quinta-feira, 4 de abril de 2013

CAPÍTULO XVIII - ASTROLOGIA DA LUZ BRANCA

Livre tradução de: http://www.rosicrucian.com/sia/siaeng23.htm


A essência do serviço espiritual de qualquer tipo é executada pela pessoa que transmuta as áreas negativas de sua própria subconsciência, fortalece e disciplina suas faculdades mentais; mantém viva sua consciência de coração pelo poder do amor, e procura sempre perceber o melhor nos outros. A percepção do bem real ou em potencial nos outros é um estímulo que, cedo ou tarde, possibilita a expressão desse bem. A essência do progresso evolutivo é a sempre crescente consciência do Bem; nós como indivíduos, contribuímos para o progresso da raça como um todo quando, pela consciência regenerada somos capazes de levar os outros a reconhecerem os seus mais altos potenciais para a realização de talentos e habilidades, saúde, amor e sucesso em qualquer campo de esforço.

O termo “luz branca” é uma expressão simbolizada dessa consciência. Branco é a composição de todas as refrações das cores; em sua forma mais pura, a cor branca se ergue como um símbolo da vibração da consciência que se centraliza em Deus. Suas refrações podem referir-se a, ou serem consideradas como qualidades anímicas, correspondendo espiritualmente às variações encontradas nos espectros das cores. Cada uma dessas cores manifesta o princípio da diversidade como uma expressão de unidade, em que cada qualidade tem seu âmbito vibratório desde os aspectos mais primitivos, irregenerados, até seus aspectos mais regenerados e altamente espiritualizados. Quanto maior o grau de pureza e luminosidade do composto branco, melhores as expressões vibratórias visuais como símbolo de consciência aperfeiçoada.

O astrólogo, quando estudando horóscopos de pessoas, na realidade estuda, analisa, sintetiza e interpreta padrões vibratórios de qualidades anímicas que representam todos os possíveis campos de desenvolvimento e seus reflexos, no mundo das formas, como padrões de experiência. A consciência artística do pintor, por exemplo, é refletida por aquilo que se encontra em suas telas; a do músico manifesta-se naquilo que sai do seu instrumento.

O astrólogo, também um artista-intérprete, expressa a sua consciência pela maneira como interpreta os horóscopos dos outros; os horóscopos são seus instrumentos – correspondentes ao pincel, às tintas e telas do pintor, e ao violino do músico. A consciência de bem do astrólogo corresponde ao composto de percepções artísticas do intérprete da consciência da estética. A inspiração é a ignição de todas as consciências que se harmoniza com a verdade e com a beleza; para o astrólogo essa ignição é possibilitada quando ele carrega sua consciência com o desejo de interpretar um horóscopo consoante o melhor de toda a sua potencialidade. Isto significa que ele faz de sua meta final de interpretação em alertar o indivíduo para o reconhecimento daquilo que há de melhor e de mais belo nos tons e cores anímicas do mesmo.

A impessoalidade do serviço do astrólogo torna imperativo que, quando esteja em seu trabalho, ele eleva sua consciência dos padrões inferior de sentimento e emoção pessoais. Sugerimos como técnica preparatória para o desenvolvimento dessa faculdade, meditar sobre a seguinte mandala; um círculo em branco, mas com um ponto exatamente no seu centro. Este mandala é a representação mais perfeitamente impessoal de um horóscopo que é possível fazer. Ele não transmite padrão de experiência, padrão de emoção, nem atrito, sofrimento ou dificuldade. O ponto no centro pode significar o propósito da tarefa do astrólogo. É de um só ponto, condensado e não diferenciado. Este ponto deve ser uma fonte de iluminação espiritual para o indivíduo, e quando a meditação sobre esse propósito é, por si, focalizada e concentrada, as inferiorizações pessoais se desvanecem na consciência do astrólogo. Deste modo o astrólogo se faz “luz branca”; seu próximo passo é “iluminar de branco” a pessoa do horóscopo que está estudando. Isto ele faz acrescentando ao mandala acima os diâmetros vertical e horizontal; o resultado é o retrato mais abstrato e impessoal que pode ser feito de um ser humano. Este mandala é uma figura composta da consciência espiritual – o ponto central; o estado de encarnação física é a cruz formada pelas linhas retas, e o envolvimento pelo círculo perfeito é o poder divino, o amor divino e a sabedoria divina. O mandala retrata um ser humano que está cônscio de sua origem espiritual e da espiritualidade da encarnação. Da meditação sobre este retrato, revela-se a consciência de luz branca do astrólogo para a pessoa do horóscopo.

O próximo passo do astrólogo no desenvolvimento da consciência de luz branca é acrescentar os outros diâmetros ao mandala acima, completando-se assim a roda do horóscopo de doze casas. O mandala apresenta agora a imagem da pessoa como sujeito aos mesmos padrões gerais de experiência e relacionamento comuns a todos os outros seres humanos. Estas doze “casas” são os “aposentos” em que vive a Humanidade durante a encarnação. Cada uma é tão necessária quanto às outras, cada uma tem seu significado particularizado na experiência, e cada uma é uma oficina para criação de maior bem em todos os planos de expressão e realização humanos.

