segunda-feira, 15 de outubro de 2012

CAPÍTULO XII - NETUNO – O PRINCÍPIO DA INSTRUMENTAÇÃO


SEJA FEITA A TUA VONTADE, Por esta frase ou uma de suas muitas equivalentes, é que o ser humano reconhece ser um instrumento nas mãos das Forças Universais, sejam estas Brancas ou Negras. Numa atitude de adoração ou consagração, ele abdica de sua vontade pessoal para servir ao seu conceito dos propósitos dessas Forças. Assim também aqueles que estão qualificados para atuar como agentes de liberação de Poder são levados a fazê-lo por impulsos irresistíveis, embora possam não estar conscientes de sua instrumentalidade.
  Um bom exemplo do primeiro grupo é Joana D´Arc, a guerreira-santa da França. Através de sua devoção às suas “vozes” ela se tornou um instrumento nas mãos dos agentes espirituais interessados no desenvolvimento da nação francesa. Exemplo extraordinário de instrumentação consciente foi Isadora Duncan, a bailarina americana; sua inspirada sensibilidade tornou possível a liberação dinâmica do conceito da arte da Dança nos tempos modernos. Entre as muitas pessoas que nos últimos anos demonstraram instrumentação, podemos considerar Bernadette Soubirous, a camponesinha francesa cuja mediação tornou possível o estabelecimento da gruta de cura em Lourdes; Max Heindel; o falecido Padre Flannagan e a Madre Cabrini foram “instrumentos” para o estabelecimento de instituições de ensino, regeneração humana e cura.
  Bons exemplos do segundo grupo são os filantropos que atuam ao longo das linhas mais seculares do governo, da ciência, da economia, etc.. Entre tais podemos mencionar Woodrow Wilson, Thomas Edison, Henry Ford e Albert Schweitzer.
  O símbolo exotérico de Netuno é o “tridente” ou lança aforquilhada do deus dos mares. Esotericamente, contudo, o símbolo representa o cálice de pé, na posição de receber o influxo das energias inspiradoras ou astrais. Além disso, diz-se que Netuno não é realmente um membro de nosso sistema solar, mas que funciona como um “transmissor de energias galácticas” para o nosso sistema. Nesta função de transmissão galáctica, Netuno se equipara em funções, numa escala vasta e transcendente à nossa Lua que “atua localmente” entre a Terra e o Sol.
  Combinando os fatores acima, vemos que Netuno é uma vibração feminina, impressionável, sensitiva, reflexiva, fluídica e receptiva. Como a Lua é “mãe” no sentido pessoal, no que respeita a relacionamento, lar e país, assim também Netuno é “mãe” no sentido universal. A “Mãe Igreja”, que a todos aceita, perdoa e redime, é Netuno; o oceano, abrigando em suas profundezas milhões de formas em evolução, é Netuno; a virtude compaixão, que é compreensão pelo amor, não reconhece barreiras à sua expressão – alcança tudo porque tem experimentado tudo – sua universalidade é uma representação perfeita de Netuno. A magia da Arte é Netuno; sintonizando-se com sua vibração transcendente o Ser humano dá expressão aos impulsos mais elevados de sua consciência através da poesia, do drama, da música, da pintura e da escultura. Por tais meios, o Ser humano desde seu começo tem almejado dar “corpo” aos seus ideais através da direção da técnica pela Vontade, incendiado pela inspiração. “Religião” e “Arte” são duas maneiras de dizer: “Expressão do Ser humano reconhecendo a Divindade”. Através dessas duas formas de expressão o indivíduo prova a si mesmo ser “um instrumento nas Mãos Divinas”. Mediante o exercício dos potenciais de seu Netuno, ele manifesta-se como um microcósmico “transmissor de forças super-dimensionais” em suas habilidades como artista, curador, mestre e filantropo.
  Enquanto Vênus representa a faculdade humana de “responder à beleza” através de suas sensibilidades e culturas, Netuno representa a faculdade do Ser humano de “inventar Beleza” ou “exprimir Beleza” por meio do exercício de seus talentos e habilidades artísticas; ele usa seus materiais como instrumentos para manifestar seus conceitos, mas por sua vez, ao responder à inspiração, ele é um instrumento por meio do qual as grandes Inteligências falam à humanidade. As duas artes que mais especificamente representam a “instrumentação” de Netuno são a Música e o Drama.
  Netuno é o estelar transcendente da triplicidade mental – Mercúrio e Lua são os outros dois. Uma vez que a linguagem ou “a palavra” do plano interno é o tom (vibração rítmica do som), o músico nos “fala em melodia e harmonia tonal”. O músico interpretador atua como um instrumento para manifestar as concepções do músico criador, o qual, por sua vez, atua como um instrumento para as vozes do plano interno. O improvisador exercitado, por sua reação sensitiva à inspiração musical e pela obediência com que seu equipamento físico responde a essa inspiração, é um canal imediato e direto para a expressão artística. No exercício de seu talento, seu corpo, seu instrumento musical, sua inteligência e sensibilidade musicais, tudo se funde em um instrumento composto através do qual nos falam as vozes do plano interno.
  O ator, a partir do conhecimento íntimo que possui da natureza e experiência humanas, que acumulou em muitas encarnações de intensa experiência emocional, simboliza em cada caracterização certo padrão vibratório ou nível do corpo-alma da humanidade. Através de sua inspiração ele transmite o conceito do teatrólogo sobre a natureza humana e assume temporariamente a realidade de certo tipo de pessoa. As melhores atuações requerem, naturalmente, técnicas de observar o tempo, de leitura e de movimentação, mas a qualidade de grandeza espiritual que leva um auditório ao arrebatamento e exaltação é aquela derivada da transmissão do ator de sua própria memória íntima (o supraconsciente) da experiência. Ele externa uma faceta da memória íntima de cada pessoa tocada pelo seu desempenho.
  O Drama da Vida é refletido, microcosmicamente, pelo drama do teatro. Problemas humanos, relacionamentos, alegrias, amores, sofrimentos, derrotas e triunfos, tudo isso é refletido pela projeção do dramaturgo e pela interpretação instrumental do ator. Quando, como indivíduos, escolhemos fazer de nós mesmos “instrumentos do Divino” desempenhamos um papel em nosso próprio Estágio de Vida que é nobilitante, inspirador, belo e triunfante.
  A “instrumentação” é uma liberação focalizada de poder. Quando usadas por pessoas centralizadas nas mais altas dimensões de consciência, torna-se possível um grande serviço de beleza, cura e realinhamento em todas as fases da vida – humana e sub-humana. Contudo, o poder não respeita pessoas ou coisas; ele apenas atua conforme é dirigido. Consequentemente, quando liberado através de uma consciência irregenerada ou não espiritualizada, a instrumentação torna-se um processo pelo qual podem ser expostos negativos indescritíveis. O egotismo, que é auto-centralizado e auto-glorificação, faz da instrumentação uma coisa má porque por meio dele o Poder é desencadeado para a realização de objetivos limitadores e destrutivos. Relativamente a isto, os efeitos vibratórios de Netuno devem ser compreendidos no estudo de horóscopos de criminosos, delinqüentes e psicopatas. Estes doentes são desorganizados, as intensidades de seus desejos predominam sobre sua Vontade e/ou inteligência, com a intensidade de Propósito unida à perversão da Idealidade, e todas essas condições de desajuste tendem a desenvolver suscetibilidade às forças astrais destrutivas. Colocar tais impulsos em ação é “instrumentação negra”. A pessoa cuja sexualidade intensa, mas desorientada leva-a a cometer assassinatos e atos de crueldade como uma “válvula de escape”; isto é um instrumento de Magia Negra; o fanático religioso que em nome do seu meigo e amoroso Mestre, abusa, aprisiona, tortura e escraviza seus semelhantes “para a glória de Deus e de sua Igreja” pode ser perfeitamente sincero em seus motivos, mas com esse tratamento aos outros ele próprio demonstra estar em baixa freqüência vibratória.
  Neste ponto a Inquisição Espanhola pode ser estudada brevemente, já que a organização foi um “instrumento” da “Mãe Igreja”. Havia sem dúvida, muitos membros da Inquisição que fervorosa e sinceramente, ultrajavam os “heréticos” motivados por esforços idealísticos em expressar “glória a Deus”, conforme a igreja deles interpretava. Atos de heroísmo, auto-sacrifício e lealdade cometidos por eles apontam para uma fé inabalável em seu conceito de retidão espiritual. Os meios usados terão de ser respondidos em encarnações subseqüentes, mas há dúvida de que a devoção sincera a um ideal edifica a Magia Branca nos planos internos. A perversão extrema da vibração de Netuno é quando uma falsa idealidade é utilizada deliberadamente para o engrandecimento, auto-glorificação e domínio da mente e do corpo de outra pessoa. Isto é ilusão mascarando ilusão, é a corrupção da corrupção, é uma mentira mentindo a si mesma.
