quarta-feira, 9 de setembro de 2015

CAPÍTULO XLIV – O PONTO, A LINHA E O CÍRCULO

            Por muito tempo uma das mais profundamente arraigadas convicções pessoais do autor é que a astrologia é a arte interpretativa suprema. “Suprema”, pois seus elementos estruturais e simbólicos compõem os elementos estruturais e simbólicos das outras artes. É a representação simbólica dos princípios cósmicos “expressos humanamente”; como tal, ela representa tudo o que a humanidade busca expressar em termos das belas artes. É o padrão das ações e reações e essas duas palavras juntas que constituem o que chamamos “experiência humana” que por sua vez é a “destilação da consciência espiritual”. Arte, em qualquer forma, serve para intensificar e vivificar a percepção do homem sobre si mesmo, outras pessoas e o mundo ao seu redor.
            A simplicidade fundamental do simbolismo astrológico tem alcance profundo sobre nossa consciência devido à sua qualidade arquetípica; posteriormente suas mensagens – através dos planetas, signos, casas e aspectos – nos alcançam continuamente como se nós descobríssemos nossos recursos de sabedoria e percepção. Todos os artistas considerados grandes o são devido a algum alto desenvolvimento incomum em pelo menos algum ramo de sua arte particular; o grande astrólogo é aquele que efetivou a integração harmoniosa do intelecto com o amor e com a intuição. Ele é, pela natureza de seu talento, um intelecto e instrumento, um estimulador e um refletor, um pai e um irmão. Ele conhece a escuridão, mas sua percepção é centrada na Luz; ele serve para iluminar a consciência dos outros em relação a sua identidade real como expressões da Lei de Causa e Efeito, que é polaridade cósmica em ação através do arquétipo humano.
            Este discurso introdutório sobre “ponto, linha e círculo” tem o propósito de preparar mentalmente para a consideração das analogias entre as belas artes e a astrologia. Qualquer trabalho artístico é uma organização quimificada de elementos, abstratos e concretos, que serve para corporificar uma ideia arquetípica. A concepção da ideia é a ação da polaridade feminina do artista; ela representa seu funcionamento como focalizador dos poderes inspiracionais e como percebedor do arquétipo, por intuição. Pelo exercício do poder da vontade com estratégia técnica (a polaridade masculina), uma fusão vibratória ocorre de forma a tornar possível a gestação da corporificação – o arquétipo é condensado e objetivado através do meio artístico particular – a perfeição inerente ao arquétipo é relativamente manifesta em tom, cor, designs, movimento, gestos, palavras, etc. A fusão da intuição com a vontade é o exercício da bipolaridade – o artista é ao mesmo tempo “pai-mãe” de seu trabalho. Seres humanos não podem – criar tons, cores, designs, movimentos, gestos, etc. Temos, entretanto a faculdade de nos tornar sensíveis à existência e à natureza dos arquétipos, e nossos talentos nos permitem manifestar nossos conceitos de arquétipos, que são, e sempre tem sido residentes na Mente Divina. Como indivíduos, nós simplesmente damos expressões individualizadas a eles. Pense a esse respeito em conexão com aquelas obras de arte que você ama mais profundamente e que o inspiram mais intensamente. Elas sempre vivem em sua consciência e servem para simbolizar realidades internas a você. Sua resposta a elas é parte e parcela de seu corpo alma; suas essências viverão nele enquanto você existir. Elas são, em qualquer forma, sentenças vibratórias da verdade. A “criatividade” do manifestante artístico é a originalidade com a qual ele corporifica o arquétipo.
            Alguns poucos exemplos – para ilustrar a qualidade arquetípica da grande arte: A música de Johann Sebastian Bach; o canto de Marian Anderson; a arte da dança de Isadora Duncan, Vaslav Nijinsky e Mary Wigman; o atuar de Eleanora Duse e John Barrymore; os dramas de Shakespeare; a escultura de Rodin; as novelas de Pearl Buck; a arquitetura do antigo Egito; a poesia de Verlaine, etc.
            Sem o “ponto, linha e círculo” não pode haver representação astrológica. Sem compreender o significado arquetípico destes três não podemos compreender o significado arquetípico de uma obra de arte nem de um horóscopo. Na composição do “ponto, linha e círculo” como sequência, é visto o símbolo da emanação – macrocósmica e microcósmica, divina e humana. Você já ficou curioso em saber como fazer para criar um símbolo a partir de “nada”? É simples. Você se conforma ao significado da palavra e não faz nada. Você deixa o papel em branco. No instante que você indicar algo no papel, você terá dado corpo a "algo". O fator mais fascinante na simbologia é o estudo do ponto - pois o ponto é o início de toda representação. Você pode desenhar uma reta inteira de uma vez só? Não, você teve de começar com um ponto. Refutar com "mas eu posso usar uma estampa e desenhar a reta de uma vez só" é equívoco; a estampa (feita para desenhar uma linha) foi feita pelo mesmo processo.
            Pessoas - a maioria - são inclinadas a pensar que um zero (círculo) é o símbolo de "nada". O mero fato de zero ser uma "coisa desenhada" invalida automaticamente esta interpretação. ("Um e zero" - enquanto desenho - não é "um" mas "dez"). Consideremos a natureza de um "círculo-zero" do ponto de vista de como ele é essencialmente feito; a partir disso, talvez, possamos alcançar uma percepção mais clara do que ele essencialmente simboliza. (Note que na adição e na multiplicação, nossos resultados numéricos emanam para a esquerda - assim como a linha Ascendente "emana" a partir do centro da Grande Mandala para o tempo-espaço específico. O número mais distante à esquerda no resultado aritmético é análogo ao ponto ascendente).
