sábado, 22 de agosto de 2015

CAPÍTULO XLIII – A SENDA ASTROLÓGICA




                O propósito da presente exposição é duplo. Está bem que novos estudantes de astrologia obtêm uma perspectiva do que esse Caminho pede deles em termos de treinamento mental e o que o mesmo inclui em expansão de conhecimento e compreensão. Os estudantes experientes no caminho deveriam lembrar-se das necessidades de seu Caminho escolhido e atualizar seus propósitos, métodos e objetivos espirituais. O Caminho Astrológico é longo e contém vários desdobramentos complexos; a “visão de longo alcance” e serena e a inabalável paciência são os requisitos primários para o preenchimento de suas fases. Alguns estudantes, na vida presente, podem estar recapitulando o conhecimento obtido através do estudo em vidas passadas, agora prontos para começar a aplicar seu conhecimento e compreensão; alguns podem ainda estar continuando seu programa de absorção, e outros ainda podem estar dando seus primeiros passos nesta Senda. Independente disso, todos deveriam ter um conhecimento compreensivo de todo o programa envolvido nesse estudo complexo de forma que o propósito e o ideal espirituais possam ser sustentados firmemente.
                 A ciência arte chamada “astro-logia” é o estudo das leis universais conforme se aplicam ao desdobramento da consciência evolutiva; a consciência é a luz primordial e os símbolos das “luzes” – Sol, Lua e planetas – são utilizados para designar as faculdades, veículos e poderes pelos quais a consciência em desdobramento se torna ciente da consciência divina. Assim como o nosso Sistema Solar é um dos sete Sistemas que compreendem um plano cósmico, também cada uma das “luzes do sistema solar” é uma parte da família, inter-relacionada e interdependente das outras e do sol central; todas sendo exteriorizações da consciência criativa divina de nosso Logos. Astrologia não é primariamente um “estudo das estrelas” – esta é a profissão do astrônomo. O astrólogo é um estudante dos modos de consciência exteriorizados como corpos planetários, solar e lunar de nosso sistema. Nós humanos temos correspondência com estes corpos planetários pois eles e nós somos criações da mesma Fonte Divina e a afinidade vibratória nos alinha em conjunto nesse sistema solar. O astrônomo auxilia o astrólogo ao fornecer dados cientificamente calculados em relação às relações geocêntricas e heliocêntricas das “luzes” em relação ao cinturão zodiacal; este dado é sincronizado com os princípios têmporo-espaciais da encarnação para o cálculo do horóscopo natal que simbolicamente representa o estado cíclico presente de uma consciência humana em evolução. O “astr” de astrologia se refere a “estrela” apenas exotericamente; esotericamente e filosoficamente ele se refere àquela luz que é consciência. É pelo grau e qualidade da consciência em evolução que todo fenômeno, experiência e relacionamento são interpretados; isto se refere ao corpo físico assim como a todos os ambientes, atividades, acontecimentos, lições cármicas, aspirações e ideais. Todos esses fatores são simbolicamente representados em essência pelo horóscopo natal; a soma total dos “conteúdos” de um mapa representa as inclinações e tendências em pontos de vista pessoaiso resultado específico do modo que exercitou suas inclinações e tendências em encarnações passadas até a vida presente. Quando o estudante de astrologia estabelece a percepção do “caminho astral” como sendo o estudo da consciência – sempre evoluindo através da experiência encarnatória e padronizada pelos grandes Princípios Arquetípicos do Universo – ele então avaliará apropriadamente cada fator do estudo com seu centro básico e assim manterá todas as avaliações na proporção e perspectiva adequadas. Todo fator em um horóscopo calculado corretamente é uma representação exata dos resultados na consciência de causas na consciência. A regeneração da consciência determina condições melhoradas, avaliações mais confiáveis de experiências e uma melhor e mais clara percepção dos poderes – potenciais e atuais.
                Os antigos eram encorajados em suas percepções da Natureza Divina e Consciência pela técnica da “personalização”; modos e facetas da Essência Divina eram expostos como “deuses e deusas”. As versões anglicizadas de alguns desses nomes divinos são hoje aplicadas à identidade dos planetas – o nome de cada planeta representando um composto ou síntese de potenciais divinos, princípios e poderes. Assim, ao considerarmos as diversas fases da Senda Astrológica nós também personalizaremos, para concretude e em imaginação considerarmos a natureza e habilidades de alguém que chamaremos “O Astrólogo Mestre”, que identificaremos como o protótipo de todos os astrólogos e estudantes de astrologia, passados, presentes e futuros. Seu nome será “Astrofilo” (aquele que ama astrologia), e ele é aquele que por muitas vidas e por muitos séculos se dedicou à sempre em expansão compreensão dos princípios astrológicos. Como Mestre-Astrólogo, ele é aquele que agora é capaz de correlacionar todas as fases de aprendizado com o simbolismo astrológico. Ele será compreendido como sendo o “ideal personalizado” de todos os que caminham a “Senda Astral”.
                Astrofilo sempre foi, é agora e continuará a ser um aspirante espiritual. Isso significa que ele não permite que seu desejo pelo conhecimento astrológico supere seu desejo pela compreensão do uso correto do conhecimento astrológico. Ele dedica sua aplicação de conhecimento ao serviço da iluminação humana, pois reconhece que o serviço de iluminação é o propósito básico para a obtenção de conhecimento antes de tudo. Ele sabe que o preenchimento máximo de seu entendimento é apenas um fragmento da sabedoria universal, assim, com humildade verdadeira, ele mantém sua mente e consciência sempre abertas e ajustáveis à consideração de ideias novas. Ele é tão impessoal e honesto em suas avaliações de seu próprio mapa assim como com o mapa de qualquer outra pessoa pois sabe que apenas honestidade total nutrirá seu próprio desdobramento e habilidade. Suas empreitadas intelectuais e analíticas – extensivas, profundas e cristalinas como devem ser – são continuamente nutridas pela oração; sempre que a necessidade é sentida ele convida a recarga de sua consciência e intuição pelos poderes da Mente Superior. Todo ato ou trabalho em seu serviço astrológico é dedicado e consagrado por seu amor a Deus e irmãos humanos. Ele reconhece ser “Irmão mais velho” de – provavelmente – a maioria da humanidade, mas ele nunca esquece ser na mesma medida uma criança do Pai Divino assim como o mais ignorante e não inspirado de seus irmãos. Seu cálculo de cada horóscopo é um ato de ritual espiritual pelo qual as forças de sua mente, consciência e Espírito são focalizadas e unificadas para a realização de seu serviço.