  Quando se inicia a regeneração e os padrões de Netuno do passado estão prontos para redenção, as pessoas são “arrastadas às situações mais impossíveis de controlar”. Elas são influenciadas sutilmente para hábitos que as destroem; pedem pão e recebem pedras; assumem amorosamente uma responsabilidade, e esta se converte em pesadíssimo fardo do qual nunca se libertam nesta vida; buscam iluminação espiritual – conseguem uma espécie de magia negra que as arruína; têm impulsos criadores intensos, mas seus esforços para a auto-expressão são baldados a cada tentativa; são dotadas de extraordinários atrativos físicos, mas nunca encontram a realização do amor que buscam acima de todas as coisas. Em cada um desses casos, a realização do Ideal sempre ilude o sofredor com uma tentação para afundá-lo aos níveis negativos do cinismo, da ira e da fúria desesperada contra a Vida, que ele começa a pensar ser algo que já não pode suportar e da qual deve fugir. Netuno negativo é a “fuga da realidade” através da bebida, das drogas, da intolerância, da perversão e do suicídio. A “fuga da realidade” é a tentativa de escapar da pressão da Voz Interna, que é a realidade do indivíduo, ele não pode enfrentar seus fracassos passados para viver espiritualmente.
  Netuno aflito no horóscopo deve ser estudado como uma indicação cármica de que o Princípio foi pervertido no passado. As pessoas que tentam, de um ou outro modo, escapar aos seus problemas, fazem isso somente porque não estão conscientes do princípio que atua para o seu desenvolvimento. No passado elas fecharam os olhos para a “consciência do Princípio” ao mascararem deliberadamente sua própria verdade. Em tais casos, Netuno atua objetiva ou subjetivamente, de mãos dadas com a Causa e Efeito; nublando as vidas das pessoas com ilusões porque a ilusão foi perpetrada.
  Uma vez que o Netuno de cada pessoa é ativado de algum modo periodicamente torna valioso para o astro-analista saber algo das experiências e reações da pessoa em tais períodos. O indivíduo que “vive com seu Netuno” até certo ponto pode recordar momentos de intensa inspiração e exaltação; poderá referir-se a uma pessoa altamente desenvolvida e de inclinação espiritual com quem travou conhecimento ou a uma experiência de iluminação artística. As pessoas não muito bem relacionadas com esse estelar podem relembrar experiências que lhes causaram consideráveis aflições. Colocavam as coisas fora do lugar e as perdiam; os assuntos materiais pareciam-lhes caóticos e confusos; coisas aconteciam e eram ditas, cujas causas não podiam ser determinadas; os relacionamentos tomavam um aspecto bizarro e coisas insuspeitadas eram reveladas. Nos planos mais sutis de experiência surgiam emoções estranhas e perturbadoras, podendo ter sentido desejos complexos e êxtases peculiares; a força de vontade e os propósitos pareciam dissolver-se em sensações insólitas de lassidão e indiferença; idéias semelhantes à do transe e sonhos fantásticos podem ter sido experimentados. As pessoas cujas Cartas dão acentuada ênfase ao elemento Terra ou à vibração de Saturno podem experimentar na ativação de seu Netuno algo realmente amedrontador; a expressão material da vida parece tornar-se fluídica e todas as perspectivas aparecem fora de foco. Isto é Netuno recordando-lhes a impermanência do plano físico; pode aparecer como uma aberração temporária, mas é na realidade apenas uma mudança momentânea de consciência para um plano mais sutil.
  A qualidade de “hiper-passividade” descreve claramente a “personalidade” de Netuno, e como tal enfatiza de maneira pronunciada as potencialidades receptiva e feminina da Carta. O signo de regência de Netuno, Peixes, é do elemento água e da cruz mutável – o mais puramente impressionável de todo o zodíaco.
  Como a função de Netuno é “canalização”, devemos estudar cuidadosamente os padrões irregenerados dos estelares que aspectam Netuno no horóscopo mesmo que o próprio Netuno esteja sem aflições. Isto é importante porque, embora o “canal” possa ser eficiente em sua função, devemos entender a qualidade “daquilo que vem através desse canal”. Uma pessoa naturalmente dotada de sensibilidade psíquica ou de um elevado potencial de idealismo e devoção pode em suas expressões irregeneradas, abrir-se para todas as formas de influências perversas ou destrutivas. Assim, inundada por ondas de influxo dos planos astrais ela pode submeter seu coração, sua mente e sua consciência a agentes que não são nem meritórios e nem proporcionadores de saúde. Netuno mesmo, sem aflição no horóscopo, é um potencial para transmutações através do Idealismo – ou seja, através do exercício da oração, da devoção ativa a elevados ideais que sejam expressões do Princípio dador de vida, da purificação do organismo inteiro através da regeneração da saúde física e da reação ao poder terapêutico da música e da arte em geral.
  Netuno é o regente da décima segunda casa no horóscopo “natural” ou “cármico”; suas vibrações transmitem uma ou outra classe de condições da décima segunda casa para Casa que tenha Peixes na cúspide – ou que seja influenciada principalmente por esse signo. Os estelares em Peixes – “regidos” por Netuno – são “potenciais para o desenvolvimento da Consciência Cósmica através da redenção de Carma pelo Idealismo”; aspectos fricativos aos estelares em Peixes indicam os necessários “ajustes anímicos”.
A casa que contém Netuno possui o segredo de como você expressa à consciência cósmica e, particularmente através de que padrões de experiência; para que fins você é utilizado pelas forças espirituais ou astrais; a fonte de sua consciência de “céu na terra”; a principal fonte ambiental de sua inspiração; o ponto em que você se sujeita mais facilmente a (seu conceito de) vontade de Deus; sua transcendência da separatividade e sua instrumentação para a verdade.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

CAPÍTULO XI - URANO ORDENA: “LIBERTA!”


        Como a nota-chave a esta argumentação sobre Urano, oferecemos a seguinte definição de libertação espiritual: os pontos na evolução em que o Ego, tendo cumprido completa e perfeitamente as exigências de Saturno – relacionamentos, responsabilidades, trabalhos, aproveitamentos – começa automaticamente a funcionar em fases de experiência cada vez mais impessoais.
            A vibração de Urano provê este processo de “progresso após cumprimento”. Ele é o desintegrador de formas, o antídoto para a cristalização, o abridor de portas. Em virtude das funções intensamente dinâmicas que representa no plano emocional, Urano simboliza o alquimista, o mágico e o artista criador. Representa o astrólogo, cuja sabedoria impessoal é o resultado destilado dos processos alquímicos efetuados durante o curso de amplas e variadas experiências no amor e no relacionamento.
            De todos os termos abstratos, a palavra “transcendente” é a que descreve mais concisamente a natureza de Urano. Ele transcende a consanguinidade porque ele próprio é a fusão dos fogos da polaridade que cria o relacionamento na experiência humana (a última da tríade emocional). Transcende a materialidade porque seu reino é o da Alma – o “Interno” – e, assim sendo, está além e acima das ilusões da realidade que tantas vezes são atribuídas às fases materiais da vida. Transcende a possessividade das coisas e das pessoas em qualquer forma, pois sua vibração possibilita o tipo de consciência que reconhece o poder anímico como a única posse verdadeira. O florescimento de sua vibração representa a transcendência do medo porque o Amor-Sabedoria, resultado da experiência, elimina o temor.
            Paralelamente à síntese das posições por signo, casa, regência de casa e aspectos de Urano em determinada Carta, existe outro estudo – e muito importante – de sua vibração a ser feito: em relação ou contraste às influências e poderes de Saturno. Os dois planetas, por natureza e propósitos são opostos. Saturno aflito cristaliza, condensa, limita e frustra as possibilidades dos outros planetas. A posição de Saturno indica o caminho para a inércia. Urano, contudo, proporciona libertação como o progresso lógico e natural que se segue aos cumprimentos, mas quando existe ameaça de estagnação ele força a abertura de caminhos que congestionam, então seu poder eletrificador cria uma carga de vida renovadora. É pelo seu efeito aflitivo sobre outros planetas que ele parece atuar como um “demolidor”, um destruidor violento, um desagregador e desorganizador. A pessoa que não se alinha, ou não quer alinhar-se, com as medidas progressistas da vida, pelas leis do progresso evolutivo deve ser forçada a tal.
            Com isto em mente, o astro analista compreenderá que Urano não aflige qualquer planeta em uma carta a menos que haja uma tendência cármica para cristalização a ser neutralizada. Urano não nos “sacode” a menos que precisemos ser sacudidos e libertados da nossa inclinação para “apegar-nos à forma” em alguma parte de nossa experiência. Por conseguinte, para interpretar a função de Urano e obter um quadro completo de seu significado num mapa, devemos comparar seus padrões com os padrões de Saturno.
            O exemplo perfeito deste conflito é visto no aspecto de quadratura entre Urano e Saturno, padrão que simboliza o velho contra o novo, a escravidão contra a transcendência, o medo contra a libertação, o instinto da segurança contra a ânsia de aventura, crença e raça contra a universalidade, tribo contra indivíduo, ortodoxia contra realização.
            O que se segue são alguns “indicadores” – sugestões para ler-se esse aspecto em diferentes combinações:
1-      Ambos os planetas sem outros aspectos: neste caso os dois planetas devem ser comparados sob o ponto de vista das “fortalezas” relativas – dignificação, exaltação, elevação, ângulos e planetas “dispositores”. Depois um dos dois planetas ganha em poder dependendo do grau de polaridade sexual predominante (masculina: Sol e Marte; feminina: Lua e Vênus). Devemos considerar também o dinamismo da polaridade solar-lunar (Urano) ou da polaridade passiva (Saturno). Isto deve ser verificado através de cuidadosa síntese da qualidade do signo e da qualidade do aspecto. Descobre-se então que o mais influente poder de Saturno, como pode ser Urano. Devendo-se considerar o mais influente como a “chave” do aspecto quadratura, pelo que será tido como um “barômetro evolutivo” desta encarnação. A pessoa em questão ou se prende ao lado formalidade da vida, resistindo às mudanças, ou se rebela contra as formalidades em sua busca por mais amplas experiências e realizações.
