domingo, 8 de fevereiro de 2015

CAPÍTULO XXXVII – LUZ – PARTE I





            Iluminação é sempre um ato de revelação. Ela não significa, como alguém pode supor, dar algo novo à coisa em consideração e nem dar algo novo à pessoa que está considerando a coisa. Ela é sempre um ato pelo qual, em grau relativo, a verdade da coisa em consideração pode ser mais claramente percebida. Esta percepção nunca pode ser “dada” de uma pessoa para a outra, pois se trata sempre de experiência subjetiva; a pessoa que a experiencia só pode fazê-lo quando estiver propriamente condicionada e amadurecida para isso. Seu condicionamento e amadurecimento – sincronização do desejo pela Verdade com a capacidade de utilizar aquilo que percebeu – torna possível reagir ao estímulo de outra pessoa ou a uma experiência de modo que sua consciência da coisa considerada se abre para um grau relativamente maior de Verdade. Podemos dizer que naquele momento ele “ganhou mais sabedoria sobre a coisa” – esta percepção da natureza da coisa é então “mais sábia” que antes.

            Nestes dias de curiosidade aumentada em relação a cada faceta e funcionamento da experiência humana não surpreende que muitas pessoas no mundo todo estejam abrindo suas mentes para percepções mais claras da natureza da ciência artística oculta chamada “astrologia”. Esta série de artigos sob o título geral de luz, dos quais este é o primeiro discurso, é apresentada a estes curiosos na esperança de que os que agora estão “propriamente condicionados e amadurecidos” encontrem, checando, a experiência de perceber mais claramente representações do que a astrologia realmente é e como o conhecimento de sua natureza pode ser mais construtivamente e filosoficamente utilizado. Seu propósito é completamente consistente com sua natureza – seu propósito é iluminar e sua natureza é a apresentação simbólica da consciência da Humanidade em evolução, “em massa” ou individualmente.

            Algumas vezes nos tornamos mais vividamente conscientes de algo ao considerar o que este algo não é. Básica e essencialmente, a astrologia não é um estudo de eventos; em termos que o horóscopo de uma pessoa não é o estudo da “pessoa em sua vida”; não é uma superstição, apesar de muitas pessoas terem-na utilizado de forma a evidenciar seus medos supersticiosos da vida e experiência; ela certamente não é um estudo da “boa ou má sorte”; seu propósito primário não é delinear o tempo de eventos passados ou futuros; e – dada esta reflexão considerável – não é um “estudo das estrelas”.

            Os “nãos” da astrologia mencionados acima poderiam muito bem ser referidos como os “nós” nos conceitos de muitas pessoas em relação à astrologia. Dois deles são baseados em inverdades, os outros contêm suficiente conteúdo de conhecimento ou sabedoria para tornar a astrologia construtivamente útil – mas apenas quando o praticante é motivado por ideais elevados de auxílio aos outros, e quando ele é o tipo de pessoa que esteja sempre pronto a considerar novas revelações da verdade astrológica. Nenhuma pessoa encarnada que seja capaz de utilizar o conhecimento astrológico é “nova no assunto”; todas estas pessoas estão recapitulando conhecimento da matéria adquirida em vidas prévias e, em justiça a esforços passados, agora se requer esforço para desfazer os “nós” dos conceitos congestionados, superstições, e meias verdades a partir da expansão da mente e aumento na “vontade para a Verdade”. O nome desta ciência artística contém a pista para o que ela é verdadeira e plenamente; vamos analisar isto para uso contínuo durante a experiência destas séries.

            O prefixo “astr” de astrologia é uma entre várias centenas de palavras raízes derivadas de linguagens com significado esotérico e exotérico. Exotericamente ele se refere a “estrela”, e neste sentido a astrologia é compreendida como sendo um estudo da influência exercida pelas estrelas nos céus sobre o caráter e destino humanos, como se nós humanos “devêssemos fazer o que as estrelas nos sugerem fazer – ou ser ou pensar – ou desenvolver”. Um conceito irracional como este de “influência brilhante” tem o efeito desintegrador de intensificar os medos humanos em relação a “destino” assim como suas próprias fraquezas e ignorância. No plano do exercício intelectual, mesmo as abordagens mais exotéricas podem ser de auxílio, desde que a pessoa seja familiarizada com alguns símbolos particulares, e que o estudo das palavras chave interpretativas desses símbolos resulte no treinamento da faculdade do pensamento abstrato. Mas, como conhecimento sem uso não é a razão de ser da astrologia, devemos olhar mais profundamente na palavra para descobrir as verdades de seu propósito.

            Esotericamente o termo “astr” de astrologia se refere à luz. O homem tem, desde tempos imemoriais, olhado para as estrelas no céu como símbolos da mais pura luz. O astrônomo estuda os corpos celestes em termos de sua distância de nós, seu tamanho, peso, densidade e relações espaciais. O astrólogo estuda o que eles simbolizam como luzes de consciência.

            Novamente esotericamente, há duas conotações na palavra “luz”. Uma é aquela da luz que torna a percepção visual possível àqueles que estão encarnados. Em termos de vida manifesta, a luz é um poder criativo, um atributo de todas as coisas manifestas que possuem um potencial criativo ou de manifestação. Mas, antes que esta luz possa “ser” deve haver aquilo que cria a luz visual e aquilo é a luz da consciência. A consciência criativa daquilo que chamamos “vida” (na falta de palavra mais específica) através do processo “descendente”, consciência criativa do logos galáctico e solar – tudo o que está em evolução – origina qualquer e todas as formas e graus de luz que podem ser percebidas em todo universo manifesto. Em outras palavras, a luz perceptível é a polaridade negativa, a reflexão manifesta da consciência de atributo criativa positiva. As sentenças de abertura do livro do Gênesis contêm a seguinte: Deus disse, “Deixe que a luz seja e a luz se manifestou”. Se alguém acredita que a palavra “Deus” se refere à essência criativa cósmica ou à motivação criativa e mente de um logos solar não importa nesta conexão; o que deve ser considerado é que a consciência de poder criativo foi estabelecida e que a luz foi o primeiro gesto do ato criativo. As “trevas” referidas dizem respeito ao estado de vida ainda não formada que denominamos “caos”. “Caos” não significa, como alguns podem pensar, “nada”; é a essência de vida a ser utilizada pelas motivações criativas e mentes para manifestação. A luz manifesta é a projeção da inteligência criativa em manifestação. A consciência é aquele grau de perceptividade – iluminação do poder, que é o principal requisito da ação criativa. Um logos solar é consciente do poder para criar-manifestar – através do estabelecimento de um corpo central – “sol” – e uma emanação de outros corpos – “planetas” que, no total, compreende seu campo de evolução. O logos evolui através da evolução de suas miríades de ondas de vida e formas que habitam os corpos planetários; macrocosmos e microcosmos são interdependentes – a evolução de cada um serve, e é coincidente com, a evolução do outro. Pelo atributo da consciência e da faculdade da escolha, os humanos exercem seu potencial criativo para suplementar suas evoluções. Nós humanos não somos “criadores”, mas tendo o poder da regeneração da consciência, revelamos o potencial para criatividade. Assim como nosso logos solar – Deus – é, assim nós somos destinados a nos tornar através do desdobramento da percepção-consciente – de nossa identidade verdadeira e, correspondentemente, poderes. Se, então, a astrologia não é um “estudo das estrelas”, mas um estudo em símbolos arquetípicos da consciência, podemos abrigar nossos preconceitos acumulados sobre a questão e olhar para os horóscopos – nosso próprio particularmente! – quanto ao que eles sejam de fato e ao que eles se destinam.

