terça-feira, 6 de agosto de 2013

CAPÍTULO XXI - A SEGUNDA CASA

Livre tradução de: http://rosanista.users4.50megs.com/library01/siaeng27.htm
As condições pertinentes à segunda casa da roda da Carta focalizam muito daquilo que o astrólogo, em seu trabalho é chamado a interpretar. Uma vez que cada fase do horóscopo tem seu princípio particular, sugere-se que ampliemos nosso conceito da segunda casa para além da abordagem tradicional que a vê como dinheiro e posses.
            Em primeiro lugar para colocar a segunda casa no esquema das coisas, consideremos um mandala feito do seguinte modo. Uma roda com casas: coloque os símbolos de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem nas seis primeiras cúspides; trace uma linha reta da cúspide da primeira à cúspide da quinta; trace outra linha da cúspide da quinta à cúspide da sétima. O setor das quatro primeiras casas corresponde ao 1º Grau da escola primária que todos nós cursamos na infância como base para nossa experiência educacional. O setor adicional da quinta e sexta casas poder-se-ia considerar correspondente à nossa educação colegial no 2º Grau, iniciada como é pelo impulso vital da quinta casa. O condicionamento interno indicado por estas seis primeiras casas encontra sua expressão no hemisfério superior, iniciado pela sétima casa, a casa da consciência de parceria; isto é análogo à experiência no mundo em que entramos após completarmos nossa educação formal; pomos nosso conhecimento a funcionar. O composto destas seis casas é o que trazemos a toda experiência da maturidade para regenerar e aperfeiçoar, assim como trazemos para as nossas experiências da maturidade como adultos todo o treinamento, condicionamento e cursos que fizemos em nossos anos de crescimento. As expressões não espiritualizadas das seis casas – particularmente das quatro primeiras – indicam a raiz quadrada essencial de todos os nossos problemas.
            Quando consideramos que a consciência humana primitiva expressa a quinta casa como expressão instintiva – como um recurso da quarta casa – ao invés de criatividade consciente, não é de admirar que a humanidade tenda a funcionar amplamente na consciência das cinco primeiras casas. Para a maioria das pessoas, até a sexta casa é uma expressão de sustento material ao invés de uma expressão de contribuição impessoal em serviços. Há tanto da consciência de relação humana primariamente arraigada na consciência de identidade da quarta casa com a família e raça, que as decisões são tomadas em termos de sentimento grupal ao invés de sê-lo pelos requerimentos de desenvolvimento pessoal e desejo de expressar a consciência de integridade pessoal. Como a consciência física é o reino no qual as pessoas tendem a viver, a segunda casa enfoca muito de seus padrões de experiência e padrões de problemas, porque a segunda casa é o símbolo essencial da consciência de sustento para toda a roda, concentrado por seu significado no setor das quatro primeiras casas. As três primeiras casas podem ser chamadas apropriadamente de quadrante da colheita – representando os processos do plano interno pelos quais nós nos integramos com a tríplice dimensão da manifestação física.
            “Posse” e “propriedade” são palavras que identificam a consciência da maioria das pessoas com a expressão de sua segunda casa. Contudo, o princípio real da segunda casa revela-se quando consideramos o ponto filosófico de que nós não possuímos, nem somos proprietários de, nenhuma coisa física. A única coisa que possuímos é a consciência. A qualidade dessa posse encontra-se em nossas reações a qualquer fase da vida; a regeneração depende da nossa capacidade de administrá-la. A vida da humanidade é uma coisa interna – a expressão material é seu veículo. Portanto, aquilo que chamamos “desejos de possuir coisas” é a maneira primitiva de dizer que desejamos experiências pelas quais possamos exercitar nossa faculdade de administração das formas físicas e o progresso proporcionado pela regeneração.
            Uma vez que cada fator encontrado na roda do horóscopo é uma coisa necessária na vida da humanidade, não existe fator que seja “errado” ou “mau”. A segunda casa – como um capítulo de experiência e um nível de consciência –, tanto quanto qualquer outra casa é um símbolo do Espírito. Ela transmite essencialmente a consciência emocional ou de desejo, pela qual a humanidade procura conseguir as coisas necessárias ao seu sustento. Dizer “Eu Tenho” é uma extensão da consciência da primeira casa, a consciência de “Eu Sou”. O impulso subjacente do “Eu Sou” é sustentar a si próprio – é ser capaz de continuar dizendo “Eu Sou” e perpetuar essa consciência no mundo da forma. Para algumas pessoas, “meus filhos” ou “minha esposa” são ditos com o mesmo grau de consciência de posse que dizem “meu dinheiro”. Ambas as frases implicam em auto-perpetuação e auto-expressão.
            A essência de qualquer fator astrológico encontra-se na consideração do princípio espiritual inerente ao fator. Como a segunda casa tem sua “espiritualidade” particular, vamos considerar três mandalas abstraídos da Carta natural ou arquetípica. (Esta é uma roda com os trinta graus de cada signo na casa apropriada, começando com Áries na primeira cúspide; os regentes planetários são relacionados às casas e signos de sua dignificação).
            O primeiro mandala será uma roda em branco, exceto para as cúspides das quatro primeiras casas que formam o primeiro quadrante. Os símbolos de Áries, Touro e Gêmeos são postos nas cúspides das três primeiras casas respectivamente. Nossas frases-chaves serão:
            Primeira casa: Eu sou uma consciência individualizada;
            Segunda casa: Eu desejo sustentar minha consciência nas dimensões físicas;
            Terceira casa: Eu aprendo como tornar possível esse sustento.
            Este quadrante de “colheita” representa nossos processos de “fincar raízes” em qualquer ciclo de evolução.
            Vênus, regente de Touro é regente abstrato da segunda casa, é o princípio da atração; seu significado relativo à segunda casa é o impulso de atrair para nós próprios os meios de sustento material ou o fluxo de abundância material. De nenhum outro modo é mais evidente a afirmativa de que nós não fazemos dinheiro. Na realidade fazemos algo em troca por dinheiro. Isto chama atenção para o arqui-princípio da vibração Venusiana: equilíbrio através da troca. Visto como uma expressão deste arqui-princípio, o dinheiro é troca material entre as pessoas; não uma posse material; em outras palavras, é algo recebido como retorno de algo feito. Neste ponto a essência do uso correto do dinheiro é o cumprimento perfeito do acordo mútuo. O Mandamento “Não furtarás” foi dado como uma regra de procedimento contra a tentação de violar-se a expressão material de um princípio universal.
            Para ampliar nossa apreciação da segunda casa, vamos ligá-la agora à outra casa que é regida abstratamente por Vênus através de Libra – a sétima casa.