2-      Por outro lado, Saturno bem aspectado: a consciência está bem integrada ao lado formalidade da vida. As saturninas virtudes: paciência, utilidade, praticidade, etc., foram desenvolvidas no passado e o desejo de segurança está fortemente desenvolvido. Urano é visto aqui como uma ameaça aos costumeiros e ordenados processos de vida, como um perturbador da paz, como um “desafiante da moralidade”, pouco prático, desonrado e indigno de confiança. É isto que uma pessoa de saturno sente acerca de pessoas de Urano – estas pessoas simplesmente não se ajustam ao seu universo esmerado, tangível, lógico e exato. Com efeito, uma pessoa de Urano sente às vezes que a exatidão não constitui grande coisa que interesse realmente!
3-      Por outro lado, Urano bem aspectado: isto significa uma pessoa que “viveu e amou muito”. Liberdade interna é a sua área de compreensão, de independência da mente e da ação. A quadratura de Saturno mostra que nesta encarnação ela deve cumprir responsabilidade em certa área. Pelo menos em um sentido ela foi “livre, sem entraves” por muitíssimo tempo. Ela possui habilidades, e deve usá-las; tem conhecimento, e deve pô-lo à disposição dos outros; tem responsabilidades de relação, e deve aprender a cumpri-las espontânea e amorosamente. Enquanto não faça isso, Saturno o manterá continuamente em severa escravidão.
      Para o nativo, as pessoas representadas por Saturno na carta uraniana parecem ser “restritoras de seu estilo”, “pedras amarradas ao seu pescoço” e, de modo geral, fardos e crucificações. E assim continuarão a parecer até que ele compreenda que elas servem para dar forma aos seus impulsos dinâmicos, para mantê-lo unido à corrente de vida construtiva, para imprimir propósito e direção às suas habilidades.
      (Consequentemente, a Crucificação e a Ressurreição de Cristo-Jesus simbolizam perfeitamente este “conflito” de Saturno e Urano. Saturno simboliza a cristalização do medo e a ignorância do mundo que tramou matar o Mestre e destruir Sua influência; Urano simboliza o Propósito Divino de liberação, que deverá inevitavelmente libertar a consciência do homem de conceitos estagnantes e da ignorância servil).
4-      Ambos os planetas com aspectos variáveis: após a síntese deste padrão, a melhor abordagem é a do ponto de vista astro dinâmico. Qualquer dos dois planetas pode ter sido enfatizado mais fortemente durante os anos de crescimento e maturidade. Os meios para contrariar os aspectos aflitivos mostrarão as possibilidades de neutralizações das qualidades não regeneradas de ambos os planetas. Sextis a cada um dos dois são particularmente importantes, posto que mostram vias de desenvolvimento alquímico em potencial.
            Urano é elétrico, magnético, e o mais dinâmico de todos os planetas. Por tal razão suas “condições” jamais devem ser interpretadas como superficialidades. Sua conjunção com qualquer planeta intensifica a qualidade de experiência representada pelo planeta, sendo que uma qualidade de “extremismo” é indicada nessa parte da vida.
            A posição de Urano no mapa mostra a fonte do gênio em potencial; os aspectos benéficos, as oportunidades de desenvolvimento desse potencial e a culminação desses desenvolvimentos. Os aspectos maléficos indicam basicamente a necessidade de controle e direção, pois Urano, por natureza, é todo “saliente”, de modo que seus impulsos, se não controlados, podem resultar em desperdício em todos os planos.
            Interprete as condições de Urano sob o ponto de vista de “grandeza”. Os sofrimentos que ele impinge são agonias de alma; suas punições são catastróficas; seus amores nada têm a ver com as cerimônias e regulamentos feitos pelo homem. São vulcões do coração, cuja força pode romper qualquer padrão emocional estabelecido e lançar os amantes em um universo inteiramente novo. Urano representa a fusão intensa da polaridade emocional a que chamamos “poder criador”, e sob o estímulo de sua eletrificação novas formas de arte, filosofia, áreas de pesquisa, etc., são projetadas nos assuntos humanos. Continentes são descobertos, conceitos de tempo e espaço são revisados e reelaborados, e o homem, uma unidade dinâmica em si mesmo, descobre em seu interior mundos cada vez mais novos.
            Urano significa nossa resposta àquilo que é novo para nós. Ele é o “caminho que trilhamos para a porta que se abre”, nossa habilidade de ver mais longe, mais fundo, mais alto, mais baixo – e de acolher qualquer forma de mudança (novidade) que surja em nossas vidas. Aquilo que há dez anos era chamado radical, extremo e “marca nova”, hoje em dia é despejado no molde da experiência, torna-se corriqueiro. Realmente novo é aquilo que reconhecemos como uma dilatação de áreas de consciência antes nunca penetradas.
            Uma vez que liberação (progresso) é um princípio de vida, e não diz respeito a sexo, Urano mostra-se nos mapas tanto de homens quanto de mulheres como ânsia por liberdade. Sua posição mostra em qual departamento de experiência a pessoa deve ter “amplo campo de ação”; onde a “auto-expressão sem limites” é almejada e obtida. Desde que ele é um gênio em potencial, demonstra sua maneira de auxiliar os outros na busca de libertação.
            De acordo com o que dissemos acima, trígonos a Urano podem indicar canais de precocidade nas crianças. É evidente que muitas crianças, em seus primeiros anos de vida, estão simplesmente cientes de algum conhecimento ou talento que no passado foi desenvolvido até níveis mais elevados. Estes jovens nem mesmo têm que esperar a maturidade física ou cronológica – eles simplesmente desprezam a idade e dão vazão a essas surpreendentes habilidades enquanto ainda usam calças curtas e tranças! Os trígonos a Urano, sem levar em conta a condição evolutiva da pessoa, indicam que ela está adiante do seu tempo, lugar e experiência.
            As quadraturas e oposições de outros planetas a Urano mostram até que ponto suas energias precisam ser controladas e dirigidas. Inversamente, as quadraturas e oposições de Urano a outros planetas mostram como sua vibração pode descentralizar aos outros planetas, fazendo-os expressarem de maneira confusa e caótica. Sempre que Urano e Sol, Marte ou Júpiter (os planetas dinâmicos) estiverem em relação discordante, examine cuidadosamente o mapa a fim de determinar até que ponto Saturno exerce uma influência controladora no mesmo. Saturno neste caso pode formar os padrões de cumprimento nos quais as energias dinâmicas devem ser canalizadas.
            O estudante de astrologia ou astro analista sintoniza a vibração de Urano todas as vezes que estuda um horóscopo. Esse estudo deve ser usado, e a vibração uraniana dirigida, com o propósito de ajudar alguém a entender seus padrões de vida mais clara e impessoalmente. Deste modo a astrologia e usada como um canal de liberação e, como tal, mantém-se como uma das mais elevadas expressões desta vibração poderosa e espiritual.
           

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CAPÍTULO X - A ORDEM DE SATURNO: “DEVE-SE CUMPRIR”


            Esta matéria é oferecida a todos os estudantes de astrologia na esperança de que sirva para esclarecer os propósitos do significado mundano das vibrações de Saturno. É de vital importância que todos os astrólogos sejam capazes de apresentar àqueles a quem ajudam um retrato construtivo do por que e para quê este planeta é como é em qualquer horóscopo.
            Obstrução, cristalização, desapontamento, pobreza, frustração, e coisas semelhantes são os únicos termos pelos quais alguns estudantes identificam a vibração de Saturno. Permitam-nos perguntar: “Como, em nome de tudo que seja claro, podem tais termos ser usados para acalmar os agitados nervos da pessoa apreensiva?”. Se o padrão astrológico vai ser estudado para solucionar problemas, cada vibração planetária deve ser abordada sob o ponto de vista de sua significação no espectro solar e de sua importância na evolução do Ego. Na medida em que passamos a entender por que certo planeta está como está na Carta em consideração, estaremos, mental e psicologicamente, muito melhor capacitados para lidar com os problemas e condições representados.
            Saturno é o símbolo do plano físico, através do qual todas as atividades da mente, coração e do Espírito manifestam-se com propósitos evolutivos.  É a vibração da objetivação e manifestação. Sua posição no horóscopo mostra onde a expressão do espírito está mais fortemente condensada; mostra o ponto de maior responsabilidade; a área em que não cumpriu no passado, portanto a área de maior esforço espiritual nesta encarnação. (A última frase explica a exaltação de Marte – energia – em Capricórnio, signo da regência de Saturno. Vênus, como beleza, é o princípio da Manifestação Aperfeiçoada, e Saturno está exaltado em Libra, signo da regência de Vênus). Saturno, o posto avançado das vibrações mundanas, estabelece os limites para cada experiência e para cada ciclo de experiência. Por conseguinte, a grande ordem de Saturno é “Deves cumprir!”.
