciência estão, em grau, unificados e harmonizados uns com os outros.
        Todas essas observações em relação ao Preto, Branco e Cores têm aplicação espiritual prática ao estudo dos horóscopos. Quando estivermos prontos para parar de usar nossos conceitos errôneos descobriremos que:
        O ponto que deveria ser indicado por um pequeno ponto arredondado, no centro do horóscopo é um símbolo – e o único válido que temos – do caos, vida indiferenciada, a partir da qual toda manifestação ocorre. Aquele ponto central aplicado ao horóscopo do humano individual é a Ideia (Humanidade) concebida pela Mente Divina de nosso Logos; é a partir daquela ideia que nós, enquanto arquétipos terráqueos, fomos projetados para a experiência individualizada. Um círculo circunscrevendo aquele ponto central simboliza nosso Logos como Consciência criativa individualizada e sua manifestação, como o Sol – o corpo central ou núcleo de nosso sistema solar. Como o homem é Espírito, esse símbolo composto de ponto e círculo representa sua Essência Espiritual, seu Átomo-semente e seu potencial de tornar perfeitos todos os seus corpos. Então, a partir daquele símbolo central a linha esquerda horizontal emana para formar a linha Ascendente do horóscopo individual humano. Se fosse graficamente possível e prático, poderíamos colocar os símbolos do Sol (enquanto regente de Leão), Lua e planetas assim como os Nodos Lunares e Roda da Fortuna nos pontos apropriados na circunferência do mapa completo; a circunferência é claro a emanação completa do raio Ascendente. A figuração dos aspectos feitos pelos pontos planetários seria mostrada por linhas retas a partir do círculo central aos pontos no raio que determinam as posições astronômicas para aquele tempo e espaço. O ângulo feito por qualquer destas duas linhas indica por grau numérico o aspecto criado pelos dois pontos planetários em relação. Todo aspecto em um horóscopo – como uma “coisa em si” – tem polaridade nos dois corpos que se relacionam, e a polaridade – entretanto ou onde quer que seja – é a ignição para a consciência. A pessoa, a partir de seu centro de consciência como ser humano, desenvolveu certos inter-relacionamentos entre os fatores de sua consciência humana. Esses são “aspectos” – chame-os, ou pense-os como “pontos de vista” – que ele olha a partir do centro de seu mapa (esta consciência central) para as condições de seu mapa, para as condições de seu ambiente, seus relacionamentos, suas atividades, suas fraquezas e deficiências, suas aspirações, seus ideais e realizações relativas. Cada um desses pontos na circunferência da roda tem correspondência com uma cor que pode aparecer em sua aura e cada aspecto entre os pares de planetas em seu padrão de mapa corresponderá – basicamente – a uma qualidade de sua cor áurica ou cores. A brancura de um horóscopo humano não é representada pelos conteúdos do mapa (pois esses conteúdos se referem a ele ou o descreve enquanto uma personalidade evoluindo a consciência da verdade), mas pela brancura no círculo central do mapa – o símbolo central do Sol. Se os fatores do mapa fossem indicados em espectros de cores, este círculo central se manteria branco – pois se trata do Espírito onipotente, onisciente e onipresente. O preto é indicado no horóscopo humano apenas pelo ponto central, em mais nenhum local – e como tal simboliza a infinitude, a subjetividade incomensurável e incompreensível da vida em si, a partir da qual todo Logo criativo e suas manifestações derivam. Em nenhum lugar do horóscopo há “maldade” (ou preto no senso de mal absoluto) indicada. Os pontos de vista que denominamos aspectos de “quadraturas” e “oposições” são padrões indicativos de tensão, desarmonia, ignorância ou congestão de qualquer tipo, mas ainda são registros do corpo-alma do humano; os pontos que formam cada aspecto são poderes divinos conforme diferenciados pela consciência humana em evolução. Partindo do Preto do Caos, o Branco da Consciência Criativa estabelece um campo de evolução e aquele programa evolutivo é o que cada horóscopo revela. É através da purificação das Cores áuricas (regeneração de “aspectos e pontos de vista”) que a realização da identidade com o Branco da Divindade é finalmente feito.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

CAPÍTULO XXXVII – LUZ – PARTE I





            Iluminação é sempre um ato de revelação. Ela não significa, como alguém pode supor, dar algo novo à coisa em consideração e nem dar algo novo à pessoa que está considerando a coisa. Ela é sempre um ato pelo qual, em grau relativo, a verdade da coisa em consideração pode ser mais claramente percebida. Esta percepção nunca pode ser “dada” de uma pessoa para a outra, pois se trata sempre de experiência subjetiva; a pessoa que a experiencia só pode fazê-lo quando estiver propriamente condicionada e amadurecida para isso. Seu condicionamento e amadurecimento – sincronização do desejo pela Verdade com a capacidade de utilizar aquilo que percebeu – torna possível reagir ao estímulo de outra pessoa ou a uma experiência de modo que sua consciência da coisa considerada se abre para um grau relativamente maior de Verdade. Podemos dizer que naquele momento ele “ganhou mais sabedoria sobre a coisa” – esta percepção da natureza da coisa é então “mais sábia” que antes.

