sexta-feira, 7 de março de 2014

CAPÍTULO XXVI – OS “BONS” ASPECTOS



            A função dos aspectos de sextil e trígono é revelar graus relativos de consciência regenerada da humanidade. Eles são nossos pontos de iluminação; nossos “impulsos em direção ao Bom maior” (sextil) e “realização do Bom manifesto” (trígono). O sextil é o processo pelo qual o trígono é criado.
            O astrólogo filosoficamente inspirado nunca pensa ou se refere ao sextil e ao trígono como aspectos de “sorte”, porque ele sabe que cada fator em um horóscopo é um efeito de uma causa específica; a causa original foi, obviamente, uma expressão em ação de um nível particular de consciência no passado. Ele reconhece que todo sextil em um mapa representa certo trabalho de regeneração que, iniciado no passado, foi trazido a tal ponto de eficiência que ele agora se apresenta como um dínamo para a realização de mais e maiores poderes regenerativos nesta encarnação. Ele reconhece que cada trígono é um registro de equilíbrio no relacionamento entre dois fatores planetários; um trígono é sempre o resultado de regeneração da consciência – ele nunca é um afortunado “acidente de hereditariedade” de forma alguma ou em qualquer nível de desenvolvimento.
            Para muitos, o sextil é considerado um aspecto “menor” ou “pequeno”; talvez esta interpretação seja feita devido ao aspecto envolver apenas 60 graus – metade de um trígono. Quando estudamos o símbolo do sextil somos alertados ao fato que o sextil é tão “maior” quanto qualquer aspecto; quando reconhecemos sua significância como figura das fases dinâmicas da evolução, percebemos que ele é um dos mais importantes dentre todos os símbolos astrológicos, sendo aquele pelo qual o astrólogo, ao compreendê-lo, pode oferecer maior auxílio aos que estão procurando melhor percepção de suas próprias fontes de Luz.
            A forma geométrica essencial do símbolo do aspecto sextil é hexagonal – uma figura de seis lados iguais que repousa, assim como a quadratura e o trígono, sobre uma base horizontal. Os pontos de partida cíclicos da quadratura e do trígono são o ponto médio e a cúspide da segunda casa, respectivamente; o sextil “começa” no Ascendente – o primeiro fator que revela a qualidade dinâmica essencial e significância do aspecto. Assim como o trígono, progressos pelo hexágono é feito a partir de diagonais nos pontos de virada; uma diagonal composta de horizontal e vertical implica na abstração de “para cima e para frente sempre” – o símbolo da evolução espiritualizada.
            A primeira diagonal do hexágono corta através da primeira e segunda casas e estabelece contato com a cúspide da terceira casa. Em outras palavras, ele passa por um atalho através do potencial de desejo da segunda casa e diretamente conecta o “EU SOU” do ascendente com o “Eu Penso” da terceira casa. Seguindo adiante no hexágono vemos que as outras cinco linhas cortam através das casas que abstratamente relacionadas com os signos de água e de terra e que o símbolo todo tem, assim como seus pontos estruturais, as casas relacionadas aos signos de fogo (Espírito) e de as (Mente). (Estas casas são também identificáveis pelos dois pares de “relações paralelas” – primeira e sétima, terceira e nona – mais as duas casas do potencial de poder do Amor – a quinta, e sua polaridade espiritualizada, a décima primeira). O símbolo nos diz que o aspecto do sextil representa os recursos propulsores dinâmicos e positivos da consciência humana – ele corta através dos níveis do desejo e do instinto – colocando em expressão aqueles fatores da consciência que neutralizam os miasmas nos recursos subconscientes dos sentimentos intensos.
            Os símbolos da quadratura e dos trígonos são “fechados”, representando um estado de consciência no qual algo definido foi alcançado. A quadratura é não regeneração que se tornou “encarceramento” – ela deve ser forçosamente afrouxada por agências regenerativas de modo que a evolução possa continuar; o trígono é um nível específico de florescimento – um nível de sincronização interior e equilíbrio. Ele será no tempo certo descristalizado assim como a flor é descristalizada em seu próprio tempo, de forma que os novos processos de vida da planta possam progredir. Os dois planetas envolvidos no aspecto do trígono estão destinados a entrar em relação de trígono com outros planetas no futuro, de forma que a qualidade “estática” da sua relação presente se tornará, no tempo certo, sujeita às forças evolucionárias para a criação de novos padrões de experiências a partir dos quais novos trígonos resultem.
             Na experiência humana vemos esta descristalização de trígonos representadas quando consideramos aquelas coisas que representam felicidade, harmonia e contentamento para uma criança de 6 anos e que não trazem satisfação para um homem de 40. Aquilo que pode representar o florescimento de uma cultura de aborígenes na floresta pode parecer infantil para uma pessoa que está se manifestando como membro de uma sociedade verdadeiramente cultural. “Qualquer planeta em trígono com outro planeta” representa essencialmente, um florescimento de consciência; mas, as manifestações dos trígonos são relativas ao desenvolvimento evolucionário.
            Quando consideramos o símbolo do sextil, estamos olhando para uma figura de “linhas de força”. Este símbolo, diferente de outros símbolos de aspectos, abre uma figura de radiações a partir do centro. Uma vez que é aberto, há uma implicação de indefinição de forma. Ele é de fato processo em progresso ao invés de algo alcançado. As seis linhas – cúspides das casas de ar e fogo – representam uma carga de nova luz e calor a partir do centro; não do centro em si, mas daquilo que emana dele.
            O aspecto de sextil é o princípio de alavancagem e contraforça. Ele tem que ter algo para trabalhar contra e, em relação aos níveis de consciência humanos, a coisa contra a qual ele trabalha contra é sempre um estado não regenerado. Nós não podemos permanecer em um estado específico indefinidamente; fazê-lo seria assegurar estagnação. (Traduza “estagnação” significando “morte”). O aspecto de sextil é o mecanismo pelo qual o Progresso Cósmico se expressa através de nós para descristalizar congestões tornando possíveis as grandes mudanças alquímicas de transmutação e liberação regenerada de potenciais.
            Dois planetas em aspecto de quadratura denotam um estado de inércia através da não regeneração; estas forças devem, se a Vida for expressão progressiva através de uma pessoa, ser descristalizadas de forma que as energias da alma possam ser redistribuídas tornando possível um relacionamento harmonioso eventual como um trígono. Um planeta que faz sextil com um dos dois planetas da quadratura é a agência alquímica – contraforça contra a inércia da quadratura. A troca vibracional entre estes planetas é o potencial de descristalização para redirecionamento das energias do planeta quadrado. É como um produto químico colocado na água que torna o processo da lavagem mais fácil e bem acabado, ou o líquido que amolece a gordura de um cano, de forma que o cano pode mais facilmente drenar a água a ser descartada. Quando os dois planetas de uma oposição estão respectivamente trinados e sextilados por um terceiro planeta, é o planeta do sextil que está sendo trabalhado pela agência regenerativa. Se você tiver a opostunidade de estudar um mapa em que um planeta apresenta apenas faz sextil com outros planetas, dê atenção muito especial a este planeta; pois seu cultivo depende muito do desenvolvimento espiritual da pessoa; este planeta provê uma siginificativa contraforça contra muito do que pode estar se apresentando como não regeneração.