            Medo é uma das palavras mais frequentemente usadas para indicar uma das principais qualidades de Saturno em expressão negativa. O medo é nossa reação a qualquer ameaça à nossa sensação de segurança ou bem-estar. Aquilo que não está cumprido espiritualmente representa insegurança nos planos internos. Por isso Saturno afligindo, indica aquilo que o Ego, ou Eu Superior, reconhece como sendo o mais incompleto, ou o que mais falta para o cumprimento da expressão.
            Ajudar uma pessoa a abordar seus aspectos sem medo é um dos principais propósitos e deveres do astro-analista. Quando os aspectos de Saturno são interpretados como representando necessidades de cumprimento, pode-se apelar para o senso de integridade, auto-respeito, fortaleza, coragem e competência do indivíduo. Ajude-o a sentir-se capaz de controlar suas situações de maneira que sua atitude seja construtiva. Estude seu mapa cuidadosamente para que possa descobrir meios anímicos pelos quais os necessários cumprimentos possam ser levados a efeito com o maior êxito. Um Marte bom indica coragem e habilidade para o trabalho árduo; uma Lua boa dá impulso protetor; Júpiter denota benevolência e abundância; Netuno representa fé e inspiração, etc. Também, o ponto de vista abrangente é particularmente aplicável para mostrar soluções aos problemas de Saturno. Paciência é uma das chaves de “Saturno bom”, e a paciência, como uma qualidade, é necessária para cumprirem-se os aspectos de Saturno – sejam quais forem suas naturezas. Quando uma pessoa usa as virtudes de Saturno, ela resolve o problema em suas raízes. Na medida em que Saturno venha a representar, na mente da pessoa, certas qualidades construtivas internas, deixará de ser confundido com um fardo ou com uma frustração.
            Saturno nunca indica negação total de cada fase de sua posição, conforme alguns estudantes inclinam-se a pensar. Sua posição em qualquer casa mostra conclusivamente que o cumprimento, portanto a experiência em alguma forma, é de suma importância. Existem tantas vias de experiência em cada casa quantos são os significados da casa. Se Saturno implica em alguma forma de negação, isso indica automaticamente que o cumprimento dessa casa deve ser levado a efeito de outro modo.
            Pensar que Saturno frustra a expressão da casa que ele ocupa ou rege é interpretar mal o propósito de sua vibração. Isto indica que o não cumprimento deve ser superado pela experiência. O efeito frustrante de Saturno é indicado pelas conjunções, quadraturas e oposições que ele forma com os outros planetas. É o outro planeta que deve contribuir para o trabalho de Saturno. Nesta encarnação o indivíduo é compelido por suas necessidades espirituais a dirigir as energias do outro planeta, desde a expressão em sua própria casa até a casa ocupada por Saturno. Por isso Saturno é chamado de “o látego do destino”, “a mão pesada do carma”, etc. Uma vez que existem muitos tipos de padrões de Saturno, o efeito “látego” é mostrado em graus variados por diferentes tipos de aspectos. É importante estudar o mapa cuidadosamente sob este ponto de vista para compreender-se até que ponto a pessoa está, espiritual e psicologicamente, “presa à Terra”.
            Primeiro, a maior de todas as prisões à terra, a conjunção de Saturno com um dos planetas dinâmicos (Marte, Sol, Júpiter e Urano) e sem nenhum auxílio de sextis ou trígonos: neste caso a dinâmica de expressão do planeta é forçada a abandonar a casa de sua regência e expressar-se em termos das exigências de Saturno, isto para o cumprimento das condições de sua posição por casa e regência de casa. Deste modo o planeta dinâmico é aprisionado, é “escravizado à Terra”.
            Segundo, um planeta dinâmico em quadratura ou oposição a Saturno, sem aspectos de auxílio: este tipo de frustração permite muito mais margem para o planeta aflito expressar-se do que no primeiro caso, porque tem seguramente, por influência da regência e ocupação da casa, “espaço para respirar”. Em virtude do planeta dinâmico não gozar de outros contatos planetários neste caso, sua expressão tem que ser feita em termos das qualidades construtivas de Saturno para que suas próprias expressões negativas sejam evitadas. Esta mistura de vibrações dá então ao planeta campo para expressar-se em sua própria casa, e sua casa de regência, se estiver desocupada, também é ativada. Os requisitos da casa que Saturno ocupa são cumpridos muito mais satisfatoriamente e construtivamente à medida que as qualidades do planeta dinâmico são “despejadas” na casa de Saturno. Nos planos internos este processo corresponde ao desvio da água de seu fluxo original ou natural, no terreno, por canais de irrigação. As energias dinâmicas do planeta são como águas vivificantes para Saturno – Terra. Enquanto este processo não ocorra conscientemente por transmutação positiva, o individuo será obrigado a fazê-lo – inconscientemente – por suas necessidades espirituais, resultando disso o sofrimento, que chamamos frustração. Nos planos internos, Saturno tem a primeira – e a última palavra. O progresso, em sentido mais amplo, não pode ser alcançado enquanto não forem cumpridas as necessidades de Saturno e não forem aperfeiçoadas suas expressões.
            Terceiro, um planeta dinâmico com um sextil e em quadratura com Saturno, este sem nenhum outro aspecto: neste caso o planeta dinâmico tem ajuda alquímica do planeta com que forma o sextil; mas Saturno, não tendo outras expressões, atua como um vampiro, sustentando-se do “sangue vital” do planeta dinâmico. Em virtude do aspecto atenuante ser um sextil e não um trígono, este aspecto parece indicar uma condição crônica ou prolongada. Se ele não for exercitado, é fácil perceber-se a possibilidade de que na próxima encarnação Saturno afligirá também o planeta que forma o sextil, bem como ao que ele aflige agora – um pesado fardo!
            Quarto, um planeta dinâmico em quadratura com Saturno, mas com um trígono: isto repete, até certo ponto, o terceiro exemplo com a qualificação de que o trígono promete muito mais a favor do planeta em quadratura com Saturno. Este exemplo também pode indicar uma condição prolongada, mas o planeta dinâmico terá muito mais capacidade de auto-expressão e fatores compensatórios para que a quadratura de Saturno possa ser utilizada para maior felicidade e bem estar. A pessoa ou pessoas representadas por Saturno serão os meios de restrição e responsabilidade, mas as pessoas com aspecto trígono serão aquelas que compensarão as deficiências induzidas pelos cumprimentos de Saturno. Em cada um desses padrões de Saturno, o desenvolvimento das qualidades positivas desse planeta é o propósito dos aspectos.
            Quinto, Saturno em conjunção com, ou afligindo, um dos planetas negativos (Lua, Vênus, Netuno ou o neutro Mercúrio): Saturno, como a Terra, em si mesmo é negativo ou feminino. Contudo, sendo gravitacional, sua função implica ação ou processo. (Capricórnio, o signo de sua regência, é cardeal, sendo-o igualmente Libra, seu signo de exaltação). Neste tipo de aflição de Saturno, o outro planeta – particularmente Mercúrio, Vênus ou Netuno – precisa do estímulo dinâmico de outro planeta para energizar sua expressão, caso contrário o resultado pode ser uma séria cristalização. Até mesmo um semi-sextil ao planeta aflito deve ser considerado valioso neste caso, pois indica um começo, uma possibilidade de saída, para o planeta aflito.
            Saturno nos dá a mais clara imagem de nossa identidade com a experiência no plano físico, portanto serve como medida de nosso progresso no ciclo particular de manifestação em que estamos agora. Consideremos exemplos de Saturno como indicador de desenvolvimento por ciclo.
            Saturno sem aspectos: começo de um novo ciclo de experiências terrenas; há pouco lastro na natureza, a menos que Capricórnio esteja ascendendo ou Saturno esteja na casa I; a esfera de expressão é indicada pelos planetas em Capricórnio ou pelos planetas na Casa regida por Saturno. Se o mapa mostra estas últimas condições, a promessa de um Saturno bem aspectado em futuras encarnações é indicada se a casa que Saturno ocupa e a influência “dispositora” forem expressas em termos de qualidades positivas e virtudes saturninas.
            Saturno com um semi-sextil: um começo na senda; contato foi feito com o mapa através da expressão direta com um planeta; nascimento de um meio alquímico através do planeta aspectado.
            Saturno com um sextil: um membro de boa reputação da família dos planetas; um canal eficaz para transmutação; um meio de restrição se o planeta aspectado é dinâmico e não está aflito; promessa de futuro trígono.
            Saturno com uma quadratura: já tratado parcialmente na primeira parte deste capítulo; um vampiro, sugando energia do planeta aspectado; necessidade de expressar qualidades construtivas duplas através da casa que ocupa; esta condição de Saturno pode indicar uma benção disfarçada, embora sentida como frustração, se a carta contém muitas aflições cardeais e/ou mutáveis – caso em que as exigências de cumprimento de Saturno servem para focalizar e apontar energias que de outro modo seriam desordenadas e incoerentes. A pessoa que possui este tipo de configuração pode redimir o aspecto e a si própria se amorosa, voluntária e corajosamente aceita as oportunidades para trabalhar e viver com seu Saturno, não em conflito com ele.