O mandala, tal como se encontra agora, é o padrão essencial de todos os horóscopos. A meditação sobre ele, como uma representação da vida humana, pode ser feita por todos os astrólogos de tal maneira que a percepção do propósito evolutivo da vida humana possa tornar-se mais profunda e mais clara a cada dia. Todo horóscopo percebido como uma “expressão de variação” de seu mandala significa uma oportunidade muito melhor de ser interpretado sensitiva e intuitivamente; sem este preparo da “iluminação branca do padrão básico”, o astrólogo corre o risco de confusão mental diante de todos os fatores complexos de um horóscopo natal. Além do mais – e isto é importante – uma vez que os horóscopos representam pessoas, o astrólogo desenvolve automaticamente a reação de “iluminação branca” às pessoas, quando com estas contata em seu dia-a-dia. Isto é um desenvolvimento natural de sua meditação diária de luz branca sobre o mandala astrológico porque ele emite para as pessoas uma consciência que se focaliza cada vez mais nas perfeições.

Partindo do desenho abstrato, começamos agora a aplicar a técnica da luz branca às variações pessoais; pomos de lado o padrão universal e passamos a considerar os padrões particulares.

A velha advertência: “A caridade começa em casa” pode ser aqui repetida desta forma; o desenvolvimento da técnica luz branca começa com a meditação do astrólogo sobre a própria Carta. Ele, um ser humano, tem o mesmo padrão essencial de qualquer outro ser humano. Mas seus particulares diferem até certo ponto dos de qualquer outro.

O fato de ser astrólogo não o exime automaticamente dos padrões de sentimentos pessoais em forma de pré-julgamentos, ressentimentos, falso orgulho, inveja, etc.. Contudo, ser astrólogo impõe-lhe a responsabilidade de superar esses negativos tão cedo, e tão completamente, quanto possível. Seus negativos podem congelar-se e cristalizar exatamente como os de qualquer outra pessoa, portanto ele, o astrólogo deve voltar sua consciência impessoal para si mesmo, o ser humano interno. Isto é verdade; na medida em que o astrólogo permanece fixado em padrões de reação negativos ele limita suas habilidades para interpretar. Nesse estado ele transfere seus próprios negativos para padrões semelhantes que pode achar na Carta de outrem. Por exemplo: um astrólogo masculino tem-se fixado num padrão de aversão relativo a uma específica expressão feminina na vida humana. Para esta expressão existe um profundo sentimento subconsciente de desagrado ou de animosidade – resultado de sua reação à experiência de um problema algum dia no seu passado. Nunca libertou seu subconsciente desse sentimento fricativo. Agora perguntamos; como pode ele interpretar adequadamente e resolver psicológica ou espiritualmente uma condição análoga que encontra na Carta de outra pessoa? Existem astrólogos que, motivados por profundos impulsos de autodefesa e auto-justificação falham em interpretar corretamente certos padrões nas Cartas astrológicas o que outros podem ver num relance. Faz-se necessário, e urgentemente, um pouco de luz branca nesse ponto.

Nós, astrólogos, geralmente não encontramos dificuldade em “iluminar de branco” as doze casas da Carta. As casas erguem-se como representações de padrões básicos de experiência e, como tais, transmitem mais diretamente um significado impessoal. Mas, parece que alguns de nós temos para si que isso se deva a certos estelares e/ou aspectos planetários. Por quê? Porque os estelares são os enfoques da consciência, e alguns dos padrões que formam nas relações entre si retratam os atritos e testes dos padrões de consciência. Tendemos a considerar como ruim, mau ou infeliz qualquer padrão de experiência que estimule nossos níveis irregenerados de consciência, levando-nos assim a experimentar reações dolorosas. Aqueles que estimulam nossos níveis regenerados de consciência nós interpretamos como: benéficos, afortunados e felizes. O composto simbólico a que chamamos negro –, mau, doloroso ou ruim – deve ser trabalhado e transmutado naquilo a que chamamos branco. Por que então não aprendermos a perceber a brancura inerente a todas as qualidades e relações estelares? Isto busca a fase interpretativa da astrologia de luz branca.

A brancura de qualquer estelar é o princípio de vida simbolizado por esse estelar. A diversidade de expressão de qualquer estelar é apenas outro modo de dizer: a diversidade de expressão da consciência humana. De acordo com a sua falta de desenvolvimento você desconhece o sentido e significado deles. O propósito de iluminar de branco qualquer coisa é torná-la mais consciente de seu sentido espiritual.

Contudo, por mais claramente que você, como astrólogo, possa delinear e compreender a Carta natal de outra pessoa sugere-se que adote um plano pelo qual você se torne mais perceptivo de sua própria brancura. Este plano envolve meditação sobre vários mandalas extraídos de sua própria Carta; um mandala para cada um dos seus estelares. Estes mandalas não implicarão no uso de quaisquer números porque número implica em limitação, e a brancura é ilimitada. Não se permita usar uma única palavra-chave negativa, degradante nessas interpretações. Use somente palavras que transmitam níveis de consciência espiritualizada.