            A sentença que a astrologia é um estudo da influência do Sol, Lua e planetas sobre nós – enquanto humanos individuais ou coletivos – não é uma inverdade, mas para nosso propósito há outra abordagem à questão que vai mais profundamente e deve ser considerada. No que diz respeito a “efeito de planetas sobre humanos” digamos que a astrologia é o estudo das correspondências entre os poderes vibratórios planetários e nossos poderes atuais ou potenciais. Nós, enquanto humanos, estamos fraternalmente relacionados a todos os outros humanos como expressões do mesmo arquétipo neste planeta. Nós somos também – de forma mais indireta – fraternos a todas as expressões de vida neste planeta. Nossa habitação – Terra – é o corpo manifesto de um Ser que em sua oitava de funcionamento é fraterno aos Regentes planetários de nosso sistema solar; portanto, em inúmeros níveis de correspondências, tudo neste sistema está inter-relacionado. E, tudo são as ideias manifestas de nosso Criador – nosso Logos Solar –, “Deus Pai-Mãe”. Como os planetas de nosso sistema constituem a incorporação de Seres cuja consciência de vida os qualifica para aquele trabalho, e cada um tem sua função e efeitos evolucionários particulares, no sistema total ou qualquer fator dele, nós, como humanos e estudantes de astrologia estudamos nossos horóscopos para nos tornarmos sensíveis a níveis mais altos de consciência de vida através de conhecimento ou percepção dos nossos potenciais em correspondência com as qualidades e significância daqueles seres cuja consciência provê estrutura e padrão ao nosso sistema. Os símbolos astrológicos do Sol, Lua e planetas designam o que chamamos de “regência” das partes de nossos corpos, qualidades de personalidade e caráter, os princípios inerentes em nossas capacidades de expressão e reação, as qualificações vibratórias de nossas experiências e relacionamentos. Todos esses fatores considerados em conjunto ou individualmente têm como propósito expandir e purificar a consciência – “nos iluminar” ou “tornar o self mais consciente da luz” do Self – sendo o Self o Espírito que identifica a afinidade e unidade do humano com seu Criador.

            Visando estabelecer mais firmemente uma nova abordagem ou compreensão, descobriu-se ser de grande auxílio parar de falar do assunto em consideração em termos de padrões de hábitos usados por talvez um longo tempo. Há vários clichês que os estudantes astrológicos aprenderam e usaram e, para se abrir mais extensamente à percepção da “Astro-luz”, temos que praticar alguns novos termos e referências. Por exemplo:

            Achamos muito fácil e natural dizer em relação ao horóscopo de uma pessoa: “Esta pessoa tem um Urano ruim”. Olhe para aquela sentença por um momento do ponto de vista de tornar-se mais consciente do que ela diz. Em primeiro lugar ninguém pode “ter” nenhum planeta; em segundo lugar nenhum planeta é “ruim”. Como poderia, sendo uma criação divina? Revisemos um pouco isso: “A consciência dessa pessoa dos princípios simbolizados por Urano está congesta, não organizada, desorganizada, imatura ou não evoluída.” Nós não dizemos que a pessoa é má, sem sorte, maldosa ou azarada. Simplesmente se quer dizer que o desenvolvimento da pessoa – através de ninguém sabe há quanto tempo – não recebeu muita atenção regenerativa aos aspectos do Espírito caracterizados pelo símbolo planetário de Urano; dizemos que ele tem em haver experiência considerável em crescimento, desenvolvimento e integração para chegar àquele ponto. Mas aquilo não o torna ruim, mal ou desafortunado – simplesmente significa que ele tem que se desenvolver de certa forma específica em sua evolução pessoal. O horóscopo é um registro simbólico da consciência – não é uma figura de escuridão estática, seu maior valor está em revelar as essências dos compromissos de vida da pessoa, assim como seu estado evolucionário relativo.

            Podemos dizer – frequentemente (e quão frequentemente!): “Esta posição de Saturno e este aspecto a Saturno torna esta pessoa um avaro”. Espere um instante! Todas as hostes celestiais juntas não podem “tornar alguém avaro”. O registro de Saturno no horóscopo representa uma ação da consciência pessoal – ou falta de consciência – em relação à posse de bens materiais. A avareza é um desequilíbrio na consciência – é sobrevalorizar a aquisição como tentativa de contrabalançar um profundo e incrustrado medo da perda. Pare com esta atitude injusta em relação a Saturno – ele tenta arduamente nos ensinar lições importantes e uma delas é o uso inteligente dos meios materiais. Ele diz: “Minha natureza corresponde ao seu potencial para aprender – entre outras coisas – a usar a substância e meios materiais de modo inteligente. Até que você traga para a consciência a noção deste princípio para seu crescimento, Eu tenho que falar a você através de seu medo da perda; quando você aprender a usar; de forma balanceada, o poder particular de consciência que eu simbolizo você saberá que eu sempre tenho sido seu professor e amigo. Concorde com o que eu represento enquanto poder e qualidade de consciência e sua maestria se expandirá em liberdade e alegria; você saberá então que não precisa me culpar pelas suas lágrimas e inseguranças”. Dizemos – às vezes com uma leve queimação de inveja: “Que pessoa de sorte! Ela tem algo em trígono com Júpiter”. Júpiter sorri de modo gentil e compreensivo e nos diz – talvez um pouco triste pela nossa inveja – “me permita lembrar que Eu simplesmente simbolizo sua própria consciência de poder pessoal de melhora, aumento e expansão de sua natureza e condições; você não recebe nada de mim – você expressa meu princípio de aumento e expansão através de otimismo, gentileza, generosidade e coragem; o que você expressa você atrai de volta; se sua consciência se revela por desequilíbrios de extravagância, autoindulgência excessiva, falso orgulho ou ambição Eu não posso me apresentar regenerativamente em seu mapa, pois você, em sua consciência de mim, não se qualificou para tal assim como esta pessoa o fez. Você precisa não invejar este desenvolvimento. Meu princípio serve a todos. Tenha isso em sua consciência de vida, faça isso de seu próprio ser a partir de boas ações e sua consciência cedo ou tarde florescerá e manifestará aquela forma particular de Luz que Eu represento”.