                Como um irmão, Astrofilo é sinceramente apreciador dos empreendimentos e aspirações dos humanos em todas as sendas que sirvam à iluminação e regeneração humana. Através de suas muitas vidas passadas ele compartilhou a absorção do conhecimento com parceiros-estudantes que representam todas as linhas de questionamentos e investigações. Ele mantém uma gratidão essencial a todos os professores e experiências que servem para melhorar sua educação astrológica, filosófica e espiritual. Ao encontrar uma correlação entre seu mapa e qualquer experiência, ele aprecia a experiência, seja dolorosa ou difícil, pois serviu para expandir seu conhecimento e compreensão. Ele lamenta e se ressente da ausência de experiências; a adaptação saudável de sua mente – dedicada à recepção da Verdade – permite que não ocorra a retenção mórbida de interpretações negativas da experiência senão comprazer-se em toda oportunidade para a expansão da compreensão e percepção. Ele busca sempre evitar atitudes e pontos de vista equivocados e assim recusa a reter em sua consciência aquela qualidade de ação mental que alimenta o preconceito ou a falsa aprovação. Ele busca considerar suas próprias experiências com equanimidade espiritual de modo a poder representar com maior perfeição a equanimidade da verdadeira iluminação para aqueles que auxilia.
                Como cientista, Astrofilo é o primeiro de todos os matemáticos e geômetras. Os aspectos técnicos de seu trabalho requerem uma compreensão fluente de todos os princípios aritméticos e de certos princípios revelados através da geometria. Como a álgebra é a exposição matemática da Lei universal de Correspondência, o conhecimento desse ramo da ciência capacita Astrofilo a avaliar e tabular toda e qualquer equação vibratória a ser encontrada em um dado mapa, ou que forme os “padrões de ligação” entre dois ou mais mapas. Em seu treinamento, nos primórdios da Atlântida, Caldeia e Egito, Astrofilo aprendeu que a acurácia no cálculo e compreensão matemáticos não só permitiu a percepção de um modo da Verdade, mas que a aceitação das disciplinas mentais envolvidas no treinamento exteriorizaram a sinceridade de sua busca da verdade. A acurácia é verdade exteriorizada; e devido à tremenda complexidade das “coisas” estudadas na Senda Astrológica, a boa vontade para disciplinar o corpo mental de modo a obter os resultados corretos na empreitada matemática é um fator importante na dedicação do astrólogo em seu serviço. Sempre que possível, Astrofilo busca determinar a acurácia de todos os dados; ele trabalha com aquele dado de tal modo que a acurácia máxima possa ser alcançada. Em seu trabalho de ensino, Astrofilo encoraja seus estudantes de todas as formas a apreciarem o valor do treinamento matemático; ele sabe por experiência própria que a Humanidade deve muito à Matemática pelo que ela proporciona em termos de disciplina, harmonização e focalização dos veículos mentais e dos poderes da consciência. Para ser bem sucedido nas empreitadas matemáticas, não se pode satisfazer com nada menos que os resultados corretos (confiáveis)!
                É interessante – e significante – notar que muitas formas de exploração visual são feitas através de uma estrutura circular. Nossos dois olhos são focados de forma que tudo o que vemos se dá a partir de uma “janela circular”; o astrônomo observa através de um mecanismo circular para estudar e explorar uma porção do sistema solar, uma galáxia ou alguma outra divisão do universo fenomênico exterior à terra; o químico e o biólogo examinam através de um microscópio circular para estudar a “pequenez” dos fenômenos materiais. Em seu trabalho como estudante da consciência humana, Astrofilo também centra sua atenção em um diagrama circular formado por certo arranjo do cinturão zodiacal que contém um corpo especializado de símbolos dispostos de acordo com princípios matemáticos acurados que traduzem uma revelação de leis espirituais. Astrofilo é um especialista no sentido que seu objetivo primário é servir à promoção da iluminação humana, mas os princípios inerentes em seu estudo especializado são tão relevantes quanto todas as formas de exploração feitas por outros cientistas.
                Dentro do escopo do conhecimento, Astrofilo está em conformidade com todos seus irmãos-cientistas; as essências de seu estudo e exploração são representadas de alguma forma ou grau em todas as outras áreas de estudos pelas quais a natureza do universo é revelada e compreendida. Na medida em que a natureza do universo é compreendida a realização da unidade com o universo se mostra. Astrofilo deve usar os poderes de análise do mesmo modo que um químico o faz, mas em acréscimo deve também sintetizar, pois seu propósito não é ensinar a “separatividade entre homem e universo” senão revelar a unidade dos humanos entre si, com todas as criaturas e com a fonte divina. O fator analítico em seu estudo concerne ao humano enquanto aspecto individualizado da consciência, com necessidades cármicas de experiência e “tendências pessoais” particulares. O fator de síntese é atualmente um processo da Mente Superior pelo qual Astrofilo pode auxiliar a pessoa experienciar uma expansão em sua percepção da unidade em si mesma através do desenvolvimento da autonomia espiritual e da percepção da unidade com outros humanos através da afinidade do destino comum e do propósito evolucionário.