O mandala para a posição do seu Sol pode ser um círculo com as doze casas; o símbolo de Leão na cúspide de Leão; ponha o símbolo do Sol na casa e signo onde você o tem; coloque o símbolo do seu signo solar na cúspide própria dele. Esta é a imagem concentrada do seu Sol vista com luz branca. Sintetize em palavras-chave espirituais cada fator deste quadro – ele é a essência espiritualizada de sua consciência solar, de sua força de vontade e propósitos; é a radiação do amor criador.

Mandala do seu Vênus; uma roda como a mencionada acima com os símbolos de Touro e Libra nas cúspides próprias de sua Carta; ponha o símbolo de Vênus – símbolo abstrato da consciência feminina realizada, refinamentos da alma, consciência estética, capacidade de cooperação, etc. – na Carta e signo onde você o tem; ponha o símbolo do signo que contém a Vênus na cúspide apropriada para a sua Carta. E assim por diante – um mandala para cada um dos outros estelares.

A impressão transmitida por cada um dos seus mandalas estelares é a de uma cor pura uma luz brilhando sem interferências. Não existem implicadas complicações ou limitações à habilidade do estelar de irradiar no seu máximo.

Seu horóscopo de luz branca é o composto de todos os seus mandalas estelares; uma roda com seus signos nas cúspides, seus estelares colocados de acordo com as casas e signos em que você os tem. Utilizando os princípios mais espirituais como palavras chave, interprete agora sua Carta como um retrato do mais elevado e melhor que você é capaz de experimentar e realizar nesta encarnação. Sua Carta natal, deste modo, é um retrato astrológico do seu eu ideal.

O próximo passo é extrair um mandala de luz branca, pelo mesmo modo descrito acima, para cada um dos aspectos de quadratura e/ou oposição; chamaremos a estes padrões de mandalas dos aspectos. Não coloque os graus estelares no mandala de aspectos, mas medite com palavras-chave espirituais sobre os dois estelares envolvidos. Desde que cada estelar em um mandala de aspectos brilha com a mesma pura luz essencial com que brilha em seu próprio mandala, você está agora exercitando a faculdade de síntese no iluminar de luz branca um padrão duplo. Siga o mesmo plano na aplicação aos seus aspectos compostos (que envolvem três ou mais estelares).

Após os preparativos de a luz branca ter sido efetuado, as quadraturas e oposições na sua Carta natal serão vistas clara e verdadeiramente como o processo de experiência e reações à experiência pelo qual você regenera a sua vida em todos os planos. Concluindo, oferecemos este aforismo à sua consideração espiritual; a regeneração da consciência não é para o propósito de fazer trígonos para o futuro, mas sim para o propósito de desdobrar a consciência de Deus através da expressão de seus estelares de acordo com os princípios espiritualizados de luz branca deles.


terça-feira, 5 de março de 2013

CAPÍTULO XVII - O MANDALA ASTROLÓGICO




Mandala é um desenho abstrato utilizado por um artista criativo para concentração e meditação. O mandala esboça a essência de um conceito artístico; meditando sobre ele o artista concentra suas faculdades inspiradas, às quais posteriormente dá forma através da pintura, da escultura ou de qualquer outro meio que use para se expressar.

O astrólogo é um artista interpretador cujo mandala essencial é o desenho comumente conhecido como horóscopo natural. Ponha nas cúspides de uma roda astrológica, e na devida ordem, os símbolos dos signos zodiacais, começando naturalmente por Áries na cúspide do Ascendente, Touro na segunda cúspide, etc.. A seguir ponha os símbolos do Sol, da Lua e dos estelares nos signos e casas de suas dignificações; Marte em Áries, na primeira casa; Vênus em Touro e Libra, nas segunda e sétima casa; Mercúrio em Gêmeos e Virgem na terceira e sexta casa; a Lua em Câncer, na quarta casa; o Sol em Leão, na quinta casa; Plutão em Escorpião na oitava casa; Júpiter em Sagitário na nona casa; Saturno em Capricórnio na décima casa; Urano em Aquário na décima primeira casa; Netuno em Peixes na décima segunda casa.

O desenho resultante da colocação desses símbolos em volta e dentro de um círculo com doze secções iguais é considerado pelo autor o maior mandala criado pela mente humana. É o símbolo composto da natureza vibratória da entidade a que chamamos humanidade. O horóscopo calculado para a encarnação de qualquer ser humano é uma variação deste mandala; os mesmos elementos essenciais são encontrados em todos os horóscopos de toda a humanidade, qualificados em cálculos somente pelas diferenças de datas, horas e locais de nascimento.

O “Grande Mandala”, como o chamaremos, é um símbolo composto de tal magnitude e complexidade que a imaginação se embaraça quando o contempla. É bom formar o mandala passo a passo, desde o começo.

Use uma folha de papel em branco, calcule exatamente o centro e ponha nele um ponto. Este ponto é o símbolo da Consciência que torna possível a manifestação de uma galáxia, um sistema solar ou a encarnação de um ser humano. Ele é o símbolo essencial da “existência” em todos os planos.