            No instante que seu lápis toca o papel você estabelece o ponto. Por sequência de movimento no tempo-espaço você desenha a linha a partir daquele ponto. O ponto então é a fonte da linha enquanto representação. A polaridade é representada aqui: sua vontade e mente se impõem sobre as substâncias materiais do lápis e papel; o pensamento de desenhar a linha é sua ação subjetiva; o desenho é a ação objetiva que resulta na manifestação da linha. Dos dois instrumentos, o lápis é masculino, pois sua substância é qualificada para fazer a marca; o papel é feminino, pois sua natureza é “receber” a impressão da ponta do lápis e refletir a representação de sua ideia. Por correspondência, você é (nesta ação) Deus; o lápis e o papel são matéria e a linha é o resultado específico da ação de sua vontade sobre a substância material; por correspondência novamente – como Deus Pai-Mãe (Imaginação e Vontade criativas) utiliza o material universo para manifestar arquétipos – e aqueles arquétipos podem ser “humanidade”, “gato”, “carvalho”, “colibri” (humano, quadrúpede, vegetal ou pássaro). A ação da ponta do lápis no papel é análoga à ação da polaridade cósmica no e através do universo material, resultando em uma manifestação especializada.
            Assim como vocês, uma “emanação” do Deus Pai-Mãe, são fontes de suas expressões, o ponto que você desenhou é a fonte de todas as linhas, planos e (teoricamente) sólidos que podem emanar dele. Como tal, ele é o símbolo abstrato da infinita subjetividade; daquele ponto linhas podem ser desenhadas em espaço infinito e tempo infinito. Pois as “vidas” linhas é a evidência de que o ponto existe; pois estarmos sustentados em manifestação é evidência de que nossa fonte existe. A linha é então o efeito específico de uma causa específica; o desenho dela é um processo de quimificação; a medida dela é o exercício de sua vontade para manifestar em perfeição o arquétipo em sua mente. (Uma linha indefinida é a manifestação não atingida do arquétipo, uma linha medida é especificamente, definidamente qualificada como uma representação arquetípica). De fato o ponto é um “ponto preenchido”; abstratamente, e agora estamos lidando com abstrações, ele simboliza a composição pura de todas as dimensões. Dê à palavra “arquétipo” muita atenção e pensar – ela poderia ser objeto de estudo para toda uma vida, pois é uma das mais fascinantes e iluminadas palavras.
            O ponto agora é visto como sendo – enquanto símbolo abstrato – o arquétipo da fonte: Deus, causa, essência subjetiva, núcleo, semente, etc. A linha, correspondentemente, é a primeira emanação da fonte potencial, pois nenhuma outra linha foi, até o momento, desenhada a partir do ponto. Quando a linha é completa por medidas específicas, ela é plenamente “quimicalizada” e qualificada, pelos seus atributos de adequação a emanar planos e sólidos. Assim como a criança, “emanada” pelos seus pais, possui os atributos de tornar-se um pai em si quando amadurece; sua maturidade, de corpo e emoção, o qualifica para uma identidade específica – vida parental – conforme a medida da linha especificamente o qualifica.
            Aplicado ao sujeito deste discurso, o ponto é a ideia arquetípica do artista. O desenho da linha é a ação de manifestar o arquétipo. A linha medida, completa, é o trabalho terminado agora qualificado pelos seus atributos para ser visto, escutado e aproveitado – em resposta. Na Grande Mandala Astrológica, o centro é a Divindade inerente do arquétipo humanidade; a linha desenhada para a esquerda é o ascendente abstrato, Áries, o “Eu sou” de todos os seres humanos. No horóscopo do humano individual o ponto central é sua “chispa divina”, sua porção individualizada da divindade, a quimicalização da qual é a linha desenhada horizontalmente para a esquerda a partir do ponto; seu contato com a circunferência do círculo é seu nascimento físico – a objetivação de seu “Eu sou”. Como há apenas um raio em qualquer círculo, esta “linha ascendente” é a composição das quatro identidades humanas básicas: macho e/ou fêmea; complementação (e estes dois compreendem a identidade sexual); gêneros masculino e feminino (estes dois compreendem as identidades de serem Causadores e Efeitos das Causas ou Expressores e Reatores).
            A palavra “Arte” corresponde à palavra “Artista” assim como a palavra “Humanidade” corresponde à palavra composta “Homem-Mulher”. Há muitas formas de expressão artística assim como vários tipos de seres humanos. Arte, enquanto palavra arquetípica significa: a manifestação dos arquétipos através do tom, cor, substância, palavra, movimento e dos elementos abstratos do rimo e design. “Humanidade” significa: manifestação, neste planeta de uma ideia arquetípica do Deus Pai-Mãe; ela é expressa através das duas aparências sexuais macho e fêmea nas “dimensões evolucionárias” de não realização e de relativa realização dos potenciais Divinos. Agora, as emanações da linha – enquanto em si mesmo, uma “fonte”:
            Assim como o número arquetípico é “um”, há apenas um centro e um raio em todo horóscopo – assim, consequentemente, dois diâmetros. O artista possui – manifestamente e/ou interpretativamente – um dom artístico que é sua habilidade de perceber arquétipos e manifestá-los. Mas pode haver muitas formas pelas quais ele pode exercitar seu “Eu sou” artístico – seja por participação em diferentes formas de arte ou em diferentes fases de uma forma particular. Há em astrologia três expressões das quatro identidades básicas previamente mencionadas. Em cada uma dessas doze identidades, o humano expressa seus potenciais especializados; em cada uma dessas fases dos dons artísticos (os gêneros do qual, masculino e feminino, são manifestantes e intérpretes, respectivamente) ele expressa seus potenciais artísticos especializados; o dramaturgo expressa através de várias formas de arte dramática e a atriz aprende a interpretar vários tipos de papéis; o musicista lida ou pode lidar com diferentes instrumentos e formas musicais; o arquiteto e o escultor aprendem a adaptar diferentes substâncias para dar corpo às suas ideias. O artista preenche o "raio da roda" com cada demonstração satisfatória de seus dons manifestativos e/ou interpretativos; o indivíduo humano preenche "seu raio" quando se torna consciente dos princípios espirituais envolvidos em seus padrões de experiência e expressa aquela realização em sua vida diária. Como o "fim" de tudo isso é simbolizado? Consideremos a realização do ponto - o círculo:
            A beleza inefável de um círculo perfeito é o símbolo supremo da realização espiritual e do cumprimento perfeito dos potenciais da humanidade. Subsequente à realização e ao cumprimento potencial, vem a liberação perfeita, no tempo perfeito, a partir do encadeamento à forma. "Forma" pode significar um relacionamento especial, um padrão específico de experiência em uma oitava particular, um estado específico de manifestação ou um ciclo evolucionário específico. Para ilustrar:
            Desenhe em um papel a próxima forma geométrica mais simples - um triângulo equilátero. Os pontos médios dos lados são os três pontos mais próximos ao centro (da figura). Conforme você se move ao longo do triângulo a partir de qualquer um desses três pontos você se afasta do centro até que você chegue ao próximo ângulo. Faça o mesmo com o quadrado - os pontos médios de cada lado são os quatro pontos mais próximos ao centro e os pontos angulares os mais distantes. Todas as figuras com três ou mais lados e fechadas simbolizam cristais - elas representam estados estáticos. Há movimento ao redor delas, apesar da ritmicidade nas figuras equilaterais não ser constante em relação ao centro. Quanto a isso, o círculo difere das demais figuras fechadas. Trace um ponto em qualquer local da circunferência de um círculo perfeito e perceba que a distância entre o ponto e o centro se manteve a mesma o tempo todo. Assim, a "perfeição espiritual" do círculo e sua perfeição estética (um contínuo e perfeitamente controlado "fluxo" a partir de um dado ponto) representam o ideal da expressão rítmica e harmoniosa dos potenciais e suas realizações perfeitas em Amor-Sabedoria.