            E assim por diante – com cada um dos outros pontos planetários. Devemos finalmente considerar apenas outro ponto, devido a seu significado especial no horóscopo – o símbolo do Sol.

            O autor sugere que cada estudante de astrologia, que se sinta inclinado, a inaugurar a prática de colocar o símbolo tradicional para o Sol – o ponto circunscrito pelo círculo – no centro de cada horóscopo; este símbolo, por correspondência, é aquele de nosso Criador, nossa própria essência espiritual, nosso átomo semente e a vontade de viver eterna e indestrutível que caracteriza a consciência a permear a dimensão tempo-espaço. Este é a construção mais simples e mais perfeitamente focada, o mais puro arquétipo de todos os símbolos astrológicos – é apropriado que ele seja usado para designar a consciência Humana da Fonte, Identidade e Atributo Divinos. Outro símbolo que o autor sugere é um semicírculo sobre uma linha horizontal que pode ser legitimamente e efetivamente usado como o Sol no horóscopo, como um “fator planetário” regente do signo fixo de fogo Leão. Como este símbolo é sujeito a padrões e aspectos, qualificações e movimentos como qualquer outro símbolo planetário, ele deve ser estudado como representando a evolução da consciência da natureza Solar da pessoa. A aparência circular do símbolo Solar (o “Símbolo do Espírito”) corresponde à aparência do círculo horoscópico – ambos centrados pelo mesmo ponto. O “símbolo planetário Solar” corresponde em aparência com o semicírculo superior do horóscopo, a linha horizontal correspondendo ao diâmetro horizontal do horóscopo – o “EU SOU” da consciência individual e a contraparte do Ascendente pela cúspide da sétima casa. Também como figura este símbolo sugere o nascer do sol na aurora – e seu uso no horóscopo é nos manter cientes dos atributos solares que estamos buscando florescer através de nossa experiência evolutiva.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