                Além de cientista, místico e sacerdote, Astrofilo é também um artista interpretativo. Ele busca encontrar, através do estudo das indicações do horóscopo, aqueles modos e técnicas pelos quais a pessoa envolvida pode através da regeneração da consciência se tornar conscientemente mais e mais sensível às belezas de sua própria consciência espiritual. Todo princípio usado na representação astrológica tem sua contraparte em uma – ou todas – as belas artes. Em uma análise global dos fatores astrológicos, encontramos design, ritmo, cor (por implicação), estrutura, massa (por implicação), espectro e todo aspecto concebível da beleza que possa ser realizada ou exteriorizada pelos seres humanos. Durante os muitos anos e vidas de sua experiência, Astrofilo apreciou o contato com artistas e intérpretes de todos os tipos. Sua afinidade espiritual com essas pessoas se baseou no fator inspiracional inerente a toda expressão artística e serviço de iluminação. “Iluminar” pode ser pensado como um processo pelo qual “luz é lançada sobre a consciência” ou “a presença da luz na consciência é revelada”. Qualquer humano, por qualquer meio, que serve para revelar a harmonia a outras pessoas é um inspirador; harmonia é a revelação do equilíbrio através de todas as partes de uma coisa e constitui o reatar consciente do equilíbrio que caracteriza nosso propósito evolutivo. Foi daquele estado que fomos projetados, enquanto individualizações, no início de nossa experiência como humanos. Toda apreciação da Beleza é um vislumbre do “céu em nossa consciência”, e através de seu conhecimento alquímico Astrofilo é capaz de auxiliar as pessoas a compreenderem como elas podem efetivar a regeneração consciente de seus poderes interiores e, portanto florescer mais amplas e puras percepções da beleza de suas naturezas divinas.
                Após muitas vidas devotadas à prática de verdades realizadas e de acordo com altos padrões éticos, Astrofilo encontrou um estranho e maravilhoso despertar de sua própria consciência. Este dizia respeito à cognição que “os planetas” que ele estudou por tanto tempo nos horóscopos eram modos pelos quais o divino se revelava através da consciência humana. Como resultado, Astrofilo percebeu estar se tornando cada vez mais consciente da presença de Deus em todos os aspectos planetários – cada aspecto sendo assim percebido como sendo uma indicação não de “mal ou bem absolutos”, mas em algum grau daquele ponto de vista espiritual. Os aspectos até então considerados “maus” foram então percebidos serem, na verdade, figuras simbólicas dos métodos experimentais pelos quais o humano deve em última instância realizar sua própria natureza divina. Toda quadratura e oposição registram condicionamentos carmicamente programados e qualificados a partir dos quais, através da experiência encarnatória, o humano será confrontado com os resultados de seus pensamentos e ações passados; ao experienciar estes resultados ele aprenderá em maior grau aqueles modelos de pensamento e ações que facilitarão ao invés de obstruir o desdobramento evolucionário assim como a realização dos mais altos ideais espirituais.
                Leitor, estas coisas ditas aqui sobre “Astrofilo” estão realmente sendo ditas sobre você – agora um estudante de astrologia, talvez um praticante – em quem em algum ponto do Caminho pode florescer os poderes do veículo mental perfeitamente treinado, o poder alado da intuição e o poder claro diamantino da claricognição através de sua aplicação contínua e devota ao estudo da astrologia. Que o Espírito interior o proveja da força da paciência, o entusiasmo da alegria inspiracional e a benção da sempre em expansão apreciação de seus parceiros humanos, através do estudo perseverante da busca da verdade nos horóscopos enquanto necessidade. A vida provê toda oportunidade para o preenchimento da Senda Astrológica.

sábado, 11 de julho de 2015

CAPÍTULO XLII – ASTRO-FILOSOFIA DISCUTE A EXPERIÊNCIA HOSPITALAR



            Nós humanos, tendemos a identificar as coisas em termos dos sentimentos experienciados no contato com elas. "Dor, sofrimento, dificuldade e tristeza" são as associações que tendemos a fazer quando vem à nossa atenção a ideia de "hospital". Com tais associações na mente e sentimento, enfatizadas com o passar dos anos, não surpreende que ansiedade, medo e terror aflorem em nós quando a experiência hospitalar se torna iminente. Reconhecemos e admitimos, de evidência de nossas condições, que precisamos de ajuda; nós desesperadamente queremos nos libertar da desarmonia e desconforto da doença e da lesão; mas, em nossa limitada compreensão da "verdade hospitalar", tendemos a intensificar nossas dificuldades. Nos tornamos tão preocupados com a dor e medo que anestesiamos nossa consciência de saúde e nossa fé na disponibilidade de poderes de cura. É verdade que as pessoas podem se libertar das desarmonias físicas, emocionais e mentais por uma ação interior, uma mudança na consciência de congestão em desarmonia para realização de saúde. Estas pessoas dão a prova viva que sarar é interior. A primordial e instintiva vontade de viver é a fonte básica do sarar, mesmo para aquelas pessoas que não estejam cientes de uma fé consciente na recuperação. Entretanto, a intensificação consciente da percepção da saúde e do sanar não apenas acelera a correção da condição particular mas ainda reestabelece a saúde em todos os planos de funcionamento. Todas essas formas de serviço que podem ser chamadas "caminhos do sanar" são na verdade meios pelos quais os humanos assistem uns aos outros para diminuir o medo e a desesperança e para intensificar seu reconhecimento da natureza do bem estar. Peixes, o signo da décima segunda casa da Grande Mandala, é a chave.