            Saturno com um trígono: o planeta aspectado tem sido produtiva e harmoniosamente, integrado à Terra; através da casa de Saturno a sabedoria tem sido desenvolvida e o conhecimento pode ser beneficamente expresso a outros; pessoas mais idosas e mais maduras beneficiam ao nativo através da casa que Saturno ocupa – elas servem para estimular aquilo que ele já construiu em seu padrão; um neutralizador confiável para as tendências de escape; um trígono de Saturno a qualquer planeta é um ponto de maturidade para o próprio planeta; neste caso, Saturno é o mais eficiente antagonista das quadraturas e oposições do planeta assim aspectado; um trígono de saturno significa florescimento das virtudes saturninas.
            Saturno com uma oposição: um aspecto de fricção que lança as energias do planeta aspectado ao lado oposto do mapa; uma polarização através da responsabilidade e necessidade de cumprimento; um “intercâmbio de fluxo” é indicado por este padrão – cada planeta precisa das virtudes do outro, isto para cumprimento mútuo e para o estabelecimento de equilíbrio nos planos internos.
             Saturno aflito com vários aspectos: desenvolvimento variado das qualidades saturninas, representando diferentes estágios de crescimento que tem prosseguido por longo tempo. A pessoa com este padrão está bem adiantada no ciclo, tem aprendido muito e muito tem ainda que aprender, a integração com a Terra tem sido feita em muitos graus diferentes, e muitos tipos de “experiências de Saturno” são indicadas para esta encarnação; as qualidades dos planetas que recebem os trígonos e sextis de Saturno podem ser utilizadas alquimicamente para harmonizar os planetas aflitos. A pessoa assim representada é, em relação a este ciclo, uma “alma idosa” – faça uma cuidadosa análise e considere seus trígonos a fim de determinar sua habilidade para transmutar as quadraturas. 
        Saturno sem aflição: Saturno identificado com outro planetas através de sextis e trígonos indica grande desenvolvimento e poder anímico. Serve como neutralizador do mal, superado em esfera de ação somente pelo Sol em trígono com a Lua; é uma panacéia para qualquer aspecto de fricção no horóscopo, e as virtudes saturninas podem ser usadas como auxílios em qualquer problema psicológico indicado por outros planetas; se cadente em um mapa que contenha muitos aspectos de fricção em signos e casas cardeais, seu poder pode permanecer latente durante os primeiros anos de vida, mas, como promete muito de valor à vida da pessoa, cedo ou tarde ele será ativado para a expressão plena; o Sol ou Marte progredidos em quadratura ou em oposição a Saturno natal sem aflição pode indicar o período de ativação – as energias do empurrão planetário dinâmico podem despertar Saturno para sua objetivação. Uma pessoa com tal Saturno não deve ignorar qualquer responsabilidade que lhe apareça – ela tem o poder de cumpri-la, e deve utilizar esta força para dirigir e dar margem às suas outras condições planetárias. O nativo com Saturno sem aflição é abençoado com a ajuda das autoridades e daqueles que estão adiantados nos caminhos particulares de expressão da vida dele. Eles são verdadeiramente seus “irmãos em espírito”, uma vez que ambos têm deste lado sabedoria de suas respostas à ordem de Saturno: “Deves cumprir”.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

CAPÍTULO IX – JÚPITER: O PRINCÍPIO DO APERFEIÇOAMENTO


          Quando analisamos o símbolo de Júpiter vemos um semicírculo sobrepondo-se, ou cobrindo, a cruz da manifestação material. Este semicírculo pode ser interpretado como a Lua – a função de nutrir – ou como um símbolo geral do espírito. Em ambos os casos é transmitida a essência do propósito de Júpiter.
          No primeiro caso vemos o “princípio de nutrição” permeando toda manifestação física – preservando, curando e ampliando as partes componentes da experiência como encarnação; o segundo caso identifica Júpiter como o agente pelo qual as forças espirituais são manifestas à consciência terrena.
          Júpiter sempre deve atuar através da forma; sua esfera de ação está condicionada definitivamente pelos ditames e exigências de saturno. Ele não é transcendente como Urano e Netuno; é uma “sombra antecipada” deles, já que proporciona um canal para a apresentação exotérica das verdades espirituais. Em aplicação psicológica, ele é aquelas qualidades da mente e do coração que proporcionam avivamento e exaltação à consciência evoluinte. Ele é o sangue arterial no corpo físico – o fluido fresco, puro e nutritivo que em seu curso efetua um trabalho de renovação e sustento. Ele é a nona casa do horóscopo – a compreensão e julgamento verdadeiros, destilados da experiência, e que provêem pábulo para o progresso construtivo da vida.
          Sempre há uma qualidade de “mais” na vibração de Júpiter. Ele é “mais que o suficiente”. É grandeza e amplitude em qualquer forma. Ele não é uma vibração especificamente estética, mas sua “personalidade” é por certo claramente evidenciada na complexidade, magnificência e esplendor dos cenários do balé e das grandes óperas. Ele é a extensão da energia de Marte que chamamos “representação”. Ele é o entusiasmado, risonho, progressista e generoso amante da vida.
          Se fosse requerida apenas uma palavra para resumir as virtudes de Júpiter, por certo essa palavra deveria ser benevolência. Júpiter é a nossa capacidade de dar – sincera, abundante e sabiamente. É através de Júpiter que nos misturamos com as vidas dos outros com pretexto de ajudá-los, irradiando-lhes o melhor do nosso coração, da nossa mente e dos nossos recursos materiais. Júpiter é filantropia, é a benevolência da religião. Ele é qualquer meio pelo qual nós, individual e coletivamente, melhoramos as condições desse plano evolutivo. Júpiter pode ser expresso, é claro, em termos de “eu e só eu”, mas não é apenas isso. Não importa quanta riqueza o individuo adquira, quão grande seja sua mansão, quão repleto seja seu guarda-roupa, quão vasta seja sua herança, ou quão extensos tenham sido seus estudos, ele não vive a altura de seu Júpiter enquanto não der algo de sua abundância para melhorar algo fora de sim mesmo. É por meio dessa expansão que Júpiter neutraliza possíveis dificuldades causadas pela cristalização de Saturno devido ao medo de perder. Júpiter e Saturno trabalham de mãos dadas quando a receita se faz acompanhar de uma despesa beneficente.
          Atenção, senhores psiquiatras, psicólogos e astro-analistas: Júpiter nunca demonstra seu poder mais especificamente que quando um gasto é feito como expressão de gratidão por se receber algo em troca. A gratidão sincera – a uma pessoa ou a Deus – proporciona uma qualidade de abertura de consciência que a sintoniza mais e mais com o crescimento e com a abundância de expressão. Nenhum aspirante deixa passar um único dia de sua vida sem sentir e/ou expressar gratidão a alguém por algo. Esta gratidão é sincera, jubilosa, positiva; não é um rastejar servil pelo qual aquele que recebe degrada-se a si próprio e insulta àquele que dá. A psicologia de Júpiter – agradecimentos pela dádiva e o desejo de compartilhá-la com outros – é algo profundo e de longo alcance. É alimento para a mente, para o corpo e para a alma, infundindo de fato uma corrente de energia renovadora nas condições a que se permitiu tornarem-se cristalizadas, mórbidas e doentias. O Dia Nacional de Ação de Graças é comemorado quando o Sol transita pelo signo de Sagitário – regido por Júpiter!
          Alguns pretendem que Júpiter seja considerado um símbolo do pai – exercendo a versão masculina do impulso de nutrir. Seja como for, de uma coisa podemos ter certeza: Júpiter é o símbolo do professor ou do “pai espiritual”. Júpiter nutre a mentalidade espiritual e, como tal é representado pelo sacerdote. Todo professor é um parente espiritual – seu trabalho e propósito é guiar a pessoa mais jovem, ou menos desenvolvida, ao longo de linhas de desenvolvimento não especificamente relacionadas com as necessidades físicas. Saturno é o princípio da Lei, no sentido esotérico; mas a Casa IX é a profissão da lei, como proteção às pessoas. A Casa IX é também a Igreja como instituição protetora e instrutora. Por conseguinte a Casa IX, através da regência de Júpiter, parece resumir a “consciência do certo e do errado”, não no sentido abstrato ou absoluto, mas em termos de ciclo de desenvolvimento da pessoa, de seu background familiar e dos moldes religiosos envolvidos.
          Júpiter é a nossa expressão externa e direta dessa consciência, de maneira que sua posição e aspectos no horóscopo mostram como e por quais meios, se existe algum, nós sentimos o impulso de ensinar às pessoas o caminho (nós pensamos) que devem seguir. Uma Casa IX não aflita por planetas que a ocupem ou pelo seu planeta regente, indica que a pessoa, de modo geral, não terá dificuldades em encontrar a religião que realmente necessita e quer, na presente encarnação. Ela será posta em contato com os mestres mais adequados para satisfazer seus anseios espirituais. Aflita, a IX Casa indica obstáculos para se alcançar satisfações religiosas ou filosóficas. Grandes atrasos, confusões, desilusões e desapontamentos são indicados pelas aflições da Casa IX, e as aflições ao próprio Júpiter mostram como nós, individualmente, precisamos nos disciplinar e exercitar para expressarmos nossa capacidade total como mestres ou líderes morais. Pode-se identificar muito carma nas aflições da Casa IX por dedução de Causa e Efeito; eles são os “desvios” cometidos pelo indivíduo no caminho de seu desenvolvimento espiritual. Este desenvolvimento de consciência e compreensão espirituais certamente comprova a função de Júpiter como o “Princípio do Aperfeiçoamento”.