CAPÍTULO XXXVI – DIÂMETRO, QUADRANTE E DECANATO




Para o desenvolvimento deste material, uma breve revisão do Espectro Genérico se faz necessária.
O zodíaco não é apenas um “cinturão”; ele é a emanação de qualidades vibratórias que se iniciam no primeiro grau do signo cardinal de fogo Áries; este ponto é abstratamente o início da circunferência do mapa vibratório da ciência astrológica. Este ponto é a materialização – encarnação – dos potenciais inerentes ao ponto central do círculo. O raio Ascendente – a horizontal esquerda – é a “projeção dos potenciais da subjetividade à objetividade”. Em qualquer círculo, o mesmo raio é usado para manifestar o círculo; assim todas as cúspides das casas do mapa são emanações do raio do Ascendente e representam o desdobramento da Consciência genérica em experiência e realização do ideal através de transmutações e expressões espiritualizadas.
A mandala que representa a estrutura da qualidade genérica é o mapa com doze casas com os signos Áries, Câncer, Libra e Capricórnio nas cúspides da primeira, quarta, sétima e décima casas, respectivamente. Os diâmetros horizontal e vertical, interceptados ao centro, formam a cruz da encarnação; as linhas retas que conectam as cúspides cardinais formam o campo evolucionário pelo qual a humanidade tem experiência no relacionamento de uns com os outros. Nesta mandala vemos dois campos de bissecção do círculo; dois diâmetros criando dois pares de semicírculos. Estes diâmetros representam os dois modos de expressão da Polaridade; aquela que gera (Capricórnio-Câncer: o diâmetro parental), e aquela que é gerada (Áries-Libra: o Ascendente e seu complemento). Esta mandala ilustra, no simbolismo astrológico o número Mestre vinte e dois. Dois é o único dígito que dá o mesmo resultado (quatro) quando adicionado a ele mesmo e quando multiplicado por ele mesmo. Vinte e dois é o número da maestria expresso em forma – é a oitava superior da complementação é significante que todo ser humano deve cumprir a experiência evolucionária pela encarnação em ambos os sexos físicos. Os quatro signos cardinais representados nesta mandala compreendem a forma encarnada pela qual a masculinidade-feminilidade de todo ser humano evolui através da experiência-relacionamento e destila sua espiritualização a partir da qual o Ideal é manifestado. Todos os relacionamentos humanos – biológicos ou outros – são derivados deste fundamento arquetípico: o gerador bi-polar e o gerado bi-polar.
Como os trígonos elementares simbolizam a espiritualização das qualidades genéricas, nós derivamos nosso espectro genérico a partir do relacionamento dos signos de exaltação dos regentes destes quatro signos. Marte (nascido homem e regente de Áries) está exaltado – amadurecido – em Capricórnio, regido por Saturno, o símbolo do pai; Saturno está exaltado em Libra regido por Vênus e complemento do signo de Marte, Áries; Vênus está exaltada em Peixes, a terceira oitava do trígono de água, o último signo na sequência zodiacal, e este trígono é iniciado pelo signo cardinal Câncer, regido pela Lua – símbolo da Mãe – e complemento do Capricórnio Saturnino.
Assim, os signos de fogo e terra, como são “iniciados” pelos símbolos masculinos, são signos masculinos; os signos de ar e água, iniciados por símbolos femininos, são signos femininos. Como todo ser humano, como homem ou mulher, é bipolar, reconhecemos uma dupla divisão dos signos masculinos e femininos em masculino e feminino. Os signos de fogo formam a primeira metade da metade masculina do zodíaco e, portanto são os signos homem masculino; os signos de terra seguem em sequência (Touro segue Áries), então eles são os signos homem feminino. Os signos de ar, iniciados pelo signo cardinal de Libra, regido por Vênus, representam a metade masculina dos signos femininos; os signos de água, iniciados por Câncer, compreendem os signos femininos mulher. Assim vemos que o zodíaco inteiro representa uma expressão dupla de uma polaridade dupla; desde o primeiro grau de Áries, o ponto mais masculino, ao trigésimo grau de Peixes, o ponto mais feminino. Liste os signos nesta sequência e aprenda para referência futura.
A metade inferior (abaixo do diâmetro horizontal) do mapa é iniciada por Áries: a metade superior é iniciada por Libra, como “reflexo” da metade inferior. A nota chave oculta de primeiro grau de Áries – o ponto do Ascendente da grande mandala – é Eu sou. Nesta linha Ascendente estão implícitos todos os potenciais mostrados no desdobramento zodiacal e nos conteúdos do mapa astrológico. Portanto, segue naturalmente que nos trinta graus de Áries estão implícitos os “conteúdos” da metade superior do mapa. Este “conteúdo” está simbolicamente implícito nos últimos quinze graus do signo. A cúspide do décimo sexto grau do signo é o potencial é o potencial do diâmetro complementar horizontal do mapa. Quando o raio horizontal esquerdo é “desdobrado” para formar um diâmetro completo, a “extensão” resulta naquilo que denominamos a cúspide da sétima casa – o ponto de início do quadrante superior do círculo. Como qualquer grau de qualquer signo pode aparecer como Ascendente no horóscopo, reconhecemos que a divisão de qualquer signo em duas metades de quinze graus representa a figura simbólica da polaridade embrionária daquele signo, e apesar do autor até o presente não ter tirado nenhuma conclusão a respeito de diferenças significantes entre planetas posicionados nos primeiros ou nos últimos quinze graus, a figura sugere que planetas colocados na segunda metade dos trinta graus, quando expressos de modo não regenerado, são potenciais para muito mais carma negativo “efetivo” – no sentido que estando na “metade polar” do signo, implica na possibilidade de suas expressões negativas serem refletidas em encarnações futuras por outras pessoas com as quais o sujeito se relacionará. Em outras palavras, a segunda metade de cada signo, por analogia, pode ser considerada a “metade feminina” do signo. “Feminino” significa “reflexivo”. Assim, se quisermos evitar sofrimento futuro pela reação dolorosa aos outros, devemos nos responsabilizar pela regeneração dos planetas aí posicionados, sendo a implicação disso que no futuro (desdobramento em Tempo-Espaço) aquelas vibrações planetárias focalizarão nosso padrão de relacionamento complementar e seremos mais definidamente capazes de recuperar a partir dos outros, aquilo que deformamos no presente. Divida cada casa de uma Grande Mandala em duas partes iguais; coloque seus planetas natais nesse mapa e veja em qual metade de seus signos os planetas caem. Talvez você, como estudante interessado, possa chegar a uma conclusão a este respeito. Se você tem quadraturas e oposições entre planetas colocados nos últimos quinze graus de seus signos, você se sente mais responsivo às pessoas que expressam qualidades negativas representadas por aqueles planetas do que você o faz quanto àquelas que negativamente refletem seus planetas dos “primeiros quinze graus”? Você acha que, com uma análise cuidadosa, consegue determinar se seus planetas dos primeiros quinze graus lhe dão maior liberdade de expressão direta que os planetas dos últimos quinze graus? Analise suas quadraturas e oposições planetárias a partir deste ponto de vista e veja se o padrão de polaridade implícito auxilia em tornar claras suas capacidades de reação e expressão.
Quadrantes: Na Grande Mandala, a subdivisão da primeira casa – e o signo de Áries – em quatro quadrantes de 7,5 graus cada representa o “estado embrionário” da cruz cardinal. Aplicando a Lei de Correspondência nós correlacionamos esta divisão de um signo para a divisão quádrupla do zodíaco todo. Começando com Áries e “desdobrando” o mapa em sentido anti-horário, encontramos que cada quadrante sucessivo é iniciado respectivamente por Câncer, Libra e Capricórnio.
A subdivisão de um signo em duas secções de quinze graus cada é particularmente aplicável ao estudo dos aspectos de oposição e todos os aspectos complementares de modo geral. A subdivisão de um signo em quadrantes, entretanto, se aplica à análise dos aspectos de quadratura, dado que cada aspecto de quadratura é, em sua orbe de tolerância, um padrão de relação de noventa graus e cada quadrante do mapa é uma divisão de noventa graus. A divisão em quadrantes (por graus e minutos) representa de zero a sete graus e trinta minutos; de sete graus e trinta e um minutos a quinze graus; de quinze graus e um minuto a vinte e dois graus e trinta minutos; de vinte e dois e trinta e um minutos a vinte e nove graus e cinquenta e nove minutos. O próximo “passo” nos leva ao zero do próximo signo.
Há três “cruzes” implícitas na estrutura dos doze signos: cardinal, fixa e mutável. No desdobramento do círculo desde o ascendente da Grande Mandala, as três cruzes aparecem quatro vezes, nos quatro quadrantes do mapa: Áries, Touro, Gêmeos; Câncer, Leão, Virgem; Libra, Escorpião, Sagitário; Capricórnio, Aquário e Peixes. Cada “iniciação” cardinal é uma nova forma de dizer Eu sou – como extensões do Eu sou básico de Áries; cada cruz representa um padrão de crescimento e desdobramento através de experiência na dupla expressão da dupla polaridade; nós evoluímos através de fases de tomadores e doadores de vida homens e mulheres. As “cruzes” simplesmente representam os processos pelos quais extraímos sabedoria a partir de experiências e desdobramos nossos recursos interiores de amor no sentido de alcançar a realização do ideal. Como em um horóscopo calculado corretamente cada planeta se encontra em decorrência de uma Lei, deve haver uma chave valiosa na colocação dos planetas por quadrante. Cada signo zodiacal individual tem seu regente planetário particular, como focalizador básico das qualidades genéricas do signo. Mas, como os trinta graus representam uma sequência de qualidade do signo e devido à Lei de Correspondência se aplicar à estrutura astrológica como em qualquer outra manifestação, consideremos a colocação dos planetas por quadrante em termos de regências secundárias. O primeiro quadrante de um signo mutável é regido pelo regente planetário do próprio signo; o segundo quadrante é regido pelo planeta que rege o próximo signo daquela cruz; o terceiro quadrante é secundariamente regido pelo planeta que rege o próximo signo da cruz e o quarto quadrante é secundariamente regido pelo seguinte. Por exemplo:
Capricórnio: Regente primário: Saturno
Capricórnio é signo cardinal.
            Primeiro quadrante ... regente secundário – Saturno
            Segundo quadrante ... Marte – regente de Áries
            Terceiro quadrante ... Lua – regente de Câncer
            Quarto quadrante ... Vênus – Regente de Libra

