terça-feira, 1 de janeiro de 2013

CAPÍTULO XV – PLUTÃO – O PRINCÍPIO DO FOGO CONGELADO



Este assunto é apresentado na esperança de que seja uma contribuição útil àqueles estudantes de astrologia que se interessem por psicologia, a fim de permitir-lhes compreender melhor os aspectos de desejo da consciência humana. Podemos fracassar em nossa tarefa de "iluminadores" se não aceitarmos intimamente procurar soluções para as emocionalidades complexas e desviadas que resultam de confusões e frustrações da consciência sexual das pessoas. Evolução é geração e regeneração; fobia, psicose, fixação, etc, são termos usados para indicar níveis de consciência emocional que, em virtude da falta de escape construtivo, permitiu-se que estagnasse, cristalizasse, congestionasse e retrocedesse.
Na aplicação de interpretações astrológicas para as descobertas da psicologia moderna, não existe símbolo único mais significativo que o signo em sua colocação como significador vibratório da Casa 8 da roda abstrata.
Como signo fixo de água, ele pode ser comparado ao gelo comprimido e imóvel. Como significador emocional, é sentimento em sua forma mais intensa. Ele é o grande oceano de poder do desejo, do qual a humanidade inteira recebe seu pábulo emocional para ser transmutado através do amor para a regeneração da Vida. (Fisiologicamente, Escorpião representa todas as funções excretoras do corpo - a eliminação das substâncias em estado fluídico, as quais, pela boa saúde, devem ser "descarregadas" para que os processos regenerativos e transmutativos do corpo possam ser efetuados).
A referência ao Amor citado acima poderá ser mais bem compreendida se adotarmos um desenho ilustrativo: façamos um círculo em branco e coloquemos o símbolo de Áries na cúspide da primeira casa, e Touro na cúspide da segunda casa. Este é o retrato do “EU SOU”, (1ª casa), a afirmação do ser consciente - e do “EU TENHO”, (2ª casa), o reconhecimento da relação com as coisas da Vida através da consciência de posse. Touro, Venusino, signo de terra e fecundo, simboliza a manutenção e sustento da vida física; ele é nossa "raiz na Terra", pela qual, através do senso de posse, mantemo-nos agarradosàs experiências da vida. A níveis primitivos da Casa 2, a consciência de relacionamento com outras pessoas não está - nem precisa estar - implicado necessariamente com outra pessoa; mas é um estado de “sentimento” ou “emoção” de propriedade pelo qual cinzelamos o destino de acordo com nossa consciência de "avaliar as coisas da terra".
Acrescentemos a este desenho o símbolo de Libra na cúspide da sétima casa. O “EU SOU” de Áries na primeira casa encontra agora sua realização ou transcendência, no “NÓS SOMOS” da sociedade, do matrimônio ou do relacionamento de qualquer natureza. A consciência de isolamento da Casa 1 amplia-se através da mutualidade de experiência "em conjunto".
A sétima casa é a primeira casa do hemisfério superior, a iniciação aos níveis da consciência anímica pela experiência do reconhecimento amoroso, ou destilação do amor através dos mecanismos do relacionamento. A manutenção ou sustentação da Casa 7 encontra-se na casa 8, a "polaridade da consciência anímica" da casa 2. Como dissemos, ela é o recurso do desejo, o "fogo do intercâmbio de polaridades".
Coloquemos o símbolo de Escorpião na cúspide da oitava casa, completando-se assim o quadro do lançamento do indivíduo aos níveis evolutivos de experiência através do poder do amor para a transmutação e regeneração de sua consciência (sugerimos que todo o estudante de astrologia medite sobre este esquema; ele é o quadro simbólico do Jardim do Éden, relatado na Bíblia, o nascimento da consciência sexual e a iniciação ao matrimônio. A interpretação adulterada desta alegoria através dos tempos, na experiência humana, tem causado mais tragédias e sofrimentos do que se possam atribuir a qualquer outro fator isolado. "Eva" é a consciência anímica ou a metade superior da roda astrológica. "Ela" surge da necessidade do indivíduo transcender as condições da primeira casa (isolamento para auto-manutenção, inocência e/ou ignorância). Cada ser humano real é um composto vibratório de "Adão e Eva"; o sexo é mera especialização de polaridade expressa em termos físicos durante determinada encarnação para  específicas necessidades geradoras e evolutivas. Não pode haver tal coisa como superioridade do macho sobre a fêmea - todos somos inerentemente ambos, na consciência e na subconsciência. Os Astrólogos devem compreender isto.
Façamos agora outro desenho, em nosso estudo do signo de Escorpião. Em uma roda astrológica em branco conecte os pontos médios das casas fixas - 2ª, 5ª, 8ª e 11ª (signos fixos) - por meio de linhas retas. O resultado será a forma geométrica perfeita do "quadrado estático" repousando sobre sua base (este é o nosso símbolo para o "aspecto quadratura" - a relação entre dois planetas que se encontram dentro de uma órbita de noventa graus entre si). Considerando que os significadores vibratórios dessas casas são todos signos de poder emocional, devemos estudar por pares a relação de polaridade desses signos. Liguemos o ponto médio da casa 2 ao ponto médio da casa 8, e o ponto médio da casa 5 ao ponto médio da casa 11. A polaridade Leão-Aquário é o poder do amor pessoal criador, expresso na relação de pai para filho, sendo realizada espiritualmente na vibração aquariana do poder do amor impessoal que inclui todos os padrões de relação tal como são realizados nas amizades e na fraternidade. Estes dois signos são o poder do amor como radiações. O padrão Touro-Escorpião representa os recursos do poder do amor através da função evolutiva do “desejo de posse das coisas” e do “desejo de posse na experiência amorosa”.
O “quadrado estático” que traçamos aqui dá-nos a pista para o verdadeiro significado do “aspecto quadratura” que usamos em astrologia. Os padrões fricativos mostrados em um horóscopo simbolizam potencialidades para sofrimento – os “problemas” – devidos a frustrações e/ou expressões não espiritualizadas do poder do desejo. Esclarecendo:
Os problemas - como a dor – são acesos em nossa consciência pelo contato com outras pessoas e através de nossa reação vibratória aos seus padrões de consciência. Isto só pode ser possível por meio de experiências determinadas pelos setores das casas 7 e 8 da roda astrológica, que são os setores de “intercâmbio de vibrações”. Nossos estados não regenerados de consciência, os desejos não realizados ou não expressos, sincronizam-se com um padrão complementar da outra pessoa, e então nossa experiência de relação é objetivada. Como esta fase de vida nos chega através de outra pessoa, consideremos o traçado do quadrado estático começando com Escorpião.
A roda astrológica, como sabemos, é uma representação abstrata dos processos evolutivos através de sucessivas encarnações. O nascimento físico é simbolizado, em cada encarnação pelo Ascendente, a cúspide da primeira casa. Contudo, em cada encarnação inicia-se um “segundo nascimento” na primeira reação à consciência sexual: o reconhecimento do complemento de alguém, o “outro eu” de alguém, seu símbolo vivente da realização desejada e necessitada. Por conseguinte, podemos pensar que a roda astrológica começou suas revoluções a partir do momento em que a humanidade – no sentido abstrato (Adão e Eva) – percebeu o desejo de realização através dos processos de intercâmbio de polaridade, começando como o intercâmbio vibratório da experiência do sexo físico, e passando por todos os estágios de desenvolvimento nos intercâmbios mentais e criadores e relações biológicas e não biológicas.
Escorpião então é visto como o recurso vibratório do poder do desejo para a entidade que chamamos humanidade, e do qual todas as coisas viventes recebem sua expressão criadora e perpetuação. Em virtude de estarmos respaldados por muitas e muitas encarnações em que expressamos este poder de certas maneiras, podemos considerar cada ser humano análogo, simbolicamente, a um iceberg que mostra acima da superfície apenas uma pequena fração de seu corpo inteiro. Cada um de nós possui uma “grande área” de potencial de desejo submerso ou desconhecido que deriva diretamente de nosso vínculo com esse recurso. Por isso, tal vínculo mútuo tem sido chamado por muitos pensadores como “inconsciente coletivo”. Todo ser humano em um dado momento de qualquer estágio de sua evolução, vibra a certo nível desse “corpo de desejo coletivo” (de maneira similar ou análoga à vibração específica de qualquer cor em relação ao espectro total, ou a de qualquer tom em relação ao "corpo das vibrações tonais").
Em termos tradicionais e ortodoxos, podemos dizer que Escorpião representa a “fonte do mal”. O demônio é o eterno tentador, o eterno impulsionador para a direção errônea, a eterna armadilha para o incauto, o arqui-destruidor do bem, o adversário do ser humano, e um “fedor nas narinas do Mais Elevado”. Não queremos discutir com a ortodoxia, mas essas frases representam atitudes simplistas de pessoas que veem a vida e seus capítulos como “preto ou branco”, “dia ou noite”, “o alto ou o baixo”, “essencialmente bom ou essencialmente mal” e assim por diante. Esses níveis de conceitos tem sido e ainda são necessários por servirem de referências de conduta à humanidade em evolução. É preciso que haja alguns tipos de moldes em que o homem possa derramar as expressões de si mesmo, caso contrário toda a vida em evolução seria caótica e insípida. O desejo em si não teria propósitos evolutivos para ajudar, além da satisfação das necessidades mais primitivas.
Contudo, um processo alquímico atua através da evolução de qualquer indivíduo, par ou grupo de indivíduos pela espiritualização da consciência amorosa e do desenvolvimento e expressão da inteligência. O amor próprio se torna amor de casal e amor à prole; a autoproteção se torna devoção à família, à tribo e ao estado; as forças da sexualidade são elevadas em qualidades vibratórias para se estender a níveis de criatividade e poder mental. Através disso tudo a consciência do indivíduo se desenvolve e amadurece no desejo por aprimoramento, expansão em conhecimento cada vez mais amplo do universo de outras pessoas e finalmente desponta em sabedoria e realização de ideais. Assim, Escorpião, por meio dos padrões da oitava casa, torna possível a extensão de experiências para as expressões transcendentes das Casas 9, 10, 11 e 12. Escorpião é mau somente à mente que vê o mal como uma “entidade estática”. Entretanto, pela aproximação feita pela realização dinâmica, este signo é a fonte de todo amor, de toda aspiração e, através do cumprimento das experiências de relacionamento, a fonte de toda sabedoria.
Uma vez que Escorpião é um signo fixo de grande poder em potencial, as posições planetárias ou padrões que envolvem sua vibração podem ser interpretadas como respaldadas por um enorme recurso, resultado de uma “prolongada compreensão” da força do desejo nesse ponto. Os padrões de Escorpião – e seus tipos – nunca são superficiais ou insignificantes. Atente cuidadosamente para qualquer aspecto natal referente a este signo, porque suas potencialidades são muito amplas para “grande bem ou grande mal”. O desejo se concentra aqui, de maneira que sua liberação construtiva e expressão é uma imposição nesta encarnação. O fracasso e um destino doloroso serão infalíveis no futuro. Nenhuma inibição emocional pode ser comparada com Saturno em Escorpião em intensidade de medo ou fixação; nenhum potencial de propósitos é mais firme que o sol em Escorpião. Marte em Escorpião pode representar o desejo sexual em sua mais aguda necessidade de expressão. Mercúrio em Escorpião deve vigiar suas expressões – respaldadas por impulsos não regenerados de ciúmes, frustrações, medos, etc.. Suas palavras podem ter um efeito devastador nas mentes e sentimentos de outras pessoas. A Lua e Vênus em Escorpião intensificam em alto grau os padrões que se referem especificamente aos níveis da consciência feminina de qualquer pessoa, homem ou mulher. Há, ou pode haver, uma certa implacabilidade, crueldade ou tendência para “expressar-se através da dominação” quando esses fatores não são liberados satisfatoriamente. Todas essas posições planetárias requerem transmutação de expressão através da liberação possibilitada pela consciência amorosa da mutualidade nas relações, intercâmbio sexual satisfatório e fertilidade na geração ou, em níveis impessoais, pelo serviço amoroso ou por algum tipo de criatividade. Estes são os fogos que não podem permanecer indefinidamente no estado de ardência reprimida; deve-se deixá-los “arder com os fogos do viver”.
Como estamos em busca de compreensão, existe um fator psicológico envolvido na vibração de Escorpião que deve ser considerado, embora desagradável. Sendo um estado emocional individual e coletivo, esse fator é o resultado essencial da falha na libertação construtiva desse impulsos de desejo que são necessariamente intensos. Em virtude do corpo físico ser uma expressão externa do interno, consideremos como este problema se manifesta no plano físico.
Como já dissemos, Escorpião representa toda função excretora do corpo físico. A falha em realizar estas descargas tão necessárias provoca o estado de congestão e suas consequências, as possibilidades de desarmonia física.
Em comparação, entretanto, muito mais difícil é remediar congestões na natureza do desejo. Com um pouco de reflexão, qualquer estudante pode reconhecer condições de congestão de desejo em si mesmo ou nas naturezas daqueles que conhece bem. Tais congestões tomam às vezes formas muito trágicas, pelo que devemos aprender a reconhecê-las.
A tragédia básica e essencial de um Escorpião não regenerado é a frustração do impulso gerador. Desta particular congestão surge uma miríade de doenças emocionais, nervosas e mentais que podem afligir a humanidade em quase todas as fases de desenvolvimento. É verdade que há umas poucas pessoas encarnadas em qualquer tempo que não precisam dessa forma particular de liberação, mas tais pessoas são raras e distantes entre encarnações. É natural e saudável que as pessoas, de modo geral, experimentem a realização do impulso de acasalamento no companheirismo inerente à relação amorosa. Falhar nessa realização, quando sua necessidade é profundamente sentida, tem representado um quadro terrível de sofrimento e perpetração de males a outros. Escorpião frustrado - seja onde estiver colocado no horóscopo – dá-nos um quadro que indica a possibilidade da pessoa poder expressar crueldade, desonestidade, homicídio, e toda classe de destruição como uma satisfação substituta dessas coisas que, em sua natureza de desejo, clamam por gratificação. Como o corpo físico pode apresentar erupções cutâneas devidas a condições tóxicas acumuladas, assim também a consciência pode apresentar erupções de toda classe de impulsos negros como forma de descarga. A história do desenvolvimento da humanidade como organismo sexual é crivada de capítulos de medos, perversões, doenças e loucuras, toda vez que sem o preparo interno, as pessoas “concordam” em viver emocionalmente dentro de padrões distantes de sua maneira de realização amorosa.
O matrimônio, que deveria ser a resposta natural entre duas pessoas em termos de harmonia emocional, foi transformado em uma ferramenta para servir a interesses familiares, aquisição de propriedades, de fortuna, de poder temporal, interesses de continuação de dinastias e somente os céus sabem o que mais. Uma fórmula religiosa completa foi baseada na atitude de que o homem, sendo um verme e incapaz a não ser para castigo eterno, não tinha direito ao gozo espontâneo nem à realização de seus impulsos e de sua vida. Esta “filosofia” vem corrompendo as mentes e emoções de milhões de pessoas através dos séculos. Atualmente estamos começando a descobrir as raízes desses males emocionais, de maneira que, estudando-as, somos forçados a concluir que a vida não pode ser bem vivida a menos que se baseie numa filosofia de liberações sadias, construtivas, amorosas e felizes.
Alguns resultados de ter sido instrumento para desviar a vida emocional e a felicidade dos outros:
Pessoas cujas vidas parecem estar consagradas ao sofrimento devido à falta de experiência amorosa; matrimônios em que os cônjuges parecem viver em permanente atrito – antiga inimizade; filhos são fontes de contínua ansiedade e cuidados em virtude de doenças mentais ou físicas – ou deficiências essenciais de caráter; mulheres persuadidas a se casarem com homens que as mantêm em contínua escravidão aos seus impulsos de desejos, sem resultados frutíferos; homens que não se livraram das amarras psicoemocionais à mãe; crianças que nascem de pais que não as desejam e não as tratam com afeição e consideração; pessoas que passam uma inteira encarnação com medo da própria sexualidade, envergonhando-se até de pensar em “fazer algo a respeito”.
E assim vai: tormento, dor, medo, sentimentos de inferioridade, crueldade, dominação, autodestruição e até loucura: evidências da congestão da natureza de desejos. O remédio se encontra na educação esclarecedora, espiritualizada, mais a determinação vitalizada de viver sadiamente, expressivamente, belamente e amorosamente no relacionamento consigo mesmo e com as demais pessoas. Assim o recurso de desejo é transmutado e expresso em termos que contribuem para a evolução, bem como para a redenção de padrões cármicos a se converterem em consciência espiritualizada.
Achamos que a meditação sobre um signo ou um planeta que se relacione com o “horóscopo abstrato” é uma base confiável para todo estudo da ciência astrológica interpretativa. Por “horóscopo abstrato” queremos significar uma roda astrológica  com Áries na cúspide da primeira casa, Touro na cúspide da segunda casa, e assim por diante em torno da roda. Isto coloca os trinta graus de cada signo na sua Casa correspondente. O posicionamento dos planetas nos signos e Casas de suas dignificações completa o quadro.
Na primeira parte deste capítulo nós consideramos o signo de Escorpião em sua “relação de quadratura” com os outros três signos fixos – os signos do “recurso de poder emocional”, que são a sustentação dos signos cardeais que os precedem.
Agora devemos considerar Escorpião em sua relação com os outros dois signos de seu elemento – água. Nosso desenho será um círculo em branco com Câncer na cúspide da quarta casa, Escorpião na cúspide da oitava casa e Peixes na cúspide da décima segunda casa. Ligue estas cúspides por linhas retas, de maneira que formem um triângulo equilátero. Dos três signos de água e respectivas casas, a quarta casa está no hemisfério inferior ou hemisfério de consciência do ego; as outras casas (8ª e 12ª) estão no hemisfério de consciência anímica. Consideremos agora a quarta casa:
O segundo aspecto da consciência cardeal é “EU SOU”; isto é, em termos da relação do Ego com heranças, familiares, consciência racial e identificação com as correntes da Vida. Câncer, signo cardeal-água, é gerador no sentido de que é a nossa consciência de “formação de lar”; é a base (o ponto mais inferior do círculo) a partir da qual nos levantamos através de sucessivos padrões evolutivos.
Escorpião e a oitava casa sustentam a sétima casa, que é o ponto focal de nossa mais intensa consciência de relação no matrimônio (amor) ou na inimizade (amor não realizado). Consequentemente, o intenso poder emocional concentrado de Escorpião – através do impulso sexual e de suas derivações – é necessário aqui. Escorpião é geração e suas espiritualizações por meio da regeneração no amor.
Peixes e a décima segunda casa simbolizam a água como um meio envolvente. Considerado abstratamente, é a essência do passado trazido para o presente. Todos os signos mutáveis e respectivas casas são “modulações” de um quadrante vibracional ou ambiental ao quadrante seguinte. Assim, a décima segunda casa é a modulação de uma encarnação para a encarnação que se segue ou – considerado inversamente – é a chave essencial para se compreender o que, no passado, impeliu à encarnação presente. Simboliza a emotividade dos signos de água em seus aspectos. Mais transcendentes e impessoais da universalidade do Amor, da Simpatia e da Compaixão-Compreensão. Câncer é identificação emocional com a família, Escorpião é identificação emocional na parceria; Peixes é identificação emocional com as causas mundanas, bem-estar universal e progresso evolutivo como expressões das faculdades e consciência mais espiritualizadas.
Os signos de água em conjunto simbolizam as nossas faculdades como “placas de ressonância”; nossa “reação vibratória aos padrões vibratórios de outras pessoas”; “sentimentos familiares subconscientes instintivos”, “impulsos de desejo subconscientes” e “recordações subconscientes de encarnações anteriores”.
Uma vez que a base de toda interpretação astrológica é “Conhece-te a ti mesmo”, sugiro-lhe familiarizar-se com o padrão do signo de água girando o desenho que fizemos de modo que o seu Ascendente fique na cúspide da primeira casa. Mesmo que seu horóscopo Natal tenha signos interceptados, este giro da roda mostrará um quadro de como, em geral, a consciência do signo aquoso se aplica à sua variação astrológica individual. Estude cuidadosamente, dando ênfase à cúspide que comporta Escorpião para prosseguimento desta discussão. Aborde-o desta maneira: “Escorpião indica a concentração da minha consciência de desejo em tal e qual casa em tal e qual quadrante do mapa astrológico”. Medite retrospectivamente sobre suas experiências passadas que se relacionem com este padrão. Aplique esta técnica colocando Escorpião de outro modo, em todas as cúspides da roda. Prolongue sua abordagem mental aplicando o trígono dos signos de água e a quadratura dos signos fixos às doze possíveis posições abstratas.
Nossa próxima consideração sobre o signo de Escorpião será a sua relação com Libra, o signo cardeal que o precede. Em uma roda astrológica em branco ponha Libra na cúspide da sétima casa e Escorpião na cúspide da oitava casa. Partindo do centro da roda escureça as linhas que representam as cúspides das sétima e oitava casas, e então, sombreie estas mesmas casas de modo a se destacarem das outras casas. Isto é feito com o propósito de alertá-lo para o intenso significado emocional destes setores das duas casas e dois signos na roda.
Libra, cardeal-ar, é a correspondência vibratória da primeira casa do hemisfério da consciência anímica; ela inicia o terceiro setor da roda pela ação dinâmica da atração magnética entre duas pessoas. O egoísta, individualista, “EU SOU” – Adão – da primeira casa, prolongado até o “Eu sou uma unidade no relacionamento familiar” da quarta casa, converte-se na sétima casa em “Eu sou um dos dois fatores complementares de um padrão de experiência emocional intensamente focalizado”. Vênus, como regente de Libra, é o símbolo abstrato da “consciência de Eva” de todo ser humano, o meio de redenção do egoísmo isolador inerente em todos nós, e o canal essencial pelo qual todos nós encontramos a fonte de nossos melhoramentos e refinamentos através de intercâmbios na mutualidade – em todas as fases e níveis.
Escorpião seguindo-se a Libra é o alimento do desejo pelo qual essa experiência é sustentada, e a oitava casa é o processo de geração, regeneração, renovação e transmutação pelo qual o Entendimento é destilado – levando da oitava casa às transcendências das quatro casas restantes da roda. Acrescente ao nosso desenho uma linha reta desde a nona cúspide até o Ascendente, abarcando as últimas quatro casas. Este setor de quatro casas é a consciência resultante de expressões transmutadas da natureza de desejos; a espiritualização sendo possível pelo amor. Aplique este desenho a seu próprio mapa para meditação. Vá além: estude-o aplicando-o às doze posições possíveis do horóscopo abstrato. Utilize a abordagem da palavra-chave básica para os setores e casas individuais, tendo em mente que Escorpião transmite a intensidade da natureza de desejos; o ponto focal da consciência sexual; o capítulo de experiência que requer o máximo de seus podres para regeneração e transmutação; os níveis de sua consciência emocional que buscam o melhoramento da qualidade vibratória pelo amor; e o melhoramento da expressão pela ação construtiva.
Mantém-se aqui o ponto de vista de que Plutão é o regente de Escorpião; Marte é o co-regente como expressão ativa de Plutão. E por estas razões:
As qualidades essenciais da “natureza espiritual” de um planeta devem coincidir com as qualidades essenciais do signo que ele rege. Marte não é somente o Princípio da Energia, mas é a expressão dessa energia na ação. Seu signo é Áries – o passo inicial da roda, a “nova vida”, a consciência de Ser e Fazer. Sua essência é dinâmica de qualquer modo: impelindo, energizando, impregnando e vitalizando. É a abstração da personalidade individual combatendo com a Vida e suas partes componentes como coisas a serem vencidas através do instinto de auto-preservação e auto-expressão.
Plutão, remoto e lento, é a essência abstrata da natureza fixa, congelada, e comprimida de Escorpião – o mais rígido de todos os signos (Leão, fixo e fogo, brilha com poder e resplendor; Touro fixo e terra é fértil e expressivo; Aquário, fixo e ar, é a vibração do gênio – transcendente e inventivo; dos signos de água, Câncer é o suscetível e taciturno; Peixes é extremamente impressionável e sutil), Escorpião ardendo com a compressão de seus fogos internos de sentimentos intensos, raras vezes se expressa ao máximo, mas quando o faz é com grande e notável eficácia. Como um vulcão, essas expressões ocorrem quando o impulso para se expressar excede a consciência de conter-se e a liberação de energia se faz para efeitos e resultados de longo alcance. Voltemos ao desenho de Libra – Escorpião com a linha traçada da nona cúspide ao Ascendente. O que transmite essencialmente este desenho?
Em retornos periódicos – volta após volta da roda – o desenho simboliza a necessidade de reencarnação para maior espiritualização da consciência, devido a fracassos ou não cumprimento dos padrões de regeneração por parceria da encarnação anterior ou ciclo de encarnações. O Ascendente carrega nas costas o setor completo de quatro casas que inclui a nona, a décima, a décima primeira e a décima segunda casa. Plutão, como regente de Escorpião coloca-se no portal da vida espiritual em qualquer fase de relação a relação – e isto é significativo – da essência de relação do passado ao presente e do presente ao futuro. As últimas quatro casas da roda representam o “Vinho do Espírito” destilado de todas as relações cumpridas.
Agora, se no começo da encarnação o Ego é incapaz de afirmar “EU SOU”, de que vale a encarnação? O fato de que a encarnação se efetua é prova de que a Centelha da Consciência eterna e indestrutível busca mais espiritualização, não importa quão limitada possa ser a capacidade de auto-expressão. O deficiente congênito, o cego, o deficiente mental e todas as pessoas com defeitos semelhantes são personificações da expressão do hemisfério inferior da roda – considere isto cuidadosamente – liberação sem amor dos fatores geradores e regeneradores. O progresso da vida é regeneração; aquelas vidas que parecem retroceder são elas próprias objetos de devoção, sacrifícios e amor da parte dos pais ou de outros, que necessitam de medidas extremas para liberar seus recursos de conhecimento, compaixão e simpatia; assim os processos de melhoramento e regeneração são mantidos e perpetuados. As nona, décima, décima primeira e décima segunda casa não apenas representam pessoas que vivem uma consciência espiritualizada, mas que também representam padrões de trabalho ou serviço prestados àqueles que personificam um mau destino em suas aflições de sofrimento e ignorância. Em outras palavras, aqueles que aprenderam as lições da oitava casa destilam, para serviço a todos, os poderes espiritualizados pelos quais as aflições e sofrimentos podem ser e são redimidos. Por conseguinte, as pessoas iluminadas consideram toda encarnação significativa e valiosa; seus pontos de vista estendem-se além do superficial e transitório; elas percebem as leis da vida se expressando e reconhecem que há possibilidade de regeneração em qualquer e em todas as fases da existência humana.
A abordagem feita pela moderna psicologia corretiva – permita nos referir outra vez ao nosso desenho – é para ajudar as pessoas que estão aflitas física, emocionais, mentais e psiquicamente a restabelecer sua habilidade de dizer “EU SOU” em termos de (1) cura física e melhoria da capacidade física; (2) compreensão de seus padrões emocionais de fixação, medo, frustração ou inibição de forma que seus complexos e compressões íntimos possam ser liberados e se estabeleça um despontar de autoconfiança, saúde sexual-emocional, reajuste de relações, otimismo, alegria e amor; (3) disciplinas e diretrizes para uma percepção mental mais forte e mais eficiente de modo que a pessoa possa ajustar-se melhor com as coisas e pessoas que o rodeiam. Todos esses fatores apontam diretamente para um nível mais elevado de consciência do “EU SOU”. Não há outra base para viver a vida em termos construtivos e frutíferos.
Devemos considerar agora que de encarnação a encarnação começa uma vida interna com cada despontar da consciência sexual e com o reconhecimento da experiência sexual. Mais destino pode ser criado a partir do padrão de uma experiência conjugal do que de qualquer outro fator isolado no desenvolvimento humano. Todos os fatores essenciais são envolvidos: intercâmbio sexual, criação de filhos, problemas econômicos, complicação no relacionamento, etc., formando-se assim um conjunto de padrões de reação emocional bastante complexo. Como todos somos individuais, a despeito de quão íntimos ou ligados aos nossos cônjuges possamos nos sentir, não podemos, no final das contas, e nem devemos tentá-lo, pôr de lado a consciência de “EU SOU”. Até mesmo o tentar efetuar esta divisão interna causa, até certo ponto, o naufrágio da integridade, o enfraquecimento da autoconfiança e o esgotamento das expressões de habilidade. O “EU SOU” de Marte-Áries seria – e consequentemente deve ser assunto de autoconsciência honesta, integridade e saúde emocional. Até que esse trampolim se torne a base de nosso “salto à vida” arriscamos a atolar nos pântanos da indecisão, da falsidade, e em todas as formas de complicações trágicas. Plutão, como regente de nossa intensa capacidade de desejo, libera-se através de Marte quer como meio de destruição, dominação, ganância, crime, perversão e doença querem como uma expressão de coragem, autoconfiança, atividade e trabalhos construtivos, ardor de impulso amoroso e verdadeiro, mutualidade sexual sadia e recompensadora, e como centelha luminosa pela qual a vida se expressa com calor e luz, alegria e progresso.
Quando sua vida parece chegar a um ponto de estagnação e, através de uma sensação de inércia ou enfraquecimento, sentir que desconhece novas direções e novos caminhos de crescimento, mas quer continuar progressivamente, olhe seu mapa astrológico e detenha sua atenção na cúspide que tem Escorpião, isto para alertar a você mesmo seus recursos. Então, considerando a casa em que encontra Áries e o potencial indicado por seu Marte, descubra como posso dizer “EU SOU” em termos mais grandiosos e melhores do que até então. Este é o processo nos planos internos:
Você está consciente de um forte desejo de adiantar sua vida de algum modo. O desejo não liberado e não expresso se acumula até estabelecer-se uma congestão; esta congestão resulta em desejos e ciúmes dos outros, autocompaixão e diminuição do autorrespeito e autoconfiança. Recorre então a futilidades e superficialidades para preencherem o “vazio doloroso”, e sua vida prossegue vagueando por toda sorte de (realmente indesejáveis) caminhos secundários e desvios.
Assim, pois, você sabe que deve fazer algo por você mesmo a partir do seu centro de consciência. Seu começo de qualquer coisa é feito com a consciência de seu Áries e/ou sua primeira casa; uma consciência ampliada ou dilatada do potencial de seu Áries-Marte é a chave para uma maior liberação do seu desejo de progredir. Não é o que alguém pense que você possa fazer, deve ou não deve fazer, mas vale o que diz seu horóscopo sobre seu padrão de progresso.
Sem fugir às legítimas responsabilidades ou maltratar injustamente a quem quer que seja, responderá à primeira oportunidade que sincronize com o seu propósito progressista. Sua resposta será em termos de um “bom Marte” – ansiosamente, entusiasticamente, corajosamente e positivamente. Você diz, com efeito, “Eu desejo liberar algo de melhor que tenho a oferecer para a minha própria vida e para minhas relações com as outras pessoas – algo dos recursos profundos, ocultos, de minha consciência e de minhas habilidades. Estou determinado a fazer disto uma contribuição valiosa e construtiva a ser expressa e realizada com honestidade, integridade e coragem”.
Por uma atitude tal e sentimento íntimo, os recursos de Plutão, o Corpo de Desejos coletivo, são liberados na vida através de você, servindo para estimular as vibrações espirituais e a consciência de todos os que entram em contato com você. Isto, em suma, é a redenção do relacionamento, a essência da experiência amorosa.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CAPÍTULO XIV – NETUNO – ASPECTOS E POSIÇÕES



É interessante notar a correlação de Netuno regente de Peixes, com os outros dois signos da triplicidade de água. Câncer, signo cardeal e regido pela Lua, é a água como gerador de força – rios, correntezas, cachoeiras e chuva; Escorpião, signo fixo, é o gelo – comprimido e estático – simbolizando recurso de força; Peixes, signo mutável, é a água como meio envolvente – névoa, neblina, miasmas e acima de tudo o poderoso oceano que circunda todo o corpo da Terra.
            Câncer é o corpo maternal que gera sustento para a nova encarnação. Escorpião, regido por Plutão, é o “inconsciente coletivo” – o vasto oceano de forças astrais que envolvem o corpo da humanidade. Peixes é o “Grande Eclipse” a Vida Divina em que nos movemos e tem o nosso ser. Netuno representa a nossa capacidade de nos fazer “receptivo” ou de “sintonizar” com o reconhecimento das Forças Superiores e de descobrir nossa consciência da divindade da Vida. Através da “faculdade de instrumentação” de Netuno, e dependendo de nosso estado de consciência, nós podemos contatar as fontes de inspiração exaltada ou abrir a porta para o reino de Plutão e palmilhar as cavernas das nossas condições irregeneradas.
            Este “eclipse” de Netuno já foi tratado nas interpretações dos padrões que envolvem a décima segunda casa – o “eclipse” de nossa encarnação passada que deve, até certo modo, ser redimida na presente. Contudo, a variação pessoal da influência direta de Netuno pode ser vista no horóscopo na casa que tem o signo de Peixes na cúspide – ou este signo interceptado – e na casa ocupada pelo próprio Netuno.
            A casa que tenha Peixes na cúspide mostra onde a ilusão e a desilusão estão concentradas; mostra o canal de experiência que indica sua necessidade de desenvolver Fé; se Netuno está aflito, a casa onde está Peixes indica onde e como, no passado, você traiu sua Fé e agora precisa realinhar-se com o Princípio. A casa de Peixes pode indicar um padrão de relacionamento de profundo valor espiritual ou um padrão que esteja mascarado e encoberto – sua realidade interna não é reconhecida externamente pelos outros. É bom dar-se conta de que a casa de Peixes no horóscopo será aquela que você mesmo pode compreender menos – suas realidades são mais “ocultas” que objetivas em qualidade e significado. É a casa em que você pode se enganar, porque ela mostra como, no passado, você enganou aos outros. Em suas dificuldades extremas a casa de Peixes pode mostrar-lhe o que, mui provavelmente, o impelirá a buscar ajuda Divina; vendo esse capítulo da vida através de óculos escuros, será levado a pedir orientação a Ele, que vê claramente.
            A casa que contém Netuno é a expressão direta de consciência espiritual, o departamento da vida em que poderá ser qualificados para conduzir outros à Fé, o ponto focal do próprio idealismo, da capacidade para estabelecer o Céu na Terra. Através da casa de Netuno, o Divino diz: “Que sejas a voz para as minhas palavras e as mãos para o meu trabalho”. Mostra onde e como se expressa a compreensão de “Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”.
            Em virtude da afinidade de Netuno com o elemento água e com a quarta, oitava e décima segunda casa, pode-se compreender que Netuno seja o mais “apropriado” para o posicionamento. Estas virtudes representam o nível emocional e astral de consciência, pelo que, nelas posicionado, a sensibilidade de Netuno é mais definitivamente enfatizada. Os signos de Peixes e Câncer são considerados os dois “melhores signos” de Netuno em virtude de sua qualidade fluídica, emocional. Além disso, consideremos que a Lua e Netuno sejam a “mãe pessoal” e a “mãe universal” respectivamente, o signo da Lua corresponde mais a qualidade de Netuno do que qualquer outro, com exceção de Peixes. Portanto, Câncer é considerado o “signo de exaltação” de Netuno – as qualidades dinâmicas e cardeais do signo amplificam a mutabilidade sensitiva de Peixes. Netuno neste signo se expressa com mais “força” do que em sua própria dignidade.
            A marcha lenta de Netuno mostra ser de grande valor do ponto de vista da pesquisa cíclica. Milhões de encarnações ocorrem durante o trânsito de Netuno em qualquer signo; cada grupo é como uma “onde de vida” em miniatura sintonizada com certas expressões de consciência cósmica. A correlação de Urano com Netuno a este respeito, é de especial valor. Consideremos o seguinte: Durante os últimos anos do século XVIII ocorreu um evento estelar de grande magnitude – a conjunção de Urano com Netuno no signo de Sagitário. Nasceram novos conceitos, novos ideais, novas visões e foram projetadas novas profecias de uma humanidade liberta no esquema humano evolutivo. Ocorreram revoluções, o velho foi despedaçado por golpes de efeito desintegrador. Esta conjunção alcançou Capricórnio nos primeiros anos do século XIX. Ensinos de metafísica vieram a público, novos conceitos de arte e moralidade foram promulgados.
            Esta ativação por Urano e Netuno teve a natureza de uma “lunação cósmica” – o dinâmico Urano e o espiritualizante Netuno proporcionaram um “novo nascimento” para toda a raça humana. A “Lua Cheia” desta “lunação” foi a oposição de Urano em Sagitário-Capricórnio a Netuno em Gêmeos-Câncer durante os primeiros anos do século XX. Uma guerra mundial de significado devastador revelou os níveis de inquietação e de mudanças que haviam estado em “gestação” durante todo o último século. Em outras palavras, Urano havia retornado ao “ponto de lunação” e Netuno, como a Lua Cheia depois da lunação Sol-Lua, havia alcançado o ponto de sua meia-revolução. As pessoas que encarnam durante uma oposição planetária principal fazem-no para uma maior conscientização de certos princípios anímicos; Urano em oposição a Netuno é conscientização para a família humana inteira – um ponto crítico em nossa evolução.
            As pessoas que encarnaram enquanto Netuno estava em Áries foram à geração de pioneiros visionários, especialmente aqueles que tinham Netuno em Áries e Urano em Câncer – almas tumultuosas que se ocuparam em estabelecer um “novo aspecto” nos assuntos humanos: ensinos de metafísica, direito de voto para mulher, controle da natalidade, e todos os outros meios de libertar a humanidade de conceitos antiquados e cristalizados. Nós que encarnamos durante a oposição dos dois gigantes planetários, viemos a um mundo repleto de inquietação e perturbação. Por desenvolvimento interno e compreensão, podemos ocupar nosso legítimo lugar no esquema das coisas e oferecer nossa contribuição à “Nova Era”, ou, por falta de desenvolvimento interno, podemos viver – ou tentar viver – por abordagens que pertencem a uma época passada e assim nos encontrar “em desacordo” com o aspecto mutável das coisas. Estude Netuno nos horóscopos para determinar como as pessoas implicadas podem ser consideradas desta época, não simplesmente estar nela. Estude as condições da décima segunda casa, as condições de Saturno e as aflições a Netuno ou a Netuno-Urano, conseguindo deste modo algum tipo de configuração de como a pessoa está – ou não – ciclicamente “à vontade neste século”.
            Netuno posicionado na quarta, oitava e décima segunda casa transmite certa sensibilidade natural mesmo se estiver sem aspectos – este circulo contém a promessa de que algum dia nesta encarnação ocorrerão experiências ocultas, com as quais terão que lidar. Seguem-se naturalmente os aspectos que aflige a Netuno quando nestas casas, são particularmente agudas.
            Netuno sem aspectos, como qualquer outro estelar sem aspectos, num dado ciclo é um “viajante iniciando sua jornada”. Se o viajante não é guiado ou instruído apropriadamente, corre o risco de enveredar-se por caminhos errados, dando assim muitas voltas e demorando a alcançar seu destino. Posto que Netuno é a expressão transcendente da “triplicidade mental” – (sendo Lua, Mercúrio e Netuno a “triplicidade da transmissão”) o começo de sua nova jornada deve ser preparado por (1) disciplina e transmutação de sentimentos subconscientes e “reorientação” dos padrões femininos – simbolizados pela Lua – e (2) conhecimento adquiridos de fatos pertinentes à vida espiritual – como expressão das faculdades intelectuais, simbolizadas por Mercúrio. Netuno mal dirigido pode resultar em perversão de compreensão, o que pode pôr a pessoa em contato com as forças da magia negra; tais experiências resultam em várias formas de desintegração e perda da “percepção do plano interno”. Isto por sua vez produz experiências muito difíceis – em vidas posteriores – pelo fato de que o nativo deve realinhar-se com a Verdade. Estude cuidadosamente a posição nas casas e a casa de regência de Netuno sem aspectos para determinar, tão claramente quanto possível, que direção deve tomar Netuno para seu desenvolvimento imediato.
            Uma vez que a vibração de Netuno é fluídica, feminina e impressionável, estude cuidadosamente o estelar que o “disposita”– (Vênus para Touro e Libra; Mercúrio para Gêmeos e Virgem; Lua para Câncer e Sol para Leão) – porque a condição do “dispositor” indicará a essência “do que vem através de Netuno”. Por exemplo, se Netuno está em Câncer, onde é particularmente sensitivo de qualquer modo e a Lua recebe uma vibração aflitora de Marte, a indicação é que o desejo sexual e o potencial para destruição podem ser fortemente estimulados pelas atividades de Netuno nas lunações, nas progressões da Lua, etc.. Se Netuno está em Touro e Vênus está sem aflição, então a pessoa pode ser um ponto focal para uma irradiação amorosa muito espiritual, bem como um instrumento artístico. Sintetize muito cuidadosamente o “dispositor” de Netuno em sua ajuda aos outros, planeje seu “mapa de estrada” de tal maneira que a pessoa possa saber antecipadamente quando certas tendências subconscientes serão ativadas e, assim, possa preparar suas defesas internas. Ajude a entender a sutilidade das expressões de Netuno – as pessoas que entram em cena quando seu Netuno é ativado negativamente, simplesmente objetivam seus próprios níveis subconscientes internos. Tais pessoas podem “tentá-la”, podem experimentar desencaminhá-la para seus próprios propósitos egoístas, ou podem dar-lhe instruções falsas. Portanto, para melhores resultados ela deve “purificar seus pensamentos e reações” e estabelecer consciência do que ela é realmente, porque é, e o que pode vir a ser.
            As observações citadas aplicam também a Netuno com sextis, trígonos e aspectos que não afligem. Estes padrões prometem certa realização espiritual nesta encarnação, mas ainda assim a Lua, Mercúrio e o “dispositor” devem ser estudados. Durante os anos da infância e adolescência muitos negativos subconscientes podem ser intensificados por reação repetida, enquanto a plena expressão de um trígono a Netuno pode ser que não se realize até mais tarde na vida. Netuno “flutua nas ondas do sentimento e do pensamento” – se as faculdades e capacidades mentais estão indisciplinadas e reações subconscientes irregeneradas têm sido intensificadas, pode prevalecer um estado de consciência que obscureça a plena realização do potencial de Netuno. Para sermos justos com aqueles a quem procuramos ajudar, não podemos tomar por certos os sextis e trígonos a Netuno, já que eles são o florescimento de consciência redirecionada.
            Netuno, onde quer que esteja posicionado e qualquer que seja sua aspectação, exerce decisiva influência nas tendências femininas ou passivas, do horóscopo. Se existe um “mais” dos elementos, terra e água e se a Lua e Vênus estiverem em maior evidência que o Sol e Marte, então o horóscopo inteiro leva uma qualidade “hiper-feminina”. Netuno sozinho atua dinamicamente; somos como padrões de consciência que “atua através de Netuno”; se esses canais estão claros e limpos, tornamo-nos receptivos aos impulsos inspiradores e espirituais; do contrário, ocorre o oposto.
            A pessoa que encarna com Netuno no Ascendente atrai evidentemente uma experiência difícil. Mesmo tendo os melhores aspectos, o corpo físico é sensitivo a um grau extremo; suscetível a todas as classes de pensamentos-forma, atmosferas e vibrações emocionais. Esta posição de Netuno é o arqui-símbolo do “instrumentalista”; o veículo pode ser usado formosamente pelas Forças Brancas ou desastrosamente pela Magia Negra. Tal horóscopo deve ser abordado com grande cuidado; é aconselhável descobrir algumas coisas da pessoa para obter-se uma perspectiva do “quadro de Netuno”. Um Ego altamente desenvolvido pode ser representado por esta posição, e as aflições planetárias a Netuno poderiam representar as dificuldades que ele pode ter em “manter os pés no chão” para ajustar-se às fases práticas da vida. Estes aspectos podem contar uma história carmicamente: as fases da vida humana em que a pessoa pode regenerar por sua própria espiritualidade. Uma vez que “os estelares são seres”, cada quadratura ou oposição a Netuno Ascendente pode simbolizar as pessoas que precisam de influência espiritualizante ou aquelas que servem como “provadores” da pessoa de Netuno. Esta pessoa para neutralizar os efeitos negativos de influências irregeneradas deve manter-se “animada internamente” por repetidas recargas espirituais. Particularmente difícil é o padrão de Netuno Ascendente recebendo quadratura ou oposição do regente do horóscopo, seja qual for esse estelar. O Ascendente e seu regente são “o agora” da personalidade – seu ponto focal de expressão para esta encarnação. Este círculo apresenta uma imagem do corpo físico sendo por si mesmo especialmente sensitivo às Forças Negras, e indica claramente que só um treinamento psíquico do tipo mais espiritual pode ser levado a efeito. Esta pessoa precisa de alinhamento contínuo com as Forças Brancas de serviço dedicado, oração, pureza e meios inspiradores, tais como a música. Se ela escolhe trilhar a senda espiritual nas atividades de sua vida, seus motivos e propósitos devem ser imaculados, devendo alcançar compreensão consciente da natureza psíquica do organismo humano – deve chegar a compreender sua própria sensitividade e a responsabilidade que tem perante aqueles que o rodeiam para “ser uma luz”. Sem a compreensão de sua própria natureza e de seus potenciais poderá desviar-se para expressões negativas e, eventualmente, encontrar-se em retrocesso.
            Netuno em conjunção com a Lua é o arqui-símbolo da sensitividade psíquica – especialmente quando se encontra em horóscopos de mulheres. Se as circunstâncias o permitem em algum período de suas vidas, as mulheres com esta posição fariam bem em superar as fases puramente pessoais de experiência feminina esforçando-se “de todo coração” para expressar a maternidade em termos de bem-estar daqueles não ligados a elas por relação consangüínea. Esta posição intensifica o impulso maternal, e as qualidades de simpatia e ternura são muito fortes e profundas. Concentrada na esfera relativamente estreita do círculo doméstico ela pode ser muito limitada. Tais mulheres chegaram a um ponto de partida no viver impessoal, de maneira que “todos que precisam de alimentação podem ser seus filhos”. Fortificada por aspectos fortes, esta conjunção de Netuno-Luas pode indicar o “médium nato” – a faculdade de viver conscientemente nas dimensões superiores de realização através da clarividência ou clariaudiência. Mas, conforme observado acima se deve estabelecer um sólido fundamento – pessoa tão sensitiva não pode arriscar-se com aquilo que é falso e desorientador.
            As combinações entre Netuno e Saturno são muito importantes – e muito interessantes. Estes dois estelares representam os “extremos” da polaridade feminina; Saturno é a vibração mais condensada do espectro planetário; gravitacional na função, ele simboliza a vibração da Terra. Netuno, todavia, é o mais sensitivo, o mais etéreo e “menos terra” do espectro. Os aspectos mútuos de quadratura e oposição desses dois estelares devem primeiramente ser analisados determinando-se qual dos dois é mais forte por posição, signo e esfera de influência no horóscopo. Deve-se fazer também uma comparação sob o ponto de vista da qual é o mais, “afligido” por outros estelares. Quaisquer dos dois que esteja sem aflições pode ser a chave para a solução do “problema” da quadratura ou da oposição, uma vez que, sendo um agente livre, ele serve para neutralizar as negativas do outro. Netuno em demasia, mas desorientado e indisciplinado, significa “dar o fora deste mundo” – irresponsável, não prático, talvez inspirado, mas provavelmente quase “preciso” demais; Saturno em demasia com sua mão pesada, “obscurece a luz das estrelas”, a consciência é presa ao mundo das formas e efeitos, o idealismo é estrangulado pelo peso dos fardos a carregar e pelas responsabilidades a serem cumpridas. A oposição de Saturno a Netuno é muito significativa – indica que esta encarnação proporciona oportunidades para a espiritualização de atitudes que visem o cumprimento de responsabilidades pela Fé e Idealismo e a demonstração de consciência espiritual como redenção de carma de responsabilidade. Ambas as vibrações devem ser usadas para estabelecer equilíbrio entre essas duas forças – vivendo uma expressão sincronizada de ambas, a melhor pode ser utilizada. Saturno em aspecto favorável com Netuno afligido por outro lado é um maravilhoso antídoto contra a enlameação de condições astrais; este padrão promete também uma relação – ou relações – com pessoas que objetivam as admiráveis qualidades de Saturno; podem ser aquelas que atuam como “agentes estabilizadores” na vida do indivíduo e através dos quais ele será – ou poderá ser – alertado para a maturidade do cumprimento de responsabilidade. Elas vibrarão harmoniosamente com os aspectos sérios de sua natureza, e, através da associação com as mesmas, às qualidades mais belas de seu caráter poderão ser acrescidas em profundidade e expressão.
            Um Netuno sem aflição em bom aspecto com Saturno “carregado” é como água fresca num jardim seco. As pessoas representadas por Netuno serão uma fonte de inspiração e refrigério espiritual para o indivíduo, o qual, pelas aflições de Saturno, pode achar a vida muito enfadonha por causa das responsabilidades e de sua própria “consciência de limitação”. Se tal horóscopo está fortemente caracterizado pelas vibrações do elemento terra, e se Urano não está em grande evidência, o indivíduo pode ter a impressão de que seus amigos de Netuno são muito estranhos – ele pode não ser capaz de entendê-los muito bem, mas reconhecerá que precisa do “toque estimulante” deles em sua vida. Ele precisa da compreensão que eles têm da vida interna – a sua própria é tão preocupada com a externa e basicamente, o aspecto promete que, através deles, ele pode nesta vida dar os passos no sentido de libertar sua consciência dos pesados grilhões da forma.
            Netuno é o clamor da consciência humana por “Shangri-la – o lugar da Paz, a fonte das águas da Vida”. A paz é estabelecida no coração humano quando se vive por meio de devoção às melhores, mais belas e mais perfeitas realizações. O aperfeiçoamento é primeiro sonhado, depois visualizado, e depois abordado através dos processos de transmutação, e quando a atração da consciência da Terra é superada, abre-se os portões da verdadeira realização para a Beleza, Paz Interior e Conhecimento da Verdade.

sábado, 10 de novembro de 2012

CAPÍTULO XIII - OS PADRÕES DE NETUNO – “A CASA DOZE”



 A décima segunda casa do horóscopo forma o padrão de experiência essencial da vibração e função de Netuno. Quando consideramos um círculo astrológico em branco, vemos que esta casa situa-se no fim de um ciclo de desenvolvimento; como a Vida é um processo contínuo por encarnações, esta casa também “tem assento atrás da primeira casa (a primeira casa, naturalmente, é o primeiro fôlego da próxima fase ou ciclo em prosseguimento). Neste “assento”, a décima segunda casa pode ser tomada para simbolizar o “fardo de pecado” que o individuo deve carregar por algum tempo enquanto prossegue em sua jornada pelo Caminho. É a redenção deste “pecado” que impele a pessoa a encarnar outra vez para um novo ciclo de experiências. A décima segunda casa é o símbolo astrológico da frase bíblica “pecado original”; cada pessoa traz sua própria memória de pecado – ou irregeneração – de sua encarnação anterior. Em relação ao círculo astrológico como um todo, a décima segunda casa representa o “resíduo acumulado” de um ciclo de experiências; em relação à primeira casa. Ela representa a essência daquilo que ainda está para ser regenerado mediante o ajuste da consciência individual à Cósmica – através de experiências subseqüentes.
            Durante qualquer encarnação usamos as vibrações planetárias como “ferramentas” para o nosso desenvolvimento. Os aspectos planetários fricativos representam nossa necessidade de lições no uso de nossas faculdades – como o modo de Vida “alertar-nos” para as necessidades de desenvolvimento. A décima segunda casa indica, essencialmente, o que fomos como personalidades no passado. Ela conta a história de como contemplamos a vida na vez passada e até que ponto nós, subconscientemente, tendemos a viver esta encarnação em termos do que fomos no passado. Este quadro, caso a décima segunda casa esteja ocupada ou seu regente esteja “atado” por aspectos fricativos ou gravitacionais, pode ser tomado como uma chave explicativa para a maneira de muita gente tender a viver em “termos de retrocesso”. Atravessam as progressivas fases físicas da infância, da adolescência e da maturidade como todos fazem, mas os fortes quadros de memória do passado tornam quase impossível para elas expressarem-se ou compreenderem suas experiências em termos daquilo que é representado por seus signos Ascendentes – o presente. Consideremos sob este ponto de vista, os diferentes tipos de padrões do Ascendente na décima segunda casa para aplicação aos diferentes horóscopos.
            Padrão I: O mesmo signo na cúspide da décima segunda casa e do Ascendente; signo subseqüente na cúspide da segunda casa. Isto é análogo ao estudante perder um ano de escolaridade. Significa que a pessoa está continuando nesta encarnação uma fase de experiência ligada diretamente ao seu ponto de vista no passado, sugere que tal pessoa esteve fora de encarnação por um tempo relativamente curto – e volta exatamente para o que ela foi; na medida em que o regente da Carta esteja aflito, o indivíduo torna-se seu próprio inimigo secreto – uma vez que esse estelar rege também sua décima segunda casa; por este padrão a Vida diz: “Dar-te-ei mais uma oportunidade para fazeres o bem”.
            Padrão II: O mesmo que o Padrão I, exceto em que o signo subseqüente fica interceptado na primeira casa: isto sugere que a pessoa esteve fora de encarnação por um tempo maior que o usual; ela precisa estabelecer seu vínculo com as condições do passado vivendo parte desta encarnação em termos do passado, e de tal modo que, por meio de experiência objetivas, possa ficar ciente de suas potencialidades para a própria desgraça, e assim reconhecer sua necessidade de regeneração e reorientação; o signo interceptado na primeira casa é o companheiro de viagem que vai a frente, mas que espera tranqüilamente à beira da estrada para que a pessoa do Ascendente o alcance. Quando as experiências que refletem a consciência da vida passada tenham sido vividas e a pessoa levada a uma aparente parada em seu desenvolvimento, a consciência do signo interceptado é trazida à sua atenção para alertá-la a prosseguir; o signo interceptado brada ou exclama: “Olá! Estou alegre por ter-me encontrado finalmente; dê-me a mão e vamos embora”. Se um estelar se encontra no signo interceptado, estude-o cuidadosamente por sua qualidade e aspecto; como “os estelares são seres”, este estelar descreverá o tipo de pessoa que possa refletir as qualidades de prosseguimento da pessoa. Este padrão promete progresso nesta encarnação – a “atração do passado” pode ser superada; se o signo interceptado não está ocupado, seu regente por posição e aspectos servirá para descrever o “companheiro que espera adiante”.
            Padrão III: A décima segunda casa contém um signo interceptado: é uma combinação muito complexa de “memórias”; os estelares em ambos os signos da décima segunda casa objetivarão as condições passadas; dada a intensidade de seus aspectos fricativos ou gravitacionais, a pessoa por meio de experiências dolorosas, enfrentará suas “flores do mal” – cujas sementes podem ter sido plantadas mesmo antes da última encarnação. Este padrão significa “prazo de pagamento vencido há muito tempo”; tem a mesma natureza de uma “ordem de despejo” – irredimida nesta encarnação, a conta terá que ser ajustada em um ciclo de experiências futuras.
            Padrão IV: O mesmo signo nas cúspides da décima primeira e décima segunda casa: qualquer que seja o “nível da espiral”, este padrão vincula o potencial para auto-desgraça secreta com as áreas de consciência irredimida pertencentes aos relacionamentos em geral. A décima primeira casa em relação a um ciclo é o ponto culminante da consciência de relacionamento; chamamo-la de “Casa dos Amigos” porque a amizade é a essência do Amor destilado através do cumprimento de toda experiência de relacionamento em determinado ciclo. Os aspectos irregenerados aos regentes planetários dessas casas – ou, caso não estejam aflitos, aos seus “dispositores” planetários – indicarão como a pessoa tende a “bloquear-se” na consciência de relacionamento; um estudo cuidadoso dos padrões de relacionamento paternal-maternal e conjugal pode revelar o tipo de experiência que a pessoa mais precisa “exercitar” para poder cumprir seu ciclo pelo Amor. Este padrão tem também a mesma natureza do “dia de pagamento”, já que a décima primeira casa é o ponto culminante no ciclo.
            Padrão V: Aspecto aflitor ao regente da décima segunda casa – nenhuma interceptação: é indicação de por quê, o que, como, e através de quem a pessoa expressa seu passado irredimido no prosseguimento desta encarnação; significa “o que faz lembrar-se do passado”, e um estímulo forte e crucial do estelar pode “arrastar o indivíduo ao seu subconsciente”, mas a regeneração do padrão através dos elementos construtivos do horóscopo garante um prosseguimento direto.
            Padrão VI: Um estelar na décima segunda casa, mas no signo Ascendente: de todos os padrões desta casa, este é o mais puro significador de avanço. Existe um “segredo” acerca da expressão ambiental deste estelar, mas, em virtude de sua posição no signo Ascendente a pessoa tende automaticamente a expressar a vibração em termos da consciência de sua atual personalidade. As forças irregeneradas que atuam sobre ou através deste estelar podem, naturalmente ser reorientadas em termos do bem essencial próprio do estelar; outro meio de reorientação é garantido pela qualidade regenerada ou aspectos do regente do horóscopo, já que ele “disposita” o estelar da décima segunda casa e é o foco para a expressão e cumprimento da personalidade nesta encarnação. Os aspectos aflitos do estelar da décima segunda casa e/ou os padrões de aflições pertinentes à casa que ele rege indicarão as condições e relacionamentos que a pessoa tende, subconscientemente, a considerar “inimigos” porque, focalizados através de seu signo Ascendente, eles “desafiam seu avanço”; ela tem de usar as forças vibratórias do seu atual Ascendente para redimir ou transmutar essas condições.
            Padrão VII: A primeira casa desocupada, o regente do horóscopo na décima segunda casa e no signo da décima segunda casa: os aspectos aflitores ao regente neste padrão representam ajustes cármicos a serem feitos através de condições ambientais limitadoras e confinadoras; os aspectos regenerados mostram os potenciais para florescimento das qualidades da personalidade em trabalhos ou atividades ligadas a doentes, reclusos ou “infortunados de modo geral”; é uma aderência ao passado – a pessoa ainda não está pronta para estabelecer uma expressão de personalidade ou progresso; essa pessoa parece ter nascido “atrás de seus contemporâneos” – não é “moderna” em seus pontos de vista. Certas elaborações deste padrão podem indicar que o indivíduo, sendo muito dotada de algum modo, expressa no mundo moderno “algo maravilhoso de uma época passada” – a pessoa vive no mundo do “agora”, mas simboliza o mundo daquele “então”.
            Padrão VIII: O regente da décima segunda casa no signo Ascendente, na primeira casa, ou interceptado na primeira casa: este é o “não” da astrologia ao ensino de que as condições ambientais dos primeiros anos são a causa básica das dificuldades posteriores. Por esta posição do regente da décima segunda casa as influências ambientais dos primeiros anos são vistas como efeitos do passado não regenerado. A pessoa encara por meio de certos pais, em certo lugar, e vive sob certas condições na infância porque uma área não regenerada de sua consciência precisa desse tipo de começo para avançar nesta encarnação. As “más recordações” são imediatamente objetivadas no princípio da vida; analisar a Carta aplicando “causa e efeito” dará uma pista sobre a razão íntima da pessoa para encarar sob circunstâncias particulares. Este padrão significa “segredos trazidos à plena luz do dia” – se a décima segunda casa não está ocupada, o carma secreto manifesta-se na infância da pessoa pelos efeitos combinados da vida doméstica nos primeiros anos, arredores do lar e companheiros. As influências maléficas que parecem “desviar a pessoa” são simplesmente objetivações da superfície de seu subconsciente; este padrão pode apontar para uma atitude de maldade deliberada no passado, e de tal natureza que a pessoa é “arrastada para” o mesmo tipo de quadro tão cedo nesta encarnação que não chega a ter força ou inteligência para combater a má influência: simplesmente “cai nela”.
            Padrão IX (cíclico): Quaisquer de duas casas adjacentes cobertas pelo mesmo signo, portanto regidas pelo mesmo estelar: aonde quer que esteja colocado no horóscopo, este padrão efetua o princípio “presente em termos do passado”. Qualquer signo do zodíaco pode estar na décima segunda casa; qualquer signo pode estar no Ascendente. O padrão cíclico da décima segunda casa em relação ao Ascendente pode ser descrito como: aquela área de consciência não regenerada que impele para a reencarnação; o padrão cíclico do Ascendente em relação à décima segunda casa pode ser descrito como: o meio progressivo pelo qual o carma regenerado é redimido pela reencarnação. Como padrão composto de símbolo Cósmico, as frases acima podem ser aplicadas a qualquer parte da Carta que mostre uma ligação do passado com o presente.
            A respeito deste padrão, podemos dizer que a casa com o maior grau na cúspide representa o departamento de vida a ser cumprido por essa particular vibração planetária nesta encarnação; a casa com grau menor (a anterior) representa uma experiência ou relacionamento que ainda espera cumprimento ou regeneração. Posto que a terceira, quinta, sétima, nona e décima primeira casa, são as casas dos padrões de relacionamento progressivo (sendo que, a quarta e décima casa é a casa dos pais) podemos determinar – no Padrão IX – o que no passado impeliu ao atual relacionamento ou como o relacionamento estabelecido no passado vai ser cumprido nesta encarnação. Mercúrio, Vênus e Marte normalmente regem dois signos cada; envolvidos neste padrão e é claro que estes estelares estendem sua influência a uma terceira casa que serve para “completar seu quadro”; os outros estelares, regendo normalmente uma casa, podem reger duas no Padrão IX.
            Padrão X (cíclico): Um estelar na casa que rege, mas no signo seguinte: vemos neste padrão a “relação da décima segunda casa com o Ascendente” expressa em termos da vibração própria do estelar, não por posição na casa. Se o estelar tem um aspecto de aflição, isso indica que a expressão contínua de sua vibração no signo da cúspide “prende a pessoa no passado aflito” e causa enfraquecimento da expressão construtiva ou regenerada. A indicação ambiental ou modalidade de expressão é a mesma do passado, mas nesta encarnação busca expressão através de vibração planetária progressista; é claro que esta última refere-se ao estelar que “disposita” o estelar em questão. Potencialmente este padrão significa muito progresso, posto que a pessoa, desde as experiências passadas, está acostumada a expressar o estelar particularmente nessa casa. Pode indicar também uma grande possibilidade de que o ambiente dos primeiros anos ou a influência dos pais pode tender a enfatizar a expressão do signo da cúspide; os pais, neste caso representariam a “atração do passado”. O padrão exige que a pessoa exercite a expressão de sua própria personalidade e integridade para “abrir seu próprio caminho” nesse departamento de sua vida.
            Todos os padrões são variações daquilo que foi dito: “... e Ele tomou a semelhança de um ser humano”; “redenção do mundo” (consciência irregenerada a ser redimida pela experiência da encarnação) pelo Espírito (aqueles níveis de consciência que foram harmonizados com a Verdade). Estudemos nossos horóscopos com a renovada consciência de que cada configuração estelar nos mostra – em todas as fases de nossas vidas – por quê nascemos e como, pela regeneração, podemos conseguir o “segundo nascimento”, que é a superação do passado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

CAPÍTULO XII - NETUNO – O PRINCÍPIO DA INSTRUMENTAÇÃO


SEJA FEITA A TUA VONTADE, Por esta frase ou uma de suas muitas equivalentes, é que o ser humano reconhece ser um instrumento nas mãos das Forças Universais, sejam estas Brancas ou Negras. Numa atitude de adoração ou consagração, ele abdica de sua vontade pessoal para servir ao seu conceito dos propósitos dessas Forças. Assim também aqueles que estão qualificados para atuar como agentes de liberação de Poder são levados a fazê-lo por impulsos irresistíveis, embora possam não estar conscientes de sua instrumentalidade.
  Um bom exemplo do primeiro grupo é Joana D´Arc, a guerreira-santa da França. Através de sua devoção às suas “vozes” ela se tornou um instrumento nas mãos dos agentes espirituais interessados no desenvolvimento da nação francesa. Exemplo extraordinário de instrumentação consciente foi Isadora Duncan, a bailarina americana; sua inspirada sensibilidade tornou possível a liberação dinâmica do conceito da arte da Dança nos tempos modernos. Entre as muitas pessoas que nos últimos anos demonstraram instrumentação, podemos considerar Bernadette Soubirous, a camponesinha francesa cuja mediação tornou possível o estabelecimento da gruta de cura em Lourdes; Max Heindel; o falecido Padre Flannagan e a Madre Cabrini foram “instrumentos” para o estabelecimento de instituições de ensino, regeneração humana e cura.
  Bons exemplos do segundo grupo são os filantropos que atuam ao longo das linhas mais seculares do governo, da ciência, da economia, etc.. Entre tais podemos mencionar Woodrow Wilson, Thomas Edison, Henry Ford e Albert Schweitzer.
  O símbolo exotérico de Netuno é o “tridente” ou lança aforquilhada do deus dos mares. Esotericamente, contudo, o símbolo representa o cálice de pé, na posição de receber o influxo das energias inspiradoras ou astrais. Além disso, diz-se que Netuno não é realmente um membro de nosso sistema solar, mas que funciona como um “transmissor de energias galácticas” para o nosso sistema. Nesta função de transmissão galáctica, Netuno se equipara em funções, numa escala vasta e transcendente à nossa Lua que “atua localmente” entre a Terra e o Sol.
  Combinando os fatores acima, vemos que Netuno é uma vibração feminina, impressionável, sensitiva, reflexiva, fluídica e receptiva. Como a Lua é “mãe” no sentido pessoal, no que respeita a relacionamento, lar e país, assim também Netuno é “mãe” no sentido universal. A “Mãe Igreja”, que a todos aceita, perdoa e redime, é Netuno; o oceano, abrigando em suas profundezas milhões de formas em evolução, é Netuno; a virtude compaixão, que é compreensão pelo amor, não reconhece barreiras à sua expressão – alcança tudo porque tem experimentado tudo – sua universalidade é uma representação perfeita de Netuno. A magia da Arte é Netuno; sintonizando-se com sua vibração transcendente o Ser humano dá expressão aos impulsos mais elevados de sua consciência através da poesia, do drama, da música, da pintura e da escultura. Por tais meios, o Ser humano desde seu começo tem almejado dar “corpo” aos seus ideais através da direção da técnica pela Vontade, incendiado pela inspiração. “Religião” e “Arte” são duas maneiras de dizer: “Expressão do Ser humano reconhecendo a Divindade”. Através dessas duas formas de expressão o indivíduo prova a si mesmo ser “um instrumento nas Mãos Divinas”. Mediante o exercício dos potenciais de seu Netuno, ele manifesta-se como um microcósmico “transmissor de forças super-dimensionais” em suas habilidades como artista, curador, mestre e filantropo.
  Enquanto Vênus representa a faculdade humana de “responder à beleza” através de suas sensibilidades e culturas, Netuno representa a faculdade do Ser humano de “inventar Beleza” ou “exprimir Beleza” por meio do exercício de seus talentos e habilidades artísticas; ele usa seus materiais como instrumentos para manifestar seus conceitos, mas por sua vez, ao responder à inspiração, ele é um instrumento por meio do qual as grandes Inteligências falam à humanidade. As duas artes que mais especificamente representam a “instrumentação” de Netuno são a Música e o Drama.
  Netuno é o estelar transcendente da triplicidade mental – Mercúrio e Lua são os outros dois. Uma vez que a linguagem ou “a palavra” do plano interno é o tom (vibração rítmica do som), o músico nos “fala em melodia e harmonia tonal”. O músico interpretador atua como um instrumento para manifestar as concepções do músico criador, o qual, por sua vez, atua como um instrumento para as vozes do plano interno. O improvisador exercitado, por sua reação sensitiva à inspiração musical e pela obediência com que seu equipamento físico responde a essa inspiração, é um canal imediato e direto para a expressão artística. No exercício de seu talento, seu corpo, seu instrumento musical, sua inteligência e sensibilidade musicais, tudo se funde em um instrumento composto através do qual nos falam as vozes do plano interno.
  O ator, a partir do conhecimento íntimo que possui da natureza e experiência humanas, que acumulou em muitas encarnações de intensa experiência emocional, simboliza em cada caracterização certo padrão vibratório ou nível do corpo-alma da humanidade. Através de sua inspiração ele transmite o conceito do teatrólogo sobre a natureza humana e assume temporariamente a realidade de certo tipo de pessoa. As melhores atuações requerem, naturalmente, técnicas de observar o tempo, de leitura e de movimentação, mas a qualidade de grandeza espiritual que leva um auditório ao arrebatamento e exaltação é aquela derivada da transmissão do ator de sua própria memória íntima (o supraconsciente) da experiência. Ele externa uma faceta da memória íntima de cada pessoa tocada pelo seu desempenho.
  O Drama da Vida é refletido, microcosmicamente, pelo drama do teatro. Problemas humanos, relacionamentos, alegrias, amores, sofrimentos, derrotas e triunfos, tudo isso é refletido pela projeção do dramaturgo e pela interpretação instrumental do ator. Quando, como indivíduos, escolhemos fazer de nós mesmos “instrumentos do Divino” desempenhamos um papel em nosso próprio Estágio de Vida que é nobilitante, inspirador, belo e triunfante.
  A “instrumentação” é uma liberação focalizada de poder. Quando usadas por pessoas centralizadas nas mais altas dimensões de consciência, torna-se possível um grande serviço de beleza, cura e realinhamento em todas as fases da vida – humana e sub-humana. Contudo, o poder não respeita pessoas ou coisas; ele apenas atua conforme é dirigido. Consequentemente, quando liberado através de uma consciência irregenerada ou não espiritualizada, a instrumentação torna-se um processo pelo qual podem ser expostos negativos indescritíveis. O egotismo, que é auto-centralizado e auto-glorificação, faz da instrumentação uma coisa má porque por meio dele o Poder é desencadeado para a realização de objetivos limitadores e destrutivos. Relativamente a isto, os efeitos vibratórios de Netuno devem ser compreendidos no estudo de horóscopos de criminosos, delinqüentes e psicopatas. Estes doentes são desorganizados, as intensidades de seus desejos predominam sobre sua Vontade e/ou inteligência, com a intensidade de Propósito unida à perversão da Idealidade, e todas essas condições de desajuste tendem a desenvolver suscetibilidade às forças astrais destrutivas. Colocar tais impulsos em ação é “instrumentação negra”. A pessoa cuja sexualidade intensa, mas desorientada leva-a a cometer assassinatos e atos de crueldade como uma “válvula de escape”; isto é um instrumento de Magia Negra; o fanático religioso que em nome do seu meigo e amoroso Mestre, abusa, aprisiona, tortura e escraviza seus semelhantes “para a glória de Deus e de sua Igreja” pode ser perfeitamente sincero em seus motivos, mas com esse tratamento aos outros ele próprio demonstra estar em baixa freqüência vibratória.
  Neste ponto a Inquisição Espanhola pode ser estudada brevemente, já que a organização foi um “instrumento” da “Mãe Igreja”. Havia sem dúvida, muitos membros da Inquisição que fervorosa e sinceramente, ultrajavam os “heréticos” motivados por esforços idealísticos em expressar “glória a Deus”, conforme a igreja deles interpretava. Atos de heroísmo, auto-sacrifício e lealdade cometidos por eles apontam para uma fé inabalável em seu conceito de retidão espiritual. Os meios usados terão de ser respondidos em encarnações subseqüentes, mas há dúvida de que a devoção sincera a um ideal edifica a Magia Branca nos planos internos. A perversão extrema da vibração de Netuno é quando uma falsa idealidade é utilizada deliberadamente para o engrandecimento, auto-glorificação e domínio da mente e do corpo de outra pessoa. Isto é ilusão mascarando ilusão, é a corrupção da corrupção, é uma mentira mentindo a si mesma.
  Quando se inicia a regeneração e os padrões de Netuno do passado estão prontos para redenção, as pessoas são “arrastadas às situações mais impossíveis de controlar”. Elas são influenciadas sutilmente para hábitos que as destroem; pedem pão e recebem pedras; assumem amorosamente uma responsabilidade, e esta se converte em pesadíssimo fardo do qual nunca se libertam nesta vida; buscam iluminação espiritual – conseguem uma espécie de magia negra que as arruína; têm impulsos criadores intensos, mas seus esforços para a auto-expressão são baldados a cada tentativa; são dotadas de extraordinários atrativos físicos, mas nunca encontram a realização do amor que buscam acima de todas as coisas. Em cada um desses casos, a realização do Ideal sempre ilude o sofredor com uma tentação para afundá-lo aos níveis negativos do cinismo, da ira e da fúria desesperada contra a Vida, que ele começa a pensar ser algo que já não pode suportar e da qual deve fugir. Netuno negativo é a “fuga da realidade” através da bebida, das drogas, da intolerância, da perversão e do suicídio. A “fuga da realidade” é a tentativa de escapar da pressão da Voz Interna, que é a realidade do indivíduo, ele não pode enfrentar seus fracassos passados para viver espiritualmente.
  Netuno aflito no horóscopo deve ser estudado como uma indicação cármica de que o Princípio foi pervertido no passado. As pessoas que tentam, de um ou outro modo, escapar aos seus problemas, fazem isso somente porque não estão conscientes do princípio que atua para o seu desenvolvimento. No passado elas fecharam os olhos para a “consciência do Princípio” ao mascararem deliberadamente sua própria verdade. Em tais casos, Netuno atua objetiva ou subjetivamente, de mãos dadas com a Causa e Efeito; nublando as vidas das pessoas com ilusões porque a ilusão foi perpetrada.
  Uma vez que o Netuno de cada pessoa é ativado de algum modo periodicamente torna valioso para o astro-analista saber algo das experiências e reações da pessoa em tais períodos. O indivíduo que “vive com seu Netuno” até certo ponto pode recordar momentos de intensa inspiração e exaltação; poderá referir-se a uma pessoa altamente desenvolvida e de inclinação espiritual com quem travou conhecimento ou a uma experiência de iluminação artística. As pessoas não muito bem relacionadas com esse estelar podem relembrar experiências que lhes causaram consideráveis aflições. Colocavam as coisas fora do lugar e as perdiam; os assuntos materiais pareciam-lhes caóticos e confusos; coisas aconteciam e eram ditas, cujas causas não podiam ser determinadas; os relacionamentos tomavam um aspecto bizarro e coisas insuspeitadas eram reveladas. Nos planos mais sutis de experiência surgiam emoções estranhas e perturbadoras, podendo ter sentido desejos complexos e êxtases peculiares; a força de vontade e os propósitos pareciam dissolver-se em sensações insólitas de lassidão e indiferença; idéias semelhantes à do transe e sonhos fantásticos podem ter sido experimentados. As pessoas cujas Cartas dão acentuada ênfase ao elemento Terra ou à vibração de Saturno podem experimentar na ativação de seu Netuno algo realmente amedrontador; a expressão material da vida parece tornar-se fluídica e todas as perspectivas aparecem fora de foco. Isto é Netuno recordando-lhes a impermanência do plano físico; pode aparecer como uma aberração temporária, mas é na realidade apenas uma mudança momentânea de consciência para um plano mais sutil.
  A qualidade de “hiper-passividade” descreve claramente a “personalidade” de Netuno, e como tal enfatiza de maneira pronunciada as potencialidades receptiva e feminina da Carta. O signo de regência de Netuno, Peixes, é do elemento água e da cruz mutável – o mais puramente impressionável de todo o zodíaco.
  Como a função de Netuno é “canalização”, devemos estudar cuidadosamente os padrões irregenerados dos estelares que aspectam Netuno no horóscopo mesmo que o próprio Netuno esteja sem aflições. Isto é importante porque, embora o “canal” possa ser eficiente em sua função, devemos entender a qualidade “daquilo que vem através desse canal”. Uma pessoa naturalmente dotada de sensibilidade psíquica ou de um elevado potencial de idealismo e devoção pode em suas expressões irregeneradas, abrir-se para todas as formas de influências perversas ou destrutivas. Assim, inundada por ondas de influxo dos planos astrais ela pode submeter seu coração, sua mente e sua consciência a agentes que não são nem meritórios e nem proporcionadores de saúde. Netuno mesmo, sem aflição no horóscopo, é um potencial para transmutações através do Idealismo – ou seja, através do exercício da oração, da devoção ativa a elevados ideais que sejam expressões do Princípio dador de vida, da purificação do organismo inteiro através da regeneração da saúde física e da reação ao poder terapêutico da música e da arte em geral.
  Netuno é o regente da décima segunda casa no horóscopo “natural” ou “cármico”; suas vibrações transmitem uma ou outra classe de condições da décima segunda casa para Casa que tenha Peixes na cúspide – ou que seja influenciada principalmente por esse signo. Os estelares em Peixes – “regidos” por Netuno – são “potenciais para o desenvolvimento da Consciência Cósmica através da redenção de Carma pelo Idealismo”; aspectos fricativos aos estelares em Peixes indicam os necessários “ajustes anímicos”.
A casa que contém Netuno possui o segredo de como você expressa à consciência cósmica e, particularmente através de que padrões de experiência; para que fins você é utilizado pelas forças espirituais ou astrais; a fonte de sua consciência de “céu na terra”; a principal fonte ambiental de sua inspiração; o ponto em que você se sujeita mais facilmente a (seu conceito de) vontade de Deus; sua transcendência da separatividade e sua instrumentação para a verdade.