          Uma das mais fascinantes fases da interpretação astrológica encontra-se nos aspectos “negativos” ou “cármicos” de Júpiter. Benevolência, elevada compreensão, proteção, abundância, generosidade – como pode tal planeta representar o “mal”? Abundância, meus amigos, abundância!
          No que Tange a Júpiter ser “dinâmico”, seus malefícios são encontrados, como nos casos do Sol, Marte e Urano, no desequilíbrio, no descontrole e na negligência. Quando o desejo de melhorar é pervertido, Júpiter se manifesta por muitas maneiras desagradáveis, sendo o principal:
          ORGULHO AUTO-INDULGENTE: Isto significa o indivíduo cujos anseios por auto-aprovação são tão fortes que ele não pode ouvir conselhos ou crítica sincera. Por isso ele não pode – e geralmente é assim – melhorar a si mesmo por um ou outro processo, mas prossegue mantendo uma avaliação distorcida do seu próprio mérito. O astro-analista que interpreta para uma pessoa com este aspecto precisa usar de tática – você não pode ajudá-lo focalizando seus defeitos porque então ele resistirá e se ressentirá de suas observações. Você deve manter uma atitude de aprovação e, sem faltar à verdade, deve adoçar-lhe o remédio. Se ele pede a “verdade nua”, lembre-se de que para ele o “disfarce” torna a verdade aceitável. Analise cuidadosamente a Carta de modo a encontrar algo em que ele possa sentir-se justificadamente orgulhoso de si mesmo. Ao mesmo tempo você deve verificar que tipo de obstáculo em sua vida leva-o a usar uma máscara de falsa superioridade. Seu orgulho pode centralizar-se na família, na posição, na nacionalidade, nos seus conhecimentos, na posse de dinheiro ou num talento genuíno. Não importa, o que quer que seja valioso para seu eu interior deve tornar-se utilizável e objetivável para ter qualquer valor real.
          ARROGÂNCIA: Esta qualidade é uma variação da anterior, e é causada por uma combinação de Marte com Júpiter aflito; uma qualidade notavelmente desamorosa que leva o indivíduo a “forçar suas pretensões”. A pessoa arrogante é essencialmente indelicada – suas atitudes para com outras pessoas parecem conter condescendência, superioridade injustificável e esnobismo, e certa crueldade com que expressa seu falso orgulho, não importando quem seja ofendido no processo.
          RIQUEZA: A abundância financeira é uma das armadilhas favoritas do diabo. Uma vez que o dinheiro é um meio de troca, nada mais nada menos, somente as pessoas que podem usá-lo sem ser escravizados ou enganados por ele é que possuem uma consciência financeira bem integrada. A riqueza, para certos tipos de pessoas, é sinônimo de caráter, de virtude, de espiritualidade, etc. Dizem que o êxito de um casamento é garantido se o marido em perspectiva tem “posses em abundância”. Para esses tipos o ganho financeiro justifica a perpetração de qualquer tipo de desonestidade, injustiça ou deturpação de responsabilidade. “Homem de sorte”, dizem, é o rico, é aquele que tem tanto dinheiro que não precisa trabalhar. Pode comprar tudo que deseja, seus filhos podem ter tudo o que querem e sua esposa nada no luxo e na ociosidade. Ocasionalmente eles dizem que sua riqueza pode compensar qualquer sofrimento ou problema em suas vidas. Tais pessoas não podem aprender através de seus sofrimentos, nem podem entender ou lidar com seus problemas. Ao receberem uma herança de milhões, elas podem fazer a viagem mais curta possível para o desastre. Atribuem ao dinheiro um poder que ele não possui – e assim esgotam os seus próprios poderes. O descendente de uma família fabulosamente rica há alguns anos atrás herdou algo próximo de 10 milhões de dólares ao completar seus 21 anos. Vivia cercado de luxo desde a mais tenra idade – e não sabia nada mais. Aos 35 anos suicidou-se, deixando um bilhete para um amigo, em que dizia: “restam-me somente 15 mil dólares – não tenho nada por que viver”. Isto é simbólico de um Júpiter, possivelmente aflito por Netuno, regendo a Casa 12 – a ilusão do poder da riqueza como fonte da própria ruína. Deixemos os ricos com seus Júpiteres aflitos encarregarem-se do uso que fazem do dinheiro e do grande poder que lhe atribuem sobre eles mesmos. A riqueza implica em grande esfera de utilização – e, desde que “não podemos levá-la conosco”, podemos ao menos aprender a aplicá-la como expressão de um viver construtivo e produtivo.
          GENEROSIDADE: Em certos ciclos de evolução as pessoas são provadas na sinceridade com que expressam seus impulsos de dar. Pode-se pensar superficialmente que, se um homem sente um impulso de dar alguma coisa, como pode haver impedimentos? Mas há, e aqui está um exemplo hipotético: durante a encarnação passada a pessoa viveu principalmente para adquirir – dava somente quando era absolutamente necessário, ou com o motivo dissimulado de obter algo em troca. Na última parte da vida ele foi alvo de um ato generoso e desinteressado praticado por outra pessoa. Ele sentiu por isso profunda gratidão, de modo que quando faleceu impressionou seu subconsciente com o desejo de viver mais para poder por sua vez expressar sua gratidão. Na presente encarnação ele vem com aquele anelo à flor da pele, mas a sinceridade desse anelo, em virtude de ter-se desenvolvido tardiamente, tem que ser provada para que sua realidade possa incorporar-se à sua consciência. Por conseguinte, ele pode ter um pai super-indulgente para com ele e que não lhe permita dar nada a ninguém – então a pessoa vê-se envolvida numa circunstância de atrito. Se ele quer realmente expressar seu sentimento de gratidão deve resistir à super-indulgência do pai. Se permitir que a influência do pai o afaste de sua via de expressão, então ele falha na prova. À medida que permita que outras influências abafem seus generosos impulsos ele voltará a emaranhar-se, não apenas no próprio interesse, mas num complexo de frustração muito doloroso. Seu “desejo de dar” representa um impulso de sua natureza superior – a frustração desse desejo causa uma reação especial de auto-desprezo e sentimento de indignidade e auto-degradação. Se no exemplo acima, de alguém com pais super-indulgentes, o indivíduo percebe que o ressentimento e o atrito aumentam e transparecem em suas atitudes para com os pais, ele pode, com abordagens filosóficas contrariar essas tendências e transmutá-las através do sentimento de gratidão aos pais por proporcionarem-lhe uma prova muito necessária, ainda que inconscientemente. Sua atitude deve “salientar-se” cada vez mais consoante seus propósitos de crescimento. Os grandes líderes religiosos, ou quaisquer pessoas que “doam o melhor de si mesmos”, são testados desta maneira. Elas darão o melhor de si mesmas, não importa qual seja o resultado imediato.
          EXPERIÊNCIA NA IGREJA: Em seus processos de crescimento em direção ao desenvolvimento da compreensão espiritual, muitas pessoas acham que suas lições advêm do distinguir o “real do irreal” através de contatos com outras pessoas em atividades na igreja. Este tipo de carma – Júpiter aflito regendo ou ocupando a Casa 12 – parece referir-se a pessoas que vieram à presente encarnação com uma forte “ânsia por religião”. Muito de suas transmutações pode ser estimulado pelo contato com hipócritas, fanáticos, e por aqueles cujas pretensões espirituais não coincidem com o seu desenvolvimento. Tais pessoas – membros da mesma igreja – são objetivações dos aspectos aflitivos a Júpiter, e suas “atuações” são por certo uma fonte de grande provação para o aspirante. Ele ama sua igreja, acredita e tem fé nos ensinamentos, procura por todos os modos possíveis estabelecer cooperação e harmonia com os outros, para que a igreja possa permanecer acreditada junto à comunidade como um modelo de conduta espiritual – e o que ele consegue? Cada um empurrando e lutando para ser o dirigente deste ou daquele “comitê”, crítica caluniosa o tempo todo; o ministro faz de seus ensinos religiosos flagelo e castigo; o benfeitor ameaça retirar seu apoio financeiro toda vez que seus desejos pessoais – e preconceitos – parecem ser ignorados, e assim por diante. Você já deparou com tais, uma e outra vez. Tudo isso é representação de falso orgulho, arrogância, presunção e pretensão, blefe e falsa aparência. Não são imagens bonitas, mas são Júpiter não regenerado. O indivíduo com a vibração de Júpiter aflito que é lesado e desiludido (provado) por tais pessoas contempla o reflexo de suas próprias experiências do passado. Ele agora é sincero e aspirante, mas nesta encarnação são dadas oportunidades à sua sinceridade, à sua fé, e à sua confiança nos princípios espirituais, de ver o que é real e o que é irreal e falso. Ele poderá fracassar em sua prova se permitir que as “sombras” o desviem de seu progresso. Ele deve aprender das sombras, não ser dominado por elas.