            Como o triângulo equilátero - o "Grande Trino" - é o próximo símbolo espiritual mais significativo (devido à "proximidade" de seus pontos médios ao centro), temos nele a figura da perfeição relativa do ser humano exercitando de tempos em tempos, os melhores e o mais elevado de seus atributos. Sendo humano, ele não fica naqueles pontos altos (aqueles próximos ao centro - e eles guardam analogia com os pontos médios do diâmetro horoscópico); ele tende a afastar-se de seu Centro em direção ao próximo ângulo - que simboliza uma nova identidade para posterior liberação de poderes de Amor-Sabedoria. Estude os quatro trinos genéricos, cada envolto em um círculo, com os pontos médios de seus lados conectados ao centro - para representar "proximidade". Os pontos angulares estando distantes do centro estarão em cada um dos símbolos, o poder trino da identidade (cardeal) a ser expressa e realizada a partir do amor (fixo) e sabedoria (mutável). O envolvimento dos três pontos médios por um círculo menor representa o "retorno" da individualização (Adão e Eva) à unidade (Paraíso) pela redenção através do Amor-Sabedoria (Cristo). Continuando esse processo de criar círculos menores da mesma forma poderia eventualmente, de um ponto de vista simbólico abstrato, reduzir o círculo original a seu ponto Central original, as conclusões da experiência de um arquétipo manifesto: “da Subjetividade através da Objetividade e de volta à Subjetividade". Para concluir:
            O círculo não é um "símbolo químico". Ele é a manifestação da perfeição inerente de uma expressão quimicalizada. Ele é o ideal da objetivação perfeita e da realização perfeita. Ele é a infinidade do efeito perfeito, enquanto o ponto central é a perfeição infinita do arquétipo. O círculo da roda horoscópica é o arquétipo humano a ser manifesto (Maestria); ele é a verdade, a divindade e a beleza - o poder inspiracional - da obra de arte completa. Ele é a consciência refinada e sensibilizada do artista enquanto agente de manifestação - intérprete - e "intérprete" significa "professor" assim como "performer" - e a plenificação de seus dons sagrados enquanto instrumento espiritual. O ponto central do círculo é a fonte divina da manifestação - em todos os planos, oitavas e ciclos.

sábado, 22 de agosto de 2015

CAPÍTULO XLIII – A SENDA ASTROLÓGICA




                O propósito da presente exposição é duplo. Está bem que novos estudantes de astrologia obtêm uma perspectiva do que esse Caminho pede deles em termos de treinamento mental e o que o mesmo inclui em expansão de conhecimento e compreensão. Os estudantes experientes no caminho deveriam lembrar-se das necessidades de seu Caminho escolhido e atualizar seus propósitos, métodos e objetivos espirituais. O Caminho Astrológico é longo e contém vários desdobramentos complexos; a “visão de longo alcance” e serena e a inabalável paciência são os requisitos primários para o preenchimento de suas fases. Alguns estudantes, na vida presente, podem estar recapitulando o conhecimento obtido através do estudo em vidas passadas, agora prontos para começar a aplicar seu conhecimento e compreensão; alguns podem ainda estar continuando seu programa de absorção, e outros ainda podem estar dando seus primeiros passos nesta Senda. Independente disso, todos deveriam ter um conhecimento compreensivo de todo o programa envolvido nesse estudo complexo de forma que o propósito e o ideal espirituais possam ser sustentados firmemente.