Leão: Regente primário: o Sol.
Leão é um signo fixo.
            Primeiro quadrante ... o Sol – regente de Leão
            Segundo quadrante ... Plutão – regente de Escorpião
            Terceiro quadrante ... Urano – regente de Aquário
            Quarto quadrante ... Vênus – Regente de Touro

Peixes: Regente primário: Netuno
Peixes é um signo mutável
            Primeiro quadrante ... Netuno – regente de Peixes
            Segundo quadrante ... Mercúrio – regente de Gêmeos
            Terceiro quadrante ... Mercúrio – regente de Virgem
            Quarto quadrante ... Júpiter – Regente de Sagitário

Note que a extensão dos primeiros e terceiros quadrantes e do segundo e quarto quadrantes deveria representar dois aspectos da polaridade; este composto de polaridade é representado no mapa astrológico como os dois diâmetros de cada cruz.. Considere cuidadosamente seus aspectos de quadratura e os planetas envolvidos em relação às regências secundárias; os regentes secundários agem como “empregadas domésticas” ou “braços direitos” dos regentes primários e sua influência é efetiva na análise da expressão das qualidades planetárias.
Decanatos: No estudo dos decanatos, chegamos a uma análise de cada signo do ponto de vista de seus potenciais espirituais. Assim como as três cruzes dos quatro signos são “desdobrados” do Ascendente da Grande mandala, assim também os quatro trígonos genéricos são “desdobrados” a partir do Ascendente. As divisões de quinze graus e sete e meio graus funcionam – como “desdobramento experiencial” a partir do zodíaco no sentido anti-horário a partir do Ascendente; a figura mostrada é aquela da Humanidade se movendo através de seus padrões de experiência no caminho “para frente e para o alto” – de nível a nível, sempre ascendendo através dos processos evolucionários. Entretanto, no ciclo dos trígonos genéricos, o caminho é horário – e este não é um movimento cíclico. É uma estimativa dos poderes zodiacais do ponto de vista de potencial espiritual. Como vimos anteriormente nesta discussão, se baseia em pontos de exaltação dos planetas que regem os signos da estrutura – os signos cardinais.
O potencial espiritual da qualidade genérica de cada signo zodiacal é trimembrado; as palavras chave arquetípicas são (1) Poder; (2) Amor e (3) Sabedoria. A segunda e terceira dessas oitavas são o aperfeiçoamento emocional e mental pelos quais o poder essencial de cada signo cardinal é liberado, em expressão transmutada. Os decanatos de cada signo são as divisões do signo em três grupos de dez graus cada. O segundo e terceiro decanatos de um signo representam o estado embrionário dos potencias de Amor-Sabedoria; estes potenciais são expressos no mapa pelos dois signos que correspondem ao decanato; estes são os dois outros signos do mesmo elemento. Nos signos fixos e mutáveis, vemos a Lei de Correspondência e o Princípio da Recapitulação em trabalho e assim podemos atribuir a cada decanato seu co-regente – conforme segue:
Signos de fogo: Primeiro decanato: Áries-Marte; segundo: Leão-Sol; terceiro: Sagitário-Júpiter.
Signos de Terra: Primeiro: Capricórnio-Saturno; segundo: Touro-Vênus; terceiro: Virgem-Mercúrio
Signos de Ar: Primeiro: Libra-Vênus; segundo: Aquário-Urano; terceiro: Gêmeos-Mercúrio.
Signos de Água: Primeiro: Câncer-Lua; segundo: Escorpião-Plutão; terceiro: Peixes-Netuno.

A lei Hermética da correspondência é belamente evidenciada, particularmente, por um exemplo desta análise de decanato. O segundo decanato de cada elemento é o decanato do “signo fixo”. Quando estendemos os três decanatos de cada elemento para a roda dos doze signos, vemos que os decanatos dos signos fixos se tornam o ponto médio de cada quadrante do mapa. O “meio do signo” se torna, por correspondência, “meio do quadrante do círculo”. O meio de cada casa dos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião, Aquário) (segunda, quinta, oitava, décima primeira) quando conectadas por linhas retas se tornam o símbolo do aspecto da quadratura – o arqui-símbolo da congestão; como o decanato fixo de cada signo é o decanato do amor, podemos ver como a mandala astrológica aponta com clareza para a liberação espiritualizada das congestões emocionais: a partir da expressão da consciência do amor. Cada signo (independente de sua qualidade genérica) atinge seu ápice de compressão no ponto médio – a junção do décimo quinto e décimo sexto graus. Esta junção é exatamente no meio do segundo decanato. O decanato cardinal – os primeiros dez graus de qualquer signo – carrega, pela Lei de Correspondência, o atributo de “inicialização” dos signos cardinais, dado que eles representam os pontos de virada no progresso através da roda. Os terceiros decanatos (os últimos dez graus) trazem a “qualidade transicional” dos signos mutáveis, pois após o ponto médio do signo passar as “energias” começam a “retroceder” da qualidade básica do signo e aproximar-se da “modulação” para o próximo signo. Assim, os signos mutáveis do Zodíaco formam os pontos de transição de um quadrante de noventa graus para o quadrante seguinte.
Qual o valor prático disso tudo, você pergunta; e tem o direito de perguntar. Quando lembramos que “todo problema contém sua própria cura” podemos estudar os planetas aflitos e congestos do ponto de vista de seu posicionamento por quadrante de signo e decanato de signo e extrair dessa informação muito sobre nós em relação às possibilidades inerentes para a regeneração e expressão daquele planeta. Por exemplo: um planeta congesto está no vigésimo sexto grau de Capricórnio; este está no quadrante de Libra, secundariamente regido por Vênus; ele está no decanato de Virgem, secundariamente regido por Mercúrio. Seu posicionamento no quadrante de Libra (o quarto quadrante de Capricórnio) é análogo à relação entre Capricórnio e Áries na Grande Mandala – Capricórnio sendo o quarto quadrante de Áries; a palavra chave é cumprimento da responsabilidade; a sub vibração de Libra transporta "harmonização nas relações” através de equilíbrio e troca corretos. O decanato de Virgem (a terceira oitava – “Sabedoria”) do trígono de terra nos diz que o propósito espiritual das experiências representadas pelo planeta congesto é o desdobramento de maior compreensão; a pessoa deve estar disposta a aprender a partir de sua experiência neste assunto; na medida em que buscar aprender, manter a mente aberta e receptiva à instrução e direção, ele disporá de seus recursos espirituais para descristalizar a congestão. Se ela, por orgulho ou teimosia fechar sua mente ao direcionamento, ela fechará a porta aos seus desdobramentos; a harmonização de relacionamentos não poderá ser estabelecida e a congestão se intensificará.
Exemplo: um planeta congesto no nono grau de Leão (Fogo fixo – regido pelo Sol). Este grau está no quadrante Escorpião de Leão (segunda divisão de sete graus e meio) e no decanato de Áries (primeiros dez graus). Como o planeta está congesto e está em um signo fixo, reconhecemos que a congestão é intensa – estando em um signo fixo e no quadrante de Escorpião. Escorpião em relação a Leão é análogo a Câncer em relação a Áries na Grande Mandala; este relacionamento é “congestão no relacionamento familiar”, “aderência ao ninho”, “complexo parental” e (possivelmente) congestão do recurso de Amor decorrente de exigências da natureza de desejo sexual. Entretanto, este ponto está no decanato de Áries – primeiro decanato de um signo de fogo – e a espiritualização da vibração de Marte é coragem. Esta pessoa descobrirá que sua subjetividade original e consciência de direitos individuais servirão como fonte de liberação de poder para descristalizar as congestões do planeta em Leão. A regência primária de Leão pelo Sol determina uma atitude positiva, um requisito na lida com estes problemas.
E assim por diante com outros padrões de congestão. Relacione o decanato e o quadrante com a representação abstrata da Grande Mandala e você perceberá que cada variação de “problemas” encontrados nos mapas dos seres humanos contém, por posicionamento, uma pista direta para as soluções vibratórias. As expressões dos poderes planetários através das implicações espiritualizadas dos signos é o sinal de “siga” para o progresso evolucionário e para o desdobramento harmonioso de potenciais.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CAPÍTULO XXXV – SEGURANÇA