          Na linguagem psicológica o termo “mecanismo” é usado para identificar certas tendências subconscientes profundamente arraigadas. Correlacionando isso com astrologia, nós identificamos o “mecanismo de defesa” como Marte, e o “mecanismo de fuga” como Netuno. Júpiter certamente identifica-se como “mecanismo de compensação”. Todos e cada um de nós estamos em busca de realização, e quando os padrões cármicos criam desordem, imperfeições, frustração e carência, sentimos automaticamente impulso de compensar a nós mesmos naquilo que sentimos ser a nossa mais profunda perda. Em outras palavras, somos levados a estabelecer “melhoramento” e “beneficência” mesmo que tenhamos de fazê-lo no lugar de outrem. O aspecto na Carta que indique a “carência” ou “frustração” mais fortemente sentida pode, por certo, envolver Júpiter – mas não necessariamente. Todavia, em virtude da própria natureza deste planeta, não é razoável supor-se que a expressão “positiva” dele pode prover a mais direta e satisfatória “compensação”? É através de Júpiter que nos damos; quando damos abrimo-nos, em consciência, para receber. Não podemos receber a realização das nossas mais profundas necessidades a não ser que, e até que, ponhamos em ação nossa boa vontade de tornar essa realização possível para outro. Então entremos em “contato” com nosso Júpiter por expressão direta em termos de sua posição por Casa (fator ambiental), de aspectos benéficos (esfera de ação construtiva) e de planetas com os quais ele se relaciona por aspectos benéficos (relacionamentos, atividades). Um Júpiter sem aspectos indica que “é tempo de começar a dar”. Enquanto pensarmos na vida em termos de “auto-isolamento”, estagnamos – e Júpiter se torna cada vez mais obstruído pelas cristalizações de Saturno. Júpiter com múltiplos aspectos, mas aflito, necessita de vários tipos de controle e orientação; Júpiter nessas condições pode representar muitos complexos psicológicos que a pessoa deve, para compreendê-los claramente, abordar com a razão, com fatos, com discernimento e com análises. Mercúrio-Saturno é o corretivo mais intimamente aplicável às desordens de Júpiter.
          Ao sintetizarmos os padrões Júpiter em uma Carta, observamos não somente os aspectos, a Casa que ocupa e a Casa que rege; devemos estudar, também correlativamente as condições da Casa 9, para obtermos a imagem de Júpiter com significador espiritual. Júpiter indica o nível de consciência espiritual das pessoas que se manifesta através das formas. Nesse sentido, ele emparelha-se às vibrações de Urano e Netuno nas vidas das pessoas que alcançaram, em certa medida, a consciência da transcendência.
          Júpiter amplia, qualquer coisa que toque. A menos que esteja dignificado – em Sagitário – é importante analisar com cuidado as condições do seu planeta dispositor. Um Júpiter inteiramente aflito, ou variável, “dispositado” por um planeta sem aflições indica que as qualidades construtivas do planeta “dispositor” podem ser usadas para ajudar Júpiter a controlar-se e a disciplinar-se. Júpiter sem aflições “dispositado” por um planeta aflito indica que este planeta pode, em grande medida, ser redimido de suas aflições através da expressão das melhores qualidades de Júpiter. Neste caso, Júpiter deve “limpar a casa onde mora” – expressões construtivas de sua vibração proporcionam um canal de transmutação para o planeta aflito.
          A conjunção aflitiva de Júpiter com outro planeta indica a tendência desse planeta para expressar-se excessivamente – implica numa qualidade de “demasia”. As expressões da pessoa no sentido das condições e experiências do planeta em conjunção são desviadas, porque Júpiter aflito é “fraco em julgar”; definindo-se “julgamento” como “conhecimento da alma”, destilação de experiência – não o resultado do estudo concreto. Todavia, no caso de tal conjunção aflitiva, o poder de Júpiter promete grande recompensa se o planeta em questão for expresso construtivamente; A expressão construtiva do mesmo só pode ocorrer como resultado de destacada observação associada a uma extensa auto-disciplina. A contínua expressão negativa de tal conjunção – energias sem direção – indica um inevitável esgotamento de recursos.
          As “graduações” de Júpiter mostram que suas vibrações se expressam mais puramente em Sagitário, Câncer e Peixes. Ele está em desvantagem nos signos mercuriais: Gêmeos e Virgem, e, na opinião do autor, Júpiter é perfeitamente menos jupiteriano em Virgem e Capricórnio. Virgem é analítico, detalhista, meticuloso e crítico – oposto do magnânimo generoso Júpiter. Em Capricórnio, Júpiter é oportunista – ele tende a dar, mas visando aquilo que pode receber em troca. O impulso religioso, misturado com a vibração de Saturno, tende ao formalismo e ao dogmatismo. Se Júpiter tem múltiplos aspectos em Capricórnio e tem alguma ligação direta com a casa 9 da Carta, então o impulso religioso é amplo, mas a pessoa deve estudar religiões com o propósito de compreendê-las para poder entender outras pessoas, e não com o propósito de reprimir, discutir ou forçar suas opiniões aos outros. Se o indivíduo é um mestre, qualquer classe de mestre, seu Júpiter em Capricórnio enfatiza tendência para a ambição e para a ostentação. Ele deve aprender de algum modo a “penetrar na mente de seus pupilos” para que em seus ensinamentos, possa ser mais apto para desenvolver as capacidades latentes deles. Sua tendência será tentar adaptá-los à sua particular maneira de pensar. Júpiter em Capricórnio precisa aprender como dar – e dar sem considerar a possibilidade de um retorno.
          Em Leão, Júpiter brilha esplendorosamente, mas quando aflito, a auto-justificativa e o amor próprio são fortes. Esta é uma “posição de nobreza”, mas se for pervertido e debilitado ele pode manifestar uma arrogância abrasiva e superioridade gigantesca. Em Touro, combinado com a vibração de Vênus, Júpiter se colore de “abundância financeira” – expressa suas qualidades em termos de coisas da terra. Em Aquário ele é muito sociável e humanitário; busca estabelecer e manter a abundância em suas relações com amigos – é uma influência benéfica em atividades de grupo. E assim com os demais signos.
          Júpiter na Casa XII: os aspectos benéficos descrevem Júpiter como um “anjo da guarda” – uma profunda percepção subconsciente de proteção. Isto evidencia ter “dado sigilosamente” no passado e é promessa de “sorte de último instante”, nesta encarnação. Tudo parece estar perdido, então aparece alguém em cima da hora para salvar a situação. Este é o tipo de pessoa que não deve fazer alarde de suas dádivas – se o fizer corrompe a expressão pura de Júpiter e enfraquece seu poder para fazer o bem. Não importa o signo em que este planeta se encontre, a Casa XII está associada ao signo de Peixes, de maneira que Júpiter nesta Casa indica, em certa medida, a posse de uma irradiação de poder curativo para aqueles que estão doentes e reclusos. Nenhuma pessoa com esta posição deve pensar que não existe ninguém que não precise dela – há uma abundância delas em hospitais, orfanatos e asilos, onde podem dar o melhor de si mesmas para aliviar aos que sofrem e melhorar as condições. Dar dinheiro para bons propósitos é muito nobre, mas quando Júpiter se encontra em suas melhores condições, impele o indivíduo a dar de si mesmo – seu tempo, seu trabalho e seu interesse.
          Júpiter aflito na casa XII é a “própria ruína através do falso orgulho” – uma condição subconsciente que “apaga” a auto-perspectiva. Indica também o carma que se pode cumprir pela – ou através da – posse de riqueza, e como o mau uso dessa abundância pode conduzir a uma deterioração interna. A Casa de regência de Júpiter, em termos de experiência e/ou relacionamento, é vista aqui como indicativa da condição de limitação que pode ser redimida, se não estiver ocupada, pela expressão das qualidades construtivas de Júpiter. Júpiter na Casa 12 lança um “manto de segredo” na Casa que tem Sagitário na cúspide, e aflições de outros planetas a Júpiter indicam uma tendência para a clandestinidade, hipocrisia, e falsa aparência. Júpiter, para viver em plenitude, “não deve aparecer” – e se suas expressões externas têm que ser experimentadas em segredo ou nos bastidores, então é melhor que seja expresso com a maior sinceridade e autenticidade possíveis, caso contrário corrupção pode ser o resultado.
          Júpiter na casa II; com aspectos benéficos é garantida abundância financeira se o indivíduo trabalha naquilo para que foi destinado, o trabalho que mais ama e através do qual pode dar o melhor de si mesmo. Em outras palavras, Júpiter só pode “render prêmio” se for expresso de tal maneira que seja capaz de irradiar o que há de melhor em si, o que levanta essa questão: que tal o homem com Júpiter na Casa II que só é capaz de realizar um tipo de trabalho “rotineiro” dia após dia? Ele não está consciente de amar seu trabalho – fá-lo para ganhar bastante dinheiro para viver. No entanto, ele pode garantir para si um ganho crescente se faz esforço para melhorar sua habilidade e a esfera de expressão de seu trabalho, ainda que dentro das limitações de um emprego rotineiro. Sempre há oportunidade para fazerem-se melhoramentos – e o homem que se esforça para isso, mesmo inconscientemente, contribui de modo geral para seu emprego. À medida que ele melhora, o trabalho como um todo também melhora. Júpiter não apenas “ama ao que dá com alegria”, mas estende a mão como ajuda a todo aquele que melhora de algum modo.