            O mandala será: a roda de doze casas; os símbolos de Touro e Libra nas cúspides da segunda e sétima casa, respectivamente. O símbolo de Vênus em ambas as casas; sombreie levemente essas casas de modo que elas se destaquem das demais na roda. Temos aqui o arquétipo do mandala de Vênus – o retrato abstrato do foco de influência da deusa sobre a experiência de vida da humanidade. A segunda casa ilustra o Princípio de Atração na consciência do homem para atrair material para o sustento próprio; a sétima casa é a união de pessoas que se complementam mutuamente. Em outras palavras, a Vida, nos processos de relacionamento humano, alcança o equilíbrio através do intercâmbio amoroso entre complementares.
            Abstratamente, a sétima casa identifica todos os pares de doadores e credores. O empregado dá seu trabalho – o empregador dá o pagamento. A vida física do empregado é sustentada pelo uso do dinheiro que recebe; a vida da empresa do empregador é sustentada pelos esforços daqueles que trabalham para ele. Quando a mutualidade do bem é mantida em tais relacionamentos, todas as pessoas envolvidas beneficiam-se umas às outras através de trocas justas. Quando os princípios de qualquer dos fatores são violados, os resultados são desarmonia e desequilíbrio. Isto se evidencia em todos os planos – entre indivíduos, entre dois grupos ou entre duas nações.
            Devemos ter em mente que o dinheiro – nosso símbolo de posse material – é na realidade um “fluído” no sentido de que alguma forma de troca entre as pessoas acontece em toda parte e a toda hora. É como o sangue circulando pelo corpo físico para sustentar a vida física. Cessando ou congestionando-se a circulação de dinheiro na vida econômica, observe os resultados. Serão evidentes em qualquer lugar.
            A circulação do sangue no corpo físico começa com “produção”; e o “retorno” é feito quando o impulso inicial completa seu trabalho. A circulação do dinheiro entre as pessoas começa, primeiramente, quando algo é feito para que ele seja dado como pagamento. A humanidade, para funcionar com êxito financeiro, deve aprender a ter boa vontade para apresentar o melhor rendimento possível na qualidade do serviço a ser prestado. A sexta casa forma o primeiro aspecto de trígono com a segunda casa, sendo que a sexta casa introduz a sétima, símbolo do abstrato da experiência de relacionamento.
            O sucesso no ganho de dinheiro começa pela retidão mútua na consciência de troca e na consciência de serviço. A deficiência ou obscuridade dessas consciências garante eventualmente “problemas financeiros” na forma de remorso subconsciente, perda de confiança própria, desconfiança dos outros (lembranças de desonestidades passadas), avareza, e o tipo de extravagância que é toda “produção” sem levar em conta o equilíbrio da troca. Estes quadros financeiros negativos são resultados de ultrajes perpetrados no passado contra o Princípio de Intercâmbio Mútuo e são manifestações de desamor ao próximo. Esses quadros atuam como imãs para experiências negativas, perdas, limitações, e, até que sejam regenerados pelo princípio, asseguram a experiência contínua de negativos financeiros.
            O mandala de Vênus é a ilustração astrológica do dito: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Não ao dinheiro em si; porque o dinheiro por si mesmo não tem poder. Mas quando a consciência de uma pessoa está “enraizada” na segunda casa sua consciência de amor está enraizada no apego às suas posses.
            Portanto, a alquimia do Amor na relação dele com outras pessoas são bloqueadas e com o tempo, isto se congestiona a tal ponto que qualquer situação ou pessoa será vista como uma ameaça aos seus bens. Sua ganância, desconfiança, avareza, medo, etc., levam-no a criar imagens mentais muito deformadas das pessoas, e isto o leva automaticamente a afastá-las cada vez mais de si. O mal cresce a tal ponto que nossa consciência nos separa dos demais. Vemos, portanto que o dinheiro não é apenas um meio de troca material, mas pelo modo como é usado, dá uma indicação direta da consciência amorosa da pessoa.
            A pessoa pode gostar mais de possuir bens do que amar e respeitar as pessoas ou em certos padrões de relação – pais, esposa, filhos, etc. – pode exercitar uma bela consciência amorosa e nos negócios ter a consciência de um pirata; ou sua consciência pode estar integrada na finalidade de manter equilibrado e harmonioso o relacionamento com todas as pessoas. Podemos servir a Deus exercendo o redentor poder do Amor ou servir a Mamon escravizando-nos a ilusão de possuir as coisas. Enquanto esta ilusão dominar nossa consciência, atrairemos experiências negativas e dolorosas.
            Assim que tenhamos uma atitude e um relacionamento correto com as pessoas como o ponto focal da consciência, as correntes do poder do Amor iniciam um processo alquímico que liberta da escravidão de “ser possuído pelas posses”. A despeito do que qualquer outro faça cada ser humano deve, no devido tempo, dar-se conta do valor espiritual do reto uso do dinheiro. Quando chega esse tempo, manifesta a certeza de relacionamento correto entre as pessoas. A honestidade é um florescimento do coração humano pelo qual a consciência é capaz de interpretar as coisas da Vida pelo que elas são na realidade. As pessoas honestas veem as coisas como elas são quanto ao princípio e como expressões dos princípios. As pessoas verdadeiramente honestas, não precisam ser “legisladas” na ação honesta por leis ou pela ameaça de castigo; elas funcionam na consciência da troca e do respeito com outras pessoas de todas as maneiras.
            O processo envolvido na leitura astrológica pode ser enunciado deste modo: primeiro uma sólida compreensão do significado abstrato ou espiritual de cada fator na Carta; e segundo a aplicação da compreensão abstrata aos pormenores da Carta em consideração. Isto porque cada horóscopo humano é uma variação do Horóscopo Arquetípico que é o Grande Símbolo Vibratório da entidade que chamamos Humanidade. Este arquétipo é a roda de doze casas, com os símbolos dos signos colocados nas cúspides, começando com o grau zero de Áries na primeira, zero de Touro na segunda, e assim sucessivamente com os demais signos nas casas. Completa-se o Arquétipo com a colocação dos estelares nas casas e signos de suas dignificações. Cada fator é justamente tão importante quanto qualquer outro, uma vez que todos são expressões de consciência na encarnação. Todos são espirituais, todos são bons, e todos são necessários. Todo astrólogo deve fundamentar-se nesta compreensão se deseja desenvolver a habilidade para receber os potenciais espirituais delineados na Carta que estuda, assim como as causas e propósitos a serem descobertos.