Trace uma linha vertical do comprimento do papel e que passe pelo ponto; esta linha representa o princípio dinâmico, energizante da Natureza – o símbolo da geração cósmica, da “existência” no processo de tomar forma, o símbolo essencial do sexo masculino. Agora trace outra linha que passe pelo ponto, desta vez horizontal e da largura do papel; esta linha é o aspecto subjetivo da “existência”, o símbolo essencial da forma em si, o princípio feminino da Natureza – aquele que é energizado ou sobre o qual atua. Até aqui o traçado representa uma irradiação de um ponto central – a Consciência, um composto dos princípios dinâmico e subjetivo, as linhas essenciais de força pelas quais a manifestação se realiza, o padrão da cruz que é o símbolo eterno da “existência objetivada”. Esta parte do desenho – um abstrato geométrico – pode ser chamada de mandala básico e pode ser usada para meditação por todos os astrólogos. É o esqueleto de toda a estrutura do horóscopo, a representação da Paternidade-Maternidade de Deus e o símbolo essencial do sexo cósmico que resulta na manifestação física.

Existe uma indefinição acerca da aparência do mandala básico descrito acima; as linhas a partir do ponto central podem prolongar-se indefinidamente – pelo que é transmitida uma impressão de caos, ou de algo sem forma. Uma vez que a manifestação (encarnação) serve ao propósito da evolução, e as forças evolutivas sempre requerem formas específicas como instrumentos, vão dar agora o próximo passo para criar, em nosso mandala básico, um campo de propósitos evolutivos.

Com a ponta de um compasso no ponto faça um círculo; a circunferência resultante interceptará, naturalmente, as linhas vertical-dinâmica e horizontal-subjetiva duas vezes. Desde que todos os pontos na circunferência de um círculo são eqüidistantes do centro, criamos agora, simbolicamente, um campo perfeito designando um instrumento para as forças evolutivas; cada um dos quatro setores do círculo é igual ao outro em área, como são iguais os hemisférios inferiores e superiores e os dois hemisférios laterais ou verticais.

Agora apague as linhas levemente traçadas fora do círculo e intensifique as linhas da circunferência e as linhas vertical e horizontal dentro da mesma. O resultado pode ser chamado “Mandala da Encarnação”. Sua forma é definida – uma coisa fechada em que certas especificações das forças evolutivas podem atuar. Este Mandala da Encarnação pode ser utilizado como um ponto focal para meditação sob dois pontos de vista:

  a) de dentro para fora,

  b) de fora para dentro.

O astrólogo deve flexibilizar tanto sua habilidade interpretativa que nunca perca de vista o significado espiritual de qualquer Carta astrológica que estude.

  1) De dentro para fora: A Vontade criadora de Deus expressando-se através de uma manifestação; a centelha Divina inerente à consciência de cada e todo ser humano irradiando em todos os fatores da experiência individual.

  2) De fora para dentro: O Amor Divino e a Sabedoria Divina protegendo e interpenetrando cada ponto de manifestação; a manifestação sendo “cingida pelos Braços Divinos e sempre à vista dos Olhos Divinos”; o ser humano busca encontrar em sua consciência a origem de suas condições e os canais para se expressar melhor; ele volta a conscientizar-se de seus poderes e potencialidades; sua consciência é refletida por sua condição externa – as irradiações a partir do Centro – mas o Centro permanece eternamente como origem de tudo o que ele experimenta. A “Vida” de um horóscopo está dentro da circunferência, não fora dela; portanto nós não achamos nossas soluções essenciais fora de nós mesmos, mas em nossa particular expressão da Consciência Eterna e em nossa compreensão cada vez mais profunda deste fato.

Embora pareça simples, o círculo com sua divisão em quadrantes por duas linhas retas é um mandala de enorme complexidade. Se considerarmos que o círculo em si é ativado ao ser bisseccionado pela linha horizontal, os dois hemisférios que resultam dessa bissecção são em si indiferenciados e inativos; sua ativação torna-se possível pela linha vertical.

Cada bissecção simboliza o Princípio Cósmico de Dualidade – a duo-unidade. O “Dinâmico” e o “Subjetivo” são atributos inerentes a qualquer parte de qualquer manifestação. Como tais, estas duas palavras, em conjunto, são expressas pela palavra “sexo” quando se referem à Vida encarnada. Sexo ativado é geração e regeneração – o “prosseguimento” da Vida. Qualquer dos dois pares de hemisférios, justaposição, resulta no composto Um; nenhum dos pares pode representar a Vida funcionando criativamente sem a ignição fricativa do outro par. Para meditação, trace círculos em que estejam representadas individualmente essas bissecções; cada par de hemisférios pode ser tomado para representar uma expressão de geração cósmica.

À representação plana, bidimensional do círculo dividido em quatro será dada agora, abstratamente, uma dimensão adicional.