            Há duas mandalas astrológicas, extratos da Grande Mandala Astrológica (a roda com doze casas, Áries como signo Ascendente, trinta graus para cada signo zodiacal correspondendo a cada casa), que pode ser estudada em consideração do porquê os humanos passarem por experiências hospitalares. A primeira descreve as causas evolucionárias. Isto é representado ao indicarmos os símbolos dos signos mutáveis nas cúspides das casas nove, seis, três e doze, com o símbolo de Sagitário na nona cúspide desenhado maior que os outros três e todas as quatro cúspides conectadas por uma sequência de linhas retas e os dois diâmetros intersetores. Este desenho resulta no quadrado mutável e suas linhas de força internas complementares. O desenho do quadrado deve começar na cúspide de Sagitário pois esse signo é "o signo de fogo representante" da cruz mutável; como tal, ele simboliza a apercepção da verdade. O quarto signo em sequência horária de Sagitário é Peixes, representando o elemento água e o sujeito deste discurso. Uma representação mais condensada desta sequência será vista em uma linha vertical dos quatro signos mutáveis com Sagitário na base, Virgem a seguir, Gêmeos a seguir e Peixes no topo; uma linha vertical ao lado, com a cabeça da seta no topo próximo a Peixes mostrará como (pois isto é uma "mandala quadrada") "descuidos em Sagitário levam a condições negativas em Peixes"; em outras palavras, a falta de percepção da verdade leva à condição cármica da décima segunda casa, Peixes. Em termos da "interpretação dos aspectos quadratura e oposição", esta mandala revela que hospitais são lugares de limitação, constrição e enterro apenas para a consciência que recusa as oportunidades de reconhecer a verdade; as condições que tornam a hospitalização necessária são sempre os resultados da expressão de inverdades no passado. Mas, Verdade é um atributo do Ser eterno; ela está sempre acessível, sempre a serviço e onipotente a ajudar. Portanto, a necessidade cármica que denominamos "experiência hospitalar" pode ser vista como uma oportunidade de perceber a verdade de ser na maior intensidade possível.
            Se nesta mandala do quadrado mutável Sagitário representa descuidos passados no conhecimento e expressão da Verdade, então Peixes - no topo da sequência - representa a manifestação daquele descuido em termos da necessidade de expiação. Nós expiamos por meio do processo de refocalização da consciência e a externalização desta refocalização é a experiência de retardamento ao sermos encarcerados no hospital. O hospital é um local de limitação, encarceramento, tristeza, dor e problemas apenas para a pessoa que se recusa a expandir a consciência de si mesma em relação à sua experiência. Para uma pessoa que verdadeiramente busca a verdade, o hospital é um local de oportunidade para renovar. A experiência dolorosa focaliza o grande questionamento interior do "Por que?" Quando o "por que?" da pessoa é sincero, a Verdade sempre e inevitavelmente recarrega sua consciência e esclarece o significado da experiência. Auto piedade, preocupações absurdas e amargura mantêm a pessoa alinhada ao "quadrado mutável" - e todas as suas implicações. O desejo sincero de vivenciar a saúde inspira a pessoa em sofrimento a buscar a verdadeira compreensão das causas de sua condição.
            A experiência hospitalar de uma pessoa também provê de oportunidade similar cada um de seus próximos queridos, aos quais é dada a oportunidade de se expandir e impessoalizar em relação aos planos emocional e mental. Ao sentirmos pena de forma impensada enfatizamos os elementos dolorosos da experiência de nosso próximo amado, pois focalizamos nossa atenção no aspecto doloroso exterior e não no significado verdadeiro da experiência como indicativa da oportunidade para o crescimento, harmonização e realização. Sagitário, como a "raiz" dessa representação do quadrado mutável, sentencia que há uma compreensão de princípios a ser percebida na experiência; quando se resiste e se ressente à oportunidade, o encarceramento na dificuldade se intensifica; quando ela é aceita, aliada à dissolução da auto piedade e auto justificação, o fluxo da Verdade esclarece a consciência além de fortalecer a fé e aprofundar a capacidade de simpatia pura. Então a pessoa compreende de forma mais clara e verdadeira as dificuldades dos próximos, e os poderes de auxiliar corretamente são expandidos e reforçados.
            O caminho da evolução humana pode ser atravessado de duas "formas" principais. Uma é o modo do misticismo; este é o "Caminho do Coração" da simpatia, inspiração, instrumentação, devoção impessoal, oração e dedicação. Ele é basicamente simbolizado por Peixes regido por Netuno e signo de exaltação de Vênus. O outro é o modo do ocultismo, o poder radiante e o Caminho da Mente. Ele identifica o caminho dos cientistas, inventores, artistas criativos, mágicos e alquimistas. Todos humanos que servem através de atividades de cura se inclinam a um destes modos, mas ambos os modos são essenciais para a identificação de um Curador Mestre.
            O caminho místico da atividade de cura é bem ilustrado por pessoas como Bernardette Soubirous, através de quem a instrumentação inspirada da Gruta de Lourdes se estabeleceu; O Padre Flanagan, que estabeleceu a Cidade dos garotos, e todas as pessoas que rezam pela cura da humanidade também ilustram o modo místico. Cientistas pesquisadores, inventores, administradores, cirurgiões e dentistas ilustram o modo ocultista. Florence Nightingale, exemplo primário do modo ocultista, foi um exemplo maravilhoso da combinação de ambos os modos.
            No tipo de curador que mais proximamente se associa à correção da doença do paciente se encontrará uma pista importante como causa cármica da doença. O curador surge como representação personalizada da expansão de consciência que o paciente precisa fazer - verdadeiramente para corrigir a causa de sua doença. A habilidade de um cirurgião (ocultista) pode corrigir o aspecto externo da condição, mas a suavidade devotada e amorosa da enfermeira (mística) pode ser o poder que mais plenamente inspire o paciente a renovar sua consciência sobre a verdade da saúde; uma enfermeira descuidada, indiferente e sem simpatia pode desencorajar o paciente e aumentar sua preocupação quanto ao seu problema. Seu cirurgião, entretanto, pode inspirá-lo pelo seu comando de conhecimento e habilidade, e esta forma de inspiração pode estimular no paciente um desejo mais profundo que nunca de saber a verdade de sua condição. É sinceramente sentido pelo autor que o curador como ocultista é basicamente simbolizado por Netuno sendo exaltado em Leão, o signo do Sol e símbolo arquetípico do poder.