          Júpiter na casa VI: Sem aflição assegura a saúde. Se os padrões gerais na Carta mostram tendências para doenças ou desarmonias físicas, esta posição de Júpiter promete alívio se a pessoa mesma faz o que pode para estabelecer hábitos corretos e construtivos, e processos salutares. Ela deve tentar melhorar suas próprias condições físicas. Aplicada ao trabalho, esta posição de Júpiter parece indicar garantia de que o indivíduo “fará o trabalho que gosta de fazer”; ele tem um canal desimpedido para aplicar em suas experiências de trabalho seu entusiasmo e determinação para progredir e ser bem sucedido. Aflito, Júpiter mostra tendências para desarmonias físicas em razão de excessos, e no trabalho, inclinação para fazer o tipo de trabalho que pode lhe render maior ganho pelo menor esforço. Se a pessoa não dá através de seu trabalho, diminui suas oportunidades e esgota suas capacidades de progredir.
          Júpiter na casa X: Aflito, indica uma condição sutil que justifica uma análise cuidadosa. Na consciência de tal pessoa, “reputação” é tida como uma fonte de proteção e benemerência, não importa quão ilusória sejam. O “desejo de melhorar” vê-se expresso aqui como o “desejo de melhorar aos olhos das outras pessoas ou da sociedade em geral”. Esta posição é a essência da simulação, da aparência forcada, planejada, artificial, que se usa para ocultar deficiências e indignidades de toda sorte. É o caso do sacerdote mundano que glorifica a Deus na maior das catedrais, e da congregação mais rica, para quem a religião é um assunto de publicidade, renome e fama. É o “parasita” da sociedade que se sente feliz e à vontade somente quando visto ao lado das pessoas de bem, que “se preserva” por viver na boa impressão que causa naqueles a quem admira e considera “superiores”. Júpiter aflito na casa X ou em conjunção com o regente aflito da mesma revela muito da mesma qualidade. A reputação parece ser o foco da expressão de Júpiter em um e outro caso. Renome, sua verdadeira conquista ou o desejo de “ir fundo” para alcançá-lo, é uma extensão de “reputação”. O grande homem pode tê-lo conferido a si sem ter qualquer desejo disso; outra pessoa pode achar que sua capacidade de melhorar a si mesma pode crescer na medida em que seja aclamada por seus êxitos; outra ainda deseja tão fortemente um tipo de auto-aprovação advindo do reconhecimento público que não tem escrúpulos de conquistá-lo por algum meio. Com este padrão de Júpiter aflito, estude a Carta cuidadosamente para identificar as possíveis deficiências que a pessoa tenta encobrir, aquelas coisas que a impelem a compensar através da simulação. Se buscar ser orientada para um viver construtivo, os resíduos que atravancam sua mente e suas reações devem ser removidos, e suas possibilidades de conseguir êxito verdadeiro precisam chamar sua atenção.
          Júpiter na casa IV: Júpiter cria uma condição de abundância na Casa que ocupa. Esta posição, apoiada por aspectos benéficos, promete fartura na última parte da vida, e uma espécie de “florescimento” de impulsos superiores aparece como resultado de atividades construtivas durante os anos de desenvolvimento. Qualquer um pode ter que enfrentar toda sorte de dificuldades no decurso de uma encarnação, mas Júpiter na Casa IV faz de sua vida doméstica um santuário. As aflições a Júpiter na Casa IV mostram quanto desgaste pode ser causado pela perda de oportunidades de crescimento e melhoramento, criando-se assim para os últimos anos uma condição em que o círculo do lar torna-se o único refúgio de paz e conforto. É uma indicação de pais ricos ou, pelo menos, generosos. O padrão é estampado com colorido de abundância. A pessoa encontra em sua vida doméstica enriquecimento de coração e de espírito, e, não importa o que possa ser aos olhos do mundo ou em suas atividades profissionais, irradia o melhor de si mesma para sua família. Quando estabelece o seu próprio lar, ela sintoniza com algo em sua natureza que representa o melhor em si. A vibração de Júpiter que se expressa através das condições da Casa IV pinta a imagem de um marido devotado, de um pai generoso e amoroso, e/ou de uma matrona honesta e respeitável.
          Júpiter na casa V: Abundante capacidade amorosa; os filhos são considerados como bênçãos da vida. As aflições podem indicar experiências pelas quais o indivíduo, como pai, deve desenvolver compreensão e capacidade de julgar, mas, no geral, ele descobre que sua vida expande-se amplamente através do contato com seus filhos. Em virtude de Júpiter ser basicamente masculino, sua posição na quinta casa na Carta de um homem indica o prazer que ele encontra na paternidade. Seu amor pelas crianças é ilimitado – ele gostaria de fazer tudo por elas. Max Heindel tinha Júpiter em Sagitário na Casa V – era verdadeiramente um “pai espiritual”, sua capacidade de amar com devoção não tinha limites. Júpiter aflito na quinta Casa necessita de disciplina e discernimento. Trata-se do pai que pode facilmente estragar seus filhos por excesso de complacência, ou cuja preocupação excessiva por eles pode levá-lo a protegê-los demasiadamente. Ele precisa encontrar algum meio de desenvolver uma atitude mais desapegada, mais impessoal, para com eles. Júpiter não regenerado na Casa V ou regendo esta, indica excessivo apego aos prazeres como “mecanismo de compensação”. Trata-se do homem que não sabe como converter suas habilidades em valores práticos, por isso melhora suas condições financeiras no jogo e na especulação barata. Da mistura com a vibração de Marte, os prazeres do sexo podem ser meios usados para “compensar” impulsos amorosos não realizados. Padrões negativos Júpiter-Netuno envolvendo a Casa V podem ser muito maus – uma vez que Netuno é a essência do mecanismo de escape, de modo que se os desejos de prazeres e “alegrias” são excessivos, o apetite exausto pode converter-se em sombrias compensações nas drogas e no excesso de bebidas. Este padrão exerce uma influência de perversão nas experiências do prazer – o artifício, a luxúria e a sensação mórbida podem substituir as coisas que são verdadeiramente sadias e “recreativas”. Uma vibração aflitiva de Júpiter expressando-se através da quinta Casa não pode fazer nada melhor que fixar, se possível, respostas às atividades do prazer que conduzem à melhora da saúde por vias naturais. O ar livre, as marchas, a natação, a jardinagem, etc., poderiam ser exercitados, pelo menos parcialmente, com bons resultados.
          Júpiter na casa III: É uma expressão mental do planeta. O estudo torna-se um canal para o melhoramento, e a educação uma necessidade. Fluência de expressão está indicada, mas se aflito, Júpiter precisa de método e rotina. Os aspectos benéficos indicam felicidade através do relacionamento com irmãos, o que por sua vez “alimenta” as possibilidades de êxito no relacionamento na maturidade. Geralmente indica capacidade de abundantes recursos mentais, uma mente fértil em idéias e capaz de reter muito conhecimento. As possibilidades para expressão em público considera-se como incentivos para o estudo e o desenvolvimento intelectual.
          Júpiter na casa IX: Na nona Casa, ou em Sagitário, ou “disposto” por um planeta nesta Casa, ou em qualquer outra ligação direta com a mesma Casa, Júpiter enfatiza a “capacidade de aspiração espiritual”. Os padrões profissionais referem-se mais especificamente à lei, à igreja e ao ensino. O próprio Júpiter mostra como expressamos nossas convicções religiosas, sendo que o planeta regente da Casa IX indica os nossos sentimentos básicos a respeito da religião em geral e nossa atitude quanto a isso. Uma Casa IX vazia – desocupada, Júpiter sem aspectos, e o resgate desta Casa insignificante por esfera de ação – mostra que a pessoa ainda não sintonizou-se com o lado “compreensão” da vida. Ainda está envolvido com as “coisas como coisas”. Na medida em que Júpiter e a Casa IX ganham escopo, os padrões mostram até que ponto a pessoa já destilou compreensão a partir dos seus padrões e experiências, e até que ponto busca compreensão maior. A mentalidade de Júpiter é a mente que antes de tudo interessa-se mais por princípios que pelo árido conhecimento concreto. Ela vê as cerimônias e acessórios da igreja como símbolos de verdades internas e se interessa em descobrir a origem desses símbolos externos. A pessoa com a Casa IX fortificada “buscará até encontrar” o conceito religioso que satisfaça mais plenamente suas necessidades, e quando o encontra reconhece-o quase imediatamente.
          Quando estudamos uma Carta do ponto de vista psicológico, é importante obter uma “imagem” da habilidade da pessoa para pensar em termos de princípios – porque toda a psicologia corretiva se baseia na harmonização com os princípios do pensamento e da ação. Se a Casa IX é fraca, devemos falar à pessoa em termos que ela possa entender – devemos usar “termos terrenos”. Deste modo o astro-analista realiza seu propósito como uma expressão das faculdades da IX casa – como um pai espiritual ele, por sua compreensão, guia “seus filhos” mediante conselhos construtivos dados de maneira simples, e sempre com a finalidade de “elevar” e encorajar. O astrólogo liga-se espiritualmente a todas as pessoas que procuram, de algum modo, melhorar a vida dos outros. Sugiro ao leitor praticar a síntese do Princípio de Melhoramento em relação às outras Casas.