          “Existir” é “estar em movimento”, mas “viver construtivamente” é “existir com uma consciência de base e objetivo”. Nesta consciência está a raiz do sentimento de segurança independente das circunstâncias externas. A mandala astrológica representa isso da seguinte forma: desenhe um círculo com seus diâmetros horizontal e vertical; coloque o símbolo de Áries no Ascendente, Capricórnio no meio do céu e Câncer no fundo do céu; conecte Áries a Capricórnio e Câncer por linhas retas.
            Áries é o Eu sou primordial – a consciência da essência individualizada. Como Vida é ação, “ser” significa “expressar”, “projetar” e “agir e reagir”. Criatividade e epigênese são, dependendo da oitava evolucionária, os arqui-princípios da ação da vida pois todas as expressões são radiativas e afetivas por natureza. Marte é então o Princípio da Ação, a “Chispa da Chama Central” que provê todo aspecto epigenético com a faculdade de movimento projetivo. Mas, Marte precisa de um objetivo para o qual se dirigir, de outro modo sua ação é esvaziada de propósito ou significado. Suas ações desfocadas são, portanto energia perdida. Desperdiçar o reservatório de energia é depletar a consciência do Eu sou; o resultado desta depleção é uma polaridade do sentimento de insegurança.
            Ter uma percepção deformada do Eu sou é estar relativamente descentralizado e correspondentemente, relativamente suscetível aos impactos de outras projeções de poderes mentais, emocionais, psíquicos e físicos. Lembre-se que no tiro ao alvo, atirar e lançar não tem nenhum significado se não há um alvo em que se focar para treinamento; o alvo simboliza quimicamente o objetivo de desenvolver a coordenação física para a qual o atirador ou o lançador praticam. Continuar a atirar e lançar sem o foco do alvo é “Marte sem um objetivo”; esta ação pode resultar em algum grau de exercício muscular, mas pouco, se algum, resultado sobre a coordenação muscular.
            Nós chamamos as crianças em crescimento de “adultos jovens”. Quando os objetivos do amadurecimento vital não são focalizados, então o crescimento mecânico – como no caso do treinamento de tiro e lançamento sem objetivo – eventualmente resulta na insegurança consequente ao desperdício de movimento e energia. “Encarnar” tem como propósito a doação de vida que é maturidade e que, astrologicamente, é indicado pela exaltação de Marte em Capricórnio, o signo saturnino do poder de assumir e cumprir responsabilidades. Estas responsabilidades são inerentes ao fato de que a maturidade da consciência implica em auto direcionamento e a responsabilidade espiritual é sua expressão construtiva. Na oitava genérica da expressão, “expressão construtiva” é vida geradora e cuidado com o que foi gerado, seja a encarnação de outros Egos – “nossas crianças” – ou o início de um padrão de trabalho – “nosso serviço”.
            Desperdiçar o amadurecimento é, em alto grau, uma ação mecânica que resulta em insegurança quando a pessoa é convocada em seu tempo para uma expressão madura, mas é incapaz de exercê-la. Ele fica à mercê das vibrações e poderes de outras pessoas e ele é incapaz de funcionar a partir de seu centro de auto direcionamento. Marte, deixando Áries e viajando pelo mapa em sentido anti-horário, deve se elevar a partir do ponto de Câncer no fundo do mapa; permanecer ancorado a uma segurança dependente é evitar a propulsão dinâmica ascendente do verdadeiro crescimento. Qualquer pessoa assim afundada tenta funcionar a partir da força de outra pessoa, ele não “conhece sua essência”. Ele fica fixo na “base”, mas como é incapaz de objetivos individualizados, não pode evitar sua falha em vivenciar o ideal da verdadeira segurança.
            Como aquilo que está crescendo precisa de proteção e sustentação, a verdadeira segurança dependente é o preenchimento de necessidades legítimas. O feto precisa da substância materna, o bebê e a criança em crescimento precisam de comida, abrigo, orientação e amor; o estudante precisa educação, o trabalhador precisa de um serviço objetivo e um rendimento. Todas as pessoas em evolução precisam do senso de segurança a partir de identidades específicas – afiliação familiar, afiliação religiosa, afiliação nacional, afiliação racial – até que sua verdadeira natureza interior se realize. Congestões na segurança-dependência resultam em anormalidades sexuais e psicológicas, cristalização em opiniões, preconceito, intolerância, fixação em expressões químicas como símbolos de segurança, medos raciais e nacionalistas e inimizades, sobretudo na incapacidade para se ajustar às mudanças necessárias para o desenvolvimento e flexibilização da consciência.
            Uma pessoa “chega” em um ponto específico de sua evolução; quando ela identifica aquele ponto como “uma realidade” ela permanece, de certo modo, parado por um tempo até cumprir os requerimentos daquele ponto. Se ela falha em se ajustar às mudanças necessárias – permanece fixa naquilo que se tornou familiar – ela “morre por dentro”, pois sua consciência não permite que as forças evolucionárias da vida se expressem através dela. E aquele “ponto” pode ser qualquer das coisas inumeráveis com as quais os humanos se identificam durante a sequência de suas encarnações.
            O signo de Câncer na Grande Mandala é o “símbolo-ninho” para a pessoa dependente. Exotericamente ele é “fonte quimicalizada” (considerar como manifesta na região química do mundo físico – sugestão do tradutor)– ventre, mãe, lar, nação e raça. Esotericamente ele é sua própria base psicológica – suas bases interiores como consciência de recurso de expressão para sua necessidade individualizada de maior preenchimento. A base psicológica nunca é dependente das expressões químicas da vida; uma vez estabelecida, a pessoa se baseia nela onde quer que vá durante sua encarnação. Esta instituição interior torna possível a ele se ajustar a quaisquer mudanças exteriores de circunstâncias, aqui é vista uma figuração da Lua – regente de Câncer – sendo exaltada em seu próprio signo de décima primeira casa, Touro. Touro corresponde a Câncer assim como Aquário regido por Urano corresponde a Áries – o padrão do signo da décima primeira casa é liberação e impessoalidade.
            A pessoa desorganizada– o nômade, o fora da lei e o insano – é assim, pois perdeu o senso de contato com sua identidade e foco interior. O nômade tem experiência, certamente, mas ela tem natureza de um movimento sem objetivo na vida; o fora da lei perdeu seu senso de pertencimento com as outras pessoas – ele está em estado de protesto contínuo contra algo nele mesmo (algo da fonte vibratória da encarnação presente) que ele não compreendeu ou percebeu claramente. Em outras palavras, não há conexão nas mentes destas pessoas, entre o que elas foram no passado, o que elas deveriam ser agora e o que elas podem vir a ser no futuro. Seu passado esquecido e seu futuro não delineado os mantêm suspensos em um presente sem propósitos.
            A pessoa que designamos “avara” é uma das mais inseguras, pois não está consciente da fonte de seu apego à quimicalidade – dinheiro – como símbolo de segurança. Sua ambição e incessante acúmulo representa seu fundamento interior dissoluto – ele busca segurança em “possuir” algo cuja identidade essencial é “meio de troca como expressão de sentimento em relação a outras pessoas”.
            A ligação excessiva a alguém amado é também sinal da dependência de segurança negativa, pois a pessoa em sofrimento identifica o outro humano como sua base psicológica. O amor devoto e fiel não é em si um “mecanismo de congestão”, senão a expressão de oitava superior do coração humano. Mas o tipo de amor que não pode viver de modo independente da proximidade química não é verdadeiramente amor, mas um símbolo de insegurança interior; qualquer um que identifique o outro como “segurança” está fora de sua própria base interior – ele é continuamente aflito por ansiedades, apreensões e tensões. A pessoa “deslocada” de si, diz que está ansiosa a respeito do bem estar do amado, mas é sua própria segurança que a deixa ansiosa. O amor verdadeiro é doador de saúde, fortalecedor da fé, inspirador de confiança; o “amante” temeroso em tensa dependência expressa justamente o oposto.