            Desvendar os segredos da segunda casa é um dos mais significativos serviços que o astrólogo pode prestar porque a humanidade, em sua maior parte, vive escravizada ao desejo de posses. A consciência de posse é o nível primitivo do princípio da segunda casa; o princípio em si é a capacidade administrativa – a responsabilidade do uso certo e das trocas justas. Quando um horóscopo é lido do ponto de vista das posses, o fator acúmulo é enfatizado – ou pode ser enfatizado – na mente do nativo. O astrólogo não deve descuidar-se da oportunidade de alertar seu cliente para o princípio. É o conhecimento do princípio que abre a consciência para as soluções e reorientações.
            A faculdade da segunda casa pode ser vista claramente ao considerar-se o seguinte mandala: uma roda de doze casas; os símbolos de Áries, Touro, Gêmeos nas cúspides da primeira, segunda e terceira casas respectivamente; uma linha reta liga as cúspides da primeira e quarta casa, circunscrevendo assim as três primeiras casas. A segunda casa transmite uma implicação emocional, o desejo de sustentar a vida física. A terceira casa é mental, o processo de aprender como efetuar esse sustento. Nós sustentamos a vida física mediante o uso das coisas da Terra, não por nos apegarmos a elas. Em análise final, não podemos nos apegar a qualquer coisa física, mas o uso que fazemos das coisas físicas – inclusive o dinheiro – retrata nossa consciência de escravidão ao sentido de posse ou a liberdade íntima para usar as coisas da terra com juízo e inteligência.
            A leitura de qualquer Carta pode ser um assunto complicado. Classifiquemos os fatores que podem pertencer aos padrões da segunda casa, considerando-os em sequência. Esta classificação envolverá a criação de vários mandalas de luz branca. Use somente as posições planetárias por signo e casa, não os números dos graus; vamos tentar perceber o funcionamento do princípio através dos padrões da segunda casa, e não queremos limitar nossa percepção pelo efeito psicologicamente negativo de impressionar nossas mentes com os “maus” aspectos.
            Primeiro mandala: o símbolo do signo da segunda casa sobre a segunda cúspide; ponha o símbolo de seu regente planetário em seu correspondente signo e casa. Este é o “mandala essencial da segunda casa” de qualquer horóscopo; ele transmite pelo signo na cúspide, a consciência da pessoa em relação ao dinheiro e às posses; a posição do seu regente indica onde e em que capacidade esta consciência vai achar sua mais completa realização do poder de atrair os meios terrenos através do exercício da troca perfeita. Isto serve também para delinear o departamento de experiência que focalizará o melhor da consciência financeira da pessoa e, essencialmente, mostra até que ponto o nível espiritual de capacidade administrativa é expresso ou pode ser expresso pela pessoa. Mostra também a tendência da pessoa em expressar possessividade ou o uso da posse.
            Segundo mandala (ou grupo): um mandala para cada estelar na segunda casa e no signo da segunda casa. Ponha os símbolos dos signos nas cúspides das casas regidas por esses estelares. Tais estelares focalizam a consciência de posse muito mais intensamente que qualquer outro padrão, pois o capítulo de experiência sincroniza-se com o padrão da consciência. Este mandala enfatiza muito fortemente as experiências financeiras; tais experiências podem incluir finanças em propriedades, em investimentos; em suma, todo tipo de experiências que sejam focalizações da consciência financeira. A regeneração das casas regidas pelos estelares depende definitivamente da regeneração da consciência de posse.
            Terceiro mandala: um mandala para cada estelar no signo da segunda casa, mas na primeira casa. Esta é uma fase da consciência financeira em formação. O desenvolvimento pessoal – ou desenvolvimento da personalidade – nesta encarnação é preparar experiência financeira para o futuro. A habilidade financeira é vista mais como um ponto de avaliação pessoal do que como a faculdade de aquisição por si mesma.
            Quarto mandala: estelares na segunda casa, mas no signo da terceira casa: a educação e o desenvolvimento mental são focalizados através de experiências financeiras. Disciplinas mentais vão ser encontradas em experiências relacionadas com o ganhar dinheiro. Em tal padrão a abordagem tende a ser colorida pela qualidade do desejo de obter e reter. Os terceiros e quarto mandalas são padrões de repercussão, pois os estelares assim colocados estão em casas que precedem aquela a que estão relacionados por signo. O quarto mandala nos informa que a pessoa ainda não está – até certo ponto – puramente integrada na mentalização abstrata ou impessoal; ela tende a “pensar em termos de seus desejos de posse e avaliação financeira”.
            Estes quatro mandalas focalizam os padrões de experiência da segunda casa. O desenvolvimento harmonioso deste fator em nossa experiência terrena fica demonstrado a ser de enorme significância para o crescimento anímico quando recordamos que a segunda casa é o primeiro passo na formação do Grande Trígono do Elemento Terra. A base deste trígono é a horizontal que liga a cúspide da segunda casa à cúspide da sexta casa; a implicação simbólica é que o Princípio do Serviço Perfeito (uma fase da consciência impessoal) depende diretamente do exercício justo da consciência monetária. O ápice do trígono de Terra é a décima casa – a Sociedade e suas expressões aperfeiçoadas como uma entidade universal. Os defeitos da segunda e da sexta casa asseguram defeitos na décima. A frase “Capital (segunda casa) versus Trabalho (sexta casa)” é tão negativa quanto qualquer coisa pode ser. Ela deve se tornar “Capital e Trabalho”, funcionando juntos na troca perfeita entre todos os fatores para que o ápice de qualquer sociedade ou civilização possa alcançar o melhor. A regência natural – ou abstrata – da décima casa por Saturno e a exaltação deste em Libra – signo regido por Vênus, e que também abstratamente rege a segunda casa – é algo sobre o que todos nós podemos meditar. Ela ilustra o sentido essencial da palavra civilização: “Relações civis entre todas as pessoas em seus procedimentos com as coisas terrenas e em todas as trocas pertinentes a estas”.
            Não obstante o signo na segunda cúspide e os estelares envolvidos deve-se ter em mente que Vênus é o símbolo arquetípico da segunda casa como um fator de consciência espiritual. Neste ponto é apropriado dizer que os regentes naturais ou abstratos, dos signos e casas condensam - ou concentram – o sentido esotérico das casas como capítulos de nosso desenvolvimento. Por conseguinte, nossa consideração sobre a leitura da segunda casa não pode ser completa sem estudarmos as posições e padrões de Vênus; além disso, devemos intensificar nossa consciência do significado de Vênus como o “Princípio do Equilíbrio” (Harmonia e Equilíbrio) através das trocas.