            Dois planetas que se apresentam em um sextil não aspectado contam uma história que em sua inter-relação evolucionária foram permitidos a sair para um bom começo – uma indicação de percepção direta da expressão regenerativa e uma bela promessa de florescimento para um relacionamento de trígono não está longe no futuro. Entretanto, o trabalho regenerativo deve ser expresso continuamente para fazer este florescimento possível; complicações por padrões não regenerados podem resultar em “trabalho arruinado”. Ajude esta pessoa a compreender os princípios destes dois planetas de modo que possa saber como fazer trabalhar estas expressões particulares como neutralizadores para outras vibrações do tipo não regenerado, e desenvolver seus potenciais em relações de reciprocidade. Devemos dar atenção muito cuidadosa ao estudo dos sextis e semi-sextis que encontrarmos em qualquer mapa; nós reconhecemos que eles são os trabalhos da consciência regenerada para descristalizar e redistribuir padrões energéticos que se tornaram estagnados na não regeneração.
            O símbolo do trígono, quando relacionado ao mapa abstrato, coincide com as cúspides das casas 2,6 e 10 – um triângulo equilátero que repousa sobre a base horizontal. Simétrico como o trígono de água, o trígono de terra também representa, pela sua horizontalidade, uma paz – um “descanso perfeito”. Neste símbolo vemos a consciência humana aproveitando os frutos do esforço construtivo; após uma fase de redirecionamento, o pleno florescimento é realizado e desfrutado – seja em momentos durante a encarnação ou durante um ciclo de encarnação.
            Alguns astrólogos correlacionam o símbolo do trígono com o significado essencial do planeta Júpiter – devido, supõem-se, à “alegria” ou “boa fortuna” pela qual eles identificam aquela vibração benevolente. Júpiter, com todo devido respeito a suas inúmeras virtudes, é uma vibração dinâmica; o trígono é equilibrado, uma indicação de harmonia interior, o florescimento da consciência espiritualizada, uma percepção do Eu Superior – todos, resultados de esforços transmutativos.
            Aplique o triângulo com base horizontal ao mapa de doze casas e perceba que, ciclicamente, ele começa na cúspide da segunda casa; ele viaja através da cúspide da sexta casa e a seguir, diretamente para a cúspide da décima casa. O mapa é a representação da evolução da consciência humana através de padrões de experiência e, portanto o significado interior do trígono deve ser encontrado na consideração das casas que ele abstratamente representa, e a partir daí ser deduzida a vibração planetária com a qual mais proximamente ele corresponde. Uma vez que o trígono representa resultado regenerado, vamos aplicar palavras chave regeneradas às três casas envolvidas:
            Segunda casa: “posse e desejo de posses” foram transmutados para consciência da troca correta de dinheiro e bens materiais, serviço perfeito e a resultante regeneração dos relacionamentos entre pessoas que aprenderam a dirigir as trocas financeiras através do sentimento correto entre as partes.
            Sexta casa: A consciência de “Trabalho” é regenerada para uma expressão de Serviço Amoroso como liberação dos potenciais da quinta casa; como extensão da regeneração da segunda casa, pessoas que trabalham e pessoas para as quais se trabalha estão em relação de equilíbrio e simpatia mútuos; as trocas monetárias e de commodities estão balanceadas pelas trocas em valor de trabalho; a consciência correta da troca monetária se correlaciona com a melhor expressão do potencial de trabalho. “Capital versus Trabalho” é transmutado para “Capital e Trabalho” harmoniosamente integrados como base – a linha horizontal – para a estrutura vertical ao terceiro ponto que é:
            A décima casa: a conquista de uma Sociedade perfeita, incluindo e englobando as melhores expressões de todas as classes e níveis evolutivos da humanidade. Uma vez que as casas de terra sucedem as casas de fogo, configura-se a figura de que a sociedade perfeita é a manifestação dos poderes de autoconsciência, amor e sabedoria de todas as pessoas. O aspecto do trígono em um horóscopo individual representa uma percepção alcançada de algum nível ou fase, da relação correta do indivíduo como o mundo em seu aspecto mais amplo; o símbolo em si, como abstração do Grande Horóscopo, representa o florescimento espiritual, cultural e econômico da humanidade, como uma entidade (hierarquia), em seu caminho evolucionário.
            Civilizações crescem, florescem e fenecem; indivíduos crescem para, passam através e transcendem “pontos de descanso” em sua experiência individual, mas o trígono é o ápice, a “conquista perfeita” – o florescer do melhor na consciência individual ou coletiva. Sua correlação planetária não é Júpiter, mas Vênus, o arquétipo da essência feminina da consciência – Harmonia, Amor e Beleza destilados das lutas e crescimentos de todas as pessoas; mel destilado do néctar das flores; a perfeição da linha, estrutura e cor do corpo humano cultivado; o brilho e as irradiações da joia meticulosamente cortada: cultura que representa o melhor das realizações da humanidade.
            Através de seus trígonos você está consciente da sua consciência de Deus – você está “sintonizado” com o seu melhor: a amplitude, beleza e harmonia das suas condições exteriores são o reflexo de sua consciência regenerada. Faça mais que simplesmente usufruir seus trígonos – compartilhe-os com todas as pessoas que você contatar mantendo sua “consciência trina” viva e expressiva sempre. Deste modo você não apenas compartilha seus tesouros, mas pelo poder das vibrações simpáticas, você “ativa” outras pessoas para uma maior consciência de seu Bom interior, estimulando os bons aspectos em seus mapas.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

CAPÍTULO XXV – OS “MAUS” ASPECTOS

            Houve um tempo que o escritor compartilhava a compreensão comum a muitos estudantes de astrologia de que a quadratura e a oposição sendo “maus aspectos” significariam a mesma coisa; e ainda que os “bons aspectos” trígono e sextil eram pensados da mesma forma. Veio um tempo em que o escritor percebeu que se a quadratura e a oposição, assim como o sextil e o trígono representassem a mesma coisa, então teriam o mesmo símbolo para representar ambos os pares de aspectos. Deve ser claro na mente dos estudantes que cada símbolo utilizado na astrologia tem seu significado único e particular e que nenhum para de símbolos pode significar a mesma coisa. Não há exceção a esta observação. Estes símbolos são figurações de profundas realizações espirituais dadas à Humanidade pelos Grandes, tempos atrás.
            Se o progresso da roda do ascendente à décima segunda casa representa a evolução cíclica, a colocação dos planetas por signo e casa a focalização da consciência para a expressão durante a encarnação, então os aspectos representam o mecanismo do espírito em ação – o como desta expressão sem fim. As ciências mecânicas requerem um conhecimento dos pesos, alavancas, balanços e contrabalanços, gravidade, propulsão e assim por diante; em outras palavras, os princípios de como o mecanismo funciona para alcançar certo resultado. Um horóscopo, obtido a partir de sua apresentação geométrica, contém figuras da manifestação destes princípios na encarnação humana como expressões da consciência, e cada símbolo utilizado nesta ciência particular representa uma essência ou uma função daquela essência.