O Mandala da Encarnação é uma matriz essencial; mas encarnação implica em expressão dessa matriz na forma física. Os termos comprimento altura e profundidade são normalmente considerados, expressões diferentes das dimensões físicas. Quando consideramos que toda manifestação física é tridimensional compreenderemos que comprimento, altura e profundidade são três atributos de uma dimensão essencial – a dimensão da manifestação física. Cada um dos quadrantes do Mandala da Encarnação é um nível especializado de Consciência e, correspondentemente, de experiências. Uma vez que a experiência é refletida na dimensão da manifestação física e interpretada pela consciência, aplicaremos o princípio de três dimensões em uma ao Mandala da Encarnação.

Partindo do centro do círculo, ou por meio de mais quatro diâmetros de polaridade, subdividida cada quadrante em três seções iguais. Isto constitui a divisão em doze partes da roda que usamos como casas ambientais do horóscopo. As três dimensões de cada setor não são comprimento, altura e profundidade, mas são em termos de signos, dimensões de consciência refletidas pelas casas como dimensões de experiência.

A dimensão da primeira casa de cada quadrante (primeira, quarta, sétima e décima casa) é a declaração do Ser – o “Eu Sou”: Primeira casa, eu sou um indivíduo; quarta casa, eu sou um aspecto individual de uma entidade chamada grupo de família ou consciência familiar; sétima casa, eu sou um dos dois fatores de um padrão de relacionamento emocional intensamente focalizado; décima casa, eu sou um aspecto individual da entidade chamada humanidade.

A dimensão da segunda casa de cada quadrante (segunda, quinta, oitava e décima primeira casa) é a posse do recurso emocional pelo qual a vida da casa cardeal anterior é sustentada. Segunda casa, minha vida física é sustentada materialmente pelo exercício da minha consciência de posse e capacidade administrativa e por intercâmbio com outras pessoas; quinta casa, minha consciência de família é sustentada pelas liberações de meu recurso de amor criador; oitava casa, minha consciência de relação é sustentada pela transmutação de minhas forças de desejo através do exercício da minha consciência amorosa no intercâmbio emocional com meus complementos; décima primeira casa, minha identidade como um aspecto da entidade universal – chamada humanidade – é sustentada através do exercício de minha consciência amorosa impessoal e espiritualizada.

A dimensão da terceira casa de quadrante (a terceira, sexta, nona e décima segunda casa) é a destilação impessoal das duas casas anteriores. Terceira casa, faculdades intelectuais pelas quais eu identifico o mundo das formas; sexta casa, minha criatividade expressa como serviço à vida através do melhor que possa como trabalhador; nona casa, sabedoria – compreensão espiritual – destilada da regeneração do desejo através da relação de amor; décima segunda casa, minha consciência de servir universalmente, minhas redenções necessárias da encarnação anterior que me impeliu à presente, o grau de consciência cósmica destilada do cumprimento perfeito de todas as responsabilidades através do amor espiritualizado.

A tríplice dimensão é expressa em relação à roda como um todo pelos “grandes trígonos”; os triângulos equiláteros formados pela ligação das cúspides: a) a primeira, quinta e nona casa; b) a segunda, sexta e décima casa; c) a terceira, sétima e décima primeira casa; e d) a quarta, oitava e décima segunda casa. Estes trígonos referem-se respectivamente, aos quatro elementos: 1. Fogo - Espírito; 2. Terra - Consciência da avaliação das formas; 3. Ar - Identificação da consciência de relacionamento; 4. Água - Resposta emocional – o princípio da vibração simpática.



Sugerem-se aqui alguns padrões básicos do mandala:

1) Doze rodas, cada uma das quais tem os signos nas cúspides em seqüência, cada uma com o Ascendente diferente; cada uma dessas mandalas pode ser utilizado para meditação sobre as quadraturas entre os signos cardeais, fixos e mutáveis, e os trígonos entre os signos de fogo, de terra, de ar e de água e os setores de fogo-ar e terra-água.

2) Mandala planetário ambiental – um princípio planetário que se expressa através de uma casa em particular – pode ser encontrado em dez grupos de doze rodas cada; cada grupo refere-se à colocação de cada um dos dez estelares (Sol, Lua e os oito estelares – Vênus, Mercúrio, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) em cada uma das doze casas, desprezando-se a colocação dos signos.

3) Os mandalas planetários relativos à vibração podem ser criados por rodas com os signos nas cúspides – colocando-se o estelar sob consideração em cada um dos doze signos e estudando-se o mesmo, não importando a casa em que se posicione.

4) Síntese dos grupos 2 e 3; mandalas para meditação sobre a regência do Ascendente; doze rodas, com os signos em sequência para cada um dos dez estelares como regente do Ascendente. O regente deve ser colocado em cada uma das doze casas.

5) Elaboração do número 4 em termos de meditação sobre o regente do Ascendente e seu posicionamento por setor: 1. A primeira, segunda e terceira casas; 2. A quarta, quinta e sexta casa; 3. A sétima, oitava e nona casa; 4. A décima, décima primeira e décima segunda casa.