            Quinto mandala – o mandala de Vênus: Touro na segunda cúspide, Libra na sétima cúspide. Estude este mandala girando a roda de tal maneira que cada cúspide, por sua vez, torne-se o Ascendente. Observe como os dois signos – formando o aspecto de 150º - relacionam-se à roda como um todo nessas diferentes posições. Touro e Libra compõem a “consciência do dinheiro” e a “consciência de relação”. O princípio, conforme dito antes é “Equilíbrio através da mutualidade de dar e receber” – o Princípio do Matrimônio. Medite sobre o mandala de Vênus de qualquer Carta que lhe peçam para interpretar, do ponto de vista financeiro, para chegar às raízes da consciência básica de troca do nativo. As posições de Vênus por casa e signo – não importando seus aspectos – dar-lhe-ão um indício sobre as razões esotéricas para a manifestação de falta ou insuficiência de dinheiro. Os estelares que afligem Vênus devem ser regenerados se a raiz da consciência de pobreza tiver de ser removida. As aflições a Vênus mostram somente como a pessoa, em suas encarnações anteriores, expressaram desequilíbrio e desarmonia em suas relações com outras pessoas. As condições referentes à segunda casa são especialmente para esta encarnação, mas Vênus é o símbolo arquetípico do relacionamento certo em todas as fases e em todos os planos. Ajude o individuo a tornar-se mais cônscio da verdade deste princípio. Fazer isso é uma de suas maiores responsabilidades.
            Concluindo esta exposição: utilize as palavras-chave espirituais dos estelares quando eles expressem as condições de regência ou ocupação da segunda casa; isto assegura a percepção do propósito esotérico do dinheiro nesta encarnação da pessoa. Não o enfraqueça tomando decisões financeiras por ele – fazer isso é uma violação do seu próprio Princípio de Serviço. Alerte-o para a sua própria consciência do Princípio, e encoraje-o a tomar o seu próprio caminho (financeiro), seguir nos caminhos do exercício de sua inteligência financeira o melhor possível, com boa vontade, honestidade, e perfeito intercâmbio com todas as pessoas.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CAPÍTULO XX – O ASCENDENTE



Estudantes, esta é uma exposição sobre vocês.
A linha horizontal esquerda da roda do horóscopo, que vai do centro até a circunferência, é a sua emergência dos planos internos – como uma expressão da ideia que chamamos Humanidade – para objetivação da encarnação; o ponto Ascendente é seu aparecimento neste plano no momento do seu nascimento.
Quando emitiu seu primeiro choro, você dizia: “Olha, Mundo aqui estou Eu novamente!” Aquele grito foi sua “aurora”, sua Luz aparecendo no mundo de outras Luzes humanas, como já apareceu muitas vezes no passado. Você veio para expressar uma qualidade mais brilhante e mais clara de sua Luz que jamais expressou antes, e aqueles que lhe deram as boas-vindas com Amor assim o fizeram, realmente, devido à promessa inerente na sua Luz, promessa de melhoramento da Vida humana durante os anos de sua encarnação. Cada encarnação é uma expressão de amor e fé da Humanidade na Luz que é sua Origem e sua Habitação.
Sua encarnação foi marcada vibratoriamente com uma nota-chave pelo signo zodiacal que cobre o ponto Ascendente de seu Horóscopo. Cada um dos doze signos é um dos três aspectos (Vontade, Amor, Sabedoria) da dimensão de Polaridade (Positivo-Negativa) nos termos de Gênero (Masculino/Feminino). E o principal propósito vibratório de um ser humano na encarnação é realizar, com o melhor que seja capaz, o potencial do signo Ascendente através do capítulo de experiência e situação vibratória do planeta que rege o signo Ascendente. Por “situação vibratória” queremos significar o signo em que esse estelar se situa; a qualidade de expressão é indicada pela natureza do estelar que o “dispõe”; o regente estando em Touro ou Libra é “disposto” por Vênus; em Aquário é “disposto” por Urano, etc..
Faça três mandalas, uma para os signos cardeais, uma para os signos fixos e outra para os signos mutáveis. Isto é feito traçando-se três círculos; cada um com os símbolos de uma dessas três classes tal como aparecem na sequência zodiacal; os pontos dos signos são ligados por linhas retas, o que nos dá três variações de uma quadratura.
Os signos cardeais são os pontos decisivos quando circundamos a roda partindo do ponto Ascendente; eles representam os quatro pontos básicos das mudanças de estação no decorrer do ano e também representam os quatro pontos básicos da estrutura do relacionamento humano; o masculino-feminino dos pais (Capricórnio/Câncer) e os masculino/feminino daquilo que é gerado pelos pais (Áries/Libra). As pessoas com um signo cardeal no Ascendente (a menos que haja interceptações e o signo Ascendente também esteja na cúspide da décima segunda casa) vieram desta vez para tomar uma “nova direção” em sua evolução – seu signo Ascendente abre um novo quadrante do zodíaco, o quadrante das três primeiras casas. (Aqueles cujos signos Ascendentes cardeais abrangem também as cúspides da décima segunda casa estão simplesmente continuando aquilo que foi inaugurado como ponto decisivo na encarnação anterior).
Cada um dos quatro signos cardeais é o aspecto “Vontade”, do elemento ao qual pertence: Áries - Fogo; Câncer - Água; Libra - Ar e Capricórnio - Terra. Áries e Capricórnio são os “signos masculinos”, dentre os quais Áries é masculino e Capricórnio feminino; Câncer e Libra são os “signos femininos”, dos quais Libra é masculino e Câncer feminino.
Os signos fixos são - o “aspecto Amor” dos elementos – sendo cada um o quinto signo a partir do cardeal do seu elemento. Em paralelo: Áries-Leão; Capricórnio-Touro; Câncer-Escorpião; e Libra-Aquário. Como todo horóscopo é o resultado do exercício da consciência na encarnação passada, e nós realmente damos “voltas e mais voltas na roda” através de nossas encarnações, vemos que, sob um ponto de vista da evolução, Leão é o primeiro signo fixo, Escorpião o segundo, Aquário o terceiro e Touro o quarto. Em uma mandala com os doze signos em ordem – em volta da roda e a partir de Áries – trace quatro linhas retas, como segue:
            1) de Áries a Leão (cúspide da primeira casa à cúspide da quinta);
            2) de Câncer a Escorpião (cúspide da quarta casa à cúspide da oitava);
            3) de Libra a Aquário (cúspide da sétima à cúspide da décima primeira casa); 
            4) de Capricórnio a Touro (cúspide da décima à cúspide da segunda casa).
Deste modo vemos um “filme” da ligação entre uma encarnação e a próxima, uma vez que a linha que liga Capricórnio a Touro retrocede ao ciclo zodiacal através da décima, décima primeira, décima segunda e primeira casa. Na realidade nós não giramos repetidamente “em torno de um círculo”; nós nos desenvolvemos através de um processo em espiral que vai de uma “oitava” a outra oitava superior; cada “oitava” traz-nos cada vez mais perto do “retorno ao Centro”, que é o nosso “Éden perdido”; com efeito, nós somos, em consciência, reabsorvidos pela nossa Origem.