            Vemos então que a dependência excessiva de recursos exteriores é a raiz primordial da insegurança. A correção é encontrada na compreensão do que o externo simboliza e em estabelecer a realidade daquele símbolo na consciência, passando a expressar a partir daquela base psicológica; esta expressão é auto regeneradora e auto direcionadora; ela é simbolizada pela linha desenhada de Câncer em direção ascensional a Capricórnio na Grande Mandala. Esta é a figura da pessoa dependente e imatura transmutando sua consciência a partir da experiência para alcançar o estado de indivíduo maduro e independente. Nós reconhecemos, pois a polaridade é interativa e retroativa, que o diâmetro Câncer-Capricórnio representa as inseguranças presentes resultantes do passado não realizado e as seguranças presentes resultantes de realizações passadas. Aquilo que agora é estabelecido como som, a base psicológica integrada de poder, é pábulo para o exercício das realizações de responsabilidade. Ser livre da dependência de fatores externos qualifica para o auto direcionamento e funcionamento eficiente e dinâmico. Muitas pessoas assumem responsabilidades – família, trabalho etc. – mas sua base psicológica fragmentada, com a dependência resultante do exterior como segurança, os desqualifica para o cumprimento pleno daquilo que assumiram.
            Por exemplo – e há muito disso a ser estudado nesses tempos – um homem assume a responsabilidade de um trabalho no governo; ele é inseguro pela sua dependência excessiva do dinheiro como símbolo de segurança; ele denigre os princípios inerentes às responsabilidades de sua ocupação; ele “trabalha sobre os princípios de levar vantagem” e falha em cumprir o que prometeu para conquistar seu símbolo ilusório de segurança; em sua próxima encarnação ou em alguma encarnação futura – sua fé nas outras pessoas será desafiada pela sua falsidade e falta de princípios; elas simplesmente representarão sua própria insegurança intensificada, o resultado de sua imaturidade espiritual prévia (presente). Isto é um ponto importante a considerar: aderir aos princípios de um padrão de trabalho ou um padrão de relacionamento assegura a eficiência máxima na realização da responsabilidade e correspondentemente, uma eficiência máxima na maturação da base psicológica a ser trazida como “pábulo de força” para a próxima encarnação. O acúmulo de pábulo de força equivale ao acúmulo de Maestria relativa; a depleção do pábulo de força é estagnação em cumprir com o ideal.
            A pessoa que assume um padrão de responsabilidade e trai aquele padrão por escuridão interior e falta de princípios desintegra sua própria base psicológica em algum grau. Ele se desqualifica para maior expressão de poder até que acesse sua consciência, enfrente e passe nos testes que a Vida (sua própria consciência) traz para que prove seu mérito. Quando você como astro-filósofo estudar mapas para analisar as causas dos problemas alheios e reconhecer que o sofrimento decorre da dependência excessiva de fatores externos, saiba então que em algum lugar no passado ele se desqualificou e suas desqualificações se manifestam desta vez pela sua reação de dependência nas fraquezas dos outros. Ele dirá a você que seus pais nunca lhe deram o suficiente, ele nunca tem folga, seu chefe nunca o aprecia, sempre tiram vantagem dele e o provocam, ele sempre se envolve em acidentes automobilísticos, seus filhos estão sempre doentes, ele se divorciou três vezes, foi traído pela mulher que amava, etc. Estas histórias sempre representam inseguranças terrivelmente profundas, o resultado direto da traição dos compromissos de responsabilidade no passado. Agora, tal pessoa não sabe justamente quem é ou o que está aqui a fazer; suas motivações são minimamente percebidas; ele é desinformado de seus recursos de poder (pábulo de força); e sua consciência dos princípios de experiência é na melhor das hipóteses borrada. Ele tem que aprender novamente qual é a sua identidade e o que significa compreender princípios de experiência e os métodos espirituais para se expressar de acordo ao Princípio.
            Agora – um caso muito em evidência nos dias de hoje – segurança internacional.
            Este termo é um composto da consciência de segurança de cada humano agora encarnado. Nestes últimos tempos passamos a reconhecer mais claramente o “Um Mundo” que em qualquer outro momento histórico. Reconhecer “Um Mundo” é assumir a responsabilidade de viver de acordo. Não reconhecer – ou não ser capaz de reconhecer – “Um Mundo” simplesmente representa a aderência a conceitos nacionalistas separatistas; Não se pode esperar que pessoas nacionalisticamente pensantes “pensem internacionalmente” assim como não se espera que uma criança pequena ame as mães e os pais de outras crianças como seus próprios. Mas – e isto é muito significante – há muitos encarnados que professam a “Consciência de Um Mundo”, mas que a violam continuamente. O que nos traz à questão do “Americanismo”:
            Encarnar como cidadão dos Estados Unidos da América é assumir a responsabilidade de viver a “Consciência de Um Mundo”. Você e Eu e qualquer outro cidadão Americano qualificado para a encarnação aqui, e devemos justificar aquela qualificação ou reencarnar – sob formas muito menos liberais de governo. Estamos estabelecidos como uma nação sob a diretiva espiritual de liberdade e justiça para todos – e o “todos” não se restringe apenas aos Americanos. A comunidade desta nação é principalmente derivada dos antepassados de Europeus, Asiáticos e Africanos e devido à consciência – qualidade em que estamos – de sintonia aos princípios democráticos do viver fomos permitidos – temporalmente –a encarnar sob uma forma de governo baseada naqueles princípios.
            O horóscopo dos Estados Unidos da América apresenta o Sol e três planetas no signo de Câncer – somos verdadeiramente um “ninho” para humanos de todos os tipos de antecedentes raciais, nacionais e religiosos. O Sol em Câncer é o regente da quarta casa, e naquele signo se encontra em seu próprio signo da décima segunda casa – o “padrão redentor”. Câncer está na segunda e terceira cúspides; o Sol e dois dos planetas estão na segunda casa; Mercúrio, regente do Ascendente Gêmeos e dispositor do Marte e Urano Geminianos, está em Câncer na terceira casa; a Lua, regente da segunda e terceira casas está em Aquário; Saturno, regente da oitava e da nona casas, está exaltado em Libra em trígono com a Lua. Nossa “base psicológica nacional” (não há planetas na quarta casa em Leão) está focada nesta “congregação planetária” no signo de Câncer; pode ser interpretado como: educação e trocas de substâncias materiais de acordo com princípios governamentais democráticos como recurso espiritualizado de nosso progresso e evolução nacional.
            Alguma vez cometemos ultraje a estes princípios? Nosso tratamento aos nossos Índios Americanos e cidadãos Negros diz sim. Alguma vez gastamos nosso fabuloso legado de recursos naturais? A resposta é sim. Como nação inspirada democraticamente, permitimos a compra e venda de camaradas humanos? A história da escravidão negra neste país diz sim. Estimulamos a fraqueza de outras pessoas? A história dos calotes das dívidas de guerra de outras nações diz sim. Estamos em Dezembro de 1950 – jornais nas últimas semanas revelaram a permissão da venda de produtos Americanos a nações contra as quais estamos em guerra – uma repetição, em parte, da história da venda de sucata de ferro aos Japoneses durante seu ataque aos Chineses nos anos 30. Isto, da parte de um governo democrático é certamente a blasfêmia suprema contra nosso princípio de “justiça para todos”.