                 A ciência arte chamada “astro-logia” é o estudo das leis universais conforme se aplicam ao desdobramento da consciência evolutiva; a consciência é a luz primordial e os símbolos das “luzes” – Sol, Lua e planetas – são utilizados para designar as faculdades, veículos e poderes pelos quais a consciência em desdobramento se torna ciente da consciência divina. Assim como o nosso Sistema Solar é um dos sete Sistemas que compreendem um plano cósmico, também cada uma das “luzes do sistema solar” é uma parte da família, inter-relacionada e interdependente das outras e do sol central; todas sendo exteriorizações da consciência criativa divina de nosso Logos. Astrologia não é primariamente um “estudo das estrelas” – esta é a profissão do astrônomo. O astrólogo é um estudante dos modos de consciência exteriorizados como corpos planetários, solar e lunar de nosso sistema. Nós humanos temos correspondência com estes corpos planetários pois eles e nós somos criações da mesma Fonte Divina e a afinidade vibratória nos alinha em conjunto nesse sistema solar. O astrônomo auxilia o astrólogo ao fornecer dados cientificamente calculados em relação às relações geocêntricas e heliocêntricas das “luzes” em relação ao cinturão zodiacal; este dado é sincronizado com os princípios têmporo-espaciais da encarnação para o cálculo do horóscopo natal que simbolicamente representa o estado cíclico presente de uma consciência humana em evolução. O “astr” de astrologia se refere a “estrela” apenas exotericamente; esotericamente e filosoficamente ele se refere àquela luz que é consciência. É pelo grau e qualidade da consciência em evolução que todo fenômeno, experiência e relacionamento são interpretados; isto se refere ao corpo físico assim como a todos os ambientes, atividades, acontecimentos, lições cármicas, aspirações e ideais. Todos esses fatores são simbolicamente representados em essência pelo horóscopo natal; a soma total dos “conteúdos” de um mapa representa as inclinações e tendências em pontos de vista pessoaiso resultado específico do modo que exercitou suas inclinações e tendências em encarnações passadas até a vida presente. Quando o estudante de astrologia estabelece a percepção do “caminho astral” como sendo o estudo da consciência – sempre evoluindo através da experiência encarnatória e padronizada pelos grandes Princípios Arquetípicos do Universo – ele então avaliará apropriadamente cada fator do estudo com seu centro básico e assim manterá todas as avaliações na proporção e perspectiva adequadas. Todo fator em um horóscopo calculado corretamente é uma representação exata dos resultados na consciência de causas na consciência. A regeneração da consciência determina condições melhoradas, avaliações mais confiáveis de experiências e uma melhor e mais clara percepção dos poderes – potenciais e atuais.
                Os antigos eram encorajados em suas percepções da Natureza Divina e Consciência pela técnica da “personalização”; modos e facetas da Essência Divina eram expostos como “deuses e deusas”. As versões anglicizadas de alguns desses nomes divinos são hoje aplicadas à identidade dos planetas – o nome de cada planeta representando um composto ou síntese de potenciais divinos, princípios e poderes. Assim, ao considerarmos as diversas fases da Senda Astrológica nós também personalizaremos, para concretude e em imaginação considerarmos a natureza e habilidades de alguém que chamaremos “O Astrólogo Mestre”, que identificaremos como o protótipo de todos os astrólogos e estudantes de astrologia, passados, presentes e futuros. Seu nome será “Astrofilo” (aquele que ama astrologia), e ele é aquele que por muitas vidas e por muitos séculos se dedicou à sempre em expansão compreensão dos princípios astrológicos. Como Mestre-Astrólogo, ele é aquele que agora é capaz de correlacionar todas as fases de aprendizado com o simbolismo astrológico. Ele será compreendido como sendo o “ideal personalizado” de todos os que caminham a “Senda Astral”.
                Astrofilo sempre foi, é agora e continuará a ser um aspirante espiritual. Isso significa que ele não permite que seu desejo pelo conhecimento astrológico supere seu desejo pela compreensão do uso correto do conhecimento astrológico. Ele dedica sua aplicação de conhecimento ao serviço da iluminação humana, pois reconhece que o serviço de iluminação é o propósito básico para a obtenção de conhecimento antes de tudo. Ele sabe que o preenchimento máximo de seu entendimento é apenas um fragmento da sabedoria universal, assim, com humildade verdadeira, ele mantém sua mente e consciência sempre abertas e ajustáveis à consideração de ideias novas. Ele é tão impessoal e honesto em suas avaliações de seu próprio mapa assim como com o mapa de qualquer outra pessoa pois sabe que apenas honestidade total nutrirá seu próprio desdobramento e habilidade. Suas empreitadas intelectuais e analíticas – extensivas, profundas e cristalinas como devem ser – são continuamente nutridas pela oração; sempre que a necessidade é sentida ele convida a recarga de sua consciência e intuição pelos poderes da Mente Superior. Todo ato ou trabalho em seu serviço astrológico é dedicado e consagrado por seu amor a Deus e irmãos humanos. Ele reconhece ser “Irmão mais velho” de – provavelmente – a maioria da humanidade, mas ele nunca esquece ser na mesma medida uma criança do Pai Divino assim como o mais ignorante e não inspirado de seus irmãos. Seu cálculo de cada horóscopo é um ato de ritual espiritual pelo qual as forças de sua mente, consciência e Espírito são focalizadas e unificadas para a realização de seu serviço.
                Como um irmão, Astrofilo é sinceramente apreciador dos empreendimentos e aspirações dos humanos em todas as sendas que sirvam à iluminação e regeneração humana. Através de suas muitas vidas passadas ele compartilhou a absorção do conhecimento com parceiros-estudantes que representam todas as linhas de questionamentos e investigações. Ele mantém uma gratidão essencial a todos os professores e experiências que servem para melhorar sua educação astrológica, filosófica e espiritual. Ao encontrar uma correlação entre seu mapa e qualquer experiência, ele aprecia a experiência, seja dolorosa ou difícil, pois serviu para expandir seu conhecimento e compreensão. Ele lamenta e se ressente da ausência de experiências; a adaptação saudável de sua mente – dedicada à recepção da Verdade – permite que não ocorra a retenção mórbida de interpretações negativas da experiência senão comprazer-se em toda oportunidade para a expansão da compreensão e percepção. Ele busca sempre evitar atitudes e pontos de vista equivocados e assim recusa a reter em sua consciência aquela qualidade de ação mental que alimenta o preconceito ou a falsa aprovação. Ele busca considerar suas próprias experiências com equanimidade espiritual de modo a poder representar com maior perfeição a equanimidade da verdadeira iluminação para aqueles que auxilia.