Os signos mutáveis representam o aspecto Sabedoria dos elementos, porque cada mutável é o nono signo a partir do seu cardeal inicial. Traçaremos agora no mandala acima mais quatro linhas retas, como segue:
            1) de Leão a Sagitário, cúspides da quinta e nona casa;
            2) de Escorpião a Peixes, cúspides da oitava e décima segunda casa;
            3) de Aquário a Gêmeos, cúspides da décima primeira e terceira casa;
            4) de Touro a Virgem, cúspides da segunda e sexta casa.
Temos agora a ilustração dos quatro elementos em seus aspectos de trígono, os aspectos de Vontade, Amor e Sabedoria das duas expressões de Polaridade, e as quatro “combinações” de Gênero. Aplique esta fórmula ao seu signo Ascendente para obter uma imagem clara da “qualidade trígono” e da “qualidade gênero” de seu signo.
Seu planeta regente é o significador do enfoque, e expressando a vibração do seu signo Ascendente e seu Princípio, representa a função básica que você vai cumprir nesta encarnação. Contudo, você tem outro regente que é o estelar “dispositor” do seu regente; podemos denominar este estelar de “regente vibratório” de sua Carta natal, já que sua qualidade de gênero é aquela através da qual seu regente planetário deve expressar-se (a menos, é claro, que o regente planetário esteja em seu próprio signo de dignificação – caso em que é “duplo” regente).
O requisito ambiental para o desenvolvimento e realização de seus potenciais de personalidade é indicado pela casa em que seu regente planetário está posicionado. As palavras chaves de cada casa devem ser dominadas pelo estudante de astrologia, caso este queira saber onde sua “essência” pessoal há de ser cumprida progressivamente. Não importa aonde vamos neste plano, levamos conosco nosso horóscopo inteiro, e dentro de nós mesmos, pela simples razão de que o horóscopo é a imagem da nossa consciência, e dela nunca podemos fugir. Podemos, todavia, permanecer firmados nos requisitos do nosso regente planetário se perceber que qualquer lugar ou ligação com qualquer grupo de pessoas, contém possibilidades de exercitar os potenciais do regente planetário. O ser humano deve utilizar o plano físico. Ele não deve ser usado por ele, mas ficará congestionado e limitado nele se não firmar sua consciência própria representada pela combinação de qualidades do signo Ascendente, seu regente planetário qualificado pelo seu “dispositor” e seu significado por posicionamento em determinada casa.
O desenho astrológico mostra-nos uma coisa estranha e maravilhosa – conhecida como “base psicológica”; a cúspide da quarta casa natal. Esta cúspide, sob o ponto de vista oculto, pode ser estudada pela Lei de Causa e Efeito como a significadora de uma condição que liga esta encarnação à encarnação passada – mostrando-nos assim como poderemos fortalecer nosso sentido de “continuidade” da corporificação passada para o presente.
Lembremos-nos primeiramente de que nós encarnamos sem nenhuma percepção consciente de nossa procedência; o supraconsciente detém todas as nossas lembranças do passado, e a “revivificação” dessas lembranças é que nos possibilita “contatar” conscientemente com certo nível de nosso ser vibratório que está intimamente ligado às nossas memórias de progresso, alcançado na encarnação passada. Vejamos agora a representação abstrata disso como um Princípio de Vida:
Uma mandala que contenha apenas as cúspides da décima segunda e primeira casa; coloque o símbolo de Peixes na décima segunda e o símbolo de Áries na primeira; ligue os dois pontos na circunferência por uma linha reta. Esta é a imagem essencial do resíduo de ideais não realizados que fez necessária a presente encarnação. Agora acrescente a vertical inferior – a cúspide da quarta casa – e coloque nessa cúspide o símbolo de Câncer; ligue este ponto, por linhas retas, às cúspides da décima segunda e primeira. A “linha de Áries” na presente encarnação é a involução ao ponto onde se estabelece identidade com a família e a herança vibratória – o senso de “ocupação do ninho” – e a identificação de relação com a qualidade vibratória dos pais (a quarta cúspide é, naturalmente, a metade da linhagem completa dos ancestrais que para completar estende-se até a vertical superior, ao signo de Capricórnio, a cúspide da décima casa).
A linha de Peixes no mandala acima é a matriz espiritualizada; uma das três linhas e dois dos três pontos da triplicidade de água de Câncer, Escorpião e Peixes. Por conseguinte, como o primeiro ponto “de subida” no ciclo desde o Ascendente é a cúspide da quarta casa, vemos que a matriz espiritualizada, derivada do melhor de nós próprios no passado, é representada diretamente no melhor de nossa herança vibratória. Conhecer somente o pior de nossos pais é, em termos humanos, tornar-se mais intensamente cônscios do pior em nós mesmos, porque nós encarnamos através deles pelas Leis de Causa e Efeito e de Simpatia Vibratória. Permanecermos fixados em nossos piores sentimentos acerca de nós mesmos, como “expressões” de nossos pais, é permanecermos congestionados no passado negativo. Não podemos conseguir progresso espiritual e vibratório a menos que reconheçamos nossos potenciais para progredir; alcançar tal progresso implica na necessidade de nos tornarmos cônscios de nossos recursos espiritualizados.
Agora traduza esta mandala para os termos de sua própria Carta natal – os signos nas cúspides de suas décima segunda e quarta casa. A não ser que haja a complicação de interceptações em certos arranjos, os signos nas décima segunda e quarta casas representarão dois aspectos de um dos quatro trígonos elementares. Uma análise detalhada – pelos valores genérico e espiritual – destes dois signos em relação ao regente da Carta dá-nos uma ideia de como o melhor do nosso passado deve prosseguir nesta encarnação como “pábulo” para a expressão progressiva e ascendente do regente planetário.
Gire sua Carta natal de tal maneira que a quarta cúspide se situe no Ascendente – um quarto de volta no sentido horário. A (aparente) décima segunda casa é na realidade a terceira casa da Carta natal e é a nona casa a partir da sétima casa natal – a “nona casa” representando o “aspecto Sabedoria”. Esta é a representação do recurso de sabedoria da última vez que você encarnou no sexo físico oposto ao de sua atual expressão. A terceira cada da Carta natal é o presente desenvolvimento intelectual, mas é também, conforme visto acima, uma chave para compreender algo do melhor de sua polaridade complementar porque reflete uma das “oitavas superiores” de você próprio expressando o sexo oposto. Sua habilidade para aprender agora está condicionada e qualificada por sua destilação de sabedoria nas encarnações passadas (aprender é, na maior parte, “recordar”), e o que você “aprendeu por experiência” (Sabedoria) no passado tem agora uma relação direta com suas habilidades mentais.