            A abordagem dinâmica da psicologia humana provou que uma mudança de ponto de vista frequentemente torna possível a determinação da causa de um problema e revela a direção necessária a ser tomada. Nós, como estudantes de astrologia, tendemos a cristalizar nosso ponto de vista dos aspectos quadratura e oposição e determinar, mentalmente, que eles são maus aspectos. As palavras “bom” e “mau” têm sido parte de nossa imagem mental desde que fomos capazes de interpretar qualquer coisa; se buscarmos uma abordagem construtivista da astrologia psicológica, devemos mudar nosso ponto de vista e atitude em relação aos significados destes símbolos particulares de expressão de energias.
            É um ponto debatido esta referência a “maus” aspectos. Será que pessoas desinformadas astrologicamente, passando por problemas pessoais, podem realmente ser ajudadas se suas mentes e sentimentos são impressos por referências aos “maus” aspectos em seus mapas? Não há como escapar – todos temos reações subconscientes e instintivas a palavras como “mau” – elas acendem nossas imagens interiores ou memórias dos padrões experienciais do feio, sofrido, amedrontador e do difícil. O astrólogo que diz: “Ah, isto é muito sério – você tem um mau aspecto entre Saturno e Marte” se arrisca a provocar um estado de depressão no cliente. Há algo tão ameaçador nesta sentença que, por gentileza e misericórdia, não devemos apresentar estas interpretações a pessoas que vem a nós para auxílio.
            Astrólogos que se fixaram na “maldade” dos aspectos de quadratura e oposição são aqueles que não se perguntaram sobre o significado real destes símbolos. Por “significado real” se quer dizer significado espiritual ou filosófico. Desde que devemos identificar estes símbolos de forma a transmitir nossos pensamentos, mudemos nossa abordagem verbal para algo que o cliente possa reagir mais favoravelmente.
            Sugere-se que a palavra “atritivo” substitua a palavra “mau”. Todos compreendem que atritivo significa resistência, e que esta palavra não incomoda tanto as pessoas. Além disso, como no caso de um fósforo que por fricção (atrito) se acende, o resultado é luz e calor. Assim é conosco em nosso interior e nossos aspectos de quadratura e oposições. Certos níveis de nossa consciência se atrita com outros níveis; o resultado é uma ignição de consciência a partir da dor reativa, que serve para apontar a necessidade de um redirecionamento de consciência. Desde que todos os padrões planetários do horóscopo estão englobados no mapa, vemos que a humanidade interpreta a experiência a partir de dentro – na consciência – não de fora. Em outras palavras, a fonte de nossas interpretações-experiências não são as experiências em si, mas nosso próprio centro de consciência e reação.
            Consideremos os símbolos da quadratura e da oposição em termos de sua figura abstrata essencial. Use um mapa em branco com as doze casas para cada. Para a quadratura, conecte os pontos médios das casas fixas (2,5,8,11) por linhas retas; o resultado é um quadrado repousando sobre uma base horizontal que começa, ciclicamente, na segunda casa. Este é o símbolo que utilizamos para o aspecto da quadratura entre quaisquer dois planetas no horóscopo.
            As casas envolvidas nesta figura são as “casas de recurso”, os inexauríveis recursos de intensos desejos, sentimentos, amor e capacidades. Estas quatro casas e seus signos abstratamente relacionados (Touro, Leão, Escorpião e Aquário), incluem nossos mais profundos potenciais de reação. Todo estudante de astrologia sabe que há dois outros quadrados, o cardinal e o mutável; mas é o quadrado fixo que é utilizado para portar essa abstração da “maldade” – dificuldades e dores, tristezas, limitações e todas as maneiras de negativismo. Este símbolo nos diz, quando ele relaciona quaisquer planetas em quaisquer dois signos ou casas, que a presente necessidade de regeneração entre estes dois pontos é muito grande. Note que no desenho do quadrado, quando chegamos ao final da horizontal inferior – na quinta casa – nós fazemos um ângulo reto, não diagonal para a direita ou esquerda, mas diretamente para cima, de modo a progredir mais no caminho espiritual. Assim é com as outras viradas – ângulos retos em cada canto. Assim o aspecto de quadratura é visto como sendo descomprometido em suas demandas de consciência; por esta razão o aspecto de quadratura é tido como sendo o “mais difícil”, o “pior” ou o “mais maligno” dentre as relações planetárias. Somos taxados mais severamente em nosso desenvolvimento nesses pontos. Por quê?
            O horóscopo, como um todo, é uma composição da consciência da pessoa dos princípios cósmicos – em seu nível evolutivo particular. Portanto se segue que dois planetas quaisquer em um mapa não são “maus planetas”; simplesmente significa que a pessoa está em um estado de consciência de relativa insensibilidade ao princípio. A sensibilidade individual pode ser muito variável e esta variedade é mostrada pelos aspectos atritivos múltiplos a cada planeta do mapa: o planeta pode estar quadrado por Marte e oposto pela Lua, mas em trígono com Vênus e em Sextil com Plutão. Estamos destinados a experienciar padrões de reação a cada planeta em relação a cada outro planeta de modo a completar nosso destino vibracional como seres humanos; nada menos que isso.
            Como nossas experiências são, em uma análise final, desencadeadas pelos nossos contatos com outras pessoas e devido a nos projetarmos nas relações de acordo com nossa consciência, ocorre que as projeções não regeneradas criam padrões de destino que nos retornam na forma de experiências de uma qualidade dolorosa ou “má” qualidade. Sofremos através desses alertas pois somos feitos para perceber, pelas nossas reações às outras pessoas e experiências, nosso próprio estado não regenerado. O Eu superior nos “grita”: “Estude isso e aprenda com isso; nao faça isso para outra pessoa, você o fez muito frequentemente no passado; eu insisto que você redirecione sua reação quanto a esta particular experiência de relacionamento, pois se não o fizer continuará a dirigir erroneamente sua energia e escurecer sua consciência mais do que nunca”. Assim, o padrão que aparece como quadratura no horóscopo entre dois planetas representa a necessidade, nesta encarnação, de uma drástica revisão na consciência. A palavra “atritiva” prova seu valor aqui devido aos fogos da estarem mais intensamente acesos nestes pontos e através da dor-reação – a luz mais brilhante é dirigida para os cantos mais escuros. O Eu superior está buscando reestabelecer a sincronização harmoniosa com sua consciência tornando possível sua percepção dos resultados indesejáveis do contínuo mal direcionamento de suas energias, mostrando a você a necessidade de fazer uma reviravolta em seu caminho.
            Os aspectos da quadratura e da oposição têm um fascinante “denominador comum”. Aplique o símbolo da oposição à segunda roda em branco, utilizando as cúspides das casas 2 e 8 como diâmetros; desenhe círculos ao redor destes diâmetros, que claro, sejam tangentes um ao outro no centro do mapa. Os diâmetros dos dois pequenos círculos formam juntos, um diâmetro do próprio círculo e este diâmetro conecta os pontos médios das casas 2 e 8; ciclicamente falando, o ponto de partida deste símbolo é o mesmo que o ponto de partida do quadrado fixo. O recurso de desejo da segunda e oitava casas é comum a ambos os símbolos, e o processo espiritual fundamental e oculto implícito é regeneração.