                Como cientista, Astrofilo é o primeiro de todos os matemáticos e geômetras. Os aspectos técnicos de seu trabalho requerem uma compreensão fluente de todos os princípios aritméticos e de certos princípios revelados através da geometria. Como a álgebra é a exposição matemática da Lei universal de Correspondência, o conhecimento desse ramo da ciência capacita Astrofilo a avaliar e tabular toda e qualquer equação vibratória a ser encontrada em um dado mapa, ou que forme os “padrões de ligação” entre dois ou mais mapas. Em seu treinamento, nos primórdios da Atlântida, Caldeia e Egito, Astrofilo aprendeu que a acurácia no cálculo e compreensão matemáticos não só permitiu a percepção de um modo da Verdade, mas que a aceitação das disciplinas mentais envolvidas no treinamento exteriorizaram a sinceridade de sua busca da verdade. A acurácia é verdade exteriorizada; e devido à tremenda complexidade das “coisas” estudadas na Senda Astrológica, a boa vontade para disciplinar o corpo mental de modo a obter os resultados corretos na empreitada matemática é um fator importante na dedicação do astrólogo em seu serviço. Sempre que possível, Astrofilo busca determinar a acurácia de todos os dados; ele trabalha com aquele dado de tal modo que a acurácia máxima possa ser alcançada. Em seu trabalho de ensino, Astrofilo encoraja seus estudantes de todas as formas a apreciarem o valor do treinamento matemático; ele sabe por experiência própria que a Humanidade deve muito à Matemática pelo que ela proporciona em termos de disciplina, harmonização e focalização dos veículos mentais e dos poderes da consciência. Para ser bem sucedido nas empreitadas matemáticas, não se pode satisfazer com nada menos que os resultados corretos (confiáveis)!
                É interessante – e significante – notar que muitas formas de exploração visual são feitas através de uma estrutura circular. Nossos dois olhos são focados de forma que tudo o que vemos se dá a partir de uma “janela circular”; o astrônomo observa através de um mecanismo circular para estudar e explorar uma porção do sistema solar, uma galáxia ou alguma outra divisão do universo fenomênico exterior à terra; o químico e o biólogo examinam através de um microscópio circular para estudar a “pequenez” dos fenômenos materiais. Em seu trabalho como estudante da consciência humana, Astrofilo também centra sua atenção em um diagrama circular formado por certo arranjo do cinturão zodiacal que contém um corpo especializado de símbolos dispostos de acordo com princípios matemáticos acurados que traduzem uma revelação de leis espirituais. Astrofilo é um especialista no sentido que seu objetivo primário é servir à promoção da iluminação humana, mas os princípios inerentes em seu estudo especializado são tão relevantes quanto todas as formas de exploração feitas por outros cientistas.
                Dentro do escopo do conhecimento, Astrofilo está em conformidade com todos seus irmãos-cientistas; as essências de seu estudo e exploração são representadas de alguma forma ou grau em todas as outras áreas de estudos pelas quais a natureza do universo é revelada e compreendida. Na medida em que a natureza do universo é compreendida a realização da unidade com o universo se mostra. Astrofilo deve usar os poderes de análise do mesmo modo que um químico o faz, mas em acréscimo deve também sintetizar, pois seu propósito não é ensinar a “separatividade entre homem e universo” senão revelar a unidade dos humanos entre si, com todas as criaturas e com a fonte divina. O fator analítico em seu estudo concerne ao humano enquanto aspecto individualizado da consciência, com necessidades cármicas de experiência e “tendências pessoais” particulares. O fator de síntese é atualmente um processo da Mente Superior pelo qual Astrofilo pode auxiliar a pessoa experienciar uma expansão em sua percepção da unidade em si mesma através do desenvolvimento da autonomia espiritual e da percepção da unidade com outros humanos através da afinidade do destino comum e do propósito evolucionário.
                Além de cientista, místico e sacerdote, Astrofilo é também um artista interpretativo. Ele busca encontrar, através do estudo das indicações do horóscopo, aqueles modos e técnicas pelos quais a pessoa envolvida pode através da regeneração da consciência se tornar conscientemente mais e mais sensível às belezas de sua própria consciência espiritual. Todo princípio usado na representação astrológica tem sua contraparte em uma – ou todas – as belas artes. Em uma análise global dos fatores astrológicos, encontramos design, ritmo, cor (por implicação), estrutura, massa (por implicação), espectro e todo aspecto concebível da beleza que possa ser realizada ou exteriorizada pelos seres humanos. Durante os muitos anos e vidas de sua experiência, Astrofilo apreciou o contato com artistas e intérpretes de todos os tipos. Sua afinidade espiritual com essas pessoas se baseou no fator inspiracional inerente a toda expressão artística e serviço de iluminação. “Iluminar” pode ser pensado como um processo pelo qual “luz é lançada sobre a consciência” ou “a presença da luz na consciência é revelada”. Qualquer humano, por qualquer meio, que serve para revelar a harmonia a outras pessoas é um inspirador; harmonia é a revelação do equilíbrio através de todas as partes de uma coisa e constitui o reatar consciente do equilíbrio que caracteriza nosso propósito evolutivo. Foi daquele estado que fomos projetados, enquanto individualizações, no início de nossa experiência como humanos. Toda apreciação da Beleza é um vislumbre do “céu em nossa consciência”, e através de seu conhecimento alquímico Astrofilo é capaz de auxiliar as pessoas a compreenderem como elas podem efetivar a regeneração consciente de seus poderes interiores e, portanto florescer mais amplas e puras percepções da beleza de suas naturezas divinas.