Vemos, portanto, que a quarta casa do horóscopo natal contém muita informação concernente ao melhor de nós mesmo traduzida do passado para o presente. Negamos a nós próprios se ignoramos este potencial; mas se utilizamos este potencial começamos a escalada para a maturidade psicológica.
As condições do horóscopo acima descritas referem-se à Carta individualizada – o “você mesmo” de seu retrato vibratório. Mas existe outra maneira de aprender a dizer “EU SOU”, e esta se encontra na consideração do fato de que, não importam quais possam ser o verdadeiro Ascendente e regente planetário, todo horóscopo tem o diâmetro Áries - Libra em algum lugar – e Áries através de sua regência pelo dinâmico e expressivo Marte – é a abstração de “EU SOU”. Em níveis primitivos de consciência o “EU SOU” da humanidade é afirmado em termos de atrito, resistência, contenda, autodefesa e destruição daquilo que é temido porque não é compreendido. O ser humano tem lutado por sua sobrevivência – tanto contra o mundo como contra outras pessoas e condições. Na realidade ele tem resistido à exposição de sua própria ignorância dos Princípios de Vida – ele nunca lutou contra outras pessoas, mas sim contra seus medos diante delas, posto que elas, suas “inimigas”, nunca foram mais que espelhos para os seus negativos. Quando amar verdadeiramente aquilo que ele realmente é, e quando seu amor for uma expressão desse amor, então seus “inimigos” desaparecerão e todas as pessoas serão reconhecidas como seus irmãos, irmãs e amigos.
Marte, através de sua regência a Áries é o regente abstrato do horóscopo da humanidade. Através desta vibração nós dizemos não apenas “EU SOU”, mas “EU ESTOU determinado a sobreviver e perpetuar minha existência”. O potencial de Marte em todo horóscopo é o “sangue vermelho” da consciência, a sensação vital de Existência em estimular, impregnar (em qualquer plano), em contender com degradações internas e externas, e, finalmente, através de suas destilações espirituais, ele é a coragem nascida da fé – a aspiração do espírito ao progresso e ao viver em oitavas eternamente ascendentes da consciência da Vida Una, do Amor Uno e da Sabedoria Una.
O significado da cúspide com Áries na sua Carta mostra que, não importa seu sexo físico, o pleno cumprimento dessa experiência requer o exercício da mais vital qualidade genérica masculina; você deve aprender a exercitar coragem, deve desenvolver autoconfiança, deve enfrentar seus temores, aprender a entender a origem deles em sua consciência e vencê-los através de transmutações e expressões construtivas; você deve desenvolver e exercitar a qualidade básica Marciana da iniciativa – referente à “arrancada” de Áries como primeiro signo do Horóscopo Abstrato; neste ponto você deve aprender – e eventualmente aprenderá – o que significa impelir a si mesmo sem esperar por sugestões, incitamentos ou encorajamentos dos outros; através da casa que está seu Áries na cúspide você é o “passarinho” que salta do ninho protetor e exercita sua capacidade de voar; uma vez no ar e fora de sua casa ele voa ou cai no chão; ninguém e nada pode mantê-lo no ar, exceto sua força e sua adaptação ao elemento que vai ser seu campo natural para viver e mover-se.
Como a cúspide de Áries pode estar em qualquer lugar na roda e o potencial de Marte pode ser pequeno ou grande em esfera de ação em qualquer Carta Natal, existe uma variedade infinita de possibilidades de “Marcialidade”. Na medida em que o seu Marte esteja “congestionado” por aspectos de quadratura ou oposição, e na medida em que os estelares em Áries (dispostos por Marte) estejam congestionados, você terá de aprender a exercitar a virtude da coragem como uma expressão de seu Amor-Sabedoria interno; para lutar, não por resistência a pessoas que você pensa serem “inimigas”, mas lutar sem resistências pelas expressões transmutadas de sua consciência; para firmar-se em suas convicções (se forem autênticas) como uma expressão de sua integridade e, sobretudo, respeitar o direito de outras pessoas de se expressarem consoante seu recurso vibratório. Um Marte sadio e integrado nunca tenta congestionar, inibir, limitar ou deter a realização de outrem, mas procura sempre encorajar com seu Amor-Sabedoria a ignição de seus melhores e mais belos potenciais em todos os planos. A pessoa que conhece o Amor-Coragem e a Sabedoria-Coragem conhece verdadeiramente o que significa o “EU SOU”; todos nós, cedo ou tarde, precisamos nos dar conta deste senso espiritualizado de identidade com nossa Origem – nosso Deus Pai-Mãe.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

CAPÍTULO XIX – O ASTRÓLOGO DISCUTE O ENSINAR



Júpiter, regente abstrato da nona casa, é o símbolo astrológico do mestre. Como o desenho facilita a compreensão de assuntos abstratos como este, sugerimos que o leitor faça quatro desenhos para melhor fixação deste tema e principalmente se quiser expô-lo aos demais.
O primeiro desenho será um círculo com as casas numeradas. Coloque o símbolo do signo de Sagitário e de Júpiter na nona casa. A observação deste desenho nos leva a considerar, como ponto de partida, no hemisfério superior do horóscopo, a expressão de consciência anímica, do esquema da vida, a nona casa que é a expressão transcendente de sua polaridade inferior: a terceira casa. Falar da nona casa, apenas, sem nos enraizarmos no exame da terceira, cujo regente é Mercúrio, que rege também o signo terceiro, Gêmeos, seria “permanecermos no ar”. Adicionemos, portanto, em nosso desenho, o signo de Gêmeos na terceira cúspide e coloque o símbolo de Mercúrio na terceira casa.
Com este acréscimo assimilamos no hemisfério inferior um ponto que enfoca que aponta o oposto e correspondente, no hemisfério superior. Este desenho simboliza um “caminho da evolução”, significando um aspecto da “consciência de separatividade” (3ª casa) que ascende para a fase da consciência anímica ou impessoal (9ª casa).
A primeira casa como temos dito em artigos anteriores, é o “EU SOU”, representa conhecimento consciente da individualização do SER. A segunda casa tem sua expressão identificadora na frase “EU TENHO”; é uma identificação emocional com a vida, por meio da consciência de conexão da POSSE. A terceira casa é a “ciência da vida”, pelo exercício da faculdade intelectual fria, nada emocional. Marte é o regente da primeira casa e Vênus o da segunda casa. São expressões emocionais. Mercúrio abstrato, regente da terceira casa, é mesmo nos níveis da primitividade, a primeira expressão de percepção consciente do impessoal e do não emocional.
