quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CAPÍTULO VI - VÊNUS - PRINCÍPIO DE MANIFESTAÇÃO APERFEIÇOADA

   
       Vênus, feminina e magnética, é a consciência de harmonia resultante da alquimia de transmutações emocionais.
    Harmonia pode ser definida como “consciência de união consumada” – antítese de Ego-separação. Através do primitivo Marte, nós como indivíduos, vivemos em e para o eu; Marte regenerado é aquela expressão do eu que se baseia na coragem da integridade pessoal. Um ser humano não pode “dar aos outros” se não tem estabelecida uma consciência de que e quem ele é internamente, uma consciência de suas potencialidades e a determinação de realizá-las. Este impulso de Marte no sentido da auto-preservação é a etapa de que o Ego necessita para identificar-se com as correntes de vida através de “projeção” e do carma resultante. Cada um de nós tem de formar um corpo-alma; não podemos formá-lo para outrem, e ninguém pode formá-lo para nós. Cada um de nós tem – em cada encarnação – no mínimo uma etapa do corpo-alma para desenvolver; não podemos desenvolver os dos outros e os outros não podem desenvolver o nosso. Isto, em essência, é o propósito da vibração de Marte – consciência da individualidade.
    Contudo, achamos que as experiências são objetivações de nossos próprios estados internos, os quais são “ligados” pelos contatos com as outras pessoas. Quando a vibração de Marte tende a predominar, somos impelidos a usar nossa auto-consciência para interferir na vida de outrem, sacudi-lo, subjugá-lo, tudo para os nossos próprios propósitos. Isto é Marte como um rompedor de relações; o relacionamento consumado é a auto-expressão que contribui ao mesmo tempo para o bem do outro. A vibração de Vênus é a nossa capacidade de agir – de atrair para nós – em termos de intercâmbio harmonioso com outras pessoas, cooperando e ajudando com boa vontade e propósitos construtivos. Deste modo nossas projeções são frutíferas e a mutualidade de desenvolvimento fica assegurada. As correntes de experiência são estimuladas e sustentadas progressivamente.
    A palavra “manifestação”, do título, pode ser considerada sob duas abordagens. Saturno é Manifestação como forma física, a objetivação do Espírito. Nos processos do relacionamento Saturno é visto como “responsabilidade”. Existe uma importante qualidade terrena acerca de responsabilidade que reflete perfeitamente a natureza essencial de Saturno.
    Tem sido observado e psicologicamente provado, que o impulso amoroso proporciona a base mais satisfatória para o cumprimento de obrigações e responsabilidades. Quando amamos, descobrimos recursos de coragem e fé mais profunda, expressões que tendem a “aliviar a carga”. Além disso, o cumprimento é levado a cabo muito mais completo e satisfatoriamente quando uma atitude carinhosa, alegre e entusiasmada forma a base do esforço. Daí a derivação do nosso título – a consciência Venusiana como base de aperfeiçoamento do corpo das relações. A exaltação de Saturno no signo de Libra, signo de Vênus é o corretivo astrológico. Ademais, a experiência de relacionamento (Vênus) implica automaticamente na responsabilidade (Saturno) do cumprimento.
    Sabemos que “Urano é a oitava superior de Vênus”. A triplicidade emocional é composta de Marte, Vênus e Urano. Enquanto Marte é a projeção masculina, individualista e Vênus simboliza a transmutação dele em refinamento por meio das relações, Urano é a “fusão” dos dois dentro do indivíduo. Por conseguinte, a freqüência vibratória mais elevada de Urano é a mistura das polaridades masculina e feminina conhecida como “casamento hermético”, sendo que a expressão criativa dessa vibração manifesta sua realização sem necessidade de parceiro. Do estudo deste processo podemos ver que Urano representa a expressão da união suprema, que não depende das ilusões do relacionamento emocional; pois, em relacionamento, o cruzamento de intercâmbio, macho-fêmea é sempre evidente. As polaridades fundidas permitem à pessoa criar, a partir do seu próprio centro, um nível de consciência emocional mais elevado do que aquele que Marte ou Vênus podem conseguir sozinhos, ou em intercâmbio entre si através de duas diferentes pessoas. Vênus em Aquário, signo de Urano é uma expressão transcendente de amor baseado no desprendimento e na liberdade.
    Vênus está em sua queda no signo de Virgem que é signo mental, analítico e crítico. Quando você analisa, desmonta em peças um objeto para observar as partes em separado. Isto, na esfera de experiências de Vênus, serve para dar ênfase às coisas. A afeição é expressa em termos de “certo e errado”, “dever”, e “adaptabilidade”, no sentido superficial. Vênus em Virgem é mais amor como “algo a ser feito” do que amor como fonte de experiências vivificantes e enriquecedoras que refrescam o coração e iluminam a mente.
    Uma expressão adicional de Vênus em Virgem pode ser descrita como amor ao seu trabalho, mas em escala menor ou em experiências domésticas em geral, a expressão parece mostrar-se uma preocupação com assuntos práticos da vida cotidiana: casa limpa e bem arrumada, bom talento culinário e fazer coisas graciosas. A redenção de Vênus em Virgem pode ser encontrada no estabelecimento de atitudes harmoniosas (belas) para com outras pessoas. Virgem transmite um talento crítico, mas Vênus impulsiona na expressão de tato e cortesia; a compreensão simpática deve substituir a inclinação para descobrir e propalar os erros dos outros. Uma casa limpa e bem arrumada é algo belo e admirável, mas uma casa em que também exista uma vibração alegre, confortável, agradável e representa experiência de coração realizado, cultivo de Vênus.
    Vênus em qualquer horóscopo é o símbolo da faculdade estética, bem como do amor em potencial. O ritmo, o equilíbrio, a proporção e o gosto são tão evidentes nas relações cultivadas como são nas qualidades das coisas a que chamamos belas.
    Vênus é a reação estética instintiva – resultado do refinamento interno que se segue aos processos de transmutações emocionais. Portanto ela é tida como a nossa habilidade inata para perceber e apreciar as cores, contornos, modulações e proporções. Ela é gosto cultivado – avaliação discriminatória.
    Netuno, por outro lado, é a nossa reação à beleza artificial – em outras palavras, é a nossa capacidade para reagir à arte. Muitas pessoas têm uma sensibilidade aguda para as belezas da natureza de outras pessoas, mas sem Netuno elas não podem responder às expressões abstratas ou simbólicas das formas artísticas. Existem também aquelas que possuem um alto grau de desenvolvimento – grande talento ou talvez até um gênio – ao longo de linhas de alguma arte em particular, que não apreciam a beleza em outras formas; estas podem demonstrar sua “falta de Vênus” pela rudeza de sua aparência pessoal, falta de sociabilidade e deficiência de desenvolvimento emocional e do cultivo de relações.
    Vênus dá uma compleição encantadora; seja um corpo gracioso, bem proporcionado, seja a voz expressiva com que a pessoa nasce - elas são belas por natureza. Netuno é o uso habilidoso de cosméticos que criam a ilusão de beleza, são as lições de dança e de canto pelas quais as pessoas produzem um grau de beleza maior do que possuem naturalmente. Vênus é o bom-gosto instintivo por meio do qual a mulher se adorna de acordo com os seus próprios requisitos pessoais; é a escolha de roupas que, por seu estilo e cor, combinem com a sua aparência, de maneira que ela e suas roupas formem um conjunto harmonioso. Netuno é moda, é onda, é artifício, pelos quais as pessoas sem gosto próprio seguem um padrão inventado, artificial. Seguir a moda pode ser – embora muitas vezes não seja – sinônimo de bom gosto.
      Netuno é arte – seja qual for a forma, é a invenção de um símbolo para expressar uma idéia ou ideal estético. De todas as formas de arte, a música instrumental e o drama são de modo particular e peculiarmente Netunianos. As qualidades especiais de Vênus são evidenciadas nas artes da Dança e do Canto. Isto se diz em referência à “base natural” destas duas artes; ambas são manifestações altamente cultivadas de funções corporais notavelmente desenvolvidas. É necessária alguma combinação ou relação entre Netuno e Vênus para que se verifiquem indicações astrológicas de talento artístico. Algum outro estelar pode indicar uma qualificação especial, mas estes dois formam a “base estética”.
    Nos signos Libra e Peixes, Vênus encontra as expressões mais puras de sua natureza essencial; Libra, o signo da sétima casa é o símbolo do relacionamento, enquanto Peixes é a essência do amor espiritualizado. Em Touro, Vênus encontra a forte expressão de sua potencialidade emocional, porém mais em termos terrenos. Em Gêmeos e Aquário, se misturam com os impulsos de relação fraternal e amor-amizade. Em Sagitário combinando-se com as qualidades de Júpiter da nona casa, Vênus é considerado muito favorável, já que implica numa harmonia de espiritualidade e idealismo. Em Câncer é maternal e amante do lar, com grande sensibilidade às necessidades daqueles a quem ama. Em Leão resplandece cálida e dramaticamente – Vênus em Leão é o arqui-símbolo do amor romântico. Em Escorpião é intensamente magnética, a vibração de Marte é indicativa do amor como expressão sexual. Contudo, esta posição de Vênus é considerada desfavorável porque “a sociedade conjugal fica ameaçada pelo desejo pessoal”, e sob o ponto de vista fisiológico, a respeito do organismo fisiológico feminino, as aflições de Vênus em Escorpião podem ameaçar realizações no inter-relacionamento sexual. Todavia, em pessoas avançadas, esta posição de Vênus pode prometer um potencial para grandes transmutações de emoções da devoção consagrada – pode ser muito espiritual. Em Capricórnio, assim como em Virgem, parecem predominar as considerações de ordem material ou prática. Vênus aflito em Capricórnio é relacionamento, amor ou dissimulado como apoio à ambição e posição. Esta fraqueza de Vênus indica o egoísmo consumado – no sentido frio e calculista. Em Áries, Vênus é “amor como expressão própria” – exercendo a influência egoística e dinâmica de Marte.
    A esfera do potencial de Vênus num horóscopo pode ser encontrada determinando-se os aspectos harmoniosos assim como os estelares dispostos por Vênus. Esta coloração é importante porque Vênus pode estar sem aspecto ou fraco por posição ou aflito por aspecto; mas os estelares em Touro e em Libra “expressam-se por meio de Vênus”, estendendo a influência desta no horóscopo. Uma vez que Vênus é passivo – o resultado de processos transmutativos - é afligido - não aflige a outro estelar. As quadraturas e oposições a Vênus ou conjunções maléficas representam: 1) possibilidades de frustração do impulso para a união e para a expressão de amor; 2) estados de consciência que inibem o desenvolvimento dos impulsos estéticos e sociais. Vênus em sextil com um estelar que, pelo contrário, esteja aflito mostra a necessidade de usar Vênus como um agente alquímico para redimir o outro estelar de sua aflição. Os trígonos a Vênus representam florescimentos da alma, o cultivo de graças mentais e emocionais e a capacidade para viver harmonioso e alegre.