                Após muitas vidas devotadas à prática de verdades realizadas e de acordo com altos padrões éticos, Astrofilo encontrou um estranho e maravilhoso despertar de sua própria consciência. Este dizia respeito à cognição que “os planetas” que ele estudou por tanto tempo nos horóscopos eram modos pelos quais o divino se revelava através da consciência humana. Como resultado, Astrofilo percebeu estar se tornando cada vez mais consciente da presença de Deus em todos os aspectos planetários – cada aspecto sendo assim percebido como sendo uma indicação não de “mal ou bem absolutos”, mas em algum grau daquele ponto de vista espiritual. Os aspectos até então considerados “maus” foram então percebidos serem, na verdade, figuras simbólicas dos métodos experimentais pelos quais o humano deve em última instância realizar sua própria natureza divina. Toda quadratura e oposição registram condicionamentos carmicamente programados e qualificados a partir dos quais, através da experiência encarnatória, o humano será confrontado com os resultados de seus pensamentos e ações passados; ao experienciar estes resultados ele aprenderá em maior grau aqueles modelos de pensamento e ações que facilitarão ao invés de obstruir o desdobramento evolucionário assim como a realização dos mais altos ideais espirituais.
                Leitor, estas coisas ditas aqui sobre “Astrofilo” estão realmente sendo ditas sobre você – agora um estudante de astrologia, talvez um praticante – em quem em algum ponto do Caminho pode florescer os poderes do veículo mental perfeitamente treinado, o poder alado da intuição e o poder claro diamantino da claricognição através de sua aplicação contínua e devota ao estudo da astrologia. Que o Espírito interior o proveja da força da paciência, o entusiasmo da alegria inspiracional e a benção da sempre em expansão apreciação de seus parceiros humanos, através do estudo perseverante da busca da verdade nos horóscopos enquanto necessidade. A vida provê toda oportunidade para o preenchimento da Senda Astrológica.

sábado, 11 de julho de 2015

CAPÍTULO XLII – ASTRO-FILOSOFIA DISCUTE A EXPERIÊNCIA HOSPITALAR



            Nós humanos, tendemos a identificar as coisas em termos dos sentimentos experienciados no contato com elas. "Dor, sofrimento, dificuldade e tristeza" são as associações que tendemos a fazer quando vem à nossa atenção a ideia de "hospital". Com tais associações na mente e sentimento, enfatizadas com o passar dos anos, não surpreende que ansiedade, medo e terror aflorem em nós quando a experiência hospitalar se torna iminente. Reconhecemos e admitimos, de evidência de nossas condições, que precisamos de ajuda; nós desesperadamente queremos nos libertar da desarmonia e desconforto da doença e da lesão; mas, em nossa limitada compreensão da "verdade hospitalar", tendemos a intensificar nossas dificuldades. Nos tornamos tão preocupados com a dor e medo que anestesiamos nossa consciência de saúde e nossa fé na disponibilidade de poderes de cura. É verdade que as pessoas podem se libertar das desarmonias físicas, emocionais e mentais por uma ação interior, uma mudança na consciência de congestão em desarmonia para realização de saúde. Estas pessoas dão a prova viva que sarar é interior. A primordial e instintiva vontade de viver é a fonte básica do sarar, mesmo para aquelas pessoas que não estejam cientes de uma fé consciente na recuperação. Entretanto, a intensificação consciente da percepção da saúde e do sanar não apenas acelera a correção da condição particular mas ainda reestabelece a saúde em todos os planos de funcionamento. Todas essas formas de serviço que podem ser chamadas "caminhos do sanar" são na verdade meios pelos quais os humanos assistem uns aos outros para diminuir o medo e a desesperança e para intensificar seu reconhecimento da natureza do bem estar. Peixes, o signo da décima segunda casa da Grande Mandala, é a chave.
            Há duas mandalas astrológicas, extratos da Grande Mandala Astrológica (a roda com doze casas, Áries como signo Ascendente, trinta graus para cada signo zodiacal correspondendo a cada casa), que pode ser estudada em consideração do porquê os humanos passarem por experiências hospitalares. A primeira descreve as causas evolucionárias. Isto é representado ao indicarmos os símbolos dos signos mutáveis nas cúspides das casas nove, seis, três e doze, com o símbolo de Sagitário na nona cúspide desenhado maior que os outros três e todas as quatro cúspides conectadas por uma sequência de linhas retas e os dois diâmetros intersetores. Este desenho resulta no quadrado mutável e suas linhas de força internas complementares. O desenho do quadrado deve começar na cúspide de Sagitário pois esse signo é "o signo de fogo representante" da cruz mutável; como tal, ele simboliza a apercepção da verdade. O quarto signo em sequência horária de Sagitário é Peixes, representando o elemento água e o sujeito deste discurso. Uma representação mais condensada desta sequência será vista em uma linha vertical dos quatro signos mutáveis com Sagitário na base, Virgem a seguir, Gêmeos a seguir e Peixes no topo; uma linha vertical ao lado, com a cabeça da seta no topo próximo a Peixes mostrará como (pois isto é uma "mandala quadrada") "descuidos em Sagitário levam a condições negativas em Peixes"; em outras palavras, a falta de percepção da verdade leva à condição cármica da décima segunda casa, Peixes. Em termos da "interpretação dos aspectos quadratura e oposição", esta mandala revela que hospitais são lugares de limitação, constrição e enterro apenas para a consciência que recusa as oportunidades de reconhecer a verdade; as condições que tornam a hospitalização necessária são sempre os resultados da expressão de inverdades no passado. Mas, Verdade é um atributo do Ser eterno; ela está sempre acessível, sempre a serviço e onipotente a ajudar. Portanto, a necessidade cármica que denominamos "experiência hospitalar" pode ser vista como uma oportunidade de perceber a verdade de ser na maior intensidade possível.
            Se nesta mandala do quadrado mutável Sagitário representa descuidos passados no conhecimento e expressão da Verdade, então Peixes - no topo da sequência - representa a manifestação daquele descuido em termos da necessidade de expiação. Nós expiamos por meio do processo de refocalização da consciência e a externalização desta refocalização é a experiência de retardamento ao sermos encarcerados no hospital. O hospital é um local de limitação, encarceramento, tristeza, dor e problemas apenas para a pessoa que se recusa a expandir a consciência de si mesma em relação à sua experiência. Para uma pessoa que verdadeiramente busca a verdade, o hospital é um local de oportunidade para renovar. A experiência dolorosa focaliza o grande questionamento interior do "Por que?" Quando o "por que?" da pessoa é sincero, a Verdade sempre e inevitavelmente recarrega sua consciência e esclarece o significado da experiência. Auto piedade, preocupações absurdas e amargura mantêm a pessoa alinhada ao "quadrado mutável" - e todas as suas implicações. O desejo sincero de vivenciar a saúde inspira a pessoa em sofrimento a buscar a verdadeira compreensão das causas de sua condição.