            A segunda mandala da experiência hospitalar é a mandala do trígono de água: um triângulo equilátero formado por uma linha reta conectando as cúspides das casas doze, oito e quatro com os símbolos de Peixes, Câncer e Escorpião apropriadamente colocados; o símbolo de Peixes desenhado maior que os símbolos dos outros dois signos e o símbolo de Netuno colocado na casa doze. Prepare três dessa. Na primeira, indique o diâmetro Peixes-Virgem; na segunda indique o diâmetro Escorpião-Touro; na terceira indique o diâmetro Câncer-Capricórnio. Estas mandalas ilustram a plenitude do significado de cada um do signos de água em relação à experiência de hospital pela aplicação do Princípio da Polaridade. Os símbolos para os três signos de água arrumados em uma vertical com Peixes no topo, Escorpião segundo e Câncer na base claramente representarão a sequência apropriada para esta discussão.
            Primeira mandala - Peixes-Virgem: Este é o diâmetro da consciência da saúde, cuja depleção torna a terapia ou o hospital - experiências necessárias. Virgem é saúde enquanto potência básica que torna a atividade de serviço possível; Peixes é a redenção necessária daquela potência. A pessoa cuja consciência de sua potência física ou habilidade é menor que sua plenitude natural não pode expressar a plenitude de sua atividade de serviço, mesmo que ela faça esforços heroicos a despeito de sua limitação. Aqueles esforços feitos enquanto expressão de sua vontade são, contudo redenção a partir de dentro, mas se a terapia puder servir como expansão ou desdobramento de habilidades, então a pessoa "pediu pela ajuda de Peixes" - ela adentra o hospital, "cessa" sua atividade prévia por um momento, aceita a limitação em suas atividades e ao mesmo tempo aceita a oportunidade de mais plenamente melhorar sua condição física e sua capacidade para o serviço. O edifício hospitalar que ela entra para ajuda e regeneração é a exteriorização dos poderes da graça divina obscurecidos. Pense sobre isso.
            Ninguém é imune à Lei de Causa e Efeito, mas apesar de todo indivíduo dever encarar e resolver seus resíduos cármicos, os poderes da Graça Divina, inerentes em toda atividade humana, auxiliam na resolução das dificuldades. A presença da Graça Divina no coração humano se evidencia em cada hospital, desde as pequenas tendas em campos de combate às gigantes e complexas instituições das cidades metropolitanas; todos hospitais, do menor ao maior, são continuamente cobertos e recarregados pelas atividades de cura a partir de dimensões mais elevadas. Os mais inspirados e dedicados de nossos curadores são aqueles que são consciente ou inconscientemente mais sensíveis aos estímulos diretivos dessa Assistência Superior. Os humanos que veem apenas na superfície das coisas, interpretam hospitais como lugares de dor, sofrimento e escuridão. O oposto exato é verdadeiro: Hospitais são focalizações dos poderes curativos da luz e do amor. Quando a humanidade em sofrimento percebe isso, toda atitude em relação à sua necessária experiência hospitalar passa por uma drástica e luminosa mudança. Fé, gratidão, esperança e encorajamento neutralizam os efeitos constritivos da dor, e ambos consciência e corpo se expandem para um ajuste mais eficiente aos tratamentos sanadores. O poder da Graça Divina transforma o hospital de local onde se encontra um carma de dor, tristeza e limitação em outro onde a redenção e a compensação possam ser experimentados.
            Se a primeira mandala, encabeçada por Peixes, é o “que e onde” da experiência hospitalar, então o diâmetro Escorpião-Touro indica os meios pelos quais o serviço hospitalar é realizado e cumprido. Esotericamente, Escorpião-Touro é o diâmetro da administração, o princípio espiritual que se destila a partir da consciência humana através das experiências de “custódia e direitos”. Aquilo que é “agenciado” no serviço e experiência hospitalar é poder regenerativo. Ele se origina em dimensões elevadas e invisíveis, sendo direcionado pelos Servidores Invisíveis e canalizado em cada instituição de cura pelos servidores humanos aos necessitados. Os Servidores Invisíveis trabalham dedicadamente por longos períodos de tempo para direcionar a focalização de poder para as necessidades humanas e o signo de Escorpião simboliza muito claramente a consciência dedicada e habilidades disciplinadas de todos os verdadeiros curadores humanos.
            Florence Nightingale, cujo trabalho infatigável se estendeu por noventa anos é um exemplo humano maravilhoso de serviços persistentes dos Curadores Invisíveis. Curadores se disciplinam para a qualificação, mas nenhum deles “possui” o poder curador – em sua administração de seu equipamento pessoal ele age como um “agente” daquilo que é projetado a partir de Fontes Invisíveis para o uso neste plano. Toda liberação de poder é subsequente é subsequente à focalização do Poder; o curador que de modo equilibrado e harmonioso conserva seus recursos pessoais é aquele que pode mais efetivamente liberar o poder que flui através dele aos seus pacientes; esses recursos se referem aos aspectos físico, emocional, mental e espiritual de seu ser. Portanto, Escorpião-Touro se refere ao material de poder que torna a cura regenerativa possível através da focalização e liberação; se refere ao Princípio da Administração que opera através da consciência dos curadores visíveis e invisíveis; se refere à Fonte onipresente de poder, a providência do Deus Pai-Mãe para a preservação e regeneração das formas em evolução e microcosmos. Aquele que serve como “curador”, em serviço dedicado, “dá as mãos” aos Líderes Invisíveis e serve como seu instrumento encarnado “terreno”.
            A terceira representação dessa mandala, enfatizada por Câncer, polarizada por Capricórnio, ilustra “aquilo” que inspira ou estimula o humano a palmilhar o Caminho do Serviço de Cura. É o poder parental da pura simpatia. Foi dito uma vez que “o primeiro hospital foi construído quando um humano rezou de forma desapegada e na plenitude da fé para a cura de outro colega humano”. Aquela forma de oração quando externada no plano físico é a construção hospitalar que engloba, assim como o útero envolve o embrião em crescimento, a emergência expansiva da consciência de saúde. Câncer, o símbolo materno, ilustra as qualidades de simpatia, suavidade, clemência e compaixão que inspira os humanos a auxiliar na cura de outros; Capricórnio é o símbolo paterno e ilustra a providência da forma material organizada para a proteção e inclusão das atividades de cura, correspondendo à casa material que o pai provê para a proteção de seus filhos. “Embrião no útero” e “paciente no hospital” correspondem-se mutuamente no sentido que cada um tem a oportunidade de renovar desdobramentos em suas consciências de vida a partir da experiência.