            Nestes dias de curiosidade aumentada em relação a cada faceta e funcionamento da experiência humana não surpreende que muitas pessoas no mundo todo estejam abrindo suas mentes para percepções mais claras da natureza da ciência artística oculta chamada “astrologia”. Esta série de artigos sob o título geral de luz, dos quais este é o primeiro discurso, é apresentada a estes curiosos na esperança de que os que agora estão “propriamente condicionados e amadurecidos” encontrem, checando, a experiência de perceber mais claramente representações do que a astrologia realmente é e como o conhecimento de sua natureza pode ser mais construtivamente e filosoficamente utilizado. Seu propósito é completamente consistente com sua natureza – seu propósito é iluminar e sua natureza é a apresentação simbólica da consciência da Humanidade em evolução, “em massa” ou individualmente.

            Algumas vezes nos tornamos mais vividamente conscientes de algo ao considerar o que este algo não é. Básica e essencialmente, a astrologia não é um estudo de eventos; em termos que o horóscopo de uma pessoa não é o estudo da “pessoa em sua vida”; não é uma superstição, apesar de muitas pessoas terem-na utilizado de forma a evidenciar seus medos supersticiosos da vida e experiência; ela certamente não é um estudo da “boa ou má sorte”; seu propósito primário não é delinear o tempo de eventos passados ou futuros; e – dada esta reflexão considerável – não é um “estudo das estrelas”.

            Os “nãos” da astrologia mencionados acima poderiam muito bem ser referidos como os “nós” nos conceitos de muitas pessoas em relação à astrologia. Dois deles são baseados em inverdades, os outros contêm suficiente conteúdo de conhecimento ou sabedoria para tornar a astrologia construtivamente útil – mas apenas quando o praticante é motivado por ideais elevados de auxílio aos outros, e quando ele é o tipo de pessoa que esteja sempre pronto a considerar novas revelações da verdade astrológica. Nenhuma pessoa encarnada que seja capaz de utilizar o conhecimento astrológico é “nova no assunto”; todas estas pessoas estão recapitulando conhecimento da matéria adquirida em vidas prévias e, em justiça a esforços passados, agora se requer esforço para desfazer os “nós” dos conceitos congestionados, superstições, e meias verdades a partir da expansão da mente e aumento na “vontade para a Verdade”. O nome desta ciência artística contém a pista para o que ela é verdadeira e plenamente; vamos analisar isto para uso contínuo durante a experiência destas séries.

            O prefixo “astr” de astrologia é uma entre várias centenas de palavras raízes derivadas de linguagens com significado esotérico e exotérico. Exotericamente ele se refere a “estrela”, e neste sentido a astrologia é compreendida como sendo um estudo da influência exercida pelas estrelas nos céus sobre o caráter e destino humanos, como se nós humanos “devêssemos fazer o que as estrelas nos sugerem fazer – ou ser ou pensar – ou desenvolver”. Um conceito irracional como este de “influência brilhante” tem o efeito desintegrador de intensificar os medos humanos em relação a “destino” assim como suas próprias fraquezas e ignorância. No plano do exercício intelectual, mesmo as abordagens mais exotéricas podem ser de auxílio, desde que a pessoa seja familiarizada com alguns símbolos particulares, e que o estudo das palavras chave interpretativas desses símbolos resulte no treinamento da faculdade do pensamento abstrato. Mas, como conhecimento sem uso não é a razão de ser da astrologia, devemos olhar mais profundamente na palavra para descobrir as verdades de seu propósito.

            Esotericamente o termo “astr” de astrologia se refere à luz. O homem tem, desde tempos imemoriais, olhado para as estrelas no céu como símbolos da mais pura luz. O astrônomo estuda os corpos celestes em termos de sua distância de nós, seu tamanho, peso, densidade e relações espaciais. O astrólogo estuda o que eles simbolizam como luzes de consciência.