            A experiência hospitalar de uma pessoa também provê de oportunidade similar cada um de seus próximos queridos, aos quais é dada a oportunidade de se expandir e impessoalizar em relação aos planos emocional e mental. Ao sentirmos pena de forma impensada enfatizamos os elementos dolorosos da experiência de nosso próximo amado, pois focalizamos nossa atenção no aspecto doloroso exterior e não no significado verdadeiro da experiência como indicativa da oportunidade para o crescimento, harmonização e realização. Sagitário, como a "raiz" dessa representação do quadrado mutável, sentencia que há uma compreensão de princípios a ser percebida na experiência; quando se resiste e se ressente à oportunidade, o encarceramento na dificuldade se intensifica; quando ela é aceita, aliada à dissolução da auto piedade e auto justificação, o fluxo da Verdade esclarece a consciência além de fortalecer a fé e aprofundar a capacidade de simpatia pura. Então a pessoa compreende de forma mais clara e verdadeira as dificuldades dos próximos, e os poderes de auxiliar corretamente são expandidos e reforçados.
            O caminho da evolução humana pode ser atravessado de duas "formas" principais. Uma é o modo do misticismo; este é o "Caminho do Coração" da simpatia, inspiração, instrumentação, devoção impessoal, oração e dedicação. Ele é basicamente simbolizado por Peixes regido por Netuno e signo de exaltação de Vênus. O outro é o modo do ocultismo, o poder radiante e o Caminho da Mente. Ele identifica o caminho dos cientistas, inventores, artistas criativos, mágicos e alquimistas. Todos humanos que servem através de atividades de cura se inclinam a um destes modos, mas ambos os modos são essenciais para a identificação de um Curador Mestre.
            O caminho místico da atividade de cura é bem ilustrado por pessoas como Bernardette Soubirous, através de quem a instrumentação inspirada da Gruta de Lourdes se estabeleceu; O Padre Flanagan, que estabeleceu a Cidade dos garotos, e todas as pessoas que rezam pela cura da humanidade também ilustram o modo místico. Cientistas pesquisadores, inventores, administradores, cirurgiões e dentistas ilustram o modo ocultista. Florence Nightingale, exemplo primário do modo ocultista, foi um exemplo maravilhoso da combinação de ambos os modos.
            No tipo de curador que mais proximamente se associa à correção da doença do paciente se encontrará uma pista importante como causa cármica da doença. O curador surge como representação personalizada da expansão de consciência que o paciente precisa fazer - verdadeiramente para corrigir a causa de sua doença. A habilidade de um cirurgião (ocultista) pode corrigir o aspecto externo da condição, mas a suavidade devotada e amorosa da enfermeira (mística) pode ser o poder que mais plenamente inspire o paciente a renovar sua consciência sobre a verdade da saúde; uma enfermeira descuidada, indiferente e sem simpatia pode desencorajar o paciente e aumentar sua preocupação quanto ao seu problema. Seu cirurgião, entretanto, pode inspirá-lo pelo seu comando de conhecimento e habilidade, e esta forma de inspiração pode estimular no paciente um desejo mais profundo que nunca de saber a verdade de sua condição. É sinceramente sentido pelo autor que o curador como ocultista é basicamente simbolizado por Netuno sendo exaltado em Leão, o signo do Sol e símbolo arquetípico do poder.
            A segunda mandala da experiência hospitalar é a mandala do trígono de água: um triângulo equilátero formado por uma linha reta conectando as cúspides das casas doze, oito e quatro com os símbolos de Peixes, Câncer e Escorpião apropriadamente colocados; o símbolo de Peixes desenhado maior que os símbolos dos outros dois signos e o símbolo de Netuno colocado na casa doze. Prepare três dessa. Na primeira, indique o diâmetro Peixes-Virgem; na segunda indique o diâmetro Escorpião-Touro; na terceira indique o diâmetro Câncer-Capricórnio. Estas mandalas ilustram a plenitude do significado de cada um do signos de água em relação à experiência de hospital pela aplicação do Princípio da Polaridade. Os símbolos para os três signos de água arrumados em uma vertical com Peixes no topo, Escorpião segundo e Câncer na base claramente representarão a sequência apropriada para esta discussão.
            Primeira mandala - Peixes-Virgem: Este é o diâmetro da consciência da saúde, cuja depleção torna a terapia ou o hospital - experiências necessárias. Virgem é saúde enquanto potência básica que torna a atividade de serviço possível; Peixes é a redenção necessária daquela potência. A pessoa cuja consciência de sua potência física ou habilidade é menor que sua plenitude natural não pode expressar a plenitude de sua atividade de serviço, mesmo que ela faça esforços heroicos a despeito de sua limitação. Aqueles esforços feitos enquanto expressão de sua vontade são, contudo redenção a partir de dentro, mas se a terapia puder servir como expansão ou desdobramento de habilidades, então a pessoa "pediu pela ajuda de Peixes" - ela adentra o hospital, "cessa" sua atividade prévia por um momento, aceita a limitação em suas atividades e ao mesmo tempo aceita a oportunidade de mais plenamente melhorar sua condição física e sua capacidade para o serviço. O edifício hospitalar que ela entra para ajuda e regeneração é a exteriorização dos poderes da graça divina obscurecidos. Pense sobre isso.