Mercúrio representa nossa capacidade de “identificação racional”, não “emocional”. Por sua atividade damos nomes às coisas, tanto concretas como abstratas. Mercúrio nos capacita igualmente na identificação das coisas, em termos de mensuração, qualidade e função. Por ele nos identificamos com a Vida, com suas coisas concretas, formas de utilização e comunicação.
Deste ponto de vista, Mercúrio (regente da terceira casa do primeiro quadrante, ou “quadrante da nutrição” do círculo) é o símbolo do ato completo da aprendizagem. Mercúrio é ainda, a faculdade de transmitir fatos de uma mentalidade para outra pessoa, no recebimento de instrução ou de informações. É a linguagem expressa, pela voz, pelo gesto, pela visualização, pelos símbolos e pela escrita. É o relacionamento universal de todos entre si, dentro das atividades mentais diversas. É o símbolo de todos os estudantes e, como tal, esotericamente, a essência de todo relacionamento fraternal. Estamos todos, independente de afinidades próximas, em paralelo com cada um – fraternalmente – visto que todos somos aprendizes nas experiências da vida.
Outras ponderações acerca deste desenho nos evidenciarão que todo ensino tem suas raízes no aprendizado. Maior facilidade, neste campo, depende de mantermos alerta o interesse e a faculdade de aprender. As correntes de polaridade (na consciência) entre os hemisférios inferior e superior devem ser continuamente estimuladas para que as capacidades da metade superior floresçam. Nós nunca estamos separados de qualquer parte de nosso horóscopo; mesmo que possamos gastar vinte horas de cada dia na profissão de ensinar, jamais devemos negligenciar o aprendizado ou permitir que as correntes de nutrição sejam depletadas ou negligenciadas. Aprender é a ignição da consciência dos fatos e das identificações; podendo ser comparado à inspiração do ar no processo respiratório. Aquele que verdadeira e fortemente seja impulsionado a ensinar, manterá esta “faculdade da terceira casa” viva. Em outras palavras, nenhuma oportunidade de aprender deverá ser negligenciada. Parar esta “nutrição” é assegurar uma parada ou cristalização na habilidade de ensinar. (Neste ponto nos deparamos com uma lição de sinceridade e de humildade: professores ouçam!)
Se Mercúrio é o símbolo da “nutrição mental - inalação”, Júpiter, vital, radiante, dinâmico, é a abstração da “exalação”: transmissão do conhecimento ou ignição da consciência intelectual amplificada e enriquecida pela maturidade da compreensão espiritual. Conhecimento de fatos mais consciência dos princípios. Nessa conexão devemos adicionar outro fator ao nosso desenho inicial: o signo de Virgem na cúspide da sexta casa, criando uma cruz em T, dois braços da qual estão no hemisfério inferior, regidos por Mercúrio.
Aqui o símbolo abstrato do “irmão estudante” é expresso numa forma prolongada para representar a “fraternidade dos trabalhadores”. O trabalho, considerado espiritualmente, é mais que um trabalho físico, é o serviço que cada um pode prestar como contribuição ao melhoramento da vida de seus semelhantes.
Virgem, como signo de Terra, tem uma conotação prática diferente: “Eu trabalho para sustentar minha vida física e daqueles a quem amo”. Essa atitude em relação à tarefa de ensinar (eu aprendo alguma coisa útil para fazer dinheiro), representada na quadratura entre Gêmeos e Virgem, ameaça o desenvolvimento das capacidades de maestria, enquanto a pessoa permanecer identificada com estas considerações práticas atritivas. A redenção deste padrão de quadratura é encontrada no fato de que a sexta casa é a última do hemisfério inferior, sendo a modulação para o hemisfério superior da regeneração emocional e consciência espiritual. A 6ª casa sucede a 5ª, que é a casa do Poder-Amor. Quando a consciência de “trabalho para ganhar dinheiro” é transmutada em criatividade por amor, e expressa SERVIÇO em prol do melhoramento da vida de todos, obtemos a redenção da 6ª casa. Através das experiências de serviço amoroso, conquistamos a compreensão que faz com que o mero aprendizado dos livros pareça, em comparação, uma concha sem vida. Esta compreensão é aquilo que um verdadeiro professor irradia para seus estudantes.
Agora completemos nosso desenho, adicionando o símbolo de Peixes na cúspide da décima segunda casa e colocamos aí o símbolo de Netuno; a cruz dos signos mutáveis.
Através do primeiro braço (Gêmeos) temos Mercúrio, simbolizando o aprendiz; Sua exalação ou oposto é Júpiter, como abstração da nona casa. Mercúrio também está presente em Virgem, simbolizando aí o aprendiz através da experiência-serviço; A exalação da sexta casa é Netuno, a abstração da décima segunda.
Considerando mais concretamente, apontemos alguns dos problemas que são, cedo ou tarde, enfrentados pelos que sentem impulso de ensinar.
Desde que ensinar é expressão dinâmica da sabedoria, seu objetivo deve ser o de iluminar. Todo aquele que sente o impulso de iluminar, deve aceitar de princípio o desafio daqueles padrões de consciência que representam a escuridão: cristalização mental, formalismo rígido de opiniões e atitudes, preconceitos, o tipo de ignorância que forma a base da indiferença às necessidades impessoais ou espirituais dos estudantes. Este padrão de experiência serve como desafio à integridade e coragem do professor.
O impulso para desempenhar um serviço impessoal é sempre, mais cedo ou mais tarde, testado pela própria consciência pessoal em relação a fatores de ordem econômica. Encontrar o equilíbrio entre servir desinteressadamente e ter os recursos suficientes para viver, é uma prova das mais significativas na evolução de todo aquele que espiritualmente aspira atingir um nível mais elevado de serviço. Considerando, ainda, o desenho em cruz, formado pelos signos mutáveis, vemos que os aspectos de oposição têm suas raízes no hemisfério inferior com Mercúrio, através de Gêmeos e Virgem. Um Mercúrio não regenerado, em sua aliança com o primeiro setor do mapa é “praticidade”, “conveniência pessoal”, “literalidade” e “avaliação superficial”. Estas palavras chave pertencem a níveis de consciência que ainda não tocaram a impessoalidade. É o caso de pessoas que na profissão de professor, exprimem um Mercúrio não regenerado; que se apoiam no interesse próprio e atendem ao “que melhor paga”, “ao cargo que mais prestígio proporciona”, ao “que lhe dá mais erudição”, ao que o conduz a uma “mais breve aposentadoria”, à “maior pensão”, aos “ambientes agradáveis” e outras motivações semelhantes. Tais motivações ocorrem a indivíduos que passam ainda por níveis primitivos da consciência educativa, que devem ser regenerados pelos padrões do SERVIÇO-AMOR. Até que este ponto não seja atingido, a função de professor não pode ser verdadeiramente preenchida.