Mandalas simples e complexas podem ser extraídas de qualquer horóscopo natal. Aqui estão algumas sugestões pelas quais o estudante pode concentrar sua habilidade para sintetizar:

1) Separe todos os estelares dignificados de determinada Carta astrológica numa roda com signos natais posicionados nas cúspides; medite sobre a localização dessas essências vibratórias concentradas em termos de sua casa de regência, casa em que se localiza e posicionamento por setor ou quadrante.

2) Tome de determinada Carta natal qualquer quadratura ou oposição específica e qualquer um de seus meios regeneradores (estelar formando um trígono ou um sextil com qualquer um dos estelares aflitos);

3) Sugere-se separar o mandala de Saturno de toda Carta natal sob estudo colocando-se Saturno e todos os estelares que faz aspecto com ele em uma roda com os signos natais nas cúspides. Interprete Saturno como o princípio do cumprimento de responsabilidades e medite sobre o seu significado na Carta em todas as abordagens.

4) Os mais importantes de todos os mandalas abstraídos de uma Carta natal são os que dizem respeito à décima segunda casa. Em conjunto, eles dão as chaves dos porquês e para quê da presente encarnação. Sugere-se um mandala para ser aplicado a uma roda com os signos natais nas cúspides para todo fator isolado que se refira à décima segunda casa do horóscopo natal; posicionamento vibratório e ambiental de cada estelar que forma aspecto ao regente; cada condição referente a qualquer estelar na décima segunda casa, e, por último, um mandala composto dos signos na cúspide da décima segunda casa e na do Ascendente e a colocação dos seus regentes planetários.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

CAPÍTULO XVI - O ASTRÓLOGO


Livre tradução de: http://www.rosicrucian.com/sia/siaeng20.htm#chapter1
 
            O astrólogo pertence a um daqueles grupos de pessoas que, impulsionadas pelo amor impessoal, buscam atrair mais elementos para o aprimoramento das condições humanas. O Astrólogo atingiu um ponto de desenvolvimento em que seus recursos internos, extraídos de encarnações passadas, tem características tais de esfera de ação que não mais podem ser retidos, e sim exteriorizados. Em outras palavras, tem algo em si que não satisfaz nos meros níveis de experiências pessoais ou biológicas. A naturalidade de sua ação impessoal torna-se uma expressão de seu próprio desenvolvimento e de sua experiência como ser humano; entretanto, suas intenções são para o mundo dos seres humanos em geral.

          Consideremos o astrólogo à luz de “esquemas astrológicos”: tracemos, pois, o diâmetro vertical e horizontal no circulo do zodíaco. A cruz resultante simboliza a humanidade do astrólogo, isto é, um homem ou uma mulher encarnados com o propósito de se desenvolverem no trato com problemas, provas e tentações peculiares, talvez sujeitos às várias formas de provas, através do sofrimento. É a sua parte pessoal, mas, ao agregarmos à cruz-padrão mencionada, a cúspide da nona casa, temos a emergência do astrólogo, surgindo das limitações de um simples ser humano. Ao anexarmos, ainda, o símbolo de Júpiter à nona casa, fica assinalada sua identidade essencial: ele é “Irmão mais velho”, o instrutor.

          Na condição humana, neste plano, ele é irmão de todos aqueles que vêm a ele em busca de orientação, reconhecendo que palmilha os mesmos caminhos peculiares a todas as pessoas, mas que o diferencia dos demais: os fundamentos de seu amor impessoal, o alcance da compreensão das condições humanas e suas faculdades mentais abstratas. Tais fundamentos elevam sua consciência a um nível que transcende as bases biológicas das motivações de pensamentos e de sentimentos comuns, podendo ver através dos conceitos de raça, de grupo-religião, de casta, de formas familiares, das relações físicas e mesmo sexuais. O modo de trato com seus irmãos e irmãs mais jovens nasce do estudo e da compreensão de seus modos vibratórios, isto é, da expressão de suas consciências.

          Seu estudo fundamental é aquele que representa a natureza vibratória da entidade a que chamamos humanidade, nas miríades de expressões e variações, manifestadas por impressões e sentimentos subconscientes, inclinações emocionais, atributos e condições físicas e reações específicas em relação a todos os campos de experiência e relacionamento comuns a ela através de seu processo evolutivo. A humanidade não é apenas uma família – é uma coisa única, um padrão particular de expressões da vida.

          O astrólogo é, naturalmente, uma faceta dessa totalidade; e pela percepção e compreensão relaciona-se a muitas outras facetas, tal como uma pessoa que, no alto de uma montanha, relaciona-se com os que estão subindo ou com aquelas que permanecem no vale. Nesse nível particular de evolução ele já extraiu algo daquilo que os escaladores da montanha ou aqueles que estão no vale ainda não extraíram, quer dizer, a consciência dos princípios universais e de suas expressões, através dos processos da vida humana. Por sua vez, ante ele também existem montanhas mais altas, nas quais se situam aqueles que estabeleceram “pontos de observação” mais elevados. Entretanto, há um denominador comum a todos: é a consciência impessoal, o sentimento de fraternidade que o relaciona com aqueles que ainda estão subindo e com os outros que permanecem no vale do mundo e ainda com aqueles que lhe estão acima. Eis porque ele é o irmão mais velho para aqueles que estão abaixo, ao passo que, para os que lhe estão acima, é irmão mais moço. Para os que estão no vale, todos os que estão subindo no topo representam os irmãos mais velhos, pois os de baixo ainda permanecem no vale da consciência meramente material e biológica.