            Uma peculiaridade do aspecto de oposição é que ele “polariza” o mapa. O ponto mais baixo do símbolo está no quadrante “individualista” do hemisfério inferior; o ponto mais alto, na oitava casa, é a “extensão” do mais baixo. A segunda casa é “lidar com o material”; este é elevado à sua oitava superior através da transmutação da natureza de desejos nas relações com as pessoas: o Poder do Amor em efetuar a redenção da consciência. Deve haver alguma razão muito importante para os dois círculos pequenos, deste símbolo, serem conectados por uma diagonal de 45o ao invés de uma horizontal ou vertical. Uma horizontal é toda direita e esquerda; uma vertical é toda para cima e para baixo. Entretanto, a diagonal deste símbolo é para cima e para frente, uma composição de vertical e horizontal, o conceito essencial de todo processo e proposta evolucionários.
            A opinião consensual é de que o aspecto da oposição implica em uma necessidade de escolher entre uma coisa e outra. Alguns astrólogos interpretam isso como significando que deveríamos escolher um planeta para funcionar, mesmo em detrimento do outro. Outros dizem que deveríamos realizar um esforço para utilizar ambas as vibrações planetárias ao mesmo tempo, da melhor forma que pudermos. A primeira destas abordagens é basicamente insustentável; não podemos deixar de lado nenhum de nossos fatores astrológicos – nós vivemos com e expressamos todos através de todo o curso da encarnação. A segunda abordagem se aproxima muito mais das atuais necessidades do aspecto, pois ela nos instrui a utilizar ambos os fatores planetários. Entretanto, o Eu superior nos fala através do próprio significado do aspecto. Você vai expressar estes dois planetas não regeneradamente ou regeneradamente? O ponto não é qual dos dois planetas você vai expressar, mas qual das duas oitavas de consciência você vai expressar – aquela que você tem estado, tende a permanecer e que deveria agora estar saindo dela, ou aquela para a qual você está evoluindo, aquela que te remete para dentro ou para fora? Aquela que é autopreservação ou autodesenvolvimento? Aquela que resulta na parada da realização ou aquela que abre as portas de sua consciência à percepção da beleza, verdade e bondade? Este é o significado esotérico do aspecto da oposição e pelo qual podemos compreender por que a palavra chave percepção é usada para identificar seus propósitos.
            Assim como em cima, é embaixo. Quando o Sol e a Lua entram em conjunção a cada 28 dias uma nova “inspiração” é tomada pelo corpo vibracional da humanidade; duas semanas mais tarde esta “inspiração” é “exalada” na Lua Cheia. Esta ação é a grande vida oscilatória e rítmica de nossa existência oculta e o padrão – concepção e expressão – é experimentado por todos os nossos órgãos vibracionais em relação não apenas com os planetas, mas – e isso é importante – também os signos de sua dignidade. Assim como cada órgão de nossos corpos físicos tem sua própria forma padrão de crescimento, função, e realização, também cada planeta o tem em relação com o corpo todo de consciência.
            Um planeta no signo de sua dignidade “retornou à sua base” após uma passagem através do zodíaco; sua essência acumulada, destilada das suas experiências através de muitas encarnações passadas está agora com força total e pronta para iniciar um novo ciclo a partir das bases evolucionárias dele e sua. Um planeta no que chamamos signo de seu “detrimento” não é um planeta “mau”; ele está a meio caminho ao redor de sua própria órbita evolutiva, fazendo oposição com o signo de sua dignidade – o mais longe de “casa” que ele pode. Um mapa contendo planetas em signos de seu “detrimento” revela que a pessoa, em consciência, está naquele ponto crítico em seu ciclo evolutivo presente, e qualquer aspecto atritivo àquele planeta representa uma via para suas maiores potencialidades regenerativas. Esta encarnação, com planetas em detrimento, é muito significativa por que a pessoa se aperceberá de suas deficiências interiores de maneira muito aguda.
            Se um planeta em detrimento se apresenta como o regente do mapa (regente do signo Ascendente) então a criticidade desta encarnação se intensifica. O regente do mapa é o símbolo planetário da consciência do EU SOU: no signo de detrimento – oposto a sua própria dignidade – o mapa pode realmente contar uma história de grande conflito espiritual uma vez que os aspectos atritivos a um regente “detrimentado” torna possível que a pessoa se identifique com a escuridão. Ele tende a interpretar seus próprios potenciais da personalidade através de sua consciência não regenerada e vivendo daquela forma, pode arriscar um acentuado “retrocesso” em sua evolução. Os aspectos regenerados do mapa com o regente aí posicionado servem para torná-lo inconscientemente voltado “em direção à luz” e vivendo por estes padrões, ele assegura uma virada para cima em seu desenvolvimento, não apenas para esta encarnação, mas para todas as seguintes.
            Assim como o nascimento físico é o resultado da concepção e a Lua Cheia é o resultado da lunação previa a ela, também um aspecto de oposição entre dois planetas é a percepção que resulta da conjunção destes dois planetas em algum momento de encarnações passadas da pessoa. Não há efeitos sem causas, e desde que o padrão cósmico se manifesta em todos os planos, devemos saber ao estudar o aspecto de oposição que nesta encarnação a pessoa está se apercebendo destes dois poderes vibracionais particulares, ou qualidades, em sua própria natureza de forma muito importante e significativa. Reconheça que as tensões interiores podem ser muito grandes mesmo com apenas um aspecto de oposição no mapa. Os padrões de experiência representados pelos planetas envolvidos – por regência ou por ocupação – demandam e tornam urgente a expressão da natureza regenerada e espiritualizada da pessoa. Repetir as qualidades atritivas não regeneradas manterá a pessoa na “escuridão” não apenas nesta encarnação, mas talvez por vários “capítulos” a virem – e os testes serão no futuro ainda mais severos.
            A criticidade deste aspecto é claramente demonstrada quando o aspecto da oposição é ativada por eclipses, luas progredidas, ou aspectos planetários progredidos fazendo quadraturas simultâneas aos dois planetas. Nesta estimulação do aspecto, o resíduo não regenerado na consciência da pessoa – em qualquer idade – “sai da casinha” e ela experimenta um teste de suas capacidades regenerativas que pode ser bastante severo. Por outro lado, quando a oposição é ativada por um planeta em trígono e o outro em sextil, então o que de regeneração já se estabeleceu pode ser utilizada para lidar com a experiência manifesta. A ativação “favorável” do aspecto de oposição sempre implica, em algum grau, um teste, mas “mais do melhor da consciência” estará mais prontamente acessível.
            No que se segue é vista a razão pela qual o aspecto de oposição é universalmente considerado “não tão mau” como a quadratura; porque mesmo que os dois planetas envolvidos não tenham outros aspectos, o padrão como um todo é ativado quatro vezes pela combinação de trígonos e sextis em relação às duas vezes que ele é quadrado. Muito mais “elasticidade” é aproveitada e os impulsos de regeneração são muito mais numerosos no longo prazo.