    Quando Vênus está sem aspecto, devemos considerar a casa de sua posição no horóscopo como ponto focal do impulso social; sua posição por signo indica o potencial esotérico da natureza amorosa. Podemos interpretar este padrão como representando uma encarnação na qual está sendo feita preparação alquímica para o futuro. Embora Vênus, neste caso, acene para uma pequena “promessa de recompensa” nesta vida, todavia, se estabelecem padrões de reação pelos quais os impulsos auto-isolantes sejam transmutados em atos de dar ou em devoção a um ideal ou a uma obra ou ao cultivo de uma compreensão simpática, processo que resultará numa recompensa de Vênus no futuro. A pessoa com Vênus sem aspecto pode possuir uma disposição particularmente infeliz ou insociável, mas se ela fizer alguma coisa, uma vez ou outra, para encorajar ou tornar alguém feliz estará expressando em termos de Vênus – uma emanação de boa-vontade que infalivelmente deve render seu prêmio.
    Vênus forte por influência, mas aflita por aspectos é “impulso sem cultivo”; o homem que não pode distinguir amigos de conhecidos; a mulher que só gosta de cores berrantes e usa um chapéu vermelho, um casaco púrpura, um vestido amarelo e sapatos cor-de-rosa; o “artista” que canta ao menor desafio – sua voz irrita a todos os que o escutam; a mulher viciada em colecionar “coisas finas” fazendo de seu lar uma selva de quinquilharias incoerentes. Estes são exemplos-caricaturas de Vênus sendo cuspidas por toda parte. Tais pessoas demonstram uma decidida falta de seleção discriminativa ou de senso de acomodação das coisas. Vênus é sempre “a maneira mais refinada de fazer qualquer coisa”.
    Os aspectos estelares a Vênus foram também discutidos em outras partes anteriores, porém neste ponto sugerimos uma síntese de Vênus com os três “primitivos” – Marte, Lua e Saturno. Estes três formam os fundamentos de experiência nos planos emocional, mental e físico, e a relação deles com Vênus nos dá o como e o porquê de sua esfera e influência no horóscopo.
    Marte-Vênus: Este é o padrão “amor-desejo”; o impulso sexual e seu refinamento por meio da união; a auto-afirmação e sua conclusão através do relacionamento; a projeção do impulso dinâmico e sua realização aperfeiçoada; na experiência conjugal – companheirismo realizado através da integração das polaridades masculina e feminina. A despeito do sexo físico da pessoa, a predominância quer de Marte quer de Vênus na Carta indica a tendência da polaridade predominante. Se ambos estão fracos, os potenciais de emoção são baixos, o fogo sexual está ausente, e as expressões de vida puramente mentais ou puramente físicas predominarão nas experiências da pessoa. Se Marte aflige Vênus é necessário comparar-se cuidadosamente a esfera de ação de cada um. Marte forte e Vênus fraco: predominância da masculinidade, impulsos dinâmicos, de auto-afirmação e desejos sexuais; Marte fraco, Vênus forte: a feminilidade predomina, o ímpeto e o atrativo estão ausentes na personalidade; a sensibilidade estética pode ser altamente desenvolvida, mas há pouco impulso para o trabalho ou o esforço; este padrão não favorece os homens, uma vez que o elemento feminino predomina sobre o masculino. Marte em sextil ou trígono com Vênus: promessa de mutualidade sexual e realização de impulsos amorosos; natureza saudável e emocionalmente integrada; capacidade para desfrutar a atividade e trabalhar cooperativamente; tanto nas Cartas dos homens quanto nas das mulheres este aspecto é favorável, já que promete mutualidade entre as fases masculina e feminina da personalidade e do relacionamento.
    Lua-Vênus: Esta é a base feminina do horóscopo. A mulher como mãe e como companheira; a polaridade feminina latente no homem indica as suas relações e experiências com as mulheres em geral. As aflições entre a Lua e Vênus na Carta de uma mulher indicam distúrbios fisiológicos, possíveis frustrações dos impulsos maternais e conjugais; irrealizações das capacidades afetivas. Na Carta de um homem, a Lua afligindo Vênus indica seu carma feminino, desarmonias nas relações com a mãe, esposa e/ou sócias mulheres. Este é o homem que desconhece a maneira de ser do sexo feminino – seus padrões femininos estão em desordem, irregenerados, prometendo desapontamento e atritos; através da “ignorância do coração” ele cria um doloroso carma para o futuro. Este homem precisa cultivar compreensão e simpatia; até lá, sua consciência permanece rude em certa medida, particularmente se seu Marte e seu Saturno estão fortes, independentemente dos aspectos que formem.
    Saturno-Vênus: Aspectados desarmoniosamente, isto indica o prazer sacrificado pela responsabilidade, o amor dominado pelo dever ou o amor debilitado pela introversão, ignorância ou pelo temor; disciplina forçada dos impulsos estéticos ou amorosos como uma retribuição cármica de excessos do passado; Vênus, pelo contrário, bem aspectada e forte, a quadratura com Saturno pode indicar limitação de esfera de ação para o aperfeiçoamento da qualidade. Harmoniosamente aspectados entre si, Saturno e Vênus significam expressão do amor através da responsabilidade; o cumprimento de responsabilidade em um canal para o florescimento de capacidades amorosas; o amor é visto aqui como uma âncora, um meio de restrição benéfica e direção de energia e trabalho. Este é “o amor que deve ser manifestado” – o sonho que deve ser realmente vivido. Constância e fidelidade são as palavras-chave deste aspecto – o amor se aprofunda e dura muito. A união serve para estimular talentos práticos e a experiência de amar forma a base sólida para um viver construtivo e bem-equilibrado.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

CAPÍTULO V - A LUA – PRINCÍPIO DE MATERNIDADE


       No estudo das posições por signo e aspectos da Lua em um horóscopo lidamos com um dos fundamentos da expressão da vida: a base da polaridade feminina. A Lua é uma das pedras angulares de um horóscopo; é a raiz de onde brotam todas as outras variações das fases passivas, receptivas e emocionais da personalidade. O significado mais completo da vibração Lunar só pode ser compreendido quando se entende que cada ser humano possui dentro de si a essência de ambas as polaridades; todo horóscopo tem Sol-Marte, bem como Lua-Vênus, em um ou outro padrão.
      O sexo físico, no mundo das formas é uma ênfase específica de ambas as polaridades aos propósitos de perpetuação. Mas, nos planos internos das impressões subconscientes, dos sentimentos, das memórias cármicas, e dos padrões raciais, a influência da Lua prevalece. Vê-se assim que a realização dos processos evolutivos se efetua nos aspectos físicos de ambas as polaridades, geralmente se alternando, e desde que o sexo físico se faz acompanhar de uma especialização de experiências, todos os seres humanos precisam conhecer a vida. Esta “especialização” não é só de expressão, mas também, e automaticamente, de carma; portanto certas lições só podem ser aprendidas através da encarnação como mulher. Em relação a isto, grande parte do carma do ser masculino pode ser atribuída, por causa e efeito, a descumprimentos e desvios dos impulsos femininos em encarnações passadas, sendo a Lua, em tal horóscopo, a chave desses padrões cármicos. O carma que o homem expia através das mulheres é meramente a objetivação de sua própria polaridade feminina não regenerada; ele se manifesta como homem, mas, por reflexo, através de seus contatos e trocas com “a mulher de sua vida” essas desordens internas são manifestadas.
      Marte, dinâmico e vitalizante, é a função fecundante, a essência do sexo masculino; a Lua recebe essa energização e converte em forma a semente adormecida. Portanto, a Lua é o elo entre o Ego e a descendência da família. É o agente pelo qual o homem, como macho, projeta-se na corrente de vida. Assim, a Lua é vista como o Princípio da Maternidade e, na astrologia mundana ou objetiva, este é seu significado básico. Por meio da experiência como mãe o ser humano recebe lições que não são inferiores a nenhuma outra em abrangência, profundidade e importância. É como mãe que o potente egoísmo, egotismo, dominação e destrutividade de Marte recebem suas primeiras transmutações alquímicas através da iniciação do sacrifício próprio exigido pelas funções da maternidade.
      Desde épocas passadas muito se tem dito acerca da santidade da maternidade; quão poucas pessoas compreendem que o mesmo impulso que leva uma mulher primitiva, semelhante ao animal, a ceder seu corpo à dor para que a corrente de vida possa ser perpetuada é, no microcosmo, idêntico àquele impulso pelo qual um Mestre, através de formas de transmutação e alquimia altamente desenvolvidas, “nutre” a vida espiritual da raça. A mulher primitiva responde instintivamente aos apelos do sangue e do desejo; o Mestre realiza suas aspirações transcendentais com amor impessoal. Quando se trata de nutrir a vida de outro – ou de outros – o princípio da maternidade é expresso. (Astrologicamente é claro, a mulher do exemplo acima é Lua-Marte; o Mestre, como uma expressão de Luz espiritual, sintetiza o espectro planetário. No seu caso, a Lua é expressa cosmicamente como Netuno e Marte é expresso como Urano).
      Poder-se-ia perguntar: como pode cada filho, em uma família grande, ter a Lua em signo diferente, uma vez que todos têm a mesma mãe? Em virtude da qualidade de experiência envolvida na maternidade, e das variações de “capacidade”, níveis psicológicos, emocionais e situações domésticas que podem ocorrer durante os anos de fruição, ao nascer seu sexto filho” uma mulher não é a mesma que era quando era mãe só do primeiro. Cada filho em um grupo de família tem um padrão individual, pelo que sua Lua reflete ou indica um “quadro materno” individual. Consequentemente, ainda que a mãe seja a mesma pessoa, ela é “vista” diferentemente por cada filho de acordo com a consciência ou subconsciência de cada um. E – isto é muito importante – ela pode ter um tipo diferente de veículo cármico – alguma expressão de atração ou repulsão básica – com cada filho. Portanto, a Lua de cada filho indica um padrão diferente de reações e sentimentos no relacionamento deles com a mãe. 
      A posição da Lua pelo signo no horóscopo de uma menina – uma mãe em potencial – mostra, basicamente, o tipo de mãe que será ou poderá ser; os aspectos da Lua descrevem suas experiências básicas de maternidade. No horóscopo de um menino, por reflexo, a Lua descreve a direção geral de suas experiências domésticas e a essência de suas atitudes para com as mulheres em geral. Em relação a isto, há um importante ponto a ser levado em conta: em virtude da transição da mãe de uma família, o pai pode ter que tomar seu lugar na vida de seus filhos; a Lua então indica sua habilidade para assumir esta responsabilidade. Em outras palavras, ele precisa ser tanto mãe quanto pai, e não apenas seu Sol-Marte, mas também sua Lua recebe toda expressão direta. A recíproca é verdadeira: o Sol-Marte de uma mulher indica sua habilidade para exercer o poder e tomar iniciativas para criar sua prole se o pai morre. Ambos padrões de polaridade são então sintetizados através da vibração de Urano para a transcendência das responsabilidades nas relações e carma de família.