            Para dizer mais, aquele “nada pode ser feito a esse respeito” é o máximo supremo da patética aquiescência; tais violações de nossos poderes, como custódia de substâncias, devem ser interrompidas. Desde que uma expressão química apenas representa um estado interior, dizer que estamos “com medo dos comunistas Chineses”, “com medo dos Russos”, “com medo de bombardeio atômico” é apenas meia verdade. Estamos receosos dos resultados de nossa própria violação dos princípios e o caminho que estamos enveredando hoje no oriente é o resultado da difamação daqueles princípios que inspiraram a fundação desta nação. Alimento para o pensamento! Permita-se cada Americano se aperceber de como vive sua cidadania. A cidadania americana é uma benção a ser honrada na vivência – não é apenas algo que “caiu em nosso colo” para se tirar vantagem de modo impensado e dispendioso. Na medida em que nos expressamos em termos de intolerância religiosa, preconceito racial, corrupção financeira e falta de integridade pessoal, nos desqualificamos para este privilégio; na medida em que auxiliamos os outros a responsabilizarem-se na administração de recursos de forma inteligente e pelo bem de todos na terra, mantemos nossa mente aberta para a melhor apreciação das qualidades e direitos de todos assim como nossas qualidades democráticas. Nós, como nação, somos o poder democrático; nós, como Americanos, somos microcosmos daquele poder e é nossa responsabilidade espiritual e nossa alegria pessoal manifestar aquele ideal enquanto estivermos encarnados. Isso, nada mais, assegurará nossa segurança nacional e individual. Devemos, como Americanos e Terráqueos, operar a partir de base psicológica – “o pábulo de poder” – de nossos princípios espirituais. A regeneração de Capricórnio e o cumprimento do idealismo democrático é o “amadurecimento” da base de Câncer. Compreender essa maturidade é o significado de “ser Americano” e o significado de “sermos Terráqueos democráticos”.