          Em nosso esquema, a nona casa simboliza o aspecto do conhecimento ou da sabedoria do Astrólogo. Seu aspecto Amor é mostrado pela décima primeira casa. Acrescentando o símbolo de Aquário à cúspide da décima primeira casa e mais o símbolo de seu regente, Urano e sombreando a nona e décima primeira casa, de modo que sobressaiam das demais e, finalmente, traçando linhas que partam da terceira e quinta casas, designaremos um conjunto com dois modos de polaridade: 1) a nona casa, ligada a terceira casa, mostra o conhecimento que ascendeu à sua transcendente expressão de sabedoria extraída da experiência; 2) a décima primeira casa ligada a quinta casa, o amor impessoal como expressão criativa que ascendeu ao nível espiritual de limitado amor impessoal pela humanidade, não importando os primitivos níveis de manifestação ou desenvolvimento. O aspecto de amor consciente do Astrólogo, designado pela décima primeira casa e a essência vibratória de Urano, é a culminação de todas as casas de relacionamento e da mais espiritualizada expressão dos signos de ar. A décima primeira casa é o relacionamento humano em sua mais multiforme expressão. Representa todos os modos de relacionamento, isto é, o poder-amor em suas expressões de “água da vida”, a panacéia para todas as experiências emocionais, o supremo alvo de todo o amor humano. Chamamos a esse estado de “Amizade pura” – a essência do melhor que pode originar-se da unidade das pessoas, não importando quem ou o que possam ser como indivíduo.

          Esse aspecto-amor, por sua própria natureza, é a essência incorporada ou fundida dos aspectos - amor de ambos os sexos ou polaridades. O Astrólogo, por meio de sua experiência intensificada em encarnações passadas, extraiu a tal grau a compreensão das características emocionais masculinos e femininos, que se tornou assim, hábil para compreender os íntimos problemas do homem e da mulher. Dessa forma, para o cumprimento de seu serviço, pode avaliar a direção a ser tomada ao iniciar o processo de correlação e de regeneração.

          A consciência do Astrólogo, com referência ao seu aspecto-amor, poderá ser mais claramente delineada por outro desenho (aquele que mostramos refere-se particularmente às direções evolucionárias ou aos caminhos que devem ser percorridos por todos os que buscam prestar o serviço por meio da interpretação astrológica). A florescência da consciência amorosa do astrólogo mostra-se pelo círculo no qual as cúspides da terceira, sétima e décima primeira casas formam um triângulo equilátero, sendo bastante interessante um ponto deste triângulo – a cúspide da terceira casa – que situa no hemisfério inferior ou na consciência do Ego; e a cúspide da sétima casa marca o ponto de equilíbrio, sendo oposto ao Ascendente; e a cúspide da décima primeira casa, representando o mais elevado ponto da consciência de relacionamento encontra-se no hemisfério superior ou consciência da alma. Há neste esquema um denominador comum – a Fraternidade ligando essas três casas entre si. A terceira casa, no nível biológico, são “irmãos e irmãs; numa expressão mais impessoal os “companheiros estudantes”, aquelas pessoas de qualquer idade ou condição, companheiros da mesma religião ou interpretação filosófica. A sétima casa é o relacionamento fraternal de uma pessoa ou consciência com uma expressão complementar, seja sexual ou vibracional. A “Fraternidade do casamento” pode ser assim descrita: um homem e uma mulher servem conjuntamente na fruição da vida por meio de experiências amorosas e procriativas. Marido e mulher, nessa forma vital de servir são realmente irmão e irmã, numa expressão de consciência intensificada da terceira casa pela reunião dos poderes de atração e do desejo gerando a liberação do amor. A décima primeira casa, no hemisfério da consciência da alma é a expressão transcendente das duas primeiras, uma vez que representa a expressão do amor para com a entidade total que designamos sob o nome de Fraternidade. Assim a expressão do amor não está confinada a uma parte apenas ou a partes selecionadas da humanidade. Impulsionado espiritualmente o Astrólogo permanece como símbolo vivo daquele amor que não reconhece barreiras ou limitações de qualquer espécie em suas expressões.