            A relação entre administradores hospitalares e servidores aos pacientes tem muitos pontos de similaridade com a relação dos pais com seus filhos. Todos os terapeutas são “pais” para a renovação da consciência de Vida de seus pacientes através de suas atividades em melhorias na saúde e a melhoria na saúde é sempre uma forma de libertação. Aquele que busca a libertação das causas das desarmonias físicas deve renovar, regenerar e revitalizar sua consciência; aquele que busca verdadeiramente servir a senda da cura deve acrescentar isso ao seu conhecimento estratégico e técnica aprendendo sobre a importância de auxiliar outros a regenerar suas consciências. Curar é algo espiritual; aqueles que curam mais verdadeiramente são aqueles que servem para revelar a onipotência, onipresença e onisciência do Espírito Interior. A oração é a “técnica” para esta revelação; oração e conhecimento estratégico unificam os poderes místico-ocultistas no curador. Simpatia, humildade, dedicação às verdades factuais e espirituais, disciplina pessoal equilibrada e fé tornam possível a qualquer curador “aterrar” as forças regenerativas dos reinos superiores para uso no hospital onde ele ou ela servem.
            Em conclusão, estas três representações da mandala do trígono de água podem ser usadas para estudar a experiência da prisão. Em sua essência natural e propósito, prisões são hospitais. Em ambos, os resíduos cármicos devem ser confrontados e resolvidos; o mesmo Poder e Função serve a ambos; o objetivo primário de ambas as formas de serviço é: reparação, e “reparação” significa consciência aumentada de sintonia, a unificação harmoniosa do corpo, emoção, mente e alma com o Espírito.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

CAPÍTULO XLI – LUZ COMO PROSPERIDADE




            A palavra “afluência” é derivada de duas palavras Latinas: “a” significa “para” ou “em direção”, e “fluere” significando “fluir”. Nós comumente a utilizamos para nos referir a condições caracterizadas por abundância, prosperidade, plenitude de suprimento e riqueza, mas uma consideração da derivação da palavra nos dá uma pista para seu significado esotérico. Ela não é basicamente uma descrição de condições senão uma qualidade de consciência pela qual a abundância é percebida e manifesta. Em outras palavras, a consciência humana – a “luz pela qual o humano percebe a Luz” – contém um potencial de funcionar “afluentemente” de forma que, correspondentemente, condições de abundância possam fluir em direção a e interiormente aos ambientes e afazeres humanos. Como o desejo de vivenciar a saúde é uma das muitas conquistas humanas para perceber a Luz, assim é o desejo de vivenciar afluência; é importante considerar como um ser humano pode gerar o tipo de consciência que torna a abundância evidente em sua vida.
            Se a consciência de “fome” é indicativa de uma necessidade profundamente sentida, então a “pobreza” é uma combinação daquela necessidade com uma convicção de que a necessidade pode não, não será ou deverá não ser satisfeita. A pobreza é o oposto da afluência – ela representa uma condição “limite” da consciência que se exterioriza pela deficiência ou falta relativa de coisas essenciais ou desejadas. Não nos sentimos “pobres” por não ter algo ao que nos sentimos indiferentes; “sentir-se pobre” é sentir-se privado daquilo pelo que temos um forte sentimento de desejo ou necessidade. O complexo de pobreza é uma forma de padrão mental, de qualidade congesta, pelo qual um humano se priva de realizações de afluência; esta privação é uma convicção de deficiência que caracteriza seu viver geral ou se manifesta em algum fator específico ou área de sua vida. O complexo de pobreza é sempre um retorno cármico de mau uso ou abuso dos meios e oportunidades em vidas passadas. Ele é essencialmente construído sobre o medo residual ou culpa trazida – como reação no subconsciente – de ações passadas caracterizadas pelo desperdício, destrutividade, desonestidade ou desonra. Pelo desperdício minamos nossa consciência de uso correto; pela destrutividade ativamos um poder de repulsão no subconsciente que “nega” nosso desejo de atrair aquilo que agora queremos ou requeremos; pela desonestidade ou desonra nós privamos outros daquilo que é deles por direito e o resíduo subconsciente, que se apresenta como complexo de pobreza, é a enervante “sem vida” essência do medo e culpa. Tenha curta ou longa duração, o “sentimento de pobreza” é sempre um indicativo, entregue à mente consciente a partir da reação do subconsciente, de que uma drástica revisão da consciência se faz necessária. Aquela revisão deve ser estabelecida na mente subconsciente antes que as condições melhoradas apareçam nos assuntos exteriores. Em outras palavras, o sentimento da pessoa sobre a vida e ela mesma deve ser mudado por um processo de “abertura” de forma que ela, por expressão de sua consciência, possa “fluir mais livremente na vida” e consequentemente as manifestações da abundância da vida possam “fluir mais livremente em seus assuntos pessoais”. A água é talvez o símbolo mais perfeito do princípio da afluência da vida; lembre que ela deve ser liberada a partir de seu estado de suspensão enquanto nuvem, neve e gelo antes que possa fluir doadora de vida como rios. É o poder do calor que libera o potencial da água de seu estado estático enquanto gelo e neve; correspondentemente, alguma forma de calor espiritual deve ser estabelecida na subconsciência humana como meio de revitalizar sua aparência em si e em suas condições. Como esta conquista renovadora é feita? Consideremos o que a Grande Mandala Astrológica (o círculo com doze casas circundado pelo cinturão zodiacal com Áries no Ascendente) tem a nos dizer:
            Olhe primeiro para os dois signos que focalizam os dois braços do diâmetro vertical: Câncer, água cardinal, está na extremidade inferior; Capricórnio, terra cardinal, está na extremidade superior; o eixo vertical total é a linha de geração ou parental. A Lua, regente de Câncer, é o símbolo arquetípico da mãe; Saturno, regente de Capricórnio, é o símbolo arquetípico do pai. Esotericamente, estes dois signos e a linha que eles formam como “emanação” a partir do centro do mapa, se referem ao atributo gerador do ser humano quanto a seu próprio destino pela maneira que ele exercita sua consciência, de encarnação a encarnação. O humano qualifica a linha evolucionária de sua existência pelo que ele estabelece em sua mente subconsciente (Câncer) e pelas formas que ele exterioriza o estabelecido (Capricórnio). Pela sua participação no poder criativo do pensamento, cada humano é a mãe e o pai da qualidade de sua própria linha evolucionária. Pelos seus poderes de reação no sentimento, ele se apercebe do que ele estabeleceu em sua mente subconsciente; por seus poderes de expressão (pensamento, palavra e atos) ele corporifica aquilo que estabeleceu em seu território subconsciente. A “convicção de pobreza” é uma “escuridão no subconsciente” – significa que a pessoa, no passado, identificou-se com a escassez por algum tipo de ação representante do mau uso ou abuso de oportunidades e meios. Em suma, por suas falhas nessas questões, ele “alberga” a condição presente ou situação por ele “identificada como pobreza”. A pobreza não é uma realidade da vida, senão uma interpretação individual de condições baseadas em reação cármica. Pense por um instante: A vida é “pobreza-penúria”? Nosso planeta é “pobreza-penúria”? Todo ser humano tem o mesmo tipo de complexo de pobreza que outro ser humano? Todos têm que sofrer do complexo de pobreza eternamente? A resposta a todas essas questões é não. Consideremos uma pista astrológica esotérica muito importante e interessante para os meios pelos quais o complexo de pobreza pode ser descristalizado de modo que as energias bloqueadas possam ser liberadas afluentemente.
            A pista é encontrada nas exaltações planetárias – poderes anímicos de percepção espiritual, destilados a partir da regeneração consciente em vidas passadas – assim como se apresentam na Grande Mandala Astrológica: Júpiter, regente de Sagitário, exaltado em Câncer; Lua, regente de Câncer, exaltada em Touro; Vênus o princípio do Equilíbrio – através da troca, rege Touro e Libra; Saturno, regente de Capricórnio, exaltado em Libra; Marte, regente de Áries, exaltado em Capricórnio. Primeiro Júpiter exaltado em Câncer, como apreciação do poder de “doação”:
            Se desejarmos superar um complexo de pobreza, temos que expressar nossa sinceridade naquele ponto fazendo algo de natureza afluente para manifestar a condição desejada em termos de experiência humana. Aquela forma de expressão é o que chamamos “dar”. A sentença “é mais abençoado dar que receber” é muito mais que “provérbio antigo”. Ela contém uma diretiva metafísica profunda e oculta: o ato de dar é uma benção para a mente subconsciente de quem dá. Se você estiver convencido, em seu subconsciente congesto que um estado desejado ou requerido “não é para você”, mas você faz algo para tornar possível a outra pessoa realizá-lo, você toma o primeiro e mais importante passo em descristalizar seu próprio complexo de pobreza. Caso seu complexo de pobreza fosse “total”, você nem pensaria em tentar fazer aquilo evidente para outra pessoa. O fato de você dar daquela coisa imprime na mente subconsciente que você está ciente da disponibilidade da coisa. Com aquela ação, realizada em sincera atitude de auxílio, você começa liberar as energias subconscientes, pois dar é afluência em ação. Você se abre então às possibilidades de reconhecer a coisa desejada ou necessária em suas próprias relações e ambiente. Consequentemente, o resultado é que você criou mais luz em sua mente subconsciente e aquela criação a partir de então se torna um imã que passa a atrair coisas consistentes com seus desejos ou necessidades. Com o sentimento de iluminação, resultante da “liberação” decorrente de sua ação de doar e da maior consciência de doação, a exaltação de Marte em Capricórnio o torna mais consciente do que você deve fazer, como disciplina pessoal e desenvolvimento, de modo a tornar aquele empreendimento alcançado uma “associação permanente” de sua consciência anímica. Em outras palavras a nova abertura o leva a um espaço novo de aventura espiritual, cujo objetivo é a organização integral, para uso permanente, do novo atributo espiritual. Um ato de doação e auxílio sincero inicia o processo de afluência; mas Marte exaltado – esforço construtivo persistente – deve ser usado de modo a dissolver completamente o complexo de pobreza presente há muitos anos e que a energia relacionada ao mesmo seja completamente traduzida em consciência de Luz. Isso significa que mais auto-honestidade precisa ser alcançada; coragem e autoconfiança precisam ser desenvolvidas; mais esforço metódico e consistente precisa ser usado nas condições e atividades presentes; todas as tendências e inclinações a segurar outros – mentalmente, emocionalmente ou fisicamente – em qualquer tipo de ligação excessiva precisará ser abandonado. Lembre-se, você quer liberdade de seu complexo de pobreza, portanto deve dar aos outros a dádiva da liberdade; para fazer isso você terá que deixar certos tipos de medo, mas a intrepidez é em si um atributo de afluência. Como poderia a água fluir se houvesse medo de se mover, e se houvesse medo de derreter no gelo e neve? Temos que ser entusiásticos em derreter e dissolver as congestões secretas quando buscamos a consciência – e evidências – da afluência. Os poderes da Verdade, Coragem, Fé, Amor, Alegria e Liberdade são as “qualidades termais” pelas quais o espírito derrete as constrições paralisantes estabelecidas pelo “ego pessoal” em sua expressão de interpretações degeneradas.