            Um final feliz: tanto a oposição como a quadratura podem ser “salva-vidas” de grande benefício quando feitas por um Saturno em um mapa sem nada de terra. A pessoa com este mapa precisa lastro, precisa controle e direção, precisa de canalizadores para suas energias. Tal Saturno simplesmente diz – e isso prova que a quadratura e a oposição não são essencialmente más – “Eu observarei que você mantenha seus pés no chão, de modo que sua vida possa ser vivida com propósito e construtivamente; você terá responsabilidades a cumprir, ambições a alcançar, e qualidades a regenerar e redirecionar; minha vibração, apesar de parecer te colocar para baixo às vezes, é realmente sua maior benção porque ela o manterá alinhado às correntes da experiência em desdobramento”.

            A vida não nos pune através de quadraturas e oposições; ela ensina nossas mais necessárias lições através delas,

 desde que desejemos nos aperceber de nossas necessárias transformações.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

CAPÍTULO XXIV - RETROGRADAÇÃO PLANETÁRIA

Retrogradação planetária, conforme estudado em astrologia, é uma atividade periódica, rítmica, que ilustra o grande princípio evolutivo de recapitulação.
            No uso mundano corrente a retrogradação é considerada sinônimo de retrogressão, que implica um processo de declínio, degeneração, em direção inercial, involução ou contra-evolução. Esta interpretação, contudo, é erroneamente usada quando aplicada à vida na forma ou ao movimento orbital dos planetas. É verdade que, quando um veículo da manifestação cumpriu o propósito para o qual foi criado, sua substância, sua forma e sua função orgânica entram em processo de retrogradação; a retirada das forças de Vida inicia um processo de desintegração do veículo. Mas, a essência da Vida, que não pode morrer ou desintegrar-se, aguarda um veículo novo e adequado à sua expressão, além de experiências evolutivas adicionais.
            Quando observamos e consideramos em sua inteireza o grande princípio de recapitulação reconhecemos que ele é um padrão ou método pelo qual a Natureza garante a perfeição do processo evolutivo. Aquilo que foi alcançado em uma etapa de um dado ciclo é recapitulado ou revisado na retomada da nova atividade para que a integridade completa dos poderes orgânicos possa ser estabelecida. Quando a recapitulação se completa, aquilo que foi estabelecido torna-se a base daquilo que está por estabelecer-se; o programa evolutivo do organismo ou entidade torna-se desse modo contínuo, sem buracos ou interrupções. Este princípio é a grande segurança da Natureza para um processo evolutivo completo e perfeito. No plano da mentalidade humana, este princípio se revela na faculdade da memória; no plano do funcionamento orgânico ele se revela no padrão cíclico do nascimento, crescimento, maturidade e transição a que se submete toda entidade evoluinte em cada encarnação ou ciclo de manifestação. Max Heindel faz maravilhosa exposição deste princípio em seus escritos sobre os grandes períodos que marcam a involução e a evolução do nosso planeta Terra e da vida que ele nutre. No começo de cada novo período, o período anterior é recapitulado para que a integridade da função possa ser estabelecida.
            Na atividade da oração o princípio de recapitulação é defendido por muitas escolas espirituais. Repassar na memória os pensamentos, palavras e atos do dia que se finda não significam que o aspirante anda para trás ou retrograda; ele repassa honestamente suas experiências em pensamentos, palavras e atos para destilar disso valor espiritual. Ele analisa, compara e avalia não somente seus pensamentos, palavras e atos, mas também seus motivos; quando se dá conta de que um motivo foi impuro, ele expulsa esse motivo da consciência pela compreensão; a clareza da compreensão tornar-se-á alquimicamente uma força do Espírito pela qual, no futuro, ele evitará cogitar sobre, e atuar com, essa particular motivação. Ele retrocede ao fazer sua revisão espiritual? Pelo contrário, ao fazer da revisão algo construtivo ele avança, mesmo que a recapitulação possa incluir um exame minucioso de algo muito desagradável – até repugnante – à sua delicadíssima sensibilidade. A palavra “reconhecimento” significa “conhecer de novo”, de forma que o reconhecimento poderia muito bem ser identificado como o propósito básico de todos os processos de recapitulação. O reconhecimento, pela recapitulação é garantido pela Natureza para todos os planos, modalidades e graus de consciência evoluinte.
            De início, um ponto deve ser esclarecido. A astrologia não ensina que os planetas de nosso sistema retrocedem às vezes. A ação retrógrada dos planetas é um movimento periódico aparente devido à rotação axial e orbital da Terra – não é real. Todavia, em virtude das mudanças relativas de observação – relativas no sentido de que os planetas na astrologia geocêntrica são observados zodiacalmente da Terra ao invés de o serem do Sol – cada um dos planetas parece recuar periodicamente em seu percurso zodiacal, permanecer estacionário por certo tempo, e então avançar novamente pela área retrocedida e daí para frente em nova área.
            Como a Terra e cada planeta têm a sua própria distância e velocidade orbital em torno do Sol, esses períodos de retrogradação e parada obedecem a um plano rítmico de sequência regular semelhante, por exemplo, aos períodos humanos de atividade consciente no estado de vigília e de atividade subconsciente durante o sono, ou do plano rítmico das mudanças de estações através da sucessão dos anos. Devemos lembrar que todo princípio ilustrado pela astrologia tem suas correspondências na vida do universo, pois este é a criação da Consciência e a Astrologia é o estudo simbólico da Consciência. A imagem de cada fator em um horóscopo natal humano é uma imagem do Princípio, ou Lei, revelado; se uma encarnação adicional se faz necessária para a evolução de um ser humano, então a encarnação é submetida às leis entendidas como Espaço e Tempo. A regulagem da hora, data e local da encarnação, que pode incluir o registro de um planeta “retrógrado” no horóscopo natal, diz ao interprete algo sobre a evolução de consciência da pessoa assim como o fazem seu signo Solar, signo Lunar, Ascendente, ou qualquer aspecto planetário.
            O mais pleno significado do Princípio de Recapitulação pode ser coletado considerando-se que a evolução da consciência é representada como um processo espiralar. Mudança é a única coisa constante a ser vista através da vida e a espiral representa o composto do “para o alto, para frente e sempre” que caracteriza todos os processos da vida. A involução, necessária fase preparatória tanto quanto a evolução, é uma parte do “para o alto” – exatamente como os estudos, lições e exercícios são a fase preparatória da formação de um talento artístico ou profissional. Em qualquer linha de esforço, ou expressão de vida orgânica, os programas e objetivos involutivos e evolutivos sempre contêm áreas periódicas de recapitulação, mas o começo da primeira recapitulação é sempre uma extensão do ponto inicial e cada recapitulação seguinte é uma extensão das anteriores que lhe correspondem. Assim se formam e se integram os elos de ligação; a espiral se forma com continuidade ininterrupta enquanto a consciência individualizada ganha consciência crescente de seu Eu através da experiência orgânica.