Astrologicamente o exposto acima pode ser traduzido assim: até que o interesse próprio não tenha sido transcendido, o ciclo inicial Mercúrio-Gêmeos não encontra seu cumprimento espiritualizado em Netuno-Peixes, passando através de Júpiter-Sagitário.
Quando Júpiter, como símbolo do professor, encontra-se no hemisfério superior do mapa, os testes do professor verdadeiramente motivado são muito mais interiores que exteriores. Seus problemas mais significativos são anímicos. Alguns destes testes surgem da necessidade de regenerar o que se pode chamar de qualidades de um Júpiter negativo, como:
Orgulho intelectual, pelo qual o professor se coloca em níveis egoístas, motivado pelo sentimento de sentir-se superior aos que ensina. Todo aquele que sinceramente luta para superar essa tendência, encontrará ajuda na compreensão de que jamais poderá ele ser repositório de todo o conhecimento, de todos os aspectos do que particularmente ensina. Ao contrário, ele é como um irmão mais velho daquele a quem ensina que pode ser de forma inata seu superior em sabedoria essencial. Deve reconhecer que apenas é um precursor em suscitar o desenvolvimento de seus pupilos, modulando a transição dos níveis de inocência em que estão para níveis de consciência relativos à própria sabedoria do aprendiz. Nunca deve olvidar os tropeços que ele próprio encontrou no caminho desse aprendizado, que é uma parte da experiência que comunica. Em outras palavras, o professor deve manter, em relação à tarefa de ensinar, uma atitude fluídica, comunicativa, expansiva, dinâmica, amorosa, serviçal, buscando sempre melhorar numa constante renovação de experiências e aprimoramento. Assim ele usa as palavras-chave de Júpiter para prevenir as cristalizações causadas pelo orgulho.
Outra expressão de Júpiter não regenerado, de vaidade e mesquinhez, é o desejo de reconhecimento e de elogios. Nesse nível, o professor procura continuamente sobressair-se entre os colegas para compensar a inveja que deles tenha, procura continuamente sobressair-se entre os colegas para compensar a inveja que deles tenha. Recebe com prazer a adulação dos alunos e estes logo se apercebem de seu ponto fraco, perdendo-lhe o respeito natural. Fala sempre de seu trabalho para assegurar-se da boa opinião dos outros. O centro desta falha reside no desejo de fazer figura, de levar muito em conta a opinião dos outros a seu respeito. Ora, tal ponto de vista leva em si mesmo a semente de desintegração da faculdade educativa, de vez que, a preocupação de concentrar em si mesmo os méritos do trabalho, entrava, prejudica o fluxo de iluminação, de amor, que deveria ser vertido para fora e para os demais.
O propósito da tarefa educativa não deve ser o auto-engradecimento, senão a iluminação da consciência dos alunos. O professor que conserva sua integridade como trabalhador consciente e amoroso, é o que pode ser chamado “hígido e humilde”, porque respeita e ama o seu trabalho, cultiva sua habilidade para que sua tarefa cresça em proficiência, é grato a todas as sugestões e acolhe-as de boa vontade, tirando-lhes o proveito que podem dar. Sua atitude para com seus colegas é de sincera apreciação ao trabalho, incentivo aos esforços honestos e não de competição, porque sabe que cada um, segundo sua natureza, tem seu modo de receber as coisas e uma contribuição original a fazer. Ajuda sempre que pode e está sempre disposto a aprender com os demais. Em outras palavras, ele utiliza a palavra-chave jupiteriana: “melhoramento” e mantém suas motivações espiritualizadas e regeneradas.
O verdadeiro professor jamais exerce poder sobre seus pupilos, nem lhes limita a justa liberdade. Em verdade os alunos são suscetíveis de influencia por parte do professor, mas este deve estar alerta para essa grande responsabilidade, de modo que seu exemplo, seu modo de pensar, de agir, seus conceitos todos, possam exprimir o melhor que ele tem e que ele desejaria a seus alunos. Se a motivação da atividade do professor é amorosa, ele encontra felicidade no progresso dos alunos. Com alegria acompanha o desabrochar das faculdades deles e seu emergir de um nível inferior a um nível superior de consciência. Seu impulso é o de sempre ajudá-los a crescer por dentro e de superar-se, e não de sujeitá-los, limitá-los meramente a seus próprios conceitos.
O resultado que ele pode obter como professor é o de erguer seus pupilos da condição em que se encontram, de modo que possam superá-lo e se tornarem instrumentos de realização de um ainda mais construtivo trabalho futuro, como seus sucessores. Deve despertar-lhes a devoção pelo serviço à humanidade, de modo que pelo convívio cheguem a nutrir essa vivência comum e acender no altar interno os sírios de seus altruísticos propósitos.
O símbolo do caminho do mestre, em sua forma mais sutil e espiritualizada, encontra-se no quarto quadrante da cruz mutável: Júpiter na 9ª a Netuno na 12ª casa. Este é o padrão de experiência do Irmão Maior - o iluminador de almas, a radiação da Sabedoria, da Filosofia, das Artes; é o universal concentrado num trabalho redentor. Nesse setor de desenvolvimento o conhecimento intelectual foi encompassado e transcendido. O pupilo aqui está envolvido com os princípios da vida e suas aspirações – não seus desejos e ambições – e é aceso pela inteligência iluminada e pela consciência espiritualizada do professor.
Mais um desenho: Áries na cúspide da primeira casa, Leão na cúspide da quinta casa e Sagitário na cúspide da nona casa. Marte na primeira casa, o Sol na quinta, e Júpiter na nona. Temos aí a Trindade dos signos de fogo. Marte diz: “EU SOU a manifestação do Uno”. O Sol diz: “EU SOU o poder irradiador do Amor”. Júpiter diz: “EU SOU a irradiação da sabedoria”.
Esse desenho triangular figura a consciência dinâmica, Júpiter, na qualidade de professor, simboliza aqui a paternidade espiritual: o pai a guiar o desenvolvimento e iluminação do conhecimento evolutivo de suas “crianças”. Em termos humanos, Júpiter é aqui visto representar as responsabilidades espirituais da paternidade, a responsabilidade de todos os pais em prover espiritual e fisicamente aqueles que, por seu intermédio, encarnaram.
Em níveis impessoais, Júpiter revela a paternidade espiritual, de todos os mestres, em relação a seus alunos, que, em níveis mentais, são suas crianças. Os pais deveriam ser professores; todos os verdadeiros professores comunicam a seus pupilos uma radiação de Poder-Amor que torna completo o cumprimento de seu SERVIÇO-ENSINAMENTO.