            Novamente esotericamente, há duas conotações na palavra “luz”. Uma é aquela da luz que torna a percepção visual possível àqueles que estão encarnados. Em termos de vida manifesta, a luz é um poder criativo, um atributo de todas as coisas manifestas que possuem um potencial criativo ou de manifestação. Mas, antes que esta luz possa “ser” deve haver aquilo que cria a luz visual e aquilo é a luz da consciência. A consciência criativa daquilo que chamamos “vida” (na falta de palavra mais específica) através do processo “descendente”, consciência criativa do logos galáctico e solar – tudo o que está em evolução – origina qualquer e todas as formas e graus de luz que podem ser percebidas em todo universo manifesto. Em outras palavras, a luz perceptível é a polaridade negativa, a reflexão manifesta da consciência de atributo criativa positiva. As sentenças de abertura do livro do Gênesis contêm a seguinte: Deus disse, “Deixe que a luz seja e a luz se manifestou”. Se alguém acredita que a palavra “Deus” se refere à essência criativa cósmica ou à motivação criativa e mente de um logos solar não importa nesta conexão; o que deve ser considerado é que a consciência de poder criativo foi estabelecida e que a luz foi o primeiro gesto do ato criativo. As “trevas” referidas dizem respeito ao estado de vida ainda não formada que denominamos “caos”. “Caos” não significa, como alguns podem pensar, “nada”; é a essência de vida a ser utilizada pelas motivações criativas e mentes para manifestação. A luz manifesta é a projeção da inteligência criativa em manifestação. A consciência é aquele grau de perceptividade – iluminação do poder, que é o principal requisito da ação criativa. Um logos solar é consciente do poder para criar-manifestar – através do estabelecimento de um corpo central – “sol” – e uma emanação de outros corpos – “planetas” que, no total, compreende seu campo de evolução. O logos evolui através da evolução de suas miríades de ondas de vida e formas que habitam os corpos planetários; macrocosmos e microcosmos são interdependentes – a evolução de cada um serve, e é coincidente com, a evolução do outro. Pelo atributo da consciência e da faculdade da escolha, os humanos exercem seu potencial criativo para suplementar suas evoluções. Nós humanos não somos “criadores”, mas tendo o poder da regeneração da consciência, revelamos o potencial para criatividade. Assim como nosso logos solar – Deus – é, assim nós somos destinados a nos tornar através do desdobramento da percepção-consciente – de nossa identidade verdadeira e, correspondentemente, poderes. Se, então, a astrologia não é um “estudo das estrelas”, mas um estudo em símbolos arquetípicos da consciência, podemos abrigar nossos preconceitos acumulados sobre a questão e olhar para os horóscopos – nosso próprio particularmente! – quanto ao que eles sejam de fato e ao que eles se destinam.

            A sentença que a astrologia é um estudo da influência do Sol, Lua e planetas sobre nós – enquanto humanos individuais ou coletivos – não é uma inverdade, mas para nosso propósito há outra abordagem à questão que vai mais profundamente e deve ser considerada. No que diz respeito a “efeito de planetas sobre humanos” digamos que a astrologia é o estudo das correspondências entre os poderes vibratórios planetários e nossos poderes atuais ou potenciais. Nós, enquanto humanos, estamos fraternalmente relacionados a todos os outros humanos como expressões do mesmo arquétipo neste planeta. Nós somos também – de forma mais indireta – fraternos a todas as expressões de vida neste planeta. Nossa habitação – Terra – é o corpo manifesto de um Ser que em sua oitava de funcionamento é fraterno aos Regentes planetários de nosso sistema solar; portanto, em inúmeros níveis de correspondências, tudo neste sistema está inter-relacionado. E, tudo são as ideias manifestas de nosso Criador – nosso Logos Solar –, “Deus Pai-Mãe”. Como os planetas de nosso sistema constituem a incorporação de Seres cuja consciência de vida os qualifica para aquele trabalho, e cada um tem sua função e efeitos evolucionários particulares, no sistema total ou qualquer fator dele, nós, como humanos e estudantes de astrologia estudamos nossos horóscopos para nos tornarmos sensíveis a níveis mais altos de consciência de vida através de conhecimento ou percepção dos nossos potenciais em correspondência com as qualidades e significância daqueles seres cuja consciência provê estrutura e padrão ao nosso sistema. Os símbolos astrológicos do Sol, Lua e planetas designam o que chamamos de “regência” das partes de nossos corpos, qualidades de personalidade e caráter, os princípios inerentes em nossas capacidades de expressão e reação, as qualificações vibratórias de nossas experiências e relacionamentos. Todos esses fatores considerados em conjunto ou individualmente têm como propósito expandir e purificar a consciência – “nos iluminar” ou “tornar o self mais consciente da luz” do Self – sendo o Self o Espírito que identifica a afinidade e unidade do humano com seu Criador.