            Uma questão pode ser levantada sobre este ponto: o que dizer dos atrasados? Não estão eles retrogradando para a inércia? O fenômeno da consciência individualizada incapaz de acompanhar os passos dos companheiros da sua onda de vida deve ser considerado também sob um ponto de vista relativo. Esses seres se atrasaram ou adiaram seu programa evolutivo por um tremendo período de tempo, mas como foram individualizados em alguma época, devem algum dia retornar em consciência à sua fonte. Desde sua individualização com outros de sua onda de vida, eles prosseguiram por algum tempo no programa evolutivo – eles tiveram alguma experiência evolutiva. Por conseguinte, quando começarem novamente, sua recapitulação inicial irá impulsioná-los mais rapidamente do que avançaram em sua primeira tentativa. Essas entidades não estão “perdidas para sempre”; elas são canais para a Luz e a Vida do seu Criador como o são todas as outras; elas estão retrogradando somente em relação ao processo dos seus irmãos evoluintes. Elas estão tendo a experiência certa para elas, e terão sua individualização, recapitulações e passos progressivos no devido tempo. Lembre-se: na função orgânica e na consciência, a retrogressão ou retrogradação é relativa, não absoluta.
            Do ponto de vista da observação geocêntrica, o Sol e a Lua são sempre vistos em movimento “direto”; nenhum dos dois jamais faz a retrogradação periódica que caracteriza a ação aparente dos planetas. O Sol transita o zodíaco uma vez por ano, e recapitula sua posição natal a cada aniversário do indivíduo; a Lua, por trânsito, recapitula sua posição natal a cada vinte e sete dias e oito horas; por progressão, a cada vinte e sete anos e quatro meses aproximadamente. Movendo-se para frente a partir de sua posição natal, no fim de sua primeira volta ao zodíaco por progressão ela entra no segundo ciclo e recapitulam dessa maneira todos os aspectos formados ao nascimento, combinados com os fatores adicionais de um “arranjo” diferente de aspectos de planetas progredidos, trânsitos e eclipses solares.
            A recapitulação solar e lunar também é revelada nos padrões formados pelos eclipses solares e Luas Cheias deste modo: por exemplo, um eclipse solar ocorrido em agosto de 1952 nos 28 graus de Leo; uma Lua Cheia em fevereiro de 1954 nos 28 graus de Leo. Este padrão abrangeu dezoito meses, e a Lua Cheia recapitulou o eclipse. Em tal caso, os aspectos dados à Carta natal pelo eclipse fornecerão a nota-chave da experiência da pessoa durante esse subsequente espaço de muitos meses, e na ocasião da Lua Cheia recapitulante o astrólogo de mente espiritualizada fará bem em revisar a avaliação de sua experiência, destilar disso valor construtivo, e desse modo construir seu Corpo Alma. Os períodos caracterizados pela recapitulação de um eclipse solar por uma Lua Cheia geralmente cobrem um período de dezoito ou vinte e quatro meses; o eclipse solar de julho de 1953, no signo de Câncer, foi recapitulado pela Lua Cheia no signo de Câncer em janeiro de 1955.
            O Sol e a Lua revelam um movimento de retrocesso constante deste modo: o Sol, por precessão, move-se para trás através do zodíaco, podendo-se observar que as sucessões de eclipses, Luas Novas e Luas Cheias ocorrem em posições “contra-zodiacais”. Só os planetas revelam o movimento periódico “recuo-parado-avanço”.
            Todos sabem de casos de estudantes que foram reprovados na escola devido ao que parecia ser uma dificuldade insuperável com certa matéria ou fase de alguma matéria. A necessidade de tal reprovação não indicava que o menino fosse basicamente limitado, anormal, ou “mal”. Indicava sim que ele ainda não estava devidamente preparado para preencher o requisito dessa aprovação nessa matéria em particular. Portanto, já que lhe requeriam dominar esse aprendizado específico, era necessário deixá-lo recapitular voltando à fase anterior da matéria, estudando-a e assinalando-a novamente, e assim qualificando-se para o progresso por haver-se preparado.
            Nossa experiência de encarnados é escolaridade evolutiva. Assim como não podemos assimilar toda uma dada matéria de uma só vez, do mesmo modo não podemos penetrar em todas as fases da experiência humana em uma só vida. Tudo o mais à parte, o fato de sermos organicamente polarizados como machos e fêmeas impossibilitaria a experiência total. Todavia, em virtude de uma longa sequência de encarnações durante a qual podemos encarnar como macho ou fêmea, consoante a necessidade evolutiva e a exigência cármica, temos a oportunidade de cumprir todas as fases de experiências pertinentes ao gênero. Visto que a concentração de pensamento e de esforço é necessária para o êxito e realização de nossos talentos e esforços profissionais, usamos cada encarnação para nos especializar e poder focalizar a consciência, extraindo assim o máximo benefício e desenvolvimento do que fazemos no trabalho ou em outras atividades e esforços. No entanto, assim como a individualização da consciência exige eventual cumprimento evolutivo, do mesmo modo qualquer aceitação de experiência exige cumprimento. Muitas vezes o Princípio de Recapitulação deve ser utilizado quando, após aceitarmos e vivermos certa fase de experiência, deixamo-la por um instante para focalizar a atenção em outras fases. Aquilo que foi deixado em suspenso não foi esquecido; antes se permitiu que ele permanecesse adormecido, esperando ser assumido e resolvido no futuro. Aqui se encontra uma chave filosófica para o estudo interpretativo da retrogradação planetária.
            Retrógrado natal, permanecendo retrógrado por toda a vida: as condições indicadas pela casa regida por este planeta são de importância secundária para o cumprimento da presente missão de vida. Contudo, visto que todos os fatores planetários têm propósito espiritual e evolutivo e devem ser usados pela entidade, parece que alguma forma de cumprimento vicariante é indicada por este tipo de retrogradação. Em uma vida futura a plenitude de expressão significada por este planeta representará um fator principal da missão de vida. Na presente vida, o fator experiência representado pelo planeta e casa que ele rege é mantido em relativa suspensão, de modo que os fatores que envolvem a principal missão evolutiva para esta vida possam ser nela concentradas.
            Retrógrado natal, estacionário por progressão no fim da vida: é indicação de que a missão de recapitulação ativa será assumida na vida seguinte; o período de suspensão termina nesta vida, e a próxima encontrará a pessoa qualificada para reassumir, por recapitulação, aqueles fatores de experiência que foram mantidos em suspenso por várias vidas talvez; esse tipo de progressão indica que a pessoa assumirá um fator novo de grande significação na missão da próxima vida, sendo um que ele começou e interrompeu em alguma fase de sua vida passada; tal fator terá considerável conteúdo cármico, resíduo de um passado distante, pelo que talvez possam ser necessárias várias vidas para cumprir essa missão.