          Consideremos agora um desenho que é o retrato simbólico do Astrólogo dentro das expressões compostas da consciência humana e espiritual. Com o circulo dividido em casas, sombreiem as seis primeiras casas com a cor escura, marrom ou azul; as sétima e oitava casas com a cor vermelha, simbolizando os “fogos” do relacionamento e de regeneração; e as quatro casas restantes permanecem em branco; símbolo da consciência espiritualizada. O retrato resultante é o de um ser humano cujos elementos vibratórios e ambientais são essencialmente os de qualquer outra pessoa; ele tem experimentado muito desenvolvimento através da transmutação de suas vibrações inferiores pelos poderes espiritualistas do idealismo, do amor, do serviço, do sacrifício, da autodisciplina e do cumprimento de responsabilidades. Ele tem sido muitas coisas – como trabalhador; tem cumprido a maioria dos padrões de experiência na relação de amor – como macho e fêmea; ele é – ou tem sido – algo assim como um artista porque suas percepções mentais incluem a compreensão do simbólico e do abstrato. Está cônscio do drama da vida, e é sensível às nuances dos pensamentos e sentimentos humanos quando se apresentam nos problemas que ele estuda. Ele conhece o mal, mas sua mente e seu coração se fixam no bem. Ele estuda os problemas para cumprir o propósito de achar suas soluções. Sendo sua motivação amorosa, ele irradia encorajamento, neutraliza o medo, ilumina a consciência de seus irmãos e irmãs ao alertá-los para a força e poderes que possuem. Ele é – e se dá conta de que é – uma “porta aberta” através das quais todos os que queiram, podem passar da escuridão de seus padrões não regenerados para a luz do conhecimento de si mesmo. Não aprova nem desaprova qualquer coisa que vê em qualquer Carta astrológica – mantém seus sentimentos pessoais fora do quadro – porque reconhece que cada Carta é uma representação do bem em formação.

          Em relação à pessoa que pede a sua ajuda, vêmo-lo representado por este desenho: uma roda astrológica com as primeiras seis casas coloridas ou sombreadas, e com as seis casas superiores deixadas em branco. Neste desenho, as casas inferiores sombreadas representam a pessoa com o seu problema; as casas em branco representam o astrólogo e sua consciência espiritualizada. Todos os problemas humanos são originados nas expressões não regeneradas das seis primeiras casas; eles são trazidos ao seu foco mais intenso através da ação conjugada das sétima e oitava casas, e as soluções são encontradas nos poderes regeneradores das quatro últimas casas. Nesta representação o astrólogo reflete os potenciais de regeneração da pessoa. A ação magnética do poder do amor atrai a pessoa ao astrólogo, que espera ajudar a todos os que precisam dele e, pelos poderes destilados de sua consciência regenerada, está apto a estudar a Carta do requerente, lançando-lhe um facho de luz nos recantos obscuros e percebendo o corretivo espiritual necessário à consciência do indivíduo para o seu problema.

          Em contato com a pessoa, o astrólogo tem a responsabilidade de pôr de lado todos os padrões de perturbação pessoal quando assume a tarefa de ler-lhe a Carta astrológica. Ele deve ser o hemisfério branco, e na eventualidade de estar lidando com uma perturbação pessoal profunda parece que seria melhor protelar a leitura até que possa estabilizar seu equilíbrio interno. Reconhecendo a qualidade impessoal do seu serviço, ele sabe que é um instrumento pelo qual o bem do indivíduo é trazido à tona, e que realmente não tem o direito de impor a pessoa, já perturbado ou preocupado, os seus próprios atritos íntimos. Sua responsabilidade é a de refletir luz – clara, forte e firmemente.

          Como todas as formas de serviço impõem certos padrões característicos de prova para os aspirantes, pode ser bom considerar algumas das principais provas que são, cedo ou tarde, enfrentadas por todos os astrólogos.

A grande responsabilidade do astrólogo é manter seu ponto de vista livre de toda falsa pretensão, de orgulho e cobiça de poder. Tais tentações são muito sutis, de maneira que pode ser muito difícil percebê-las conscientemente. O ser capaz de ler um horóscopo com sensibilidade coloca nas mãos do astrólogo certo poder sobre a mente ou sobre as emoções da pessoa da Carta; esta, sendo até certo ponto dependente do astrólogo, pode tender a sentir e expressar certa reverência ao astrólogo, o que pode ser muito lisonjeiro à sua humana consciência. O astrólogo deve manter respeito à sua própria instrumentação; se assim faz não cairá na armadilha de permitir que a sua habilidade se converta numa fonte de estímulos às vaidades latentes; ao invés disso, ele a conservará como uma “candeia ardendo brilhantemente no altar do serviço espiritual”.

         O astrólogo servirá melhor se puder manter o rendimento de seu serviço livre de todos os reclamos limitadores de remuneração financeira. Se ele pode ganhar a vida de outra maneira e faz do seu trabalho astrológico uma expressão criativa, ele tem muito melhor oportunidade de manter seus canais abertos e desobstruídos. O cliente tem todo o direito de oferecer compensações se assim o deseje – desde que queira estabelecer equilíbrio na relação com o astrólogo pelo que ele considere um intercâmbio correto e para expressar o seu apreço. Contudo, a remuneração não pode ser deixada transformar-se em um fator estático para o astrólogo se o mesmo quer manter-se como um símbolo de dádiva universal. A partir do momento em que estabelece um programa de taxa específica para seu serviço ele se arrisca a isolar-se de muitas pessoas que podem precisar de sua ajuda, mas que não podem solicitá-la porque não podem pagá-lo. Em suma, o astrólogo que mantém seus canais de serviços abertos e livres é o que serve melhor, mais completamente, mais felizmente e mais espiritualmente.