            Visando estabelecer mais firmemente uma nova abordagem ou compreensão, descobriu-se ser de grande auxílio parar de falar do assunto em consideração em termos de padrões de hábitos usados por talvez um longo tempo. Há vários clichês que os estudantes astrológicos aprenderam e usaram e, para se abrir mais extensamente à percepção da “Astro-luz”, temos que praticar alguns novos termos e referências. Por exemplo:

            Achamos muito fácil e natural dizer em relação ao horóscopo de uma pessoa: “Esta pessoa tem um Urano ruim”. Olhe para aquela sentença por um momento do ponto de vista de tornar-se mais consciente do que ela diz. Em primeiro lugar ninguém pode “ter” nenhum planeta; em segundo lugar nenhum planeta é “ruim”. Como poderia, sendo uma criação divina? Revisemos um pouco isso: “A consciência dessa pessoa dos princípios simbolizados por Urano está congesta, não organizada, desorganizada, imatura ou não evoluída.” Nós não dizemos que a pessoa é má, sem sorte, maldosa ou azarada. Simplesmente se quer dizer que o desenvolvimento da pessoa – através de ninguém sabe há quanto tempo – não recebeu muita atenção regenerativa aos aspectos do Espírito caracterizados pelo símbolo planetário de Urano; dizemos que ele tem em haver experiência considerável em crescimento, desenvolvimento e integração para chegar àquele ponto. Mas aquilo não o torna ruim, mal ou desafortunado – simplesmente significa que ele tem que se desenvolver de certa forma específica em sua evolução pessoal. O horóscopo é um registro simbólico da consciência – não é uma figura de escuridão estática, seu maior valor está em revelar as essências dos compromissos de vida da pessoa, assim como seu estado evolucionário relativo.

            Podemos dizer – frequentemente (e quão frequentemente!): “Esta posição de Saturno e este aspecto a Saturno torna esta pessoa um avaro”. Espere um instante! Todas as hostes celestiais juntas não podem “tornar alguém avaro”. O registro de Saturno no horóscopo representa uma ação da consciência pessoal – ou falta de consciência – em relação à posse de bens materiais. A avareza é um desequilíbrio na consciência – é sobrevalorizar a aquisição como tentativa de contrabalançar um profundo e incrustrado medo da perda. Pare com esta atitude injusta em relação a Saturno – ele tenta arduamente nos ensinar lições importantes e uma delas é o uso inteligente dos meios materiais. Ele diz: “Minha natureza corresponde ao seu potencial para aprender – entre outras coisas – a usar a substância e meios materiais de modo inteligente. Até que você traga para a consciência a noção deste princípio para seu crescimento, Eu tenho que falar a você através de seu medo da perda; quando você aprender a usar; de forma balanceada, o poder particular de consciência que eu simbolizo você saberá que eu sempre tenho sido seu professor e amigo. Concorde com o que eu represento enquanto poder e qualidade de consciência e sua maestria se expandirá em liberdade e alegria; você saberá então que não precisa me culpar pelas suas lágrimas e inseguranças”. Dizemos – às vezes com uma leve queimação de inveja: “Que pessoa de sorte! Ela tem algo em trígono com Júpiter”. Júpiter sorri de modo gentil e compreensivo e nos diz – talvez um pouco triste pela nossa inveja – “me permita lembrar que Eu simplesmente simbolizo sua própria consciência de poder pessoal de melhora, aumento e expansão de sua natureza e condições; você não recebe nada de mim – você expressa meu princípio de aumento e expansão através de otimismo, gentileza, generosidade e coragem; o que você expressa você atrai de volta; se sua consciência se revela por desequilíbrios de extravagância, autoindulgência excessiva, falso orgulho ou ambição Eu não posso me apresentar regenerativamente em seu mapa, pois você, em sua consciência de mim, não se qualificou para tal assim como esta pessoa o fez. Você precisa não invejar este desenvolvimento. Meu princípio serve a todos. Tenha isso em sua consciência de vida, faça isso de seu próprio ser a partir de boas ações e sua consciência cedo ou tarde florescerá e manifestará aquela forma particular de Luz que Eu represento”.

            E assim por diante – com cada um dos outros pontos planetários. Devemos finalmente considerar apenas outro ponto, devido a seu significado especial no horóscopo – o símbolo do Sol.

            O autor sugere que cada estudante de astrologia, que se sinta inclinado, a inaugurar a prática de colocar o símbolo tradicional para o Sol – o ponto circunscrito pelo círculo – no centro de cada horóscopo; este símbolo, por correspondência, é aquele de nosso Criador, nossa própria essência espiritual, nosso átomo semente e a vontade de viver eterna e indestrutível que caracteriza a consciência a permear a dimensão tempo-espaço. Este é a construção mais simples e mais perfeitamente focada, o mais puro arquétipo de todos os símbolos astrológicos – é apropriado que ele seja usado para designar a consciência Humana da Fonte, Identidade e Atributo Divinos. Outro símbolo que o autor sugere é um semicírculo sobre uma linha horizontal que pode ser legitimamente e efetivamente usado como o Sol no horóscopo, como um “fator planetário” regente do signo fixo de fogo Leão. Como este símbolo é sujeito a padrões e aspectos, qualificações e movimentos como qualquer outro símbolo planetário, ele deve ser estudado como representando a evolução da consciência da natureza Solar da pessoa. A aparência circular do símbolo Solar (o “Símbolo do Espírito”) corresponde à aparência do círculo horoscópico – ambos centrados pelo mesmo ponto. O “símbolo planetário Solar” corresponde em aparência com o semicírculo superior do horóscopo, a linha horizontal correspondendo ao diâmetro horizontal do horóscopo – o “EU SOU” da consciência individual e a contraparte do Ascendente pela cúspide da sétima casa. Também como figura este símbolo sugere o nascer do sol na aurora – e seu uso no horóscopo é nos manter cientes dos atributos solares que estamos buscando florescer através de nossa experiência evolutiva.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

CAPÍTULO XXXVI – DIÂMETRO, QUADRANTE E DECANATO




Para o desenvolvimento deste material, uma breve revisão do Espectro Genérico se faz necessária.
O zodíaco não é apenas um “cinturão”; ele é a emanação de qualidades vibratórias que se iniciam no primeiro grau do signo cardinal de fogo Áries; este ponto é abstratamente o início da circunferência do mapa vibratório da ciência astrológica. Este ponto é a materialização – encarnação – dos potenciais inerentes ao ponto central do círculo. O raio Ascendente – a horizontal esquerda – é a “projeção dos potenciais da subjetividade à objetividade”. Em qualquer círculo, o mesmo raio é usado para manifestar o círculo; assim todas as cúspides das casas do mapa são emanações do raio do Ascendente e representam o desdobramento da Consciência genérica em experiência e realização do ideal através de transmutações e expressões espiritualizadas.
A mandala que representa a estrutura da qualidade genérica é o mapa com doze casas com os signos Áries, Câncer, Libra e Capricórnio nas cúspides da primeira, quarta, sétima e décima casas, respectivamente. Os diâmetros horizontal e vertical, interceptados ao centro, formam a cruz da encarnação; as linhas retas que conectam as cúspides cardinais formam o campo evolucionário pelo qual a humanidade tem experiência no relacionamento de uns com os outros. Nesta mandala vemos dois campos de bissecção do círculo; dois diâmetros criando dois pares de semicírculos. Estes diâmetros representam os dois modos de expressão da Polaridade; aquela que gera (Capricórnio-Câncer: o diâmetro parental), e aquela que é gerada (Áries-Libra: o Ascendente e seu complemento). Esta mandala ilustra, no simbolismo astrológico o número Mestre vinte e dois. Dois é o único dígito que dá o mesmo resultado (quatro) quando adicionado a ele mesmo e quando multiplicado por ele mesmo. Vinte e dois é o número da maestria expresso em forma – é a oitava superior da complementação é significante que todo ser humano deve cumprir a experiência evolucionária pela encarnação em ambos os sexos físicos. Os quatro signos cardinais representados nesta mandala compreendem a forma encarnada pela qual a masculinidade-feminilidade de todo ser humano evolui através da experiência-relacionamento e destila sua espiritualização a partir da qual o Ideal é manifestado. Todos os relacionamentos humanos – biológicos ou outros – são derivados deste fundamento arquetípico: o gerador bi-polar e o gerado bi-polar.
Como os trígonos elementares simbolizam a espiritualização das qualidades genéricas, nós derivamos nosso espectro genérico a partir do relacionamento dos signos de exaltação dos regentes destes quatro signos. Marte (nascido homem e regente de Áries) está exaltado – amadurecido – em Capricórnio, regido por Saturno, o símbolo do pai; Saturno está exaltado em Libra regido por Vênus e complemento do signo de Marte, Áries; Vênus está exaltada em Peixes, a terceira oitava do trígono de água, o último signo na sequência zodiacal, e este trígono é iniciado pelo signo cardinal Câncer, regido pela Lua – símbolo da Mãe – e complemento do Capricórnio Saturnino.
Assim, os signos de fogo e terra, como são “iniciados” pelos símbolos masculinos, são signos masculinos; os signos de ar e água, iniciados por símbolos femininos, são signos femininos. Como todo ser humano, como homem ou mulher, é bipolar, reconhecemos uma dupla divisão dos signos masculinos e femininos em masculino e feminino. Os signos de fogo formam a primeira metade da metade masculina do zodíaco e, portanto são os signos homem masculino; os signos de terra seguem em sequência (Touro segue Áries), então eles são os signos homem feminino. Os signos de ar, iniciados pelo signo cardinal de Libra, regido por Vênus, representam a metade masculina dos signos femininos; os signos de água, iniciados por Câncer, compreendem os signos femininos mulher. Assim vemos que o zodíaco inteiro representa uma expressão dupla de uma polaridade dupla; desde o primeiro grau de Áries, o ponto mais masculino, ao trigésimo grau de Peixes, o ponto mais feminino. Liste os signos nesta sequência e aprenda para referência futura.
A metade inferior (abaixo do diâmetro horizontal) do mapa é iniciada por Áries: a metade superior é iniciada por Libra, como “reflexo” da metade inferior. A nota chave oculta de primeiro grau de Áries – o ponto do Ascendente da grande mandala – é Eu sou. Nesta linha Ascendente estão implícitos todos os potenciais mostrados no desdobramento zodiacal e nos conteúdos do mapa astrológico. Portanto, segue naturalmente que nos trinta graus de Áries estão implícitos os “conteúdos” da metade superior do mapa. Este “conteúdo” está simbolicamente implícito nos últimos quinze graus do signo. A cúspide do décimo sexto grau do signo é o potencial é o potencial do diâmetro complementar horizontal do mapa. Quando o raio horizontal esquerdo é “desdobrado” para formar um diâmetro completo, a “extensão” resulta naquilo que denominamos a cúspide da sétima casa – o ponto de início do quadrante superior do círculo. Como qualquer grau de qualquer signo pode aparecer como Ascendente no horóscopo, reconhecemos que a divisão de qualquer signo em duas metades de quinze graus representa a figura simbólica da polaridade embrionária daquele signo, e apesar do autor até o presente não ter tirado nenhuma conclusão a respeito de diferenças significantes entre planetas posicionados nos primeiros ou nos últimos quinze graus, a figura sugere que planetas colocados na segunda metade dos trinta graus, quando expressos de modo não regenerado, são potenciais para muito mais carma negativo “efetivo” – no sentido que estando na “metade polar” do signo, implica na possibilidade de suas expressões negativas serem refletidas em encarnações futuras por outras pessoas com as quais o sujeito se relacionará. Em outras palavras, a segunda metade de cada signo, por analogia, pode ser considerada a “metade feminina” do signo. “Feminino” significa “reflexivo”. Assim, se quisermos evitar sofrimento futuro pela reação dolorosa aos outros, devemos nos responsabilizar pela regeneração dos planetas aí posicionados, sendo a implicação disso que no futuro (desdobramento em Tempo-Espaço) aquelas vibrações planetárias focalizarão nosso padrão de relacionamento complementar e seremos mais definidamente capazes de recuperar a partir dos outros, aquilo que deformamos no presente. Divida cada casa de uma Grande Mandala em duas partes iguais; coloque seus planetas natais nesse mapa e veja em qual metade de seus signos os planetas caem. Talvez você, como estudante interessado, possa chegar a uma conclusão a este respeito. Se você tem quadraturas e oposições entre planetas colocados nos últimos quinze graus de seus signos, você se sente mais responsivo às pessoas que expressam qualidades negativas representadas por aqueles planetas do que você o faz quanto àquelas que negativamente refletem seus planetas dos “primeiros quinze graus”? Você acha que, com uma análise cuidadosa, consegue determinar se seus planetas dos primeiros quinze graus lhe dão maior liberdade de expressão direta que os planetas dos últimos quinze graus? Analise suas quadraturas e oposições planetárias a partir deste ponto de vista e veja se o padrão de polaridade implícito auxilia em tornar claras suas capacidades de reação e expressão.
Quadrantes: Na Grande Mandala, a subdivisão da primeira casa – e o signo de Áries – em quatro quadrantes de 7,5 graus cada representa o “estado embrionário” da cruz cardinal. Aplicando a Lei de Correspondência nós correlacionamos esta divisão de um signo para a divisão quádrupla do zodíaco todo. Começando com Áries e “desdobrando” o mapa em sentido anti-horário, encontramos que cada quadrante sucessivo é iniciado respectivamente por Câncer, Libra e Capricórnio.
A subdivisão de um signo em duas secções de quinze graus cada é particularmente aplicável ao estudo dos aspectos de oposição e todos os aspectos complementares de modo geral. A subdivisão de um signo em quadrantes, entretanto, se aplica à análise dos aspectos de quadratura, dado que cada aspecto de quadratura é, em sua orbe de tolerância, um padrão de relação de noventa graus e cada quadrante do mapa é uma divisão de noventa graus. A divisão em quadrantes (por graus e minutos) representa de zero a sete graus e trinta minutos; de sete graus e trinta e um minutos a quinze graus; de quinze graus e um minuto a vinte e dois graus e trinta minutos; de vinte e dois e trinta e um minutos a vinte e nove graus e cinquenta e nove minutos. O próximo “passo” nos leva ao zero do próximo signo.
Há três “cruzes” implícitas na estrutura dos doze signos: cardinal, fixa e mutável. No desdobramento do círculo desde o ascendente da Grande Mandala, as três cruzes aparecem quatro vezes, nos quatro quadrantes do mapa: Áries, Touro, Gêmeos; Câncer, Leão, Virgem; Libra, Escorpião, Sagitário; Capricórnio, Aquário e Peixes. Cada “iniciação” cardinal é uma nova forma de dizer Eu sou – como extensões do Eu sou básico de Áries; cada cruz representa um padrão de crescimento e desdobramento através de experiência na dupla expressão da dupla polaridade; nós evoluímos através de fases de tomadores e doadores de vida homens e mulheres. As “cruzes” simplesmente representam os processos pelos quais extraímos sabedoria a partir de experiências e desdobramos nossos recursos interiores de amor no sentido de alcançar a realização do ideal. Como em um horóscopo calculado corretamente cada planeta se encontra em decorrência de uma Lei, deve haver uma chave valiosa na colocação dos planetas por quadrante. Cada signo zodiacal individual tem seu regente planetário particular, como focalizador básico das qualidades genéricas do signo. Mas, como os trinta graus representam uma sequência de qualidade do signo e devido à Lei de Correspondência se aplicar à estrutura astrológica como em qualquer outra manifestação, consideremos a colocação dos planetas por quadrante em termos de regências secundárias. O primeiro quadrante de um signo mutável é regido pelo regente planetário do próprio signo; o segundo quadrante é regido pelo planeta que rege o próximo signo daquela cruz; o terceiro quadrante é secundariamente regido pelo planeta que rege o próximo signo da cruz e o quarto quadrante é secundariamente regido pelo seguinte. Por exemplo:
Capricórnio: Regente primário: Saturno
Capricórnio é signo cardinal.
            Primeiro quadrante ... regente secundário – Saturno
            Segundo quadrante ... Marte – regente de Áries
            Terceiro quadrante ... Lua – regente de Câncer
            Quarto quadrante ... Vênus – Regente de Libra

Leão: Regente primário: o Sol.
Leão é um signo fixo.
            Primeiro quadrante ... o Sol – regente de Leão
            Segundo quadrante ... Plutão – regente de Escorpião
            Terceiro quadrante ... Urano – regente de Aquário
            Quarto quadrante ... Vênus – Regente de Touro

Peixes: Regente primário: Netuno
Peixes é um signo mutável
            Primeiro quadrante ... Netuno – regente de Peixes
            Segundo quadrante ... Mercúrio – regente de Gêmeos
            Terceiro quadrante ... Mercúrio – regente de Virgem
            Quarto quadrante ... Júpiter – Regente de Sagitário

Note que a extensão dos primeiros e terceiros quadrantes e do segundo e quarto quadrantes deveria representar dois aspectos da polaridade; este composto de polaridade é representado no mapa astrológico como os dois diâmetros de cada cruz.. Considere cuidadosamente seus aspectos de quadratura e os planetas envolvidos em relação às regências secundárias; os regentes secundários agem como “empregadas domésticas” ou “braços direitos” dos regentes primários e sua influência é efetiva na análise da expressão das qualidades planetárias.
Decanatos: No estudo dos decanatos, chegamos a uma análise de cada signo do ponto de vista de seus potenciais espirituais. Assim como as três cruzes dos quatro signos são “desdobrados” do Ascendente da Grande mandala, assim também os quatro trígonos genéricos são “desdobrados” a partir do Ascendente. As divisões de quinze graus e sete e meio graus funcionam – como “desdobramento experiencial” a partir do zodíaco no sentido anti-horário a partir do Ascendente; a figura mostrada é aquela da Humanidade se movendo através de seus padrões de experiência no caminho “para frente e para o alto” – de nível a nível, sempre ascendendo através dos processos evolucionários. Entretanto, no ciclo dos trígonos genéricos, o caminho é horário – e este não é um movimento cíclico. É uma estimativa dos poderes zodiacais do ponto de vista de potencial espiritual. Como vimos anteriormente nesta discussão, se baseia em pontos de exaltação dos planetas que regem os signos da estrutura – os signos cardinais.
O potencial espiritual da qualidade genérica de cada signo zodiacal é trimembrado; as palavras chave arquetípicas são (1) Poder; (2) Amor e (3) Sabedoria. A segunda e terceira dessas oitavas são o aperfeiçoamento emocional e mental pelos quais o poder essencial de cada signo cardinal é liberado, em expressão transmutada. Os decanatos de cada signo são as divisões do signo em três grupos de dez graus cada. O segundo e terceiro decanatos de um signo representam o estado embrionário dos potencias de Amor-Sabedoria; estes potenciais são expressos no mapa pelos dois signos que correspondem ao decanato; estes são os dois outros signos do mesmo elemento. Nos signos fixos e mutáveis, vemos a Lei de Correspondência e o Princípio da Recapitulação em trabalho e assim podemos atribuir a cada decanato seu co-regente – conforme segue:
Signos de fogo: Primeiro decanato: Áries-Marte; segundo: Leão-Sol; terceiro: Sagitário-Júpiter.
Signos de Terra: Primeiro: Capricórnio-Saturno; segundo: Touro-Vênus; terceiro: Virgem-Mercúrio
Signos de Ar: Primeiro: Libra-Vênus; segundo: Aquário-Urano; terceiro: Gêmeos-Mercúrio.
Signos de Água: Primeiro: Câncer-Lua; segundo: Escorpião-Plutão; terceiro: Peixes-Netuno.

A lei Hermética da correspondência é belamente evidenciada, particularmente, por um exemplo desta análise de decanato. O segundo decanato de cada elemento é o decanato do “signo fixo”. Quando estendemos os três decanatos de cada elemento para a roda dos doze signos, vemos que os decanatos dos signos fixos se tornam o ponto médio de cada quadrante do mapa. O “meio do signo” se torna, por correspondência, “meio do quadrante do círculo”. O meio de cada casa dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) (segunda, quinta, oitava, décima primeira) quando conectadas por linhas retas se tornam o símbolo do aspecto da quadratura – o arqui-símbolo da congestão; como o decanato fixo de cada signo é o decanato do amor, podemos ver como a mandala astrológica aponta com clareza para a liberação espiritualizada das congestões emocionais: a partir da expressão da consciência do amor. Cada signo (independente de sua qualidade genérica) atinge seu ápice de compressão no ponto médio – a junção do décimo quinto e décimo sexto graus. Esta junção é exatamente no meio do segundo decanato. O decanato cardinal – os primeiros dez graus de qualquer signo – carrega, pela Lei de Correspondência, o atributo de “inicialização” dos signos cardinais, dado que eles representam os pontos de virada no progresso através da roda. Os terceiros decanatos (os últimos dez graus) trazem a “qualidade transicional” dos signos mutáveis, pois após o ponto médio do signo passar as “energias” começam a “retroceder” da qualidade básica do signo e aproximar-se da “modulação” para o próximo signo. Assim, os signos mutáveis do Zodíaco formam os pontos de transição de um quadrante de noventa graus para o quadrante seguinte.
Qual o valor prático disso tudo, você pergunta; e tem o direito de perguntar. Quando lembramos que “todo problema contém sua própria cura” podemos estudar os planetas aflitos e congestos do ponto de vista de seu posicionamento por quadrante de signo e decanato de signo e extrair dessa informação muito sobre nós em relação às possibilidades inerentes para a regeneração e expressão daquele planeta. Por exemplo: um planeta congesto está no vigésimo sexto grau de Capricórnio; este está no quadrante de Libra, secundariamente regido por Vênus; ele está no decanato de Virgem, secundariamente regido por Mercúrio. Seu posicionamento no quadrante de Libra (o quarto quadrante de Capricórnio) é análogo à relação entre Capricórnio e Áries na Grande Mandala – Capricórnio sendo o quarto quadrante de Áries; a palavra chave é cumprimento da responsabilidade; a sub vibração de Libra transporta "harmonização nas relações” através de equilíbrio e troca corretos. O decanato de Virgem (a terceira oitava – “Sabedoria”) do trígono de terra nos diz que o propósito espiritual das experiências representadas pelo planeta congesto é o desdobramento de maior compreensão; a pessoa deve estar disposta a aprender a partir de sua experiência neste assunto; na medida em que buscar aprender, manter a mente aberta e receptiva à instrução e direção, ele disporá de seus recursos espirituais para descristalizar a congestão. Se ela, por orgulho ou teimosia fechar sua mente ao direcionamento, ela fechará a porta aos seus desdobramentos; a harmonização de relacionamentos não poderá ser estabelecida e a congestão se intensificará.
Exemplo: um planeta congesto no nono grau de Leão (Fogo fixo – regido pelo Sol). Este grau está no quadrante Escorpião de Leão (segunda divisão de sete graus e meio) e no decanato de Áries (primeiros dez graus). Como o planeta está congesto e está em um signo fixo, reconhecemos que a congestão é intensa – estando em um signo fixo e no quadrante de Escorpião. Escorpião em relação a Leão é análogo a Câncer em relação a Áries na Grande Mandala; este relacionamento é “congestão no relacionamento familiar”, “aderência ao ninho”, “complexo parental” e (possivelmente) congestão do recurso de Amor decorrente de exigências da natureza de desejo sexual. Entretanto, este ponto está no decanato de Áries – primeiro decanato de um signo de fogo – e a espiritualização da vibração de Marte é coragem. Esta pessoa descobrirá que sua subjetividade original e consciência de direitos individuais servirão como fonte de liberação de poder para descristalizar as congestões do planeta em Leão. A regência primária de Leão pelo Sol determina uma atitude positiva, um requisito na lida com estes problemas.
E assim por diante com outros padrões de congestão. Relacione o decanato e o quadrante com a representação abstrata da Grande Mandala e você perceberá que cada variação de “problemas” encontrados nos mapas dos seres humanos contém, por posicionamento, uma pista direta para as soluções vibratórias. As expressões dos poderes planetários através das implicações espiritualizadas dos signos é o sinal de “siga” para o progresso evolucionário e para o desdobramento harmonioso de potenciais.