            Retrógrado natal, por progressão estacionária e depois direta nesta vida: indicação de que a missão de recapitulação ativa deve ser assumida na presente vida; termina o período de suspensão; a experiência representada pelo planeta torna-se o principal fator evolutivo da atual missão de vida quando o planeta desloca-se para frente em movimento direto a partir do período estacionário. O intérprete astrológico emprestará cuidadosíssima atenção à marcação de tempo do movimento direto progredido, relacionando-o com os aspectos planetários progredidos do momento, ciclo atual de eclipse solar, e com o quadrante da Lua progredida. Do ponto de vista evolutivo, este tipo de progressão planetária é um dos mais importantes, pois marca a segunda tentativa da pessoa nos assuntos relacionados à casa regida pelo planeta, e o que seja feito nos restantes anos desta vida a respeito disso criará muito carma obstrutor ou regenerador a ser utilizado no futuro. Este tipo de progressão marca um principal ponto evolutivo na história cíclica da consciência individualizada.

            Retrógrado natal, por progressão estacionário, direto, depois em conjunção com o radical: fim do período de suspensão e recapitulação subjetiva, florescimento de recapitulação ativa e expressão real, direta e criadora do poder planetário; participação direta no padrão de relacionamento e fatores de experiência representados pelo planeta, sua casa de regência e casa em que se posiciona. O aspecto particular ou fase da consciência anímica “alcança a si mesma”, e cada aspecto radical de qualidade regeneradora – sextil ou trígono – indicado pelo planeta promete uma onda de grande alegria. As quadraturas ou oposições apresentadas pelo planeta trarão provas nesse período de vida, mas, em termos de uma maior habilidade da pessoa de manejá-las fazendo uso de todos os recursos de poder espiritual para as necessárias resoluções. Quando um planeta está direto no radical, mas, torna-se retrógrado por progressão, e assim permanece, isto indica que esta vida assistirá a uma “remoção” dos fatores representados pelo planeta; isto parece indicar que a pessoa vai focalizar sua atenção, evolutivamente falando, em outros fatores. Se este planeta, retrógrado por progressão, alcança a conjunção com a sua posição radical na presente vida, isto indica cabalmente que os fatores planetários específicos não serão de grande importância na próxima vida.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

CAPÍTULO XXIII – A OITAVA CASA


Livre tradução de: http://www.rosicrucian.com/sia/siaeng29.htm
A transição da dimensão física para os planos invisíveis é uma experiência que a humanidade, em sua maior parte, considera com uma sensação de ansiedade, medo, e, em certos casos, de absoluto terror. Em nenhuma fase do trabalho astrológico exige-se do astrólogo ser mais sensível, mais impessoalmente compadecido, e mais verdadeiramente simpático que naquelas ocasiões em que é chamado para interpretar uma Carta de alguém cuja reação de abatimento pela transição de um ser amado neutralizou temporariamente sua capacidade de prosseguir. Uma vez que cada casa na roda tem seus princípios básicos – como um padrão de experiência – este assunto é apresentado na esperança de que possa ajudar a todos os estudantes e praticantes de astrologia a alcançarem uma consciência mais clara da mais oculta das casas, e assim aumentar sua capacidade de lidar com pessoas que estão “palmilhando caminhos escuros”.
O princípio da oitava casa é regeneração; e cabe neste ponto uma palavra de esclarecimento.
Certo cavalheiro que o autor conhece demonstrou magnificamente o poder do ponto de vista regenerador diante de uma separação avassaladora. Sua digna esposa deixou este mundo no momento em que se encontrava no auge da fama e da prosperidade, amada e respeitada por muita gente. Poderíamos dizer que ela tinha tudo para continuar vivendo; ainda assim a Vida a levou sob circunstâncias drásticas e calamitosas. Há pouco mais de um ano a Carta dessa excelente mulher foi posta à disposição do autor, que visava desvendar o segredo daquela experiência especial de transição. Focalizando a análise da Carta nos padrões das casas sétima e oitava, décima segunda e primeira, chegou a esta conclusão: acima e além de qualquer fama mundana que tenha alcançado, essa mulher foi verdadeiramente uma grande alma que, num gesto de serviço amoroso, escolheu fazer sua transição de maneira violenta para que pudesse efetuar-se uma grande redenção. É muito possível que esse feito heroico lhe tenha proporcionado a possibilidade de grandes realizações no futuro. Esta Carta especial é um maravilhoso exemplo do elo de ligação entre padrões de relacionamento do passado e seu cumprimento na presente encarnação. O desafio à coragem e integridade de espírito do marido foi enfrentado com galhardia e, em consequência, ele foi levado a um gesto de serviço que, tendo sido cumprido, já provou ser uma fonte de regeneração e de renovação por seu notável trabalho.
Para obter a essência da oitava casa prepare o seguinte mandala: uma roda em branco com doze casas; numere a primeira, a segunda, a sétima e a oitava casa; realce o diâmetro formado pelas cúspides das segunda e oitava casas. Isto é uma ilustração simples da oitava casa e de sua polaridade, a segunda casa. Gire a roda de tal maneira que a oitava cúspide situe-se no Ascendente; deste modo a sétima casa aparece como a décima segunda. Os significadores essenciais da décima segunda casa de qualquer coisa são: 1) o elo entre a encarnação passada e presente; 2) necessidade de redenção que impele a presente encarnação. Partindo desta perspectiva, o significado da oitava casa da presente encarnação é visto como a regeneração das imagens de desejo que são as memórias ocultas de reações às experiências matrimoniais e de relacionamento na encarnação passada. Essas imagens de desejo têm suas raízes nos instintos sexuais e na consciência de posse, que, na relação matrimonial ou sexual, alcançam um pico de intensidade maior que os alcançados através de qualquer outra fase de experiência.
Em referência ao mandala original: a polaridade ou posição criada pela relação mútua entre a oitava e segunda casas pode ser interpretada deste modo: o inimigo (aspecto de oposição) da regeneração (oitava casa) é o apego (fase primitiva da segunda casa); o inimigo (aspecto de oposição) do princípio administrativo (segunda casa) é o fracasso em regenerar o desejo (oitava casa negativa). O princípio administrativo é o “uso certo dos materiais” – entrada e saída proporcionais, equilibradas; apego aos materiais é tudo só entrando e nada saindo, um estado de desequilíbrio pelo qual a consciência torna-se eventualmente “presa a terra” por sua preocupação com valores materiais.
Os negativos de ambas as casas “alimentam-se reciprocamente”. Desejo sem Amor, sexo sem fruição, permanecem fixos na possessividade; o desejo intenso por dinheiro e coisas, sem uma saída equilibrada pela troca, congestiona as imagens da entrada, resultando isso em um tipo de paralisia devido às demandas sempre crescentes da natureza de desejo. A pessoa amada é considerada como uma posse; o enfoque no dinheiro ou nas posses com a exclusão do relacionamento pessoal correto neutraliza gradualmente o potencial de amor, e, em qualquer dos dois casos, o resultado é congestão, a qual por sua vez cria todo tipo de males em todos os planos da consciência humana. Os poderes simbolizados pela oitava casa são os que produzem a descarga dessas congestões da natureza de desejos. Essa descarga é simbolizada pela vibração dinâmica de Marte: ação construtiva; através de Vênus: mutualidade.