            Se a abundância financeira é seu símbolo de afluência desejado ou requisitado, então os dois pontos que estão exaltados nos signos de Vênus nos dá algumas pistas. A pessoa que exercita o cuidado das questões materiais de forma caótica e desorganizada - não importa quanto dinheiro tenha - está operando longe da afluência, pois este tipo de funcionamento é evidência concreta de fraquezas no trabalho. A exaltação da Lua em Touro - o signo da segunda casa - pode ser dita como portadora da palavra chave: Eu estabeleço afluência pelo cuidado correto - agora. Em casa, em estabelecimentos de negócios, em atividades profissionais ou assuntos comerciais, os humanos não podem ser desorganizados em seus padrões de trocas financeiras e esperar continuar registrando afluência. Nós impomos fardos aos outros se perpetuarmos desordens em questões pessoais e cedo ou tarde teremos que corrigir o desequilíbrio. O signo de Touro é polarizado pelo signo fixo de água Escorpião que se refere à consciência sexual. É fato estabelecido, por investigação psicológica e metafísica, que a consciência do dinheiro tem como contraparte a consciência sexual. Ambas são aspectos do desejo por manutenção e perpetuação. Assim, congestões nas atitudes em relação ao dinheiro e ou sexo, têm efeito retroativo em seu oposto. Nesses dias de "aceleração evolucionária" os humanos têm muitas chances de resolver muito carma de vidas passadas, sendo sexo e dinheiro os desejos responsáveis por muitas das expressões negativas de nossas vidas passadas.
            Considere isso à luz dos programas de forte taxação com os quais estamos lidando. Também à luz do que é revelado nesses dias em relação aos aspectos sexuais da natureza humana – as condições cármicas da consciência geradora que estão sendo reveladas em tantas formas complexas. Portanto, uma “consciência monetária sobrecarregada de pobreza” pode bem ter suas raízes em condições psicogenéticas de tipo constritivo e todas essas condições requerem maior afirmação da consciência de amor ou de boa vontade em relação a outros humanos. Saturno, regente de Capricórnio, está exaltado em Libra, a sétima casa da Grande Mandala. Esta é a insígnia, de forma astrológica simples, da Regra de Ouro – o cumprimento perfeito da experiência através da consciência harmonizada do relacionamento humano e a consciência de justiça espiritual que aquela forma de conquista inclui. Afluência é a providência da Vida para nosso sustento. Aquela “providência” está estabelecida para nosso uso, mas se qualquer coisa em nossa consciência busque privar outra daquilo que é seu correto cumprimento, então bloqueamos nosso reconhecimento da afluência da Vida; limitamos nossa expressão; e a pobreza se faz presente.
            O símbolo tradicional do Sol – o ponto circunscrito pelo círculo – pode ser tomado para esta consideração, como símbolo de todos os potencias de afluência, o símbolo da inteira providência da Vida. A partir do que ele representa, emanam todas as coisas necessárias para nossa evolução emanam – assim como tudo representado em um horóscopo “emana” a partir do ponto central. O Sol, como regente do signo de fogo Leão, pode ser visto como o símbolo da afluência da luz espiritual – todo Amor, todo Sabedoria, todo Verdade, todo Beleza, todo Ideação que os humanos possam realizar e, da mesma forma, todas as representações materiais que interpretemos a partir de uma consciência espiritualizada. O poder em todos os graus possíveis é representado pelo Sol, e assim, ele representa todos os graus possíveis de poder que o humano pode alcançar. Poder é – é parte de nossa “missão de vida” alcançar seu reconhecimento em nosso interior.
            Como a pobreza é uma ilusão criada pela consciência humana relativamente não evoluída, não é estritamente verdadeiro, do ponto de vista filosófico, que "Saturno seja o símbolo da pobreza". Tal interpretação é uma injustiça a Saturno. Saturno nos fala a partir de nossos medos e culpas, das áreas não preenchidas de nossa experiência; quando essas áreas são preenchidas, a segurança se estabelece na consciência e consequentemente surge aquela sensação interior de desimpedimento geradora da afluência. Também as quadraturas no mapa representam áreas de tensão interior que podem ser interpretadas como "potencial de pobreza". A regeneração alquímica pela expressão dos atributos espirituais dos pontos planetários envolvidos "derreterá o gelo" da congestão interior. A pessoa que sofre de sensação de "pobreza educacional" deve primeiro curar sua mente subconsciente recarregando-a com um forte desejo de aprender; o desejo de aprender é o desejo de experienciar afluência no plano mental, e essa forma de afluência só pode ser experienciada quando se permite abrir a mente. Tendências ao preconceito, dogmatismo, teimosia e tirania mental devem ser afrouxadas e a humildade de um verdadeiro aprendiz deve se estabelecer no subconsciente. Se um curso não estiver disponível, então o aprendiz sincero abrirá sua mente à percepção de outros canais de estudo e aprendizado: bibliotecas, livrarias, palestras públicas estão disponíveis em abundância hoje em dia. Se um aprendizado específico for desejado, então a pessoa deverá indicar seu desejo sincero sendo determinada em organizar sua vida e afazeres para a realização do objetivo. As pessoas podem aprender muito pelo método barato de se tornar mais perceptível ao mundo a seu redor.
            A pobreza de amor, amizade e companhia é, talvez, a mais trágica de todas as evidências de congestão cármica. As pessoas que sofrem dessas privações devem atentar ao fato de que amor e amizade são estados de consciência - estabelecê-los na consciência torna possível sua expressão afluente nos relacionamentos. Também é importante reconhecer que muitas pessoas que buscam profundamente por alegria nos relacionamentos e por ideais de companheirismo não são amistosas consigo mesmas, a despeito de quão devotadas possam ser aos outros. O respeito e a apreciação por si, enquanto expressão de Vida Divina, e os potenciais pessoais de revelar aquilo que é bom e belo, podem ter que ser estabelecidos em lugar da auto depreciação, sentimentos de inferioridade e afins. A falta de harmonia em tais padrões de relacionamento como aqueles com um dos pais ou parente fraterno podem ter que ser transformados expandindo a consciência do relacionamento de formas mais universais. Mas, sempre devemos lembrar que o desejo de verdadeiramente compreender os outros deve - e pode - destravar as áreas bloqueadas de qualquer relacionamento humano. Devemos ser afluentes em nossa boa vontade para com os outros se quisermos conquistar afluência em nossa experiência.