      A Lua como fator mental simboliza os processos da “mente de sentimentos” subconsciente, não do pensamento em separado, impessoal. Ela é opinião, baseada em padrões familiares ou raciais que podem ou não ter muita relação com a realidade. Em outras palavras, ela é o “pensamento motivado por reações sentimentais”. Aqui a Lua é vista como “ponto de vista pessoal” que certamente se torna evidente quando a pessoa discute com qualquer outra pessoa ou questiona qualquer coisa em estado de perturbação emocional.
      Como fator básico da triplicidade mental – Lua, Mercúrio e Netuno – a Lua encontra sua regeneração por meio de processos de disciplina e controle emocional e de desenvolvimento do desprendimento pessoal. Estamos ligados a pessoas e coisas de acordo com a intensidade e de sentimentos que nutrimos por elas. São nossos sentimentos que contribuem para a realidade tanto quanto se referem às relações pessoais. Só quando o sentimento é eliminado, o preconceito suprimido, as influências dos pais e da família transcendidos, e o equilíbrio interno desenvolvido é que “as coisas são vistas” – através de Mercúrio – “como são em si mesmas”.
      Assim Mercúrio diz: “Este chapéu é azul”. Um fato impessoal. A Lua pode dizer: “Eu penso que este chapéu é encantador – sua cor é exatamente como a dos olhos do meu bebê”. Sentimento pessoal. Estes são naturalmente exemplos triviais, mas servem para indicar como os sentimentos pessoais podem influenciar a nossa interpretação dos fatos.
      Esta artimanha da Lua para perturbar, pelo sentimento, nossas percepções podem manifestar-se de modo mais amplo para produzir resultados trágicos. Um rapaz rompe o namoro com sua jovem namorada; ela reage emotivamente com grande ressentimento e sofre durante anos com a convicção (subconsciente) de que “todos os homens são enganadores e mentirosos”. (Até podemos ver seu rosto tenso e ouvir sua voz estridente). Ela então não está pensando com sua inteligência, mas com o sentimento de decepção, orgulho ferido e solidão. Um indivíduo sofre ofensas e injustiças por parte de outro de etnia ou nacionalidade diferente. Ele reage com amargura e esta recai sobre seus filhos. Um desses filhos absorve essa infeliz impressão, e, em virtude de uma pessoa ter prejudicado seu pai, ele, filho, adota dali por diante uma atitude de prevenção contra as pessoas daquela nacionalidade e sente o forte impulso de condená-los a todas, sem exceção, à desgraça. Neste exemplo fica revelada uma fraqueza na atitude do filho. Aqui ele não usa sua própria habilidade para pensar, mas permite-se sujeitar-se inteiramente aos impulsos negativos das emoções perturbadas do seu pai. E enquanto não fortalecer seu poder de discernir e pensar – conscientemente – ele continuará vitimando a si próprio por meio de seus sentimentos descontrolados nas atitudes relativas a essa particular nacionalidade.
      Esta retenção de padrões subconscientes por meio dos sentimentos representa, em larga escala, aquilo que é conhecido como “memória” de raça e neste contexto a Lua, como “mãe”, significa a identificação do indivíduo com a sua nacionalidade ou etnia. Marte nos impele a lutar por nosso país, mas por meio da Lua amamos nossa pátria como um filho ama sua mãe. O simbolismo é exatamente paralelo. Contanto que a consciência de raça seja pertinente aos padrões subconscientes de uma pessoa, ela se encontra na mesma classe de submissão aos seus “sentimentos nacionalistas” que uma criança quando, “presa à sua mãe”, vê na segurança protetora do seu amor o ser-tudo e a finalidade do seu viver. Estes estados mentais são idênticos em essência; um é infantilismo com respeito a um indivíduo, o outro é infantilismo com respeito a um padrão de raça. Quando a emotividade amadurece, todas as mães são Mães, as pessoas de quaisquer nacionalidades são Irmãos e Irmãs, e qualquer ou todas as nações podem ser a Pátria. Contudo, na escala das coisas, cada padrão racial provê uma “matriz de nutrição” – ou pátria – para um propósito específico e evolutivo. Cada uma é “boa em seu próprio tempo e para seu próprio propósito”, justamente como cada mãe é “a mãe certa para cada criança”. 
      Uma vez que a Lua, como um fator mental, refere-se a interpretações do horóscopo sob um ponto de vista psicológico e psiquiátrico, não podendo, portanto, ser tratado detalhadamente aqui, oferecemos alguns pontos de interpretação básicos da Lua, como Maternidade, em combinação com os outros planetas. 
      O grau ou intensidade de capacidade maternal é indicado pelo signo em que a Lua se posiciona, os “padrões de experiência” pelos aspectos que a Lua recebe dos outros corpos planetários. No signo de Câncer a Lua está em sua posição mais maternal; o impulso para nutrir é aqui acentuado ao máximo. Os dois outros melhores signos para capacidade maternal são Touro e Peixes. Em Leão, o signo solar, a Lua brilha com calor e poder, mas com uma qualidade positiva que contrasta com a sua básica passividade de natureza. Em Libra ela se mistura lindamente com a vibração Venusiana do signo das sociedades, o que enfatiza os impulsos da sétima Casa. Em Gêmeos e Aquário ela está em seu mais puro mental, e em Aquário a Lua é tão impessoal quanto ela pode ser – desprendida, científica, e em sentimento é amigável ao invés de simplesmente maternal. Em Capricórnio ela se mistura com o lado da forma da vida por meio da vibração de Saturno; aqui ela é prática, capacitada, fidedigna ou confiável, mas algo carente da sensibilidade e simpatia que marcam o instinto maternal. Em Escorpião ela é intensamente emocional e fecunda, mas a vibração de Marte aquático enfatiza a força e a severidade. Esta posição é considerada desfavorável para a Lua sob o ponto de vista psicológico. No horóscopo de um homem ela não reflete uma “imagem das mulheres” particularmente harmoniosa ou feliz. Em Áries, a Lua definitivamente não é ela mesma. Aqui ela se expressa com uma qualidade dinâmica, egoísta e masculina que é a antítese de sua natureza feminina – a palavra-chave é “auto-afirmação”.
      Deve-se enfatizar que a Lua focaliza o instinto maternal, mas existem diversas classes de “variação de experiência”. Estas são indicadas pelos estelares que se encontram no signo de Câncer, regido pela Lua; diz-se que estes estelares estão “dispostos” pela Lua. Também os estelares que se acham na quarta casa – não importa o signo – indicam, em grande medida, o lado objetivo da “consciência doméstica” é através da “experiência do lar” que estes estelares encontram seus principais canais de expressão e o mais elevado potencial para realização.
      A faculdade do instinto é uma das palavras-chaves da função lunar. A este respeito, a Lua simboliza o “instinto racial”, a “compulsão biológica”. Ela representa a expressão mais profundamente enraizada da força da polaridade feminina. Embora de natureza passiva e receptiva, a Lua encontra sua regência e seu detrimento em Câncer e Capricórnio, ambos os signos cardeais, vê-se assim certa faculdade dinâmica ou geradora na atuação da Lua.
      Na medida em que a Lua esteja aliada a signos que lhe sejam afins, ela expressa com poderoso impulso profundas necessidades de realização; quando está aliada a signos com os quais não tem afinidade, ela deve expressar seus impulsos por meio de qualidades incompatíveis com a sua nota-chave básica; na medida em que esteja bem aspectada, ela promete realizações, harmonia nas experiências de dar-e-receber e saúde; na medida em que esteja aflita, ela indica “carma feminino”, tanto objetiva quanto subjetivamente, as necessidades para transmutação e regeneração de sentimentos, desarmonias físicas – especialmente nas mulheres; e as indicações de transmutação da expressão feminina são mostradas em qualquer aflição da Lua tanto nos horóscopos dos homens quanto nos das mulheres.
      As notas interpretativas que se seguem devem necessariamente permanecer básicas e simples, para maior clareza. Lembre-se de que a Lua rege a função da mente subconsciente, e que qualquer aspecto aflitivo representa uma “imagem” negativa que, trazida do passado, está “próxima à superfície da consciência”, podendo manifestar-se definitivamente na infância. A transmutação de um horóscopo começa com a transmutação dos aspectos aflitos da Lua.
      Lua-Sol: O impulso maternal é aqui identificado de algum modo com o Poder. Afligidos, o sentimento e o propósito entram em conflito – um ou outro tende a predominar; o excesso de influência lunar tende a deteriorar a força interna; com excesso de influência solar a maternidade se expressa em termos de dominação e tirania. Este é um aspecto desintegrador porque a pessoa, através dos “sentimentos acerca de si própria”, não é totalmente consciente das capacidades internas, carecendo, portanto, de auto-confiança; para regenerar este aspecto, o poder, na experiência doméstica, deve ser redirigido para as realizações da Lua, não expressar-se apenas por expressar-se. Sentimentos e propósitos benéficos são harmoniosos; a experiência maternal é expressa e cumprida com eficiência; certa “positividade” é encontrada, indicando assim a possibilidade da mãe ser a “líder” da família. A Lua em bom aspecto com o Sol é redenção em qualquer horóscopo, pois mostra uma integração básica de polaridade.
      Lua-Mercúrio: Afligidos, sentimento e interesse maternal entram em conflito com o pensamento; a mãe com este aspecto necessita de disciplina mental porque tende a “interpretar” de acordo com os seus sentimentos do momento, e não de acordo com a realidade. Ela deve vigiar-se cuidadosamente quanto às suas palavras, não se permitindo falar demais quando estiver emocionalmente perturbada porque então é capaz de dizer inverdades e cometer injustiças. “Parar para pensar” é uma boa política para redirecionar este impulso, e, quando este aspecto for encontrado no horóscopo de uma criança, a mãe deve reconhecer que o filho é muito impressionável às suas palavras, ela não deve infligir na mente dele seus impulsos e pensamentos negativos. Muitas pessoas com este aspecto têm sido, carmicamente, impressionadas com as expressões negativas das emoções de suas mães, e têm vivido infelizes por muitos anos devido às “imagens” que, na infância, foram impressas em sua mente subconsciente. Tanto no caso da mãe quanto no do filho, a disciplina mental e o equilíbrio emocional são da maior importância para criar felicidade e êxito. Estabeleça o hábito de “averiguar os fatos” (Mercúrio), e agindo de acordo com eles os sentimentos podem ser controlados.
      Lua-Vênus: Estes dois formam a base da polaridade feminina realizada, no sentido de que indicam as emoções da mulher como mãe e como companheira. Sabendo que Vênus é “cultura e refinamento”, seus padrões discordantes com a Lua indicam falta de sentimento harmonioso; dependendo de qual dos dois está mais fortemente enfatizado na Carta, o instinto maternal pode obscurecer a “reação ao outro indivíduo”, ou o impulso estético ou de companheirismo pode obscurecer aos reclamos da maternidade. Este é um aspecto que simboliza relacionamento desarmonioso com a mãe, em termos de emoção. Tanto na Carta do homem como na da mulher, representa a necessidade de equilíbrio e completar os padrões femininos. Este processo pode ser realizado (para a Lua) aproveitando-se as oportunidades para expressar o instinto de criança e (para Vênus) desenvolver a cortesia, a cooperação, o “pensar em termos da outra pessoa”, o que afinal é a base de todo viver civilizado (Vênus). Os aspectos benéficos entre Lua e Vênus indicam um cultivo básico da natureza emocional. O refinamento e a graça, a cortesia e o bom gosto foram cultivados: estas qualidades podem ser refletidas fisicamente como beleza e encanto. Relações harmoniosas com a mãe, ou com as mulheres em geral, estão prometidas. O cultivo de faculdades estéticas também está indicado, desde que a mente subconsciente tenha sido fortemente impressa pelo fator de redenção “pensar e agir em termos de harmonia”.
      Lua-Marte: Como quer que se apresente, este é um aspecto delicado, uma vez que os dois formam base da “emoção primitiva”. Indica impressionabilidade subconsciente intensa e os sentimentos maternais são sobrecarregados. Se o aspecto é negativo, especialmente se uma quadratura, isto significa “violência”, irritabilidade, ciúme e ressentimento. A ânsia de dominar é forte, sendo que estas mães tendem a “comandar seus filhos à sua vontade”. Este aspecto indica a possibilidade de ambição e da “ânsia de conseguir” serem estimuladas pela experiência da maternidade – tais mulheres sentem o desejo de “lutar por seus filhos”. Nos aspectos negativos esse desejo é expresso com grande força; destaca-se então a “lei de unhas e dentes”. Ódios e inimizades em potencial são fortemente evidenciados por Marte afligindo a Lua, já que a mente subconsciente é profundamente impressionada pela “ânsia de defender e derrotar”. Padrões harmoniosos de Marte-Lua indicam possibilidades de ação construtiva muito maior – a energia é expressa por meio da ânsia de conseguir, ao invés de fazê-lo pelo impulso de destruir. Esta é a mãe corajosa, intrépida e valente, capaz de viver suas experiências maternais em termos de positividade e trabalho duro. Um bom aspecto de Saturno, Vênus, e Júpiter à Lua – paciência, harmonia e benevolência – são bons corretivos para as aflições Marte-Lua.
      Lua-Júpiter: O instinto maternal se expressa através da benevolência e da abundância. Aspectos aflitivos, a mãe pode se inclinar para um excesso de tolerância – ela busca “super-proteger” seus filhos; o mau aspecto também indica uma superabundância de preocupação materna, e embora os motivos possam ser absolutamente sinceros e desinteressados, a mãe com a Lua afligida por Júpiter carece da capacidade de julgar – seus sentimento obscurecem suas avaliações sensatas – e tende a enfraquecer seus filhos por tornar as coisas “demasiado fáceis para eles”. Ela precisa disciplinar-se, até certo ponto, disciplinando seus filhos. Deve permitir-lhes o privilégio de se desenvolverem através do exercício de sua própria iniciativa e no cumprimento de suas responsabilidades. “Libertando-se” deles por este modo, até certo ponto ela ganha em perspectiva e em controle emocional. Aspectos benéficos entre Lua e Júpiter formam um belíssimo padrão de amplitude, generosidade, sinceridade, e julgamento equilibrado. Tal mãe expressa a si mesma abundante e saudavelmente. Ela irradia calor e conforto, é uma fonte de bem-estar para a família, tanto física quanto psicologicamente. Este aspecto é um retrato astrológico de Ling Sao, a mãe no livro “A Semente do Dragão”, obra de Pearl Buck.
      Lua-Saturno: Aqui a experiência materna identifica-se com o lado da forma da vida através da Responsabilidade. A conjunção de Saturno com a Lua faz da experiência maternal algo como uma crucificação – muito além do significado comum da palavra. A maternidade, neste caso, “crava” a mulher às exigências da vida, e por meio das experiências domésticas ela deve realizar-se através de muitos obstáculos que podem ser reais, mas que também podem não sê-lo em virtude do seu ponto de vista subconsciente. Este é um padrão de “estreitamento” – muito tem de ser feito por meio de uma limitação de esfera. Vênus e/ou Júpiter afligindo a Lua em conjunção com Saturno apresenta um quadro um tanto triste – experiência doméstica vivida mais sem alegrias e em termos de limitação de meios. Saturno e/ou Marte afligindo, a vitalidade e o “ímpeto” ficam enfraquecidos – a realização é alcançada com medidas neutralizadoras de restrições e inibições. Saturno em quadratura ou oposição à Lua firma o temperamento e pode resultar em um necessário neutralizador de aflições dinâmicas, mas a influência de Saturno pode ser sentida como impedimento, restrição ou inibição. A posição de Saturno pode mostrar um canal através do qual o instinto maternal se expressará para o cumprimento de responsabilidade. Os aspectos benéficos entre a Lua e Saturno indicam controle de sentimento e integração de habilidades práticas. Esta é a mãe forte, competente que vive ordenada e metodicamente. É um pilar de confiabilidade e, se é ou não particularmente emotiva ou carinhosa, ela ainda é confiável e capaz de colocar o lado doméstico de sua vida sobre uma base segura e prática. Talvez algo carente de “expressividade”, ela é, porém, uma mãe leal e devotada, que expressa seu amor materno no desejo de proteger e estabilizar.
      Lua-Urano, Lua-Netuno: Nestes padrões há uma indicação pela qual o instinto materno básico pode ser redimido por canais espirituais impessoais, universais, ou criativos. Em contato com Urano e Netuno, as indicações da Lua ocupam um espaço que ela não tem com os estelares menores. A mente subconsciente é sensibilizada e vitalizada por sintonizar-se com o que pode ser chamado de “padrões cósmicos” onde a intuição e as faculdades psíquicas podem ser desenvolvidas. A Lua-Urano é muito mais dinâmica e criativa; a Lua-Netuno é mais sensitiva, emotiva, receptiva, e compassiva. Contudo, as abordagens interpretativas a estes aspectos devem ser feitas a partir da comparação dos aspectos da Lua com os estelares menores – já que eles constituem os “primeiros degraus da escada”. A Lua em trígono com Urano e quadratura com Marte não é tão fácil como quando está em sextil ou trígono com Marte. Neste exemplo requer-se muito controle e direção de Marte antes do trígono de Urano poder se expressar construtivamente. De outro modo, Urano respaldado por Marte desordenado, pode expressar-se destrutivamente. A Lua em trígono com Netuno e quadratura com o Sol é muito melindrosa, impressionável e psíquica; mas com desordem entre Propósito e Sentimento ou com vitalidade esgotada; a sensitividade de Netuno pode resultar em alguma forma de psiquismo negativo e confusões mentais. Estude os aspectos Lua-Urano pela síntese da Lua com os outros estelares dinâmicos que ela possa aspectar; Lua-Netuno – compare seus padrões com Vênus e Saturno. Devemos saber como a mente subconsciente está alinhada com a polaridade masculina ou com a polaridade feminina – isto nos dá a chave da qualidade subconsciente básica. A Lua em aspecto com Urano ou com Netuno é um indício de “universalidade latente”, já que estes aspectos mostram a direção em que os impulsos primitivos, básicos, “carne e sangue” da Lua poderão com o tempo ser expressos em termos de realizações impessoais, ou cósmicas.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

CAPÍTULO IV - O SOL - PRINCÍPIO DE PODER


       Considerando a simplicidade da estrutura de um horóscopo, não podemos deixar de nos impressionar com a profundidade de seu simbolismo. Um centro e doze radiações limitadas por um círculo – e isso é tudo. E ainda ele serve como uma representação do Cosmos. Nada em simbologia representa tanto e de forma tão econômica.
       A estrutura de um horóscopo simboliza a base da manifestação de qualquer coisa – um ser humano, um evento, uma nação, ou um sistema solar. Cada manifestação tem seu próprio padrão ou freqüência vibratória, e o simples traçado de um círculo com divisões partindo de seu centro pode ser usado para representar o “corpo” dessa manifestação.
       Consideremos um sistema solar: dizem que o Logos, tendo selecionado uma área esférica de espaço na aurora da manifestação, verte suas energias no centro, objetivando assim um Sol – ou centro de manifestação. A Vontade do Logos interpenetra essa imensa esfera em toda sua extensão. Partindo do centro – ou Sol – irradiam-se vários campos para a atividade evolutiva. Chamamos a estes “campos” de planetas, sendo que cada um provê espaço para o desenvolvimento de vários tipos de seres. Cada planeta está em relação com o Criador tanto quanto cada cor está em relação com o Princípio da Luz ou cada tom está relacionado ao Princípio do Som. O Sol, como corpo central, é a Vontade do Logos objetivada, e os corpos do sistema são as expressões dessa Vontade em manifestação.
       O horóscopo, como um mapa dos céus, deveria mostrar o Sol no centro. Contudo, em relação à Terra, que é nosso campo de evolução, e para propósitos astrológicos, consideramos o Sol como fazendo parte da família dos planetas, porque em termos humanos, a expressão da Vontade ainda está em desenvolvimento pelos processos evolutivos. A humanidade, em sua maior parte, vive em seus negativos, seus sentimentos, medos e desejos. Consequentemente, a dominação pela experiência é inevitável. Viver na “consciência solar” deve implicar uma completa identidade com a Fonte, completo desapego das exigências do sentimento, completo controle e direção de todas as faculdades expressas pelo ser humano. Isto, em outros termos, é Maestria. Em outras palavras um mestre, mesmo encarnado, determina suas experiências pela irradiação do seu próprio centro, não pela resposta aos impulsos e tendências dos seus planetas. Ele então, na medida do possível é verdadeiramente um criador – ele vive em sua consciência solar.
       Mesmo do ponto de vista da mais mundana abordagem à astrologia, usa-se o mesmo traçado. O local do nascimento é o centro do qual se irradiam as várias experiências da vida em termos de pessoas, lugares e coisas. O mesmo traçado é usado para representar o “Ego objetivado”; o Eu Superior – ou o “Deus em potencial” é o centro do círculo, e os diversos estados ou expressões dessa potencialidade são as posições e aspectos planetários. Deste modo o horóscopo é visto, seja qual for sua aplicação, como o símbolo de uma manifestação de Deus.
       Uma vez que o Sol representa o mais elevado estado de consciência conhecido pelo ser humano, o princípio envolvido é o Poder – o primeiro aspecto do Logos. Como astro-analistas, devemos prestar muita atenção aos aspectos do Sol no horóscopo, uma vez que estes representam os “graus de consciência de Deus” que a pessoa alcançou até aqui em seu atual ciclo de desenvolvimento. Cada aspecto benéfico do Sol que indique uma aplicação harmoniosa ou construtiva do princípio de Poder é uma redenção. E cada aspecto maléfico é visto, portanto como um obstáculo ou perversão do Poder. O Sol é a síntese de todos os planetas, de modo que qualquer planeta identificado com o Sol por aspecto, disposição, etc., ganha, por conseguinte, em poder e esfera de expressão, quer espiritual ou mundanamente. Os planetas, especialmente os dinâmicos, posicionados em Leão, indicam que sua expressão construtiva deve basear-se no uso correto do poder; as aflições indicam tendências para pervertê-lo.
       Um estudo interessante é o de mapas que têm o Sol sem aspectos. Tal padrão nos diz que, neste ciclo, a pessoa focalizada está iniciando sua consciência de poder. A posição do Sol em um signo revela-nos o caminho espiritual ou esotérico desse desenvolvimento. A casa em que o Sol se posiciona revela-nos onde ele começa, nesta encarnação. Os planetas em Leão e seus aspectos indicam por que meios ele procura expressar o Princípio de Poder, e por quais canais será expressa no futuro sua consciência de Poder. O Sol na quarta casa, quaisquer que sejam seus aspectos, mostra as possibilidades de expressão do Poder na maturidade da vida. Os aspectos negativos a esta posição indicam as pessoas ou experiências e reações que desafiarão essa realização durante os anos de crescimento.
       Fixemos em nossas mentes a idéia de que os aspectos aflitivos que envolvem o Sol representam problemas graves. Os outros planetas podem estar conflitantes entre si, podendo resultar disso muitos problemas; mas quando a consciência do poder e do propósito é impedida em seu crescimento, a habilidade da pessoa para lidar com suas dificuldades estelares fica grandemente limitada. As soluções ficam, portanto muito mais difíceis de serem encontradas e aplicadas. Em outras palavras, o horóscopo inteiro é enfraquecido na medida em que a consciência Solar é inibida ou debilitada. E, consequentemente, as aflições dinâmicas no horóscopo ficam com muito maior poder para “afligir dinamicamente”. Força, ou energia de qualquer tipo, deve numa análise final, ser controlada pelo poder que irradia do centro. Torne-se clara esta idéia imaginando a posição do Sol como o centro de atividades no horóscopo, irradiando suas energias em todas as direções. As quadraturas e oposições ao Sol podem ser vistas como linhas de força dos planetas que interceptam ou interrompem essas irradiações em ângulos retos ou frontalmente, desde o lado oposto do círculo.
       Basicamente, a casa que tem Leão na cúspide mostra o departamento da vida que contém sua fonte de experiência de Poder ou “lição de Poder”. Sejam quais forem às condições aflitivas indicadas nessa casa – e podem haver muitas – expressam o seu poder e autoridade nos assuntos dessa casa para o melhor de sua habilidade. Os planetas nela indicam o que você deseja expressar, mas Leão na cúspide mostra como você pode expressar melhor esses impulsos. A posição do Sol indica onde procuramos dominar diretamente e governar nossas condições. Por conseguinte, ela é nosso “centro” para esta encarnação. Naturalmente é possível ter uma grande variedade de “condições solares”. Contudo, qualquer planeta em aspecto favorável com o Sol – e deste modo relacionado ao poder até certo ponto – pode ser utilizado como um neutralizador de aspectos negativos em outras partes do horóscopo. Tal planeta é automaticamente muito influente no Tema, podendo ajudar a resolver as desarmonias.
       Uma consideração relativa aos aspectos negativos ao Sol: infunda poder ao planeta aflito e leia-o negativamente; assim é encontrada a essência desses aspectos.
       Sol-Marte: Poder-Desejo: O poder se expressa através do conflito, da competição, da dominação, da conquista sexual, da impiedade e da crueldade. Marte é auto-expressão básica ou primitiva, de maneira que quando se abusa do poder por meio dele sua vibração libera uma tremenda energia que tende a resultar em alguma forma de destruição, dores aos outros, ou “dominação a qualquer custo”. O Poder se expressa aqui como egotismo. Este aspecto simboliza a polaridade masculina não regenerada. Até certo ponto, o Sol aflito em Áries ou em Escorpião contém muito da mesma coloração; também, qualquer aflição ao Sol em conjunção com Marte, em qualquer signo. Já que este aspecto é tão basicamente masculino em qualidade, sua redenção pode ser encontrada em alguma aplicação construtiva da polaridade feminina: Lua, Vênus ou Netuno.
       Sol-Júpiter: Poder-Orgulho: Neste aspecto o poder se expressa em várias formas de auto-aprovação negativa ou falsa. As “batidinhas nas costas” podem ser atribuídas ao tipo de consciência que dá muita importância à abundância financeira, à posição social ou profissional, background familiar, que se gaba de seus talentos e habilidades, e do tipo de benevolência que geralmente é expresso visando o reconhecimento ou os aplausos. Um aspecto de “falsa aristocracia”, símbolo de esnobismo e pretensão. A pessoa assim condicionada tende a exagerar aquilo que supõe valioso em sua própria natureza e condições e reage com raiva ou com ofensas a qualquer insinuação de que ele não é absolutamente o que presume ser. Sob crítica aberta e franca, fecha os ouvidos e a consciência e se retira para a torre de marfim de sua imponente dignidade ofendida; mas permitam-se-lhe ouvir, indiretamente, que se esperam dele certas coisas boas e ele se voltará para apoiar a bela opinião que valoriza. Em outras palavras, ele “usará seu poder” para melhorar, se sente que vale a pena o esforço, mas, por outro lado, poderá usar o mesmo poder na direção de seu orgulho se for diminuído. Ele precisa se ter em alto conceito! Tal pessoa não poderia fazer nada melhor para harmonizar suas desarmonias internas do que criar um padrão regular de atos benevolentes – e não falar deles.
       Sol-Saturno: Poder-Frustração: Esta é talvez a mais “dolorosa” de todas as aflições ao Sol. Indica uma área de experiência tão carente de realizações que as energias do próprio Centro são exigidas para redenção do carma. Em um horóscopo predominantemente dinâmico, este aspecto enfatiza fortemente a ambição e a conquista de alguma forma. A “ânsia de galgar” é sentida intensamente e o poder é utilizado em grande escala para vencer os obstáculos. Aparentemente este padrão representa um passado em que as oportunidade de desenvolvimento foram negligenciadas ou desperdiçadas. O tempo perdido precisa ser redimido nesta encarnação. Num horóscopo predominantemente passivo, este aspecto é fortemente gravitacional em seu efeito; as exigências de Saturno prendem a pessoa à Terra. Em tal caso, examine cuidadosamente o horóscopo para ver se descobre qualquer impulso dinâmico que possa proporcionar uma possível liberação de poder nos canais de crescimento. As pessoas representadas por Saturno neste aspecto são aquelas que tendem a reprimir ou inibir a pessoa em questão. Elas ameaçam a própria individualidade desta, e embora ela possa ter que redimir-se de uma experiência de responsabilidade muito necessária, para o bem de seu próprio viver construtivo e saudável não deve permitir ser tão influenciada por outra pessoa que a sujeite ao desespero, ao enfraquecimento da própria confiança ou a outros possíveis negativos psicológicos.
       Sol-Urano: Poder-Anarquia: Este é o aspecto do anarquista. Em razão da natureza e propósito de Urano, sua quadratura ao Sol, ou conjunção aflita é um potencial para alguma forma de terrível destruição. Tão grandes são as possibilidades de liberação de energia indicadas por esta combinação que se deve achar e analisar cuidadosamente todo meio de controle. Enorme tendência para cristalizar-se de alguma maneira está automaticamente implicada como um fator concomitante a este aspecto – examine cuidadosamente as condições de Saturno e daí determine em que parte de sua experiência a pessoa tende a rebelar-se com tal intensidade – e possivelmente até com violência. Uma característica de gênio em potencial é indicada por qualquer aspecto de Urano ao Sol, mas a quadratura e a oposição parece indicar a possibilidade de considerável destruição na expressão dessa genialidade. Se bem aproveitado, este aspecto lança tremendas cargas magnéticas e dinâmicas em outros planetas envolvidos e, consequentemente, quando dirigido construtivamente pode resultar em grandes conquistas e habilidades.
       Sol-Netuno: Poder-Ilusão: Este aspecto é muito sutil e difícil. O poder de visualizar – e sonhar – é intenso, mas desde que este aspecto indica perpetração de ilusão no passado, demonstra um padrão de desilusão na atual encarnação. O instinto dramático é pronunciado; com efeito, tão pronunciado que às vezes a pessoa vive seu sonho de “coisas como poderiam ser” ao invés de realizá-las como elas são.
       Num artista, particularmente das artes regidas por Netuno – música, e drama – este aspecto é muito inspirador; mas é inspiração sem controle. Quando estimulada, a pessoa pode “sintonizar” sem esforço as influências sutis e tornar-se um instrumento. Todavia, o preço pago por um excesso desta “sintonia” é o esgotamento físico, psíquico e nervoso – perda de força, vitalidade, e de saúde em geral. A pessoa representada por Netuno neste padrão – em suas fases negativas – são as que podem induzir o indivíduo a hábitos debilitantes e, portanto, enfraquecê-lo quanto aos seus propósitos.
       Se o horóscopo for eminentemente passivo em qualidade, com fraca fonte de estímulos ou “impulsos”, este aspecto, se fortemente marcado, pode indicar um indivíduo que passa a vida sonhando, sem propósitos nem realizações. Cedo ou tarde ele deverá cair na realidade e, até certo ponto, juntar seus esforços aos canais do viver construtivo. Quando seus sonhos se desfizerem e sua torre de marfim desmoronar, e aqueles a quem amava e admirava se converterem em fonte máxima de sua dor, então ele há de encarar essas experiências com uma aplicação construtiva de Netuno – fé, conhecimento espiritual, amor puro e, sobretudo, aprender daqueles que o iludiram. Estes refletiram apenas aquilo que no passado foi falso nele. Este aspecto indica sintonia com forças superiores, ou no mínimo com forças invisíveis, as quais, em expressão negativa, produzem experiências com o raio astral inferior. Para reconstruir seu padrão ele precisa purificar suas “imagens internas” através de meditações construtivas ou orações – e converter suas inspirações e sonhos em realidades por meio de alguma forma de trabalho ou realizando propósitos auto-dirigidos de concretizar ideais verdadeiramente elevados.
       Sol-Lua: Poder-Sentimento: Pais com inclinação astrológica que tenham um filho com Sol e Lua conflitantes devem tentar adotar uma atitude impessoal para com ele. Este aspecto indica que sua mente subconsciente é muito facilmente impressionável, e que “quadros” de sentimentos negativos formados na infância podem obscurecer a consciência de si mesmo e criar-lhe confusão pelo resto da vida. O estudo do mapa de tal criança revelará aos pais as direções que ela deseja tomar; mas, se em sua excessiva preocupação por cada momento da existência dela, eles a impressionam com essas preocupações, com seus temores e ansiedades, podem causar-lhe um grande mal – semeando seu subconsciente com seus próprios negativos e afirmando a sua incapacidade de “abrir seu próprio caminho” enquanto cresce. A criança com este aspecto deve ser guiada construtivamente para tomar suas próprias decisões, nunca forçada contra sua vontade. Isto se aplica, naturalmente, a coisas relativamente sem importância. É claro que uma criança não pode crescer desenfreada, mas aquelas coisinhas que são de seu interesse pessoal devem ser respeitadas pelos outros para que ela possa, no mínimo até certo ponto, formar consciência do seu pequeno mundo. Tem-se verificado que o impacto de alguma influência na infância sobre o subconsciente da criança causa-lhe um conflito interno que resulta em desarmonia e fracasso na vida adulta. Quando a criança aprende a conhecer o seu próprio poder sem influências impróprias, ou negativas, sobre seu subconsciente, é muito mais capaz de prever, planejar, criar e realizar seus propósitos. Finalmente, o Sol representa o florescimento da personalidade e da habilidade, de maneira que, a consciência do eu como um criador do bem pode ser melhor estimulada já no começo. Se um adulto, que tenha o Sol em quadratura ou oposição à Lua, consulta para solucionar uma tendência desintegradora em sua vida, faça o que puder ser feito para induzi-lo de algum modo à psicanálise, de forma a trazer à superfície de sua mente consciente as compulsões que podem ter-lhe sido impressas quando era pequeno. Ele deve lançá-las para cima e para fora, isso para limpar seus canais a favor de uma expressão de vida mais construtiva.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CAPÍTULO III - PLANETAS SÃO "PESSOAS"


       A identidade das relações por meio do estudo do horóscopo é um dos mais sutis e trabalhosos problemas com que o astro-psicólogo tem de lidar. A dificuldade reside no fato de que a realidade do relacionamento entre duas pessoas não é algo de carne ou de leis feitas pelo homem, senão da essência de sentimentos das duas pessoas entre si. Esta “essência de sentimento mútuo” nos casos de intensa atração ou inimizade é uma continuação de contatos estabelecidos em encarnações passadas e pode manifestar-se distintamente a despeito de idade, sexo ou relacionamento mundano. O ocultista sabe que um vínculo profundo entre duas pessoas não pode surgir no primeiro contato das mesmas. O primeiro contato foi feito no passado, e o relacionamento, quer seja, amor ou ódio, terá continuidade nesta vida como se nunca tivesse havido uma interrupção.
       Só existe um fim possível para qualquer relacionamento entre duas pessoas – e este é plenitude. Nenhum vínculo de ódio jamais é deixado “ao vento”. Tal fato negaria a Lei do Amor. Ódio é “amor ao contrário” ou “amor na contra mão” – é a consciência de contato com o universo, através de outra pessoa, voltada para “si mesma”. Até que se reinterprete essa expressão de energia em termos do Eu Superior, a consciência só poderá expressar aquilo que é negativo, destrutivo e não redimido.
       O que segue agora são alguns exemplos hipotéticos de relacionamentos e experiências que, sob o ponto de vista cármico, representam fontes de ódio, medo e cobiça. Elas se encontram nas vidas de homens e mulheres do mundo inteiro e em todas as épocas.
       O individualista original e criativo, em qualquer campo de empreendimento, representa uma ameaça à pessoa ortodoxa cristalizada. Estes protótipos podem ser descritos ou simbolizados por Urano e Saturno respectivamente. Urano pode temer e odiar Saturno porque este reprime e frustra sua liberdade; Saturno pode temer Urano como uma ameaça ao seu “status quo”. Quando Urano perde a liberdade ou quando Saturno perde a segurança, o resultado é o ódio. Até que cada um possa aprender algo de valor com o outro, o conflito permanece.
       As fases conflitantes da natureza feminina são ilustradas pela “mulher maternal” e pela “mulher namorada”. A velha luta com o macho da espécie, enquanto objeto de conquista acossado e desnorteado! A senhora Lua-Júpiter-Saturno desenvolve um implacável ódio por aquela sapeca senhorita Vênus-Urano, vendo nela uma ameaça à paz do lar e à vida respeitável. Esta última considera sua esforçada e deselegante irmã uma pobre antiquada que esqueceu o significado do romance.
       Um problema trágico – e há muitos – é representado pela interferência parental. A pessoa que no passado negligenciou oportunidades pode ser atraída carmicamente para parentes egoístas e possessivos. O parente, desconsiderando os anseios intrínsecos da criança, procura torná-la sua réplica ou de um parente admirado. Toda a experiência de vida da criança torna-se uma distorção que resulta em frustração, que por sua vez, se torna ressentimento e ódio ao parente. O egoísmo possessivo acaba por escravizar a criança; a vida do parente torna-se mais e mais “fixa” em sua realização compensatória através da criança. Outras fontes de experiência são ignoradas, as amizades tornam-se mais e mais insignificantes, e o resultado é a atrofia espiritual, mental e psicológica. O afeto, o companheirismo e o entendimento mútuo são descuidados, e o que poderia ter sido fonte de inspiração, entusiasmo e realizações converte-se em horror mortal. Ambos estão errados. A criança por permitir a outro viver a sua própria vida. O parente ao usar seu poder no sentido de dominar como motivo principal. Como as emoções negativas e dolorosas apoderam-se cada vez mais dessas pessoas, elas incapacitam-se para o bem em qualquer outra expressão na vida. E o que eles levam para as próximas experiências é melhor não mencionar.
       Se a validade, realidade e importância da experiência depende das reações da pessoa implicada frente a um fato, e como as experiências são manifestações das indicações do mapa, e do “intercâmbio” com outras pessoas, não é lógico interpretar os aspectos do mapa como pessoas? Na vibração anímica de outras pessoas encontra-se correspondências com algo em sua própria natureza, indicado em seu mapa astrológico.
       Se o aspecto é negativo (quadratura ou oposição), seu contato com a pessoa pode provocar reações negativas ou destrutivas. Você chamaria essa reação de “medo”, “inveja” ou “ódio”. E diria: “tenho medo daquele indivíduo”, ou “invejo aquele indivíduo” ou “odeio aquele indivíduo”. Isso é o que você diria, mas à luz da astrologia não é realmente o que você queria dizer. O que você quer dizer realmente é: “Aquele homem me faz lembrar algo negativo em minha natureza. Sinto que ele pode me fazer mal, um mal que me recordo já ter feito a outra pessoa. Minha sensação é de medo. Sei que ele fez algo que eu devia ter feito, mas não fiz. Sinto inveja. O mal que ele faz lembra a minha própria maldade no passado. Sinto ódio”.
       O homem ou mulher que descreves como o teu pior inimigo é a pessoa cujo horóscopo, de algum modo, corresponde ao seu pior aspecto. Essa pessoa pode ser qualquer um: pai, mãe, irmã, irmão, filho, esposo, esposa, amante, ou patrão. Do mesmo modo que um diapasão faz vibrar em uníssono outro do mesmo tom, assim também os negativos do seu “inimigo” estimulam-te os negativos que vêm à sua consciência dolorosamente. Utilize essa reação dolorosa como um barômetro de sua própria condição espiritual.  Ela te indica uma lição muito importante. Serve para te mostrar a necessidade de dares um passo muito importante em teu desenvolvimento. Teu “inimigo” não é teu inimigo. Ele ou ela são seus mestres. Aprenda de ti mesmo através dessa pessoa.
       Mas não pare aí. Ao identificar seus “inimigos” por meio de suas reações e experiências com eles, você possuirá  uma  perspectiva diferenciada de si, podendo utilizá-la  em seu círculo de relações para reconhecer como você se apresenta como um “inimigo” aos outros pela expressão dos seus próprios aspectos negativos! O próximo passo é tornar-se “amigo” de todos. Na medida em que expresse cada vez mais as possibilidades positivas indicadas em seu mapa, se tornará mesmo um "imã" que atrai a expressão do bem latente nos outros.
       Conforme você estimula o bem nos outros, por seus constantes esforços no sentido de regeneração, eles automaticamente se conscientizam do próprio bem que albergam. Eles gostam de você e admiram-no. Sentem-se à vontade e felizes em sua companhia. Sentem-se em sua melhor disposição: mais corteses, mais atenciosos, mais corajosos, mais fortes. Dizem que lhe amam, que você é amigo deles. Isso não traduz exatamente o que realmente querem dizer. O que querem dizer é que o Eu Superior deles brotou-lhes na consciência por meio do contato com você. Eles não “amam você” realmente. Simplesmente tornaram-se mais conscientes do seu próprio Deus interno, através do qual expressam reações harmoniosas e construtivas.
       Suas reações a qualquer pessoa constituem o único fator que determina o seu relacionamento com elas. Use seus “positivos” para transmutar seus “negativos” e conquiste seus “inimigos” eliminando o “inimigo” que existe dentro de você mesmo.
       O artista no ser humano tem desde épocas passadas, interpretado em versos, canções e quadros, seu conceito de vida como uma Grande Batalha. Toda escritura conta a história, em símbolos e alegorias, dos ataques violentos da Forças das Trevas à Fortaleza da Luz; a contenda do Diabo contra Deus pela alma do homem; a incessante fricção entre o Mal e o Bem; o tentador buscando eternamente destruir aquilo que o coração humano aspira.
       Batalhas, confrontos, e combates até a morte, fases desse conflito, são mostrados em cada horóscopo. O aspirante tem dentro de si o campo sobre o qual as demandas do destino se confrontam com sua natureza pessoal, impulsionando-o para frente e para o alto. Para triunfar ele precisa alcançar uma compreensão, a mais clara possível, da natureza do inimigo que habita em seu subconsciente. Este inimigo tem como ajudantes de campo as quadraturas e oposições, mas seu Quartel General é a décima segunda casa. É lá que os planos são arquitetados, as armadilhas preparadas; os grilhões são forjados e as malhas da ilusão tecidas. A luz do dia raramente penetra nessa caverna, pois o inimigo e seus lacaios preferem trabalhar na escuridão. O aspirante só pode dissipar a sombra com a luz do “auto-conhecimento”.
       Desde que cada experiência representa um triunfo ou derrota temporários na luta e, uma vez que a experiência surge pelo contato com outra pessoa – ou pessoas, aqueles que servem para estimular o regente aflito ou os planetas na décima segunda casa do aspirante, precisam ser vistos e estudados com a percepção de que objetivam as mais íntimas possibilidades do aspirante para se conquistar (conhecer). Tais pessoas podem ser qualquer um: os pais, um filho, um amigo, uma namorada, a esposa ou o marido podem representar esse padrão. O aspirante é considerado como tal devido aos seus passos em direção ao Impessoal, e usando seu horóscopo como um “mapa” da Senda da Vida, é necessário que ele compreenda e estude seus relacionamentos do ponto de vista de suas reações subconscientes a eles e não pelos aspectos mundanos dos mesmos. Conforme transmuta suas reações, ele melhora a qualidade dos relacionamentos.
       Sugere-se o seguinte método: estudar detalhadamente as condições de sua décima segunda casa sob o ponto de vista das conjunções maléficas, quadraturas e oposições. Então, relacionar na medida do possível os Temas das pessoas que tiveram influências deletérias em sua vida. Estudar particularmente os horóscopos que têm qualquer planeta ou Ascendente em conjunção com o regente aflito ou com os ocupantes da sua décima segunda casa; fazer um resumo mental de suas experiências com essas pessoas e conscientizar-se dos aspectos negativos em sua própria natureza que foi estimulada pelo contato com elas. Sem levar em conta a severidade e condições dolorosas das experiências, deve buscar liberar todo o ódio. Dar-se-á conta de que cada uma dessas pessoas serviram para objetivar uma fase de seu próprio subconsciente negativo e não mais pensará delas como “perpetradoras do mal” contra si, mas sim como lições práticas para seu aprendizado e iluminação.
       O Sol aflito regente da décima segunda casa: O Poder é a chave para esta lição cármica. O aspirante abusou do poder no passado, pelo que nesta encarnação sofre abusos e injustiças da parte daqueles que possuem autoridade. Usou sua posição e influência para escravizar outras em certa medida e por isso deve aprender que o poder precisa ser expresso em termos de justiça e misericórdia. O pai ou um irmão mais velho, pode ser o instrumento usado durante a infância do aspirante para reparar o erro do passado. Mais tarde na vida os patrões, já que exercem autoridade sobre ele, podem chamar-lhe a atenção para esta lição de que necessita. O poder expresso em vitalidade física pode ser indicado de forma contrária, isto é, num corpo fraco e ineficiente, atraído carmicamente para um pai muito sujeito a doenças e debilidades físicas.
       A Lua aflita regente da décima segunda casa: Feminilidade é a chave para este desafio cármico. Representa nesta encarnação o momento de ajustar todo o destino irredimido que se originou quando o aspirante usava um corpo feminino; destino este, relativo às experiências domésticas, as oportunidades para desenvolver através dos sentimentos, uma faculdade maior de simpatia e ternura. A Lua simboliza a polaridade feminina da psique humana, e quer o aspirante seja homem ou mulher este aspecto cármico indica desordens e insuficiências nesta faculdade. “Dificuldades através da mãe” é a interpretação clássica das aflições à Lua. Neste sentido, a mãe do aspirante é vista como sua “inimiga”. Sendo este o caso, ele pode dar-se conta de que a influência dela em sua vida é igual à dele mesmo sobre outra pessoa em uma vida passada. Sua grande responsabilidade por ela nesta encarnação preenche aquilo que ele deixou de fazer no passado. Sua afeição por ela nunca é adequadamente correspondida, pelo que ele aprende o que significa negar o amor. Ele agora está preso às condições do lar porque tinha em vista fugir delas no passado. As mulheres o confundem, de modo que ele parece nunca conseguir entendê-las bem. Ele nunca tentou ser “verdadeira mulher” no passado ou tratou as mulheres com indiferença. O aspirante perceberá que as mulheres não são suas “inimigas”. Ele precisa, contudo, cultivar simpatia e compreensão mais profundas dos elementos básicos da “natureza feminina” se quiser redimir-se dessa condição cármica.
       Saturno aflito regente da décima segunda casa: O carma é repressão e o “inimigo” é a cristalização. As pessoas que representam esta posição são como que nocivas à vida do aspirante. Elas estimulam sensação de insegurança; conduzem-no a veredas de supressão e negação; bloqueiam (aparentemente) o fluxo de Vida. Através do relacionamento com elas é severamente disciplinado e por meio delas cumpre com suas responsabilidades mais profundas e atrasadas. Elas servem para recordar-lhe tudo em sua natureza que não é prático; elas o detêm na terra enquanto ele anseia por liberdade.
       Ele é individualista enquanto elas são obstinadamente conservadoras e mesquinhas; ele se inclina para a mística, elas são ortodoxas e observantes de formalidades; ele não dá nenhum significado particular ao dinheiro, elas interpretam tudo na vida em termos financeiros. A tendência e desejo instintivo dele é libertar-se delas e escapar dos grilhões de sua influência. A tendência permanecerá até que ele perceba que não pode escapar das suas legítimas responsabilidades; que deve aprender a utilizar inteligentemente as coisas da terra; que o dinheiro, ainda que não tenha poder em si mesmo, todavia é um meio de troca entre pessoas, e ele deve aprender a usá-lo apropriadamente. O aspirante filosófico deve compreender que não está preso a relações difíceis e desapontadoras que ele próprio não tenha criado, e tratará de dar o melhor de si mesmo nessas condições e aprender daqueles com quem se relaciona tudo o que existe para ser aprendido por ele.
       Netuno aflito regente da décima segunda casa: O inimigo é a decepção. Este “inimigo”, em razão de sua sutileza, é difícil de derrotar. A infidelidade, a traição, a confusão mental e a perversão constituem sua armadura. Os oponentes do aspirante que têm esta posição são dissimulados e furtivos, “não jogam limpo”. Pudera! O aspirante mesmo não jogou limpo no passado, e agora precisa aprender o que significa receber tal tratamento. Ele dizia uma coisa e fazia outra; pedia que confiassem nele e traia aquela confiança; usava as coisas espirituais – ou a pretensão do seu uso – como uma cortina de fumaça para o poder ou ganhos que almejava; traficava – não sabiamente, mas muito bem – com as forças estelares; deturpava e enganava. Os aspectos a este Netuno aflito representam os tipos de pessoas através das quais se efetua este retorno cármico. Uma pessoa pode influenciá-lo a um hábito destrutivo; outra pode participar com ele de uma maldade – e deixá-lo sozinho com a culpa de tudo; sua fé e seu mais profundo amor podem ser dirigidos a alguém que não merece uma grande consideração de ninguém. As duas melhores armas para o aspirante combater este particular “inimigo” são em particular: fé nos princípios espirituais e conhecimento. Com o conhecimento ele pode aproximar-se de um alinhamento mais perfeito com a honestidade espiritual – excelente corretivo para essa forma de condicionamento subconsciente que resulta em ilusão e decepção.
       O mesmo se dá com os outros estelares: Urano (desequilíbrio), Júpiter (extravagância e ganância), Vênus (possessão), Mercúrio (pensamento) e Marte (masculinidade e sexo). Cada um como regente aflito ou como ocupante da décima segunda casa indica certo grupo de pessoas que servem, embora inconscientemente, como nossos mais valiosos mestres.
       A mecânica do relacionamento proporciona ao estudante de ocultismo um perfeito “campo de pesquisas” para o estudo da alquimia. O intercâmbio de relações entre duas pessoas intimamente ligadas é o pábulo que qualquer das duas ou ambas, podem utilizar para “tecer o Dourado Manto Nupcial”. Do metal básico da mistura subconsciente de atrações e repulsões, cada pessoa pode destilar, por suas próprias transmutações, a essência chamada amor. O Grande Mestre recomendou-nos: “Amai aos vossos inimigos e fazei o bem àqueles que te perseguem”. Por quê? Porque Ele sabia que a reação de ódio ou de vingança cria um vínculo entre o que recebe e o que perpetra uma má ação, e que somente quando a reação é neutralizada pelo bem poderá o vínculo ser dissolvido.
       Quão freqüentemente, mesmo sem intenção, causamos dor àqueles a quem amamos, iludimos àqueles que poderíamos ajudar, e prejudicamos àqueles por quem alimentamos as “melhores intenções”! Existem muitas relações nas quais podemos expressar tanto nossos aspectos negativos como os aspectos positivos. Geralmente tais relações são as mais íntimas, aquelas em que o contato com a outra pessoa estimula vários aspectos de nossa natureza. O estudo comparativo dos horóscopos de duas pessoas próximas revelará o significado da relação entre elas – as harmonias, os problemas, e os meios mútuos para transmutação alquímica. A ciência estelar oferece uma chave à elucidação de mistérios. Nenhum aspecto da vida é mais ilusório que os relacionamentos; em nenhum outro quesito se faz mais necessário o olho perspicaz da abnegação para “ver através” das névoas do desejo, do medo, da inimizade e do conflito.
       Ao alcançarmos uma perspectiva impessoal e imparcial dos relacionamentos, compreendemos que termos como “marido e mulher”, “irmão e irmã”, “pai e filho”, e “namorado e namorada” são vestimentas que se usa para a identificação no plano físico. A essência dessas relações encontra-se no plano suprafísico, isto é, nos planos mental, emocional e espiritual.
       Esta essência, seu propósito e sua realidade, encontram-se nas conjunções mútuas dos dois horóscopos. Duas nuances do Espírito encontram suas expressões por meio do mesmo grau (aproximadamente), sendo os horóscopos, portanto, pregados juntamente como duas tábuas – sendo cada conjunção mútua como um prego. Exemplo clássico e perfeito de “alquimia através das relações” é aquele em que cada planeta implicado tem uma quadratura e um sextil. Cada uma das pessoas estimula a desarmonia latente que existe na outra, mas, cada uma delas tem dentro de si os meios para transmutar essa desarmonia. A casa em que se encontra a conjunção em cada mapa indicará, naturalmente, o departamento da vida no qual a relação será expressa e qual dos dois será mais diretamente afetado por ela. Um completo “quadro da desarmonia” é obtido ao combinar os aspectos de quadratura de cada mapa com suas posições no mapa da outra pessoa. Então o efeito de cada pessoa sobre a outra, por ruim ou infeliz que seja, é visto em sua plenitude.
       O “quadro alquímico” é obtido pelo mesmo método, no que tange aos planetas que formam aspectos de sextis em cada mapa e a posição e efeito no mapa da outra pessoa. Quando se “utiliza” o sextil, a quadratura em cada mapa é transmutada até certo ponto, o sextil no outro mapa é estimulado por simpatia e as casas envolvidas são estimuladas favoravelmente; o relacionamento, como um todo, melhora em qualidade e as possibilidades de se prejudicarem mutuamente são reduzidas. Pela contínua aplicação deste processo, a relação torna-se cada vez mais uma relação de amor – desde que cada um dos envolvidos ajude o outro a conscientizar-se de seu Eu Superior.
       Quando somente uma das duas pessoas “usa seu sextil” cria-se uma função astro-alquímica de natureza das mais difíceis e intensas. Quando isto acontece, o “mal” que o outro expressa pelo estímulo da conjunção mútua, é “enfrentado construtivamente” pelo alquimista na expressão do seu aspecto sextil. O “malfeitor” intensifica sua tendência negativa pela repetida expressão do seu aspecto de quadratura e o resultado é o enfraquecimento da capacidade para fazer o bem. Parafraseando um termo médico, esta condição pode ser descrita como uma “sextil-anemia” – ou anemia sextílica. Nada menos que uma tragédia. Isso é trágico para o malfeitor e uma condenação para o relacionamento. Chegará o momento em que a pessoa negativa não poderá mais responder às possibilidades do seu sextil, e o relacionamento, enquanto troca entre duas pessoas, não mais pode se sustentar. O relacionamento se dissolve e cada um segue o seu caminho. O alquimista prossegue na expressão de uma vida superior enquanto a outra pessoa enfrentará os resultados de suas malfeitorias.
       Na medida que as relações se complicam por vários aspectos mútuos, podem complicar-se também na expressão destes aspectos. Podem ocorrer duas ou três conjunções mútuas, uma das quais pode ser aflitiva, outra benéfica e outra mista. Semelhantes relações prosseguem por anos e anos – ou vidas e vidas. Além disso, uma vez que nenhuma vida se resume a um único relacionamento significativo, cada um desses aspectos em uma mapa representa relações com outras pessoas. Alguém que tenha de lidar com um relacionamento complexo, para melhor entendimento pode estudar suas trocas com outras pessoas, representadas por seus vários aspectos. Ele pode aprender com cada uma delas – e deve – se quiser criar uma relação plenamente harmoniosa. As pessoas representadas pelas conjunções mútuas benéficas são aquelas por meio das quais “ele se sintoniza” com o seu melhor e por meio das quais compreende mais claramente como contribuir para o relacionamento que contém muitas condições mistas. Seus trígonos simbolizam expressões do seu Eu Superior – as pessoas que refletem seus trígonos, mostram-lhe sua melhor contribuição para qualquer relacionamento.
       É interessante notar que as casas ímpares do horóscopo terminam na décima primeira casa e são designadas “casas dos relacionamentos”, e que a décima primeira casa é a “Casa dos Amigos”. Desde a primeira até a nona casa nós expressamos as relações “pessoais”, “fraternais”, “parentais”, “conjugais”, e “pedagógicas”. Então a essência cultivada, destilada de todas as relações é mostrada pela nossa capacidade de expressar a décima primeira casa.
       O amor sem paixão, afeição sem possessividade, auxílio e encorajamento sem abuso, cooperação sem dominação nem subordinação; diversões saudáveis e não prazeres loucos; simpatia sem sentimentalismo negativo; trocas mútuas sem qualquer perda da liberdade mútua de pensamento e ação – tais são os atributos de toda relação harmoniosamente praticada. À essência desses atributos chamamos Amizade, o impulso para a Fraternidade Universal.
       Em virtude da décima primeira casa, representar nossos impulsos mais altamente espiritualizados com respeito ao relacionamento, ela pode ser estudada como um dos “barômetros espirituais” do horóscopo. Qualquer outro problema de relações pode ser solucionado na medida em que a décima primeira casa seja “benéfica”. Todo problema irmão-irmã, pais-filhos, e marido-mulher podem ser resolvidos até certo ponto pela aplicação dos impulsos da décima primeira casa expressos harmoniosamente.
       Pode-se dizer então que a Amizade é a panacéia para as “feridas do relacionamento”.
       Essas “feridas” são as frustrações daquelas qualidades essenciais peculiares a cada tipo de relacionamento. As relações fraternais ou irmão-irmã experimentadas durante a infância e os anos de formação representam o primeiro passo em direção à plenitude da décima primeira casa. Na intimidade da vida doméstica e guiados pelos pais, meninos e meninas aprendem a cooperar, compartilhar e desfrutar os prazeres em grupo. As reações mútuas entre irmãos e irmãs e seus pais constituem os elementos básicos de suas tendências nos relacionamentos. Naturalmente, quando as relações fraternais são repletas de discórdia, medo e ódio, na maturidade as realizações posteriores muitas vezes são distorcidas e inibidoras da plenitude.
       Muitos homens e mulheres passam dificuldades e desarmonias no casamento devido aos negativos subconscientes oriundos de suas relações fraternais na infância. A competição pelo favoritismo dos pais, a rivalidade em talentos e conquistas, as aversões, os ressentimentos e todas as outras formas de conflito, se não transmutadas podem muito facilmente ser, e geralmente são, transportadas para padrões conjugais e paternais, causando fracassos em relacionamentos futuros.
       É evidente que as condições variam de mapa para mapa. Uma pessoa pode ter a “terceira casa difícil” e a “sétima casa afortunada”. Em outras palavras, suas experiências na infância com os irmãos e/ou irmãs podem ter sido muito infelizes e sua companheira de matrimônio pode ser a maior bênção de sua vida. Contudo, se mais tarde ele transfere para o seu matrimônio aquelas reações sombrias, poderá não responder à ajuda que sua esposa possa lhe dar.
       Outro indivíduo pode desfrutar de um companheirismo do tipo mais harmonioso e produtivo com seus irmãos e irmãs. Não obstante, no casamento enfrenta as suas maiores provações. Todavia, em virtude das relações harmoniosas na infância, ele sabe muito mais sobre o significado da convivência. As imagens do seu relacionamento são pintadas com Alegria, Companheirismo, Dar-e-Receber, Confiança Mútua e coisas do gênero, de forma que por meio da expressão desses poderes espirituais ele lida bem com os seus problemas conjugais.
       Nenhum estudante de astrologia precisa suportar dor e sofrimento por anos e anos em razão de seu relacionamento infeliz com o irmão ou irmã. Essa infelicidade é resultado apenas de uma coisa: da expressão contínua de um aspecto negativo da terceira casa. Conforme esse aspecto negativo seja transmutado, o relacionamento melhora e a dor é neutralizada. O relacionamento fraternal é, de todos, o único que pode ser mais diretamente convertido em Amizade. Uma vez que geralmente não envolve os elementos possessivos da paternidade e nunca envolve as trocas sexuais do matrimônio, a relação contém muito mais do elemento liberdade.
      Em uma situação, o relacionamento fraternal é particularmente importante, do ponto de vista psicológico. Esta diz respeito à experiência da responsabilidade cármica da pessoa em relação a um irmão ou irmã mais jovem ou menos evoluído. Neste caso o relacionamento nos planos internos torna-se o de pai para filho, e as reações negativas da pessoa mais idosa podem ser transmutadas mais eficazmente por meio dos impulsos paternos-maternos do que por meio da décima primeira casa. Em outras palavras, os impulsos paterno-maternais constituem o “caminho de transcendência”, ou da “redenção do carma”. Uma séria lição de paternidade é indicada por tal condição – seu cumprimento libertará a pessoa para expressar a verdadeira paternidade com muito mais êxito. Em virtude de sua qualidade sutil e ilusória, este tipo de “paternidade cármica” geralmente contém muito sofrimento em sua expiação, mas seu cumprimento resulta numa grande recompensa em sabedoria e fortalecimento espiritual – o que, em seu todo, representa vantagens para a pessoa no relacionamento com os seus próprios filhos.
       A queda e fracasso nas relações pai e filho, sejam reais ou esotéricas, deve-se mais ao egoísmo e possessividade dos pais do que a qualquer outra coisa, de maneira que em nenhuma área na vida o ponto de vista impessoal se faz mais vitalmente necessário. Nenhum pai ou mãe pode ser “bom parente” – no sentido espiritual – a menos que os atributos da amizade sejam expressos no relacionamento. Deve haver reconhecimento do valor intrínseco e tendências do filho. Deve haver disciplina e orientação, mas em termos das necessidades da criança. Nenhum pai ou mãe é bom quando faz da vida do seu filho uma realização vicária de suas próprias frustrações. O pai que é amigo guia seu filho para a melhor expressão do seu próprio padrão de vida.
       Observe sua décima primeira casa e procure sua “chave da Amizade”. Esta é o planeta que: ou é o regente não aflito da décima primeira casa, ou aquele que forma o melhor aspecto com o regente. Os planetas que se encontram na décima primeira casa indicam condições que são interpretadas através da amizade, mas o regente é a chave para a expressão da amizade e fraternidade.
       O regente da décima primeira casa pode ter muitos aspectos, harmoniosos ou não. Neste caso, contudo, se um planeta não aflito forma um bom aspeto com o regente, tal planeta representa puramente um canal de “transmutação-de-relação”. Este é o planeta que se aplicado, pode anular os obstáculos e desfazer o emaranhamento de qualquer problema nos relacionamentos. Representa o melhor que você tem a oferecer no intercâmbio espiritual com outras pessoas.
       Combine a vibração deste planeta com a do signo na cúspide da décima primeira casa e com a vibração do regente deste. Esta é à base de sua “Casa da Amizade”. Ela mostra um composto de como você ama seus amigos, o que deseja fazer por eles, o que pode fazer por eles, e o que eles vêem de melhor em você.
       As pessoas identificadas, por aspectos mútuos, com os trígonos nas condições de sua décima primeira casa são aquelas que estimulam a sua mais profunda capacidade de amar. É através delas que você estabelece contato com o melhor do seu próprio ser e expressa o que há de mais puro em você em todas as relações. Através delas é que você reconhece com clareza a Fraternidade Universal.
       As pessoas identificadas, por aspectos mútuos, com as quadraturas ao regente da décima primeira casa são “inimigos de suma importância”. Elas externam ou objetivam suas reações que frustam ou destroem a amizade. Em virtude dos impulsos transcendentes da décima primeira casa, os aspectos maléficos (que representam frustrações e dificuldades) podem manifestar-se como ódios, temores, e conflitos intensos. Toda relação em sua vida é manchada ou desvirtuada na medida em que essas aflições permaneçam não transmutadas. Nenhum estudante de ocultismo ou de astrologia deve ignorar essas “advertências” do horóscopo.
       Concluindo, aqui vai um exemplo que ilustra o inter-relacionamento Astro-dinâmico - "Planetas são pessoas". Para melhor entendimento, expomos um exemplo bastante simples.
       Duas pessoas se conhecem na maturidade da vida, e se estabelece de imediato uma amizade profunda e feliz entre elas. Cada uma tem uma quadratura e um sextil ao regente da décima primeira casa, e o contato é representado pela Lua progredida em trígono com o regente da décima primeira casa de uma delas, o qual está em conjunção com qualquer planeta na décima primeira casa da outra pessoa. Em outras palavras, o relacionamento entre as duas “floresce sob as melhores condições”.
       Cada pessoa reagiu, durante muitos anos, a todas as fases do padrão de sua décima primeira casa, e a força comparativa, naquele período de vida, exercida pelas influências do sextil e da quadratura foi um teste perfeito para essa amizade. Na medida em que o aspecto negativo de uma pessoa seja expresso, será dada à outra, oportunidade de transmutação; na medida em que ambas respondem à quadratura, a amizade pode deteriorar e romper-se; e na medida em que cada pessoa transmuta estes aspectos negativos, a outra pessoa será “elevada” espiritualmente.
       Este tipo de relacionamento representa a oportunidade perfeita para a prática da alquimia. As inclinações negativas do relacionamento podem ser neutralizadas pelas expressões mais elevadas de ambas as pessoas unidas amorosamente.
       Existe expressão de amizade mais perfeita?