A transição que costumamos chamar de morte é na realidade uma expressão em larga escala do Princípio de Regeneração que, por sua vez, é a essência da espiral, para frente e para o alto, de qualquer expressão da Vida. Quando no estado de saúde, nossos corpos são continuamente renovados e regenerados; a congestão – ou “estagnação” – é algo que resulta em doença. No plano da reação emocional, congestão é qualquer reação que resulta na incapacidade ou desinteresse da pessoa em manter-se adaptável, sensível, receptiva e entusiástica para as novidades das experiências. Se nos apegamos, em sentimento, a coisas que já não participam de nosso viver construtivo, nós nos congestionamos de algum modo. Contudo, se nos mantivermos receptivos e sensíveis ao significado das novidades, acolhemos o advento de outros moldes às nossas vidas, nos quais podemos despejar nossos potenciais.
A congestão, como uma reação à transição de um ser amado, resulta em manifestações tais como a autocompaixão, pesar mórbido sobre o passado, ressentimentos, e tendência para o auto-isolamento. Isto, por sua vez, acumula as energias em montanhas de pó de misantropia, desespero, tendência para escape e confusões psíquicas. Quando nos apegamos àquilo que a vida tem provado estar obsoleto, nós não estagnamos, mas retrocedemos. Ou estamos com a vida na geração e regeneração, ou estamos contra ela na degeneração congestionada. A transição da pessoa que seu cliente amava não é o problema do seu cliente; o problema dele é destampar as fontes de poder interno que resultarão na neutralização de seus padrões de reação declinantes. Uma parte importante de sua responsabilidade é ajudar tal pessoa a compreender que “a morte não existe, só existe a vida”. Fixe em sua consciência a “existência eterna” da vida e a importância de nossa responsabilidade de adaptar-nos às mudanças de circunstâncias e liberarmos o melhor de nossas possibilidades de prosseguir.
Faça que sua conversa com tal pessoa seja completamente doadora de vida; nunca prediga a morte nem mesmo tente descrever os meios pelos quais ela pode ocorrer. Não se deve satisfazer a curiosidade mórbida sobre este assunto. (De qualquer modo, e sob um ponto de vista puramente astrológico, não é sábio tentar-se este tipo de interpretação; o mesmo padrão indicativo da morte indica também o despontar do novo, transmutado do velho durante a encarnação).
Você como estudante de astrologia, deve ter uma perspectiva clara, limpa, sobre a transição e seus significados se quiser ajudar de algum modo. Não pode permitir que o medo da morte se aloje em seu subconsciente se você vai encarregar-se de “lançar Luz na consciência anuviada de alguém”. Firme-se completamente na consciência de continuidade eterna da vida, e se sempre experimenta uma tendência a reagir com comoção, medo ou ansiedade ao quadro de uma morte, exercite-se em neutralizá-lo imediatamente pelos meios mais eficientes (filosóficos e psicológicos) ao seu dispor.
Podemos efetuar outra abordagem a oitava casa se percebermos que a mesma fornece uma chave para solucionar todos os tipos de problemas que podem estar indicados na Carta. Um problema resulta de energia mal dirigida; em virtude da intensidade de qualidade implicada no padrão da oitava casa, um pequeno redirecionamento nesse ponto poderia ter um notável efeito na reorientação de quase todas as outras condições negativas indicadas na Carta. De fato, todos os nossos padrões de relacionamento são agora sequências do passado e estão, em última análise, arraigados em nossa consciência de desejos desde muitas encarnações de experiências de relação. Nossos desejos alcançam o teclado inteiro: autopreservação e automanutenção, obsessões de toda classe, poder sobre coisas materiais e sobre pessoas, gratificação sexual e possessividade mútua entre pessoas, propriedade e prestígio perante o mundo, fama e renome, e assim por diante – todos estes quadros de desejos, e as impressões e memórias, nos têm impelido a padrões específicos de relacionamento com outras pessoas o tempo todo; congestões em quaisquer desses pontos são “mortes internas”, das quais é preciso nos libertar de algum modo.
Algo no coração humano busca continuamente iluminação, de modo que quando o astrólogo precisa lidar com um “problema de aflição” ele reconhece que a sua primeira e principal responsabilidade é estimular a capacidade da pessoa desolada para a coragem e para a adaptabilidade inteligente. Quando nos damos conta de que a oitava casa também é chamada a casa da experiência do sono é que reconhecemos o valor do nosso período diário de sono um meio regenerador. Melhor que continuar no miasma do medo enquanto enfrenta o “desconhecido” (que, casualmente, tem sido enfrentado muitas vezes por todos nós no passado) é qualquer pessoa desolada buscar instintivamente compreender seu padrão de experiência de modo mais claro do que já havia conseguido antes; ela de fato continuará em sua busca até encontrar a resposta, ou nesta encarnação ou na décima a partir desta. Por conseguinte, ajude-a a ver a transição do seu ente querido sob a luz mais misericordiosa possível; relembre-o das ocasiões em que estava tão exausto pelo esforço físico ou pela dor que desejava umas poucas horas de sono mais que todo o ouro da terra. Então, lhe apresente a imagem da consciência do ente amado (que tem se manifestado por milhões de anos) como precisando de algumas horas de sono antes de retomar a próxima fase de experiência. Faça sua consciência conhecer a “morte” como uma fase de experiência rítmica, natural e necessária. Aí volte sua atenção para a oitava casa da pessoa, porque ela ainda está aqui e deve prosseguir em sua vida. Sugere-se que você “ilumine de branco” o regente da oitava casa dela e, consequentemente, a posição desse regente por signo e casa. Isto é sugerido porque é sua oportunidade de alertá-lo para o melhor de suas possibilidades de prosseguir – e você deve circunscrever esta parte da Carta dele do modo mais abrangente possível.
Em tais interpretações, não cometa o erro de inserir sua própria reação pessoal à interrupção do padrão de relacionamento da pessoa. Reconheça que uma mulher pode amar a seu marido acima de todas as outras pessoas, acima até de seus filhos; um homem pode amar a sua mãe mais que a qualquer outra pessoa, mesmo sua esposa. Lembre-se de que não importa quão profundamente a pessoa amava o falecido, a transição deste último proporciona mais espaço na vida para que ele estenda seus potenciais de amor em outras direções, e é evidente que tal extensão é requerida nesse momento. Estude os aspectos dos eclipses solares formados antes da transição; se o eclipse ocorreu em conjunção com um planeta, isto indicará que uma nova prova severa se manifestará entre este eclipse e o próximo. Mas, lembre-se também de que o eclipse anterior pode ter formado um trígono ou um sextil com algum planeta na Carta desta pessoa; isto promete uma “experiência nova” muito significativa. A transição pode ter tornado possível essa nova experiência.
Os aspectos da Lua progredida no momento da transição (na Carta da pessoa) devem ser observados bem de perto. O que ele põe em ação durante um aspecto da Lua progredida produz fruto muito significativo. Se sua reação à transição impele-o à ação retrógrada ele imprime na consciência uma impressão desse aspecto mais profunda que nunca. Portanto, dizemos novamente que as pessoas devem ser encorajadas a se libertarem em ações construtivas para uma mutualidade do bem quando padrões regeneradores estão em execução.