            Ninguém é imune à Lei de Causa e Efeito, mas apesar de todo indivíduo dever encarar e resolver seus resíduos cármicos, os poderes da Graça Divina, inerentes em toda atividade humana, auxiliam na resolução das dificuldades. A presença da Graça Divina no coração humano se evidencia em cada hospital, desde as pequenas tendas em campos de combate às gigantes e complexas instituições das cidades metropolitanas; todos hospitais, do menor ao maior, são continuamente cobertos e recarregados pelas atividades de cura a partir de dimensões mais elevadas. Os mais inspirados e dedicados de nossos curadores são aqueles que são consciente ou inconscientemente mais sensíveis aos estímulos diretivos dessa Assistência Superior. Os humanos que veem apenas na superfície das coisas, interpretam hospitais como lugares de dor, sofrimento e escuridão. O oposto exato é verdadeiro: Hospitais são focalizações dos poderes curativos da luz e do amor. Quando a humanidade em sofrimento percebe isso, toda atitude em relação à sua necessária experiência hospitalar passa por uma drástica e luminosa mudança. Fé, gratidão, esperança e encorajamento neutralizam os efeitos constritivos da dor, e ambos consciência e corpo se expandem para um ajuste mais eficiente aos tratamentos sanadores. O poder da Graça Divina transforma o hospital de local onde se encontra um carma de dor, tristeza e limitação em outro onde a redenção e a compensação possam ser experimentados.
            Se a primeira mandala, encabeçada por Peixes, é o “que e onde” da experiência hospitalar, então o diâmetro Escorpião-Touro indica os meios pelos quais o serviço hospitalar é realizado e cumprido. Esotericamente, Escorpião-Touro é o diâmetro da administração, o princípio espiritual que se destila a partir da consciência humana através das experiências de “custódia e direitos”. Aquilo que é “agenciado” no serviço e experiência hospitalar é poder regenerativo. Ele se origina em dimensões elevadas e invisíveis, sendo direcionado pelos Servidores Invisíveis e canalizado em cada instituição de cura pelos servidores humanos aos necessitados. Os Servidores Invisíveis trabalham dedicadamente por longos períodos de tempo para direcionar a focalização de poder para as necessidades humanas e o signo de Escorpião simboliza muito claramente a consciência dedicada e habilidades disciplinadas de todos os verdadeiros curadores humanos.
            Florence Nightingale, cujo trabalho infatigável se estendeu por noventa anos é um exemplo humano maravilhoso de serviços persistentes dos Curadores Invisíveis. Curadores se disciplinam para a qualificação, mas nenhum deles “possui” o poder curador – em sua administração de seu equipamento pessoal ele age como um “agente” daquilo que é projetado a partir de Fontes Invisíveis para o uso neste plano. Toda liberação de poder é subsequente é subsequente à focalização do Poder; o curador que de modo equilibrado e harmonioso conserva seus recursos pessoais é aquele que pode mais efetivamente liberar o poder que flui através dele aos seus pacientes; esses recursos se referem aos aspectos físico, emocional, mental e espiritual de seu ser. Portanto, Escorpião-Touro se refere ao material de poder que torna a cura regenerativa possível através da focalização e liberação; se refere ao Princípio da Administração que opera através da consciência dos curadores visíveis e invisíveis; se refere à Fonte onipresente de poder, a providência do Deus Pai-Mãe para a preservação e regeneração das formas em evolução e microcosmos. Aquele que serve como “curador”, em serviço dedicado, “dá as mãos” aos Líderes Invisíveis e serve como seu instrumento encarnado “terreno”.
            A terceira representação dessa mandala, enfatizada por Câncer, polarizada por Capricórnio, ilustra “aquilo” que inspira ou estimula o humano a palmilhar o Caminho do Serviço de Cura. É o poder parental da pura simpatia. Foi dito uma vez que “o primeiro hospital foi construído quando um humano rezou de forma desapegada e na plenitude da fé para a cura de outro colega humano”. Aquela forma de oração quando externada no plano físico é a construção hospitalar que engloba, assim como o útero envolve o embrião em crescimento, a emergência expansiva da consciência de saúde. Câncer, o símbolo materno, ilustra as qualidades de simpatia, suavidade, clemência e compaixão que inspira os humanos a auxiliar na cura de outros; Capricórnio é o símbolo paterno e ilustra a providência da forma material organizada para a proteção e inclusão das atividades de cura, correspondendo à casa material que o pai provê para a proteção de seus filhos. “Embrião no útero” e “paciente no hospital” correspondem-se mutuamente no sentido que cada um tem a oportunidade de renovar desdobramentos em suas consciências de vida a partir da experiência.
            A relação entre administradores hospitalares e servidores aos pacientes tem muitos pontos de similaridade com a relação dos pais com seus filhos. Todos os terapeutas são “pais” para a renovação da consciência de Vida de seus pacientes através de suas atividades em melhorias na saúde e a melhoria na saúde é sempre uma forma de libertação. Aquele que busca a libertação das causas das desarmonias físicas deve renovar, regenerar e revitalizar sua consciência; aquele que busca verdadeiramente servir a senda da cura deve acrescentar isso ao seu conhecimento estratégico e técnica aprendendo sobre a importância de auxiliar outros a regenerar suas consciências. Curar é algo espiritual; aqueles que curam mais verdadeiramente são aqueles que servem para revelar a onipotência, onipresença e onisciência do Espírito Interior. A oração é a “técnica” para esta revelação; oração e conhecimento estratégico unificam os poderes místico-ocultistas no curador. Simpatia, humildade, dedicação às verdades factuais e espirituais, disciplina pessoal equilibrada e fé tornam possível a qualquer curador “aterrar” as forças regenerativas dos reinos superiores para uso no hospital onde ele ou ela servem.
            Em conclusão, estas três representações da mandala do trígono de água podem ser usadas para estudar a experiência da prisão. Em sua essência natural e propósito, prisões são hospitais. Em ambos, os resíduos cármicos devem ser confrontados e resolvidos; o mesmo Poder e Função serve a ambos; o objetivo primário de ambas as formas de serviço é: reparação, e “reparação” significa consciência aumentada de sintonia, a unificação harmoniosa do corpo, emoção, mente e